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Vedlegg 1 – til kap.5

5.1.5 Student nr. 5 - Erik

QUADRO I

Caracterização dos Entrevistados e de suas Famílias

E N T RE VI S T ADO I DADE EM ANO S E SCOLARI DAD E N ATURALI DAD E T EMPO RESI DÊ NCIA (SP) O CUPAÇÃO N ÚMERO D E F ILHOS I DADE D O S F IL HOS N ÚMERO D E P E SSOAS QUE MORA M CO M O ENTR EVIS TAD O M OTIVO DA V INDA A O P ROJETO Q UI X O TE ENT 1 37 II

grau Bahia 31 Diarista 03 13, 11, 06 03

Tratamento p/ filho ENT 2 22 5.ª

série S Paulo 22 Faxineira 03 09, 07, 1, 1/2 04

Curiosidade/ conhecer ENT 3 30 5.ª

série

Minas

Gerais 15 Desempregada 02 13, 01mês 03 Curiosidade ENT 4 41 8.ª série Minas Gerais 20 Desempregada 03 23, 18, 14 05 Tratamento p/ filho ENT 5 40 3.ª

série Bahia 23 Desempregada 03 23, 16, 07 03

Tratamento p/ filho

Em função dos conteúdos ou temas mais marcantes em cada entrevista, e que tendem a se repetir em quase a sua totalidade, optamos por agrupar as respostas em torno destas questões temáticas, organizadas como seguem. Tecemos comentários pertinentes, tendo em vista esses resultados, incluindo o diálogo com outros autores e nossas próprias reflexões.

a) Acolhimento Eqüitativo

O acolhimento, enquanto função do equipamento, do conjunto dos profissionais que aí executam suas atividades e que lidam com a população, é um elemento indispensável no atendimento. São as relações humanas que vão determinar em grande medida as possibilidades terapêuticas, ou de outros procedimentos, conforme nossos entrevistados. Algo que passa pela escuta, disponibilidade dos profissionais, dos recursos auxiliares existentes em dado equipamento social, como confirmam as seguintes falas:

Pr’á mim, até se eu continuasse lá significava muita coisa. Porque a gente se ocupa, melhor, a gente aprende, pessoas simples, você se sente simples também e basta uma conversa que você já sabe resolver qualquer tipo de problema. É um significado pra mim, que é um lugar que eu posso ir e dizer assim, por mais problema que eu tive eu vou saber o que fazer, e vou sair de lá já sabendo o que eu vou fazer. Eu me sinto tão bem lá, tão bem, foi como eu falei, se eu pudesse eu estaria aí direto. E eu falo pr’ás pessoas como é lá, às vezes a pessoa para p’rá ouvir eu explico, aí eles falam: é muito bom esse lugar que você esteve. Porque lá eles têm médico, conversam com você, explicam. Eu falo bastante de vocês p’rás pessoas que dependem de assistência social, tem a minha irmã que tem um monte de filhos, ela nunca foi lá, mas eu sempre falei pr’á ela. (Entrevista 2)

Encontrar um médico “que se interessa pelo caso do meu filho”, que escuta a principal pessoa que no momento cuida da criança, do adolescente, que ajuda na decodificação do sofrimento e a dar sentido ao comportamento do dependente, que esclarece ser aceitável para determinada idade, e ajuda a compreender o que ela está, ou não, apta a fazer, é fundamental no curso de todo o tratamento. Ao mesmo tempo, sobretudo no momento de muita angústia, que o atendimento seja sistemático e se dê

acompanhamento adequado, tomando as providências necessárias, conforme a situação e demanda. O diálogo permanente com o profissional que atende é importante porque ajuda a aprender a sentir-se pessoa na relação com o outro, sobretudo o modo como ele te trata, pode reforçar a auto-estima ou deixar de fazê-lo; desta forma, quem usa aqueles serviços pode recomendá-los para outros.

Se tenho a resposta, ou a sensação, de que estou sendo correspondido, então a distância da casa ao recurso passa a ser desconsiderada “ ... se é para o bem do meu

filho, eu não me importo com a distância ... se fosse no fim do mundo para ajudar ele, eu ia....” (Ent. 5).

Os entrevistados reforçaram também a importância de locais onde se tem proposta que resgata as potencialidades das pessoas, fazendo-as acreditar que são capazes de fazer coisas, de aprender, de ensinar, de trocar com as demais “... quer dizer

que me dá vontade de chegar em frente ao espelho e falar hoje estou legal...” e

descobrir que “... tenho objetivo na minha vida, que é viver... ” (Ent. 3).

