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4. Presentasjon av funn og drøfting

4.3 Struktur

Não se pode deixar de considerar, pelo prisma da realidade contemporânea, que o adolescer tem revelado contornos cada vez mais imprecisos, pois a solidez das instituições familiares e educativas de outrora atuavam como dispositivos reguladores, modelando os processos de construção da identidade e organizando a transição para o universo adulto (Birman, 2008; Nosek, 2005; Ungar, 2007). Neste âmbito, os rituais de passagens criados e compartilhados na malha social cumpriam o papel de oferecerem significado às trajetórias de vida, na medida em que ordenavam as experiências pessoais e o viver comum, por meio da elaboração do passado, da significação do presente e da projeção para o futuro (Nosek, 2005). Na era das fronteiras diluídas no tempo e no espaço (Bauman, 2001), entretanto, não são evidentes os momentos de transição e, nesse sentido, observa-se tanto o encurtamento da infância quanto um prolongamento da adolescência e da dependência familiar, adiando-se o ingresso na vida adulta (Birman, 2008).

Do ponto de vista de Kehl (1998), o estilo dinâmico e versátil do adolescente atende e representa a cultura de mercado do mundo contemporâneo, quando o que se valoriza é a flexibilidade e a realização imediata do prazer em detrimento do que é histórico, antigo, maduro. Assim, a autora chama a atenção para a “teenagização da cultura”, uma vez que todos anseiam por ser jovens, bonitos, saudáveis e, acima de tudo, felizes. De fato, por que crianças e adolescentes desejariam assumir papéis adultos? Afinal, em consonância com o atual cenário, é comum identificar pais “teens”, seduzidos pelo ideário individualista e pela cultura midiática que preza a juventude, a aparência, a potência. Estes se posicionam não como figuras de referência mas propõem relações horizontais, atuando como iguais, amigos e confidentes de seus filhos, muitas vezes invadindo-os com suas próprias experiências emocionais e dividindo com os mesmos suas inquietudes existenciais (Almeida, 2009; Birman, 2008, Oliveira & Dias, 2001). Calligaris (2001) provoca ao dizer que os adolescentes de hoje têm permanecido nesse longo “limbo” que antecede a vida adulta porque inconscientemente encenam o sonho do adulto contemporâneo: permanecer jovem.

Autores como Barreto e Aiello-Vaisberg (2010), Birman (2008), Leitão (1996), Lemgruber (2011) e Oliveira (2007) defendem que os pais estão entre os responsáveis pelo adiamento do ingresso dos filhos na vida adulta, pois atuam através de mecanismos conscientes e inconscientes para postergar a separação emocional de seus filhos. Na década de 90, estudo realizado por Leitão (1996) caracterizou aspectos da dinâmica do funcionamento familiar que se relacionavam com o fenômeno do “prolongamento da adolescência” no Brasil. Segundo a autora, os pais adiavam o estabelecimento de um papel mais adulto por parte de seus filhos, por meio de mecanismos de exaltação dos aspectos mais prazerosos associados à adolescência e por meio da negação dos conflitos pertinentes às decisões que permeiam esta fase da vida. As autoras observaram que os pais manifestavam dificuldades para lidar com a sexualidade dos filhos, mantendo com estes uma relação de cumplicidade excessiva e de falta de privacidade. Outros aspectos importantes citados se relacionavam aos meios utilizados, ainda que inconscientes, para manter os filhos dependentes e que se associavam à supremacia dos “direitos” na casa em detrimento dos “deveres” a serem cumpridos. Também estava subjacente uma espécie de “jogo financeiro” que não preparava o jovem para a administração e o investimento do dinheiro. A elaboração de projetos de carreira de difícil implementação era outro fator que contribuía para adiar o processo da independência em relação aos pais (Leitão, 1996).

Considerando as mudanças nas relações familiares devido à revisão de paradigmas e referenciais simbólicos, Birman (2008) destaca a necessidade de se reconhecer que mudanças de ordem social e econômicas, aceleradas a partir do fim da década de 80, também vêm contribuindo substancialmente para transformar os processos de transição rumo à vida adulta. Na opinião do autor “[...] o processo de globalização da economia em bases neoliberais provocou o desemprego em escala catastrófica, sempre em nome da produção de riqueza e da rentabilidade do capital, afetando diretamente a juventude (Birman, 2008, p. 10). Assim, diante da impossibilidade de serem absorvidos pelo mercado de trabalho, aqueles que seriam considerados os “jovens adultos” permanecem em uma espécie de adolescência quase infinita, na opinião de Birman (2008).

