6 Fusjoner i offentlig sektor
6.2 Studier av fusjoner av offentlige virksomheter
No contexto da internacionalização do ensino superior, como já anteriormente referido, verificamos que existe um grande número de alunos que procura prosseguir estudos noutro país. A decisão de um país de destino para frequentar um curso superior é motivada por várias questões, de ordem pessoal ou extrínseca ao aluno (razões políticas, sociais ou laborais) (CRUP, 2012) e poderá ser influenciada por fatores tais como questões linguísticas e culturais, proximidade geográfica e semelhanças entre os sistemas de ensino (OECD, 2013, pp. 306-307). Num estudo sobre a mobilidade de alunos no espaço europeu de ensino superior (Kelo, Teichler, & Wächter, 2006), é referida a relevância significativa da proximidade cultural e geográfica entre cidadãos dos vários países na escolha de estudar no estrangeiro, nomeadamente no que se refere a fatores tais como a língua dos países de origem e destino ou a definição de áreas preferenciais de destino (por exemplo, países nórdicos para os alunos provenientes da zona norte da Europa, Europa central para os alunos da Europa de Leste) (Kelo et al., 2006, p. 9-11). No levantamento realizado em Portugal, verifica-se a predominância da CPLP como países de origem dos alunos estrangeiros que frequentam o ensino superior em Portugal (Kelo et al., 2006, p. 48).
No relatório referente à internacionalização do ensino superior português são listados alguns fatores ponderados pelos estudantes que se encontram já no estrangeiro aquando da sua
a) A língua de instrução – os países cuja língua oficial é uma das línguas mais faladas a nível global têm potencialmente maior número de alunos estrangeiros;
b) A qualidade da formação ministrada – as IES com maior reputação são as mais selecionadas pelos alunos estrangeiros;
c) As propinas e o custo de vida – apesar de ser um fator bastante relevante, considera- se que não determina, por si só, a decisão do aluno estrangeiro;
d) As políticas de imigração – as restrições ao nível da imigração e da permanência após a conclusão do ciclo de estudos influenciam a escolha do país de destino;
e) Outros fatores – existência de apoios públicos, a facilidade de acesso ao sistema de ensino superior, o reconhecimento da formação, a transferência de créditos, a estabilidade política do país de destino e as limitações da oferta ao nível de ensino superior no país de origem.
A investigação acerca do comportamento de escolha de uma instituição de ensino superior tem focado essencialmente a escolha de uma IES no próprio país de origem do aluno, como são exemplos os estudos realizados na Austrália, Escócia ou no Reino Unido (Briggs & Wilson, 2007; Mazzarol et al., 2001; Price, Matzdorf, Smith, & Agahi, 2003; Shanka, Quintal, & Taylor, 2005).
A decisão de estudar num país estrangeiro ou instituição fora do seu país de origem do aluno tem sido abordada por vários investigadores no âmbito dos fatores push/pull (Eder, Smith, & Pitts, 2010; Lam, Ariffin, & Ahmad, 2011; Llewellyn-Smith & McCabe, 2008; Maringe & Carter, 2007; Mazzarol & Soutar, 2002). Os fatores push referem-se essencialmente a questões económicas ou políticas, que ocorrem no país de origem, tendendo a influenciar em primeira análise a escolha de um país de destino; os fatores pull tendem a influenciar mais diretamente a escolha de determinada instituição e estão principalmente relacionados com os fatores de atração do país de acolhimento e da instituição de destino, tais como o custo de vida e cultura do país de destino, a reputação da instituição de destino, o reconhecimento internacional da formação adquirida, a qualidade do ensino e questões relacionadas com a localização da instituição (Llewellyn-Smith & McCabe, 2008; Maringe & Carter, 2007; Mazzarol & Soutar, 2002). Os fatores push podem ser positivos ou negativos, tendo em conta fatores de repulsão do país de origem (negativos) e fatores de atração do país de destino (positivos); os fatores pull são geralmente positivos e atraem o aluno candidato para a IES de destino (Chen, 2007).
Mazzarol e Soutar (2002) referem que a decisão inicial de estudar fora do seu país é influenciada pelos fatores push, enquanto a decisão do país de destino é influenciada por fatores pull. Os fatores pull mais específicos referem-se às características e fatores de atração da instituição de destino, os quais irão influenciar a escolha final do aluno (Mazzarol & Soutar, 2002).
Nesta secção, analisamos com maior detalhe os fatores push/pull, procurando compreender as principais motivações que levam um aluno a decidir frequentar uma IES fora do seu país de origem, tendo em conta tanto os fatores push que influenciam a saída como os fatores pull de atração do país de destino (Eder et al., 2010; Lam et al., 2011; Llewellyn-Smith & McCabe, 2008; Maringe & Carter, 2007; Mazzarol & Soutar, 2002; McMahon, 1992).
A situação económica do país de origem, nomeadamente os níveis de declínio económico ou de estagnação económica, a instabilidade política e a falta de capacidade
das IES locais de responderem à procura por cursos de nível superior são os principais fatores
que influenciam os alunos a selecionar uma IES internacional (Maringe & Carter, 2007; McMahon, 1992).