Considerando que as entrevistadas enfrentam as questões com seu filho desde tenra idade (na época da entrevista algumas conviviam com a situação há mais de seis anos), acumulando frustrações e possibilidades ao longo da trajetória em busca de ajuda, então a certeza ou o compromisso de conseguir um atendimento adequado encurta distâncias, supera vários entraves, tais como: tempo gasto no trajeto da casa para o equipamento, número de conduções, cansaço, entre outros. Assim sendo, “[...] se

eu tenho um compromisso lá, eu saio mais cedo p’rá não chegar atrasada, então o tempo está bom, eu não me importo da distância [...]” (Ent. 1).

Quanto ao tempo durante o qual algumas famílias já enfrentam a situação é, para algumas, um fator que ajuda a desenvolver recursos para lidar com maior tranqüilidade no enfrentamento da problemática que envolve seus dependentes.

Importa salientar que o parâmetro de comparação dos nossos entrevistados são os outros filhos ou outras crianças que sejam próximas, que fornecem, algumas vezes, elementos para perceber que a criança precisa de ajuda. Essas estratégias revelam o

quanto é precária a rede dos serviços de atendimento às crianças e adolescentes para a população de baixa renda, à qual só se recorre em último caso, quando passa do limite do tolerável, considerando-a como recurso pertinente na solução das suas questões.

Quando se fala de uma disponibilidade pessoal, isso inclui a expressão, atitudes corporais e o conjunto de procedimentos de todo o coletivo dos profissionais alocados ao projeto: desde a recepção, no atendimento pelo telefone, na clareza da comunicação estabelecida, no reconhecimento efetivo do diferente e no grau de afeto com que isso é desenvolvido. Isto significa tratar o outro como cidadão sujeito de direitos, desde cuidar da relação, “[...] Quando as pessoas, para marcar consulta, já te tratam com educação,

então no modo da pessoa conversar com você a pessoa já é educada, tem educação com você, não fica te maltratando com palavra e nem com cara feia [...]” (Ent. 2). Ou

seja, vale toda a qualidade do que seja humano, no momento em que mais precisam, sobretudo na dor, no sofrimento, nos desafios de terem que arcar com os cuidados das novas gerações.

Não podemos ignorar o receio que acompanha as pessoas, que calculam possíveis negativas, mas antes evidenciar nossa receptividade, prioritariamente ressaltando aspectos positivos, na esperança que deste modo se vá garantir o afeto, a qualidade do atendimento. Ao propiciarmos este espaço, estamos produzindo, aprimorando, resgatando os mecanismos para reprodução da sociabilidade relativa aos mais próximos, construindo e reconstruindo a ação multiplicadora, pois “... sendo útil para mim é para os outros” ( Ent. 3).

Nas condições antes citadas, todo o esforço da equipe incide no resgate das potencialidades, da auto-estima, superação das incapacidades, redescobrindo o “objetivo da vida”, no sentido da expressão de uma entrevistada que citamos anteriormente. “...

agora mais do que nunca, eu quero aprender, o que ficou para atrás eu quero esquecer

[...]” (Ent. 2).É fundamental nutrir-se de força para lidar com as situações e problemas, possibilitando uma ação multiplicadora “[...] se eu aprendi e se eu vejo uma vizinha que

dificuldade, aí, eu falo: “A., eu estou fazendo bolsa no projeto, eu falo, vamos lá aprender cortar, eles ensinam, elas ensinam, eu passo para os outros, eu passo para as pessoas que queiram, que estão interessada; então, se as pessoas quiserem elas vão fazer [...]” (Ent. 1). Desta forma, a socialização do conhecimento, das experiências de

vida, propiciam o aprimoramento pessoal, com a elaboração do sofrimento, que pode ser momento embrionário para um processo de atuação de forma coletiva.

Ao selecionar a equipe de trabalho, e ao longo de todo o processo de exercício das atividades, há que considerar as características individuais, a experiência e as habilidades desenvolvidas que propiciam a qualificação e a competência ( formação e reflexão constante sobre o fazer profissional) para trabalhar com o tipo de demanda enfrentada pelo Projeto.