Bock, Furtado e Teixeira (1994) também apontaram que a questão da “formação permanente” refletida no aumento do tempo de dedicação aos estudos em resposta às exigências extremadas do mercado de trabalho e aos altos níveis de competitividade, favorecem a crença de que nunca se “está pronto” o suficiente, dificultando o estabelecimento de metas realísticas e o consequente processo de independência em relação à família. Desse modo, diante da maior liberdade de expressão no espaço familiar, do declínio das autoridades

e do controle parental, da exaltação da juventude nos diversos setores da sociedade mas, também, da imprevisibilidade dos cenários social e econômico e das dificuldades para se estabelecer planos a longo prazo, muitos jovens têm se perguntado se vale a pena assumir responsabilidades adultas e, mesmo, se é conveniente ou seguro sair da casa de seus pais.

No contexto português, Nascimento e Coimbra (2001/2002) também destacando as mudanças no mundo do trabalho e as implicações relacionadas à dificuldade quanto ao primeiro emprego e ao aumento do período da escolarização, apontaram que essa situação tem refletido no adiamento da saída da casa dos pais pelos filhos, postergando suas entradas no universo adulto e a assunção de tarefas psicossociais. Este cenário de coabitação prolongada, que obriga a uma renegociação de novos espaços de autonomia, tem contribuído para prolongar a dependência do jovem, instrumental e emocional, em relação à família de origem (Nascimento & Coimbra, 2001/2002). Pappámikail (2004) defende que na realidade tem havido uma substituição do modelo de transição juvenil para a idade adulta, que anteriormente implicava na resolução de etapas sequenciadas e ritualizadas, para um novo “modelo” que se mostra polimórfico, descontínuo e fragmentado.

Na mesma direção, no Brasil, Camarano, Mello, Pasinato e Kanso (2004) analisam que o modelo tradicional de transição para a vida adulta - encerrar os estudos, trabalhar, sair da casa dos pais, casar, ter filhos - está sendo alterado, devido a uma multiplicidade de situações que podem ou não conduzir à vida adulta, havendo um caráter mais heterogêneo nessa transição na atualidade. Como exemplo, os autores destacam que hoje a independência econômica pode estar dissociada do “sair da casa dos pais”. No outro extremo, existem aqueles que saíram da casa dos pais, mas não são casados, não têm filhos e podem ou não ser independentes economicamente da família de origem.

De fato, no Brasil, observa-se um aumento no período da convivência familiar (Borges & Magalhães, 2009; Henriques, Féres-Carneiro, & Magalhães 2006; Henriques, Jablonski, & Féres-Carneiro, 2004; Silveira & Wagner, 2006; Vieira & Rava, 2010, 2012). Tal geração de filhos, que foi denominada pela mídia de Geração Canguru (em analogia ao mamífero que abriga os filhotes na bolsa ventral) caracteriza jovens que, ao se depararem com a dura e imprevisível realidade contemporânea, têm optado por permanecer na casa de seus pais, onde muitas vezes continuam subsidiados pelo suporte material e emocional. Em muitos casos, contam com a permissão de manterem uma vida sexual sem grandes restrições de liberdade, podendo levar para casa parceiros amorosos. Também se observa que muitos já concluíram o Ensino Superior, sendo financeiramente independentes, entretanto, continuam residindo com os pais por dificuldades de inserção no mercado de trabalho ou por prezarem a manutenção do

conforto e do padrão de vida a que estão acostumados. Outros continuam porque contam com a oportunidade de investirem em suas vidas educacionais e profissionais, o que pode retardar o casamento e a parentalidade (Henriques, Jablonski, & Féres-Carneiro, 2004).