A experiência internacional como fonte de enriquecimento pessoal é o principal fator apontado por Eder et al. (2010) para a decisão de estudar fora do país de origem, como oportunidade para se tornarem mais independentes e ganhar experiência no estrangeiro. No estudo de Llewellyn-Smith e McCabe (2008), o desejo de viajar, a oportunidade de diversão e a experiência de viver num país diferente são os três principais motivadores da decisão de estudar num país estrangeiro.
A importância da experiência internacional para a futura carreira profissional é o principal fator valorizado no estudo de Lam et al. (2011) e o terceiro fator mais valorizado no estudo de Eder et al. (2010), na medida em que os alunos respondentes consideram que a experiência internacional é valorizada pelos futuros empregadores. O estudo de Sison e Brennan (2012) conclui que os alunos valorizam a experiência de educação ou estágio profissional no estrangeiro como um importante investimento na sua carreira profissional.
A aprendizagem de uma língua estrangeira, em particular, a língua inglesa, é referida no estudo de Eder et al. (2010) como o segundo fator mais importante na decisão de estudar num país estrangeiro. Este fator é também referido pelos respondentes no estudo de Lam et al. (2011).
A informação acerca do país de destino de que o aluno dispõe no seu país de origem é também um fator preponderante (Mazzarol & Soutar, 2002). Este depende da disponibilidade de informação acerca do potencial país de destino e da facilidade com a qual o aluno consegue aceder a essa informação. A reputação de qualidade do país de destino e o reconhecimento da formação obtida são também parte integrante deste fator. No estudo de Mazzarol e Soutar (2002), este fator foi medido através de quatro itens: fácil acesso à informação sobre o país de acolhimento como destino para educação, o nível de conhecimento que o aluno tem do país de destino, a qualidade da educação no país de destino e o reconhecimento da formação obtida. Os quatro itens, quando combinados, exercem uma influência sobre o aluno com vista à decisão do país de destino. No estudo de Maringe e Carter (2007), relativamente à preferência pelo Reino Unido em detrimento de outros países de destino, os alunos referiram o reconhecimento internacional da formação obtida neste país, a facilidade do processo de matrícula e inscrição, o ambiente de ensino-aprendizagem e a procura de uma experiência de ensino internacional como as principais razões que os levaram a escolher o Reino Unido como país de destino.
O ambiente, isto é, as perceções acerca do ambiente de estudo, mas também do ambiente em termos de condições físicas (condições no país, nos campi) e estilo de vida (Lam et al., 2011; Mazzarol & Soutar, 2002), assim como a atração turística e cultural do país de destino (Llewellyn-Smith & McCabe, 2008), são também fatores de motivação que atraem o aluno para a escolha de um país de destino fora do seu país de origem.
A proximidade geográfica entre o país de origem e o país de destino é também um dos elementos que influencia a escolha de saída do país de origem, tendo em conta que uma maior proximidade entre os países de origem e destino poderá facilitar a mobilidade do aluno (Lam et al., 2011; Mazzarol & Soutar, 2002).
Os laços sociais já existentes, isto é, o facto de o aluno ter já família ou amigos a viver no país de destino é também um dos fatores que influenciará a escolha de sair do país de origem (Mazzarol & Soutar, 2002).
As recomendações pessoais que o país e/ou a instituição de destino recebe dos pais, familiares e amigos do candidato é outro fator considerado na literatura (Mazzarol & Soutar, 2002). Em particular, o papel da família não se limita ao apoio financeiro e à informação prestada, mas inclui também outras dimensões tais como as expetativas criadas em relação à experiência internacional do candidato, a competição entre membros da família ao nível da
formação académica e ainda o poder de persuasão exercido sobre os candidatos (Pimpa, 2003). A perceção da reputação da instituição é um fator determinante no estudo de Mazzarol e Soutar (2002), uma vez que o word-of-mouth é uma das formas mais fortes de promoção, a qual as IES internacionais podem utilizar de forma estratégica. Os familiares e amigos, ou mesmo membros das IES de origem do aluno, que possam ter frequentado as IES de destino serão representantes com grande influência destas IES. O estudo de Mazzarol e Soutar (2002) sugere que, depois de o país de destino ter conseguido atrair um número significativo de indivíduos de um determinado país de origem, esse grupo funcionará ele próprio como fator de atração.
Outro fator apontado é o custo, o qual engloba as propinas, custos de subsistência, viagens, mas também custos sociais como a insegurança, crime e discriminação racial (Mazzarol & Soutar, 2002). A possibilidade de ter um trabalho em part-time é também considerada dentro do fator custo.
Os fatores “recomendações pessoais” e “custo” podem também funcionar como fatores pull em relação à IES de destino, como veremos na secção seguinte.