Em casos de conflitos domésticos, o acolhimento por parte do equipamento deve constituir o lugar de pertencimento, ser a “casa” para o usuário, onde ele se sinta à vontade, onde possa rir, ficar feliz, esquecer o peso dos problemas, onde possa desanuviar a mente “[...] Toda vez que eu ia lá eu me sentia bem. Porque na minha casa

eu me sentia mal, devido o fato que eu passava lá. P’rá mim o projeto era a minha casa, um lugar onde eu ia e ficava feliz, ria com todo mundo. Nem parecia que eu estava passando o que eu passava na minha casa”.

b) Atendimento integrado

A abordagem das necessidades humanas, por serem múltiplas e envolverem as diversas dimensões e diversidades, desafiam nossas capacidades fragmentadas, constitutivas das sociedades contemporâneas, de lidar com elas. Os equipamentos, os profissionais são habilitados para atender com mestria e competência invejável alguns aspectos da dimensão humana, mas muitas vezes falta complementaridade, articulação, entre as diversas práticas, políticas e programas de atendimento. As intervenções se arriscam assim a serem pouco produtivas quanto a dar uma resposta mais adequada às necessidades e, até certo ponto, aos desejos, dos usuários.

A questão, a dor, a queixa até podem ser localizadas, mas a resposta precisa contemplar a integridade do ser humano nas suas múltiplas dimensões. Essa situação desafia a maioria dos serviços, habituados que são à intervenção que privilegia o fragmento ou apenas alguns aspectos do atendimento às necessidades humanas, propondo-se a cuidar de um problema específico, sem considerar toda a situação envolvida.

Se atentarmos para o fato de que os condicionantes de ordem econômica afetam a população atendida, um atendimento integrado oferece subsídios para diminuir os custos e é racionalmente efetivo como é o caso de uma política complementar de distribuição de renda. Considerando que a pobreza não é apenas a ausência de renda, torna-se fundamental inovar na oferta de serviços, utilizando formas alternativas às tradicionais, sobretudo quando estas não funcionam.

O desafio é usar todas as competências técnicas profissionais, na perspectiva interdisciplinar, e demonstrar, no atendimento, um investimento suficiente para que a pessoa atendida saiba que realmente todos os recursos disponíveis foram, ou estão sendo, utilizados no sentido de atender à demanda apresentada. Por outro lado, trata-se de resgatar as potencialidades do atendido, fazê-lo acreditar, propiciando condições concretas para que realize aquilo de que é capaz, fazendo-o recuperar sua auto-estima para não “[...] comer por comer, não fazendo muita... diferença, agora não, agora estou

com gosto... quer dizer que me dá vontade de chegar em frente do espelho e falar hoje estou legal, hoje estou me sentido bem [...]” (Ent. 5). Quer dizer ainda permitir o acesso

a diferentes serviços a quem não pode custeá-los diretamente, propiciar um espaço onde as pessoas se sintam bem de estar, oferecendo estratégias e mostrando “[...] enfrentar o

problema, não estão querendo dar sumiço nelas mesmas [...]” (Ent. 5).

Quando os serviços estão subordinados a instâncias de gestões diferentes, maior é a dificuldade da sua articulação no atendimento das necessidades da população. Neste caso, exige-se maior criatividade dos envolvidos. É necessário, por exemplo, tecer a rede de relacionamentos que ajudam a desbloquear os entraves institucionais para conseguir uma consulta. Os entrevistados falaram da necessidade de um serviço diferenciado, que atenda os que estão precisando, que estão “no fundo do poço”, para evitar que o cuidador entre em desespero; evitar que “uma mãe cometa loucura”. Isto é indispensável para a saúde do cuidador. Daí que o equipamento precisa ser continente, ou seja, oferecer acolhimento “[...] que tenham muito saco para cuidar dos adolescentes

e das mães loucas” para fazer “o bem” visando os responsáveis, acolhendo-os, tratando

bem a todos, e com eqüidade os diferentes, mostrando sempre disposição para absorver o novo “com a mão na massa”. Deste modo supomos que se pode evitar a internação, o confinamento, a ocultação dos conflitos quando a situação foge do controle do cuidador.

c) Cuidando além do indivíduo

Os cuidados com crianças e adolescentes extrapolam as necessidade individuais

e abrangem a família não enquanto unidade (MARSHALL apud CAMPOS & MIOTO,

2003:167) mas como um todo, ainda que, num primeiro momento, isso não seja reconhecido pelos envolvidos pela situação, como mostra o trecho “[...] foi quando eu

voltei, eu te contei isso, eles ofereceram tratamento para mim mas não estou doente, quem está doente é o meu filho, aí foi quando você falou, não a gente aqui, a gente cuida da família toda e aqui nós não internamos, a gente cuida, aqui tem psiquiatra, aqui tem educadores, você vai gostar daqui. Foi aí que eu acordei, quando você falou que ia cuidar da família toda, eu achava que seria só eu, porque cuidar de mim, eu não entendia, a gente é um pouco burra... tem que explicar mais” (Ent. 4).

