A abstra¸c˜ao comportamental (funcional) ´e baseada em eventos, analisando a sequˆencia e a ordem em que eles ocorrem, o tipo de mensagem que ´e enviado, e o funcionamento do sistema de monitoramento. Esta abstra¸c˜ao tange em torno dos seguintes itens de interesse:
Comportamento dos SESs: a an´alise comportamental dos SESs est´a diretamente relacionada com a planta gen´erica (se¸c˜ao 3.1.5), onde s˜ao analisadas as sa´ıdas asso- ciadas `as transi¸c˜oes, bem como o estado atual e a sequˆencia de estados percorridos a cada evolu¸c˜ao da planta. De acordo com a planta, a cada estado passado ´e poss´ıvel se ter uma vis˜ao geral de todas as zonas de prote¸c˜ao de um determinado SES, o que representa uma informa¸c˜ao ´util para auxiliar no processo de tomada de decis˜ao. Al´em disso, a l´ogica empregada na an´alise ´e baseada em um conjunto de regras generalizadas, que ser˜ao descritas com maiores detalhes na se¸c˜ao 3.2.4.
An´alise das mensagens de alarme: a an´alise das mensagens tem rela¸c˜ao com o protocolo Contact ID (se¸c˜ao 2.3.4). Os campos Q e CCC da mensagem est˜ao direta- mente relacionados com o comportamento dos SESs, enquanto que os demais campos constituem informa¸c˜oes ´uteis para definir perfis de ocorrˆencia distintos (SOUSA et al., 2009a). O campo ZXY identifica diferentes tipos de mensagens ocorridas no local monitorado. Entretanto, nem todos os tipos de mensagem representam uma situa¸c˜ao de alarme. Outras j´a possuem decis˜oes pr´e-definidas que n˜ao necessitam de l´ogica para auxiliar na decis˜ao. Assim, ´e necess´ario definir filtros no sistema para selecionar determinados tipos de mensagem que necessitam do apoio computacional.
Funcionamento dos SMCAPs: os Sistemas de Monitoramento de Centrais de Alarmes Patrimoniais (SMCAPs) s˜ao software que, normalmente, suportam moni- torar simultaneamente as ocorrˆencias de alarme de diversos SESs distintos. Os SM- CAPs possuem, geralmente, um m´odulo central de administra¸c˜ao para, por exemplo,
gerenciar dados de usu´arios, zonas, hor´arios, telefones e gerar diversos tipos de re- lat´orios. Os SMCAPs devem manter logs de mensagens de alarmes e informa¸c˜oes sobre os patrimˆonios dos usu´arios que, tamb´em, ser˜ao utilizadas no processo de tomada de decis˜ao.
A abstra¸c˜ao complementar ´e constitu´ıda de particularidades espec´ıficas de cada to- pologia f´ısica (patrimˆonio), al´em de defini¸c˜oes e associa¸c˜oes relacionadas ao projeto de seguran¸ca. Esta abstra¸c˜ao constitui uma an´alise conceitual sobre os seguintes itens de interesse (SOUSA et al., 2009a):
Patrimˆonio Monitorado: um patrimˆonio monitorado (PM) pode possuir um con- junto de v´arias ´areas distintas PM = {A1,A2,A3, ...,Aj, ...,Am} que, em geral, se en-
contram separadas por paredes ou divis´orias (p. ex., cˆomodos de uma residˆencia ou salas de um escrit´orio). Cada ´area normalmente est´a associada a uma ou mais zonas de prote¸c˜ao, de forma que Aj⊆ Cn (vide equa¸c˜ao 3.2) para j = 1, 2, ..., m.