Sobre esta situação, dados do IBGE de 2013, a respeito da análise das condições de vida da população brasileira segundo aspectos sociais, revelam que entre os jovens brasileiros de 25 e 34 anos, a proporção daqueles que continuam morando com seus pais aumentou de 20% para 24% entre os anos de 2002 e 2012, sendo que dentre estes, 60% são homens. Nessa faixa etária, 14% dos jovens da Geração Canguru continuam estudando, contra 9% daqueles que já saíram de casa. Em média, os “jovens cangurus” estudam em torno de 10,8 anos e apresentam taxas de inserção no mercado de trabalho de 91,4%. Mantendo concessões importantes aos filhos e vantagens de investimento de tempo e dinheiro para continuarem “se formando” com vistas à progressão de carreira, os pais facilitam a convivência familiar, diminuindo os conflitos geracionais tão comuns de outrora, adiando, portanto, a elaboração de sentimentos que seriam despertados frente aos processos da separação entre pais e filhos (Henriques, Féres-Carneiro, & Magalhães 2006; Henriques, Jablonski, & Féres-Carneiro, 2004; Galano, 2006/2010). No entanto, tais acordos ou “pactos de convivência” podem camuflar e velar conflitos relativos às descontinuidades entre as gerações. Afinal há de se considerar que a maior parte dos pais destes jovens é de uma geração que lutou contra hierarquias normatizadoras, rígidas, cujas fronteiras eram bem delimitadas e que caracterizavam os modelos de família e de Estado, conforme analisam Henriques, Féres- Carneiro e Magalhães (2006). Por outro lado, segundo os autores, é possível observar que nos discursos parentais atuais existem discordâncias, que podem ser identificadas quando mencionam que seus filhos são demasiadamente acomodados diante das dificuldades, sobretudo em relação ao mercado de trabalho. Essa divergência de opiniões entre as gerações não é por acaso, visto que essa geração de pais lutou por uma profissão que lhe oferecesse tanto realização pessoal como também independência, segurança e estabilidade financeira. Já seus filhos, diante do atual contexto de imprevisibilidade, têm perspectivas de futuro a curto prazo, sendo comum dizerem que seus pais “estão parados no tempo”. Tais “desencontros”, muitas vezes, permanecem silenciados a fim de se garantir uma convivência prolongada e confortável (Henriques, Féres-Carneiro, & Magalhães, 2006). Interessante observar que esses pais afirmam que não querem reproduzir “erros” da geração anterior e, assim, se preocupam em não privar seus filhos do que foram privados (Barreto & Aiello-Vaisberg, 2010). A incoerência da situação se faz presente quando esses pais esperam que seus filhos “não se acomodem” quando, na realidade, contribuem para isto.

Os conflitos entre pais e filhos da geração anterior (década de 70, 80 e até 90) refletiam de modo geral a necessidade de que adolescentes e jovens fossem diferentes de seus pais e, assim, “sair de casa” era fundamental para o estabelecimento de uma identidade própria, da autonomia e da independência plena. Nesse contexto, a literatura da área descreveu esse período como sendo o Ninho Vazio ou Lançando os filhos ao mundo (Aylmer, 1995/2008; Carbone & Coelho, 1997/2009; Carter & McGoldrick, 1995/2008), quando por diferentes meios, circunstâncias e níveis de êxito, os filhos deixavam seus lares de origem. Hoje, motivos para a “saída da casa dos pais” ainda existem, podendo ser muitos para os jovens da atual geração. Entre eles, identifica-se o investimento em uma formação continuada em outra localidade, viagens por períodos prolongados (como intercâmbios, estágios, pós- graduação, trabalhos temporários), a decisão de morar só ou com amigos ou parceiros amorosos, a opção de se casar, entre tantos fatores que exigem dos membros da família novas maneiras de se relacionar (Wedling & Wagner, 2005). Assim, apesar do aumento da porcentagem da Geração Canguru entre a população brasileira, segundo dados do IBGE (2013), a proporção de pessoas de todas as idades que moram sozinhas também aumentou de 9,3% em 2002 para 13,2% em 2012.

De fato a questão da “saída da casa dos pais” sempre comportou uma grande ambivalência de sentimentos para todo o grupo familiar e a necessidade de elaboração de conflitos não só pelos filhos, mas também pelos pais. Esta constatação pode estar entre os fatores que também contribuem com o fenômeno do prolongamento da convivência familiar. Importa reconhecer, entretanto, que quando um filho resolve ter sua própria residência isso pode revelar que o mesmo vem adquirindo recursos para se tornar mais independente emocionalmente de seus pais, o que pressupõe um nível de amadurecimento para poder se separar e arcar com as tarefas e compromissos de uma vida adulta, ainda que se mantenha economicamente dependente do núcleo familiar. Carbone & Coelho (1997/2009) analisam que, como em todo intervalo de transição onde coexistem ganhos e perdas para ambos os lados, se a família não estiver preparada para elaborar os sentimentos e os conflitos pertinentes a tal situação, o lar de origem pode ser sentido como um “ninho abandonado”. Nesse contexto, não é incomum que jovens abandonem projetos de carreira e cursos universitários e regressem para a casa de seus pais (Barreto & Aiello-Vaisberg, 2010). Em contrapartida, quando as figuras parentais são sentidas como suficientemente boas junto às novas necessidades dos filhos, são possibilitadas situações ricas de compartilhamento de experiências entre as gerações.