Que o serviço faça ou prometa o que poderá fazer, no sentido de os profissionais dedicarem-se integralmente às preocupações trazidas pelo usuário, ou seja, que garanta o atendimento adequado, inclusive o acesso ao medicamento, pois “ [...] porque se não

fosse esses remédios meu marido já tinha matado meu filho, ou ele estava no mundo do crime, ou talvez ele já estava na rua, já tinha abandonado a casa” (Ent. 4), e não

apenas fazer os procedimentos técnicos adequados. Encontrar pessoas “[...] que vai

entender...” (Ent. 4), que têm empatia pelo sofrimento alheio, que compreendem; ter no

círculo das suas relações, pessoas que podem ajudar a vencer os obstáculos criados para o acesso a diferentes programas, serviços e políticas “[...] e ia voltar sem atendimento

da consulta, ...quer dizer encontro a doutora X chegar, converso com ela, ela me dá o encaminhamento, o Y liga para lá [...] conseguir marcar a consulta, quer dizer eu tenho que agradecer a Deus por essas pessoas e achar esse local melhor” (Ent. 4). Ter isto

significa encontrar no equipamento alternativas de sobrevivência e mecanismos para contornar, acessar e viabilizar o direito, e livrar-se, em algumas circunstâncias, de situações freqüentes, em que se é refém das relações com amigos e pessoas em geral.

Ser algo/alguém que inspire confiança e, por conseqüência, “um local com

segurança”, que alivie, “ pra não ficar cheio de problemas e se envolver com drogas e tudo que vem por aí, as más companhias” (Ent. 3). Essa condição é permitida pelo

saber, experiência profissional que são transmitidos na relação de atendimento, que não são impostos.

A sensibilidade do profissional ao avaliar, diagnosticar e sugerir a conduta para o manejo da situação é de extrema importância para que os cuidados atinjam outras dimensões dos usuários: “ E a ‘neuro’, encaminhou pro psiquiatra infantil, no Veleiros,

e a psiquiatra disse que não tinha condições de atender o T., como estava a minha casa. Que da maneira que estava a casa não tinha como tratar ele, que não ia adiantar o tratamento. Então que eu resolvesse primeiro os problemas da minha casa, pr’á poder ter um tratamento com ele... ” (Ent. 1). Aqui se revela, pela forma crítica com que o

entrevistado se referiu à proposta do terapeuta, que não passa facilmente o subterfúgio de “medicalizar” 10 uma questão que é social (LESCHER, 1998).

d) Expectativas com relação ao serviço

Em relação ao serviço, espera-se que ele cumpra com o papel a que se propõe, ofereça uma esperança de futuro capaz de assegurar ao usuário que algo melhor poderá ocorrer, que possa satisfazer uma “certa curiosidade reservada” (Ent. 3), que seja um lugar que permita à pessoa uma “volta com espírito lavado, eu diria assim de alma

lavada, saiu dos problemas” (Ent. 3), que aprenda, que consiga acolher, articular os

serviços necessário na rede, de tal maneira que os diferentes agentes dessa rede tenham

ou contribuam para uma ação terapêutica, que o ambiente que lida com a demanda se

organize em função da complexidade e exigências que a mesma impõe.

Na sociedade de mercado, que é aquela em que vivemos, a valorização das práticas, atos, coisas, parece passar a ser mediada mais pelo valor econômico que lhes é atribuído do que outro. Nestas circunstâncias, para aqueles incapazes de custear os serviços que usa de seu próprio bolso, passam a considerá-los como de segunda categoria. A esta postura somam-se as reais dificuldades de funcionamento desses

10 Usamos aqui a palavra “medicalizar” no sentido de curar os problemas oriundos da questão social via medicamentos psiquiátricos, como se trata-se de transtornos mentais (loucura).

serviços, dotados de recursos freqüentemente insuficientes, com carências diversas definido um quadro em que criatividade profissional nenhuma consegue dar conta de transformar. Ambos os fatores concorrem para a fragilização da participação dos beneficiários em relação às organizações, impossibilitando-lhes perceber o atendimento enquanto direito e, em conseqüência, dificilmente chegarem a se organizar para exigir a qualidade que lhes deveria ser oferecida.

