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O Brasil é considerado por muitos pesquisadores um rico berço de experiências anômalas. A diversidade advinda de suas raízes históricas e culturais, para a qual contribuíram povos oriundos de diversos países do mundo, fomenta no Brasil uma miscelânia de crenças e religiões onde muitas das experiências consideradas anômalas em outros países encontram aceitação, chegando mesmo a integrar suas práticas e sua doutrina.

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“operaciones ‘imperfectas’ de nuestros propios procesos psicológicos de percepción, cognición, y recolección.”

26 O site da PA mantém uma lista atualizada de cursos oferecidos por universidades. Alguns exemplos são:

Universidad Abierta Interamericana na Argentina, Freiburg University na Alemanha, Roland Eotvos University na Hungria, University of Amsterdam na Holanda, University of Gothenburg e Lund University na Suécia, University of the West England, Coventry University, University of Derby, University of Edinburgh, Queen Margaret University, University of Greenwich, University of Hertfordshire, Lancaster University, University of Liverpool, University of London, University of Northampton e University of York no Reino Unido, Sofia University, Saybrook University e University of West Georgia nos Estados Unidos.

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Em um artigo de 2005, Fátima Machado nos conta como a Parapsicologia no Brasil está associada a ideias errôneas e equivocadas, difundidas por grupos com interesses particulares, que se afastaram dos princípios acadêmicos praticados no eixo EUA-Europa.

Ela relata como neste país a Parapsicologia sempre esteve envolvida com grupos de tendências religiosas, especialmente católicos e espíritas kardecistas, que procuravam explicar as experiências psi pela ótica de sua respectiva fé, e como o próprio termo ‘parapsicologia’, no conhecimento popular, remete a crendices, superstições, ocultismo, e qualquer coisa que seja bizarra ou fora do comum.

A motivação espírita para a defesa da então Pesquisa Psíquica vinha da perseguição religiosa sofrida no país desde o final do século XIX, quando a prática do Espiritismo e de qualquer outra religião mediúnica era considerada ilegal pela Velha República. O que primeiramente era um interesse puramente doutrinal tornou-se interesse acadêmico como forma de justificar sua prática e dar um caráter científico ao movimento. Quando, por volta de 1895, a perseguição ao Espiritismo diminuiu, o interesse voltou a ser doutrinal (Hess, 1997).

Já a Igreja Católica tinha motivações diferentes:

A disputa entre católicos e espíritas [...] começou na primeira metade do século XX. Nesse período, a Igreja Católica viu ameaçada sua hegemonia em terras brasileiras pelo crescente aumento de adeptos ao Espiritismo e de pessoas que, mesmo continuando oficialmente católicas, participavam de sessões mediúnicas, desde fins do século XIX. (Machado, 2005, p. 3)

Durante o período de ditadura de Getúlio Vargas (de 1930 a 1945), a Igreja Católica fez uma pesada campanha contra o Espiritismo tentando desmascarar as

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“mentiras espíritas” com discursos e publicações que utilizavam-se dos conhecimentos oriundos da Pesquisa Psíquica. Esse movimento continuou nas décadas posteriores com o apoio da CNBB, Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, que passou a pregar o Espiritismo como um desvio doutrinal perigoso.

A década de 1960 testemunhou o que Hess chamou de “guerra de palavras” (Hess, 1987a, p. 473) quando dois fortes defensores de suas respectivas doutrinas iniciaram um embate que viria a se prolongar até os dias atuais. Do lado espírita encontrava-se Hernani Guimarães Andrade (1913-2003), engenheiro e intectual espírita, fundador do Instituto Brasileiro de Psicobiofísica (IBPP). Do lado católico estava Oscar Gonzáles Quevedo (nascido em 1930 e ainda vivo), então seminarista jesuíta espanhol e mais tarde fundador do Centro Latino Americano de Parapsicologia (CLAP), enviado ao Brasil especificamente com o objetivo de “livrar” o país da superstição espírita.

Observemos alguns exemplos dessa guerra de palavras. Enquanto Quevedo afirmava que:

A Parapsicologia opõe-se à posição espírita por tê-la como ‘apriorística’ e supérflua; porque não explica o que trata de explicar e porque tem sido demonstrado que seus fundamentos não resistem ao rigor da experimentação científica. Por outra parte, quero deixar claramente estabelecido que isto não quer dizer que a Parapsicologia negue alguma intervenção produzida de vez em quando ‘de lá para cá’, espontaneamente, por poder divino. Existem fenômenos que a Parapsicologia não tem podido explicar: aquilo que nós chamamos de milagres. Mais ainda, fenômenos que superam claramente as possibilidades humanas. Tais fenômenos só aconteceram em contexto religioso divino. À exceção destes poucos fenômenos, insisto em que todos os demais os explicou e os explica hoje a Parapsicologia como fatos naturais. São fenômenos da alma humana não atribuíveis aos espíritos nem a nenhuma outra entidade (Quevedo, 1973, p. 21 apud Machado, 2005).

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Andrade, sob o pseudônimo de Lawrence Blacksmith, o qual recorrentemente usava, contrapunha:

Nos países onde predomina o materialismo além da influência de outras crenças religiosas reacionárias, os fenômenos espiritóides são ou desacreditados ou descartados. As faculdades mediúnicas são logo abafadas, catalogadas e tratadas como casos vulgares de psicopatia ou neurose, assim que se manifestam.

A precariedade de informação atrás referida teve outras consequências negativas, no tocante à Parapsicologia em nosso país. Propiciou a proliferação de pseudo-parapsicólogos com objetivos escusos e não- científicos. Entre esses aventureiros, alguns religiosos fanáticos e intolerantes procuram disseminar a confusão no seio da massa leiga, usando indevidamente o nome da Parapsicologia como suporte de seus absurdos ataques ao Espiritismo. Aproveitando-se da ingenuidade da maioria mal informada, lançaram mão de vulgares argumentações não científicas a favor de suas teses esdrúxulas (Blacksmith, 1979, p. 13 apud Machado, 2005).

Enquanto ambos, assim como outros membros pertencentes e estes grupos, utilizavam-se dos estudos parapsicológicos para justificar crenças e experiências vividas em sua fé, os não-religiosos afastavam-se cada vez mais destes estudos, motivados pelo falta de neutralidade científica observada, que desacreditava ainda mais seu status acadêmico. Outro resultado dessa guerra de palavras foi a conotação negativa que o termo parapsicologia viria a receber definitivamente em terras brasileiras.

Ainda encontramos no Brasil grupos de pesquisa parapsicológica declaradamente ligados à doutrina espírita, sendo esta a de maior representatividade numérica dentre os pesquisadores brasileiros. Já a parapsicologia católica caiu em declínio nas últimas décadas. O CLAP passou

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alguns anos fechado na década de 1980, mas foi reaberto ao final desta, continuando em atividade até hoje.