3. TEORETISK RAMMEVERK
3.3.2. Sence of place - stedsfølelse
A Clonagem é um tipo de reprodução assexuada, observada na natureza, como nos seres vivos monocelulares, por exemplo, amebas e bactérias. Elas simplesmente se dividem ao meio, dando origem a uma nova vida. Algo parecido ocorre com os vegetais. Curiosamente, “há plantas que podem ser clonadas a partir do caule, da raiz ou até da folha. Foi justamente a partir da observação desses fenômenos naturais que surgiu a palavra klon, clone, para
designar o processo pelo qual se dá origem a um novo ser vivo” (MOSER, 2004, p. 169) de forma assexuada e geneticamente idêntico ao ser de origem.
De acordo com Pereira (2002, p.19), a idéia da clonagem teve seu início no final do século XIX, quando se demonstrou que todas as células de um ser vivo têm seu genoma completo. No início do século XX, foram desenvolvidas técnicas para cultivar células de animais em laboratório. Retirando-se, por exemplo, um pedaço de pele de uma pessoa e colocando-o em um frasco com uma solução contendo um coquetel de nutrientes, depois de alguns dias observam-se sob o microscópio centenas de células se dividindo a partir das células daquela pele original e se espalhando pelo frasco. Isso demonstra que, mesmo fora do organismo, as células continuam vivas, ligando e desligando os seus genes e assim se multiplicando, desde que sejam bem nutridas.
Os primeiros sucessos da clonagem de animais foram obtidos em sapos na década de 1950, por meio da técnica de transferência de núcleo, quando foram gerados sapos adultos a partir de células de girinos.
No entanto, a mesma técnica não funcionava em outras espécies, em particular em mamíferos, não se sabe bem por quê. Foi necessário um longo e dedicado esforço no aprimoramento da técnica para que o processo fosse possível em outras espécies de animais. Na prática, ainda sabe-se pouco sobre a Clonagem como método de reprodução em mamíferos, porém a pouca experiência demonstra que a clonagem de animais, na grande maioria das vezes, não é bem sucedida (PEREIRA, 2002). A grande sensação na história da Clonagem foi mesmo o caso de Dolly, ovelha clonada através da utilização de uma célula diferenciada. Entretanto, mais notável ainda foi a observação de sua penosa caminhada até ter sido sacrificada aos seis anos de idade, o que equivalia à mesma idade genética da mãe e a fazia sofrer dos mesmos males de uma ovelha envelhecida (MOSER, 2004).
A técnica de Clonagem que produziu Dolly foi pioneira, pois foi a primeira a utilizar células não-embrionárias para produzir um clone. Ela consistiu na retirada de uma célula da glândula mamária de uma ovelha doadora, que foi chamada de célula-mãe, a qual foi mantida viva em meio de cultura no laboratório. Em seguida, foi retirado o óvulo de uma outra ovelha, desprezando-se o seu núcleo. O óvulo vazio e a célula cultivada foram fundidos por meio de estimulação elétrica, formando um zigoto ou ovo fecundado, que se transformou num embrião e, ao atingir a fase de blástula, foi implantado no útero de uma ovelha mãe de aluguel. O ser gerado com essa técnica é geneticamente idêntico ao doador da célula-mãe, possuindo as mesmas características físicas e biológicas deste. (DREYER, 2003).
No mundo animal, apesar de uma lagartixa conseguir regenerar a ponta da cauda cortada, o pedaço cortado não é capaz de formar uma lagartixa. A clonagem de animais é mais complexa que a das plantas. Assim, foi necessário o desenvolvimento de uma estratégia bem sofisticada para reprogramar5 uma célula animal já diferenciada, com identidade própria de modo que ela viesse a agir como se fosse a primeira célula formada no momento da fecundação. Essa primeira célula é basicamente um óvulo com o núcleo composto pela fusão do seu próprio núcleo com o núcleo do espermatozóide que o fecundou. Nesse núcleo fundido está o genoma de um ser vivo. O genoma, além do material genético necessário, traz em si uma espécie de instrução, a partir da qual desenvolve o processo de formação de um indivíduo (MOSER, 2004).
Foi na década de 1980 que se desenvolveu um método para geração de clones, alternativo à transferência nuclear – a bipartição de embriões6 (PEREIRA, 2002). A clonagem por bipartição de embriões é feita da seguinte maneira: sob o microscópio, um embrião de oito células é mecanicamente dividido ao meio por uma lâmina finíssima. As duas metades do embrião resultantes são transferidas cada uma para uma “barriga de aluguel” – uma fêmea que irá gestar o embrião, sem contribuir para a sua genética. Dessa forma, a partir de um óvulo e de um espermatozóide, são gerados dois animais geneticamente idênticos.
A bipartição de embriões existe na natureza, dando origem a gêmeos idênticos ou univitelinos. Essa técnica realiza artificialmente um fenômeno natural. Assim, dentro da definição de que clones são seres geneticamente idênticos, gêmeos univitelinos são clones. Com a bipartição de embriões passou-se à possibilidade de produzir dois a quatro animais geneticamente idênticos, ou clones, e isso representa um potencial econômico importante, pois torna possível gerar quatro animais a partir de um único embrião. Porém, a reprodução de cópias de um embrião não permite saber as características que o animal adulto desenvolverá. Ou seja, a bipartição é uma clonagem às cegas, na qual não se sabe bem como será o “ser” que está sendo clonado. Mas começa assim o objetivo de gerar cópias de um ser vivo com características interessantes às ambições particulares e ou para fins de pesquisa. No entanto, apesar de ter alguma aplicação na pecuária, a bipartição ainda não satisfazia o método de clonagem procurado.
5 Ligar e desligar conjuntos específicos de genes.
6 Com o método da bipartição de embriões obtêm-se, a partir de um embrião, dois ou mais animais