Mazzarol e Soutar (2002) concluem com o seu estudo baseado em potenciais alunos provenientes de Taiwan, Índia, China e Indonésia que a decisão de estudar fora do país de origem do aluno tem origem em quatro principais perceções:
- um curso numa instituição estrangeira é melhor do que numa instituição local;
- o aluno escolhe um curso internacional quando não tem possibilidade de aceder ao mesmo curso no seu país de origem;
- o aluno escolhe um curso internacional quando o curso desejado não existe no seu país de origem;
- o aluno escolhe um curso numa instituição estrangeira para ganhar um melhor conhecimento da cultura ocidental e com o objetivo de emigrar após a conclusão do curso.
Apresenta-se de seguida uma tabela de sistematização dos vários contributos analisados nesta secção no que se refere às motivações na procura de uma IES estrangeira (Tabela 1).
Tabela 1. Motivações na procura de uma IES estrangeira
Autor Tipo Método Resultados
Eder et al., 2010 Estudo acerca dos fatores que influenciam a escolha de uma universidade por parte de alunos internacionais, através da análise dos fatores push/pull, e desenvolvimento de um modelo estrutural para análise futura e compreensão do processo de decisão.
Qualitativo
(entrevistas) Os alunos estrangeiros valorizam a experiência de educação internacional; os fatores críticos mais apontados como valorizados nesta experiência e influenciadores da escolha da IES de destino são a possibilidade de participar numa experiência única, adquirir novo conhecimento e competências, melhorar as competências linguísticas.
Lam et al., 2011 Análise dos fatores que motivam os alunos internacionais a selecionar a Universiti Kebangsaan Malaysia (UKM) como universidade de destino, através da análise dos fatores push/pull.
Quantitativo
(questionário) O fator possibilidade de melhoria de push mais relevante é a perspetivas de emprego (ao qual se seguem a procura de um melhor ambiente de estudo e a procura de um status social mais elevado); o fator pull mais relevante é a reputação académica do país de destino (seguido da proximidade geográfica com o país de origem e as infraestruturas e instalações). Llewellyn-Smith &
McCabe, 2008 Aplicação da metodologia análise das motivações e dos fatores push/pull à que influenciam a escolha dos alunos internacionais por um determinado programa de intercâmbio numa universidade australiana.
Quantitativo
(questionário) Os fatores mais relevantes são a vontade de push indicados como viajar, a oportunidade de ter uma experiência divertida e entusiasmante e a experiência social de viver noutro país; os fatores pull
indicados como mais relevantes são as experiências proporcionadas pelo país de destino em termos de turismo (Austrália), a existência de programas de intercâmbio entre as IES de origem e destino e o custo de vida acessível da cidade de destino. Maringe & Carter,
2007 Estudo acerca da tomada de decisão e experiência de alunos africanos nas IES do Reino Unido (RU), procurando apresentar hipóteses com o objetivo de reconcetualizar os processos.
Qualitativo
(grupo de foco) Os alunos indicaram razões de ordem económica e política e a falta de capacidade local (também em termos de oferta) como principais fatores para a escolha do RU como destino. O reconhecimento internacional e a qualidade das IES britânicas são as principais razões para escolha de uma IES no RU. Os autores desenvolvem um modelo de seis elementos do processo de decisão.
Autor Tipo Método Resultados Mazzarol & Soutar,
2002 Estudo acerca dos fatores que motivam a escolha de um país de destino por parte dos alunos internacionais, apresentando um modelo push/pull sobre a motivação dos alunos em procurar oportunidades de educação no estrangeiro e os fatores que os influenciam no processo de decisão de um destino final.
Metodologia mista (quantitativo: questionário; qualitativo: grupo de foco)
Os fatores que mais influenciam a escolha de umas IES de destino são a reputação e qualidade da IES, o reconhecimento de formação já adquirida, o reconhecimento de formação na IES de origem, a existência de protocolos de colaboração entre IES e a qualidade do staff. O estudo destaca quatro perceções gerais: i) um curso no estrangeiro é melhor que um curso numa IES nacional; ii) a dificuldade de acesso a um curso superior numa IES nacional motiva a procura por uma IES estrangeira; iii) a inexistência do curso pretendido numa IES nacional motiva a procura por uma IES estrangeira; iv) a pretensão de conhecer melhor a cultura ocidental e o objetivo de emigrar após a conclusão dos estudos.
McMahon, 1992 Estudo acerca da educação internacional ao nível do ensino superior e dos padrões de mobilidade internacional nas décadas pós-segunda guerra mundial, colocando a hipótese de o fluxo de recursos de
conhecimento estar relacionado com as relações políticas, económicas e culturais a nível global, assim como das alterações daqueles padrões.
Quantitativo (estudo estatístico através de análise de regressão múltipla)
Tanto as fracas condições económicas do país de origem como o grau de envolvimento na económica global estão associados com o fluxo de estudantes estrangeiros de ensino superior; os países com papel mais relevante na economia global são também aqueles mais envolvidos em fluxos de educação internacionais.
Adaptado de Pimpa, 2003
De seguida, procuramos compreender quais as fontes de informação mais utilizadas pelos alunos no seu processo de procura de informação durante a “pré-compra”.