Areas Cont´ıguas: dependendo da sequˆencia de eventos e da rela¸c˜ao de proximi-´ dade entre as ´areas, perfis de ocorrˆencia distintos podem ser definidos com base na rela¸c˜ao de proximidade (p. ex., para detectar dois ou mais indiv´ıduos em um local). Exemplo:
Tabela 3.2: Rela¸c˜ao de proximidade entre ´areas
A1 A2 A3 A4 A5 A1 0 1 0 1 0 A2 0 1 0 0 A3 0 0 1 A4 0 0 A5 0
Na tabela 3.2, os 1’s representam as ´areas cont´ıguas (vizinhas) e os 0’s as n˜ao cont´ıguas. A figura 3.7, ilustra um cen´ario para o exemplo da tabela 3.2 onde pode ser observada a rela¸c˜ao de contiguidade entre ´areas.
A ´area A1 ´e cont´ıgua com as ´areas A2 e A4, mas as ´areas A2 e A4 n˜ao s˜ao
Figura 3.7: Cen´ario com ´areas cont´ıguas.
entre as portas). Do mesmo modo, a ´area A1 n˜ao possui rela¸c˜ao de contiguidade
entre as ´areas A3 e A5, mas as ´areas A2 com A3 e A3 com A5 s˜ao cont´ıguas.
Tipos de ´Areas: as ´areas podem ser identificadas segundo trˆes tipos de classifi- ca¸c˜ao: ´areas de per´ımetro (P), as quais tˆem seus limites (per´ımetro) protegidos por sensores de barreira (p. ex., p´atio); ´areas externas (E), que s˜ao ´areas edificadas que permitem acesso externo, normalmente atrav´es de portas ou janelas (p. ex., garagem); e ´areas internas (I), que n˜ao podem ser acessadas diretamente por es- tarem localizadas dentro de ´areas externas (p. ex., corredor). A figura 3.8 ilustra um cen´ario com os respectivos tipos de ´areas. As ´areas A1 e A3 s˜ao classificadas
como ´areas externas (E), a ´area A2 ´e classificada como ´area interna (I) e a ´area A4
´e classificada como ´area de per´ımetro.
Tipos de A¸c˜ao: dependendo do tipo de mensagem que ´e enviado por um SES, o atendimento a uma ocorrˆencia pode ser classificado segundo trˆes tipos de a¸c˜ao: imediata (I), para ocorrˆencias que exigem a¸c˜ao imediata como, por exemplo, emer- gˆencias m´edicas ou incˆendio; combinada (C), para ocorrˆencias cuja tomada de deci- s˜ao ´e deduzida com base na sequˆencia de eventos e na combina¸c˜ao de informa¸c˜oes; e reportagem (R), quando n˜ao dependem de decis˜ao como, por exemplo, informa¸c˜oes de controle e relat´orios.
Figura 3.8: Um cen´ario com os respectivos tipos de ´areas.
Funcionalidade dos Sensores: quanto `a funcionalidade (comportamento), os sen- sores podem ser classificados segundo dois tipos distintos: sensores que detectam pre- sen¸ca (S) como, por exemplo, sensores infravermelho; e sensores que n˜ao detectam presen¸ca (N) como, por exemplo, sensores magn´eticos. Os sensores infravermelho s˜ao os ´unicos que podem ser utilizados para a detec¸c˜ao de presen¸ca no interior de uma estrutura, sentindo a energia infravermelho emitida pelo corpo humano quando este se move pela sua ´area de cobertura (se¸c˜ao 2.3.1). Outros sensores necessitam de algum tipo de for¸ca mecˆanica para serem acionados (p. ex.: abertura de uma porta ou janela, ou a quebra de um vidro).
Tempo de Atendimento: representa o tempo m´edio de atendimento de uma ocor- rˆencia de alarme, determinado entre a prestadora de servi¸cos (empresa de vigilˆancia patrimonial) e o contratante (cliente). O sistema classifica o perfil de uma ocorrˆen- cia com base na sequˆencia em que os eventos ocorrem, analisando se est´a dentro (D) ou fora (F) do per´ıodo de tempo previsto.
A base de conhecimento apresentada constitui o racioc´ınio sobre a abstra¸c˜ao com- portamental e a abstra¸c˜ao complementar, segundo referˆencias na literatura dispon´ıvel e o conhecimento t´ecnico do especialista.