“[...] por meu intuito é que ele venha a ser um cidadão de bem... e interesse nas

pessoas, na equipe que atende que às vezes cansa [...] mas eu sou persistente que tento, eu tento mesmo eu sendo arrastada eu tento, porque mais tarde quando ele tiver na idade dele, eu quero ter a certeza, que eu trabalhei...” (Ent 1).

Isso quer dizer encontrar recursos que contribuam para que os sujeitos se constituam cidadãos, que os profissionais invistam e utilizem suas capacidades para oferecer o melhor de si (embora isso pressupõe que eles tenham condições para levar a bom termo essa intenção) nos atendimentos, que se propicie atendimento ou dar direcionamento adequado com profissional à altura de atender a necessidade apresentada pelos usuários. Por outro lado, espera-se que tais profissionais tenham recursos e insumos necessários para o desenvolvimento das suas tarefas porque “[...]

não adianta eu falar assim precisa de um profissional sendo que o profissional não tem como trabalhar [...] não tem equipamento para trabalhar [...] eu acho que a unidade deveria ter meios tanto de atender, como o profissional de trabalhar; sem o profissional ter os equipamentos que ele precisa, ele não pode atender” (Ent. 1). Algo que passa

pela “liberdade e autoridade” para construir e conseguir esse recurso.

É importante saber que “[...] então eu acho que se uma mãe procura um serviço

desse é porque realmente ela está precisando mesmo de ajuda para não cometer nenhum tipo de besteira...” (Ent. 4 ).

Encontrar o saber profissional experiente, que se transmite na relação, no processo de atendimento que inspira confiança e segurança a quem procura o serviço. Falha na prestação dos seus serviços aquele serviço que não consegue atender os objetivos a que se propôs, porque ora faltam profissionais, ora os que existem chegam tarde ou, simplesmente, não vão ao trabalho, não cumprem os horários adequadamente.

Obter informações sobre o procedimento ao longo de toda a conduta terapêutica, numa relação que privilegia a escuta e o diálogo mútuos com o usuário, promove a

cidadania e dá a sensação de auto-confiança “[...] é isso que faz o serviço andar melhor

não só na saúde mas em geral” (Ent.1). Oferecer aos filhos, se possível, uma condição

diferente, de preferência melhor (melhor aqui, muitas vezes remete ao que o sujeito passou ou registrou na sua memória, um valor subjetivo portanto) do que a que tivera na infância, descrita como precária, que frustrou sonhos, possíveis realizações pessoais. O parâmetro é de uma medida que não se quer repetir, ou pelo menos não em grande parte, das recordações que marcaram amargamente a vida.

Enfim, para alguns usuários, é ter profissionais que tenham “.. que ter muito

saco... [ e que o ] ... o carinho que as pessoas tem lá, eu não queria que acabasse nunca ...”, ou seja, que os profissionais tenham ou passem a mensagem que têm disposição e

amor suficientes. Mas também que trabalhem articulados, “Em rede, em conjunto” (Ent. 1). Pois seria ingenuidade esperar que um indivíduo, não obstante seu status social, consiga uma solução para o conjunto, como se afirma a seguir “a não ser que tenha

algum chefe, que tenha consciência do que tá fazendo pra verificar né. Porque quem sofre é a população. E outra a população tem medo de reclamar pelos seus direitos, e vai engolindo e nisso vai acontecendo mais e mais”.

As potencialidades de um chefe tem limites, “Porque os psicólogos, ou não vão,

faltam. Quando vai, não atende o horário que deveria ser atendido. Se é quarenta minutos, vamos supor, tá marcada a consulta pra 10 horas ele só chega dez e meia. Quando é quinze pras onze, abre a porta e o menino sai. E a outra consulta é na outra semana ou daqui duas semanas. Como uma pessoa que precisa de um acompanhamento sério, psicológico, vai conseguir alguma coisa? Algum resultado assim? Não consegue. Na minha opinião não consegue” (Ent 1).

Observamos, na nossa prática, que a solidariedade de alguns (convidando, cedendo lugar em seus domicílios etc.) tem evitado o rompimento definitivo dos relacionamentos com a família e a comunidade de origem das crianças e adolescentes. O acolhimento em