Diante da situação de “saída dos filhos de casa”, a tarefa do núcleo familiar, nomeadamente dos pais, consiste em abandonar a supervisão diária e contínua da vida dos jovens, abrindo mão do controle e do poder e, assim, possibilitar o estabelecimento de arranjos de vida mais independentes por parte dos filhos. Dependendo da história de vida de cada pai e mãe, e do modo como vivenciaram seus próprios processos de separação e independência, isso pode implicar em consequências na maneira como lidam com a progressiva autonomia dos filhos, favorecendo ou obstaculizando esse processo (Aylmer, 1995/2008). É importante salientar que a situação da “saída dos filhos de casa”, ainda está presente em muitas famílias brasileiras, sobretudo interioranas, quando os filhos saem das casas de origem para realizar o Ensino Superior em outras localidades, situação comum sobretudo por se tratar de um país de dimensão continental e com possibilidades cada vez maiores de acessos às mais diversas regiões. Muitos desses jovens não regressam para os lares de origem, percebendo-se com condições socioeconômicas e emocionais para constituírem residência própria, investindo ou não na conjugalidade e na parentalidade.

No que se refere a esses jovens que atualmente saem da casa dos pais para realizarem o Ensino Superior, estudos revelam que aqueles que conseguem se separar emocionalmente da família e que mantêm percepções positivas em relação a esta separação apresentam maiores possibilidades de adaptação ao contexto universitário (Beyers & Goossens, 2003; Teixeira, Dias, Wottrich, & Oliveira, 2008). Dias e Fontaine (1996), no contexto português, já haviam destacado a importância da resolução dos conflitos pertinentes à separação psicológica em relação aos pais e à condição para estabelecer novas relações afetivas, para se garantir o bem estar psíquico dos jovens universitários e, consequentemente, a melhor adaptação ao novo contexto. Os resultados deste estudo apontaram que, para as mulheres, a independência em relação à mãe não mostrava influência direta sobre a capacidade para se projetar no futuro, ao contrário dos homens, que pareciam depender da resolução deste conflito tanto para se projetarem no futuro, como também para estabelecerem relações fora do ambiente familiar. As autoras ressaltaram a importância dos serviços psicológicos e de aconselhamento universitários, no auxílio destes jovens a fim de lidarem com sentimentos e conflitos em relação às figuras parentais e que, constantemente, remetem-nos à culpa e ao ressentimento. Frente a esses processos e períodos vivenciados por pais e filhos, a literatura confirma que grupos familiares, cujos pais proporcionaram ao longo do desenvolvimento um vínculo seguro e confiável, favorecem que seus filhos sejam mais confiantes e menos críticos, participando com maior envolvimento das experiências que a universidade proporciona, sendo menores as chances de se depararem com sentimentos relacionados à solidão ou à depressão,

sobretudo, nos primeiros anos do curso universitário (Wei, Russell, & Zakalik, 2005). Autores salientam que a família não perde importância quando o jovem sai da casa dos pais para estudar fora, ao contrário, a qualidade da relação mantida com os pais é fator de grande influência no processo de transição escola-universidade e na adaptação à vida universitária (Bardagi & Hutz, 2008; Teixeira, Dias, Wottrich, & Oliveira, 2008). Diferentemente de uma perda da importância do núcleo familiar, reflete-se que o que ocorre é a ressignificação da relação entre pais e filhos. Do ponto de vista winnicottiano, os pais continuam proporcionando uma situação de holding familiar na provisão das novas necessidades dos jovens. Em contrapartida, identificam-se pais dificultando os processos de separação emocional dos filhos, como sugerem Barreto e Aiello-Vaisberg (2010) ao apontarem que enquanto alguns adolescentes conseguem sair de casa para estudar, prosseguindo no desenvolvimento continuado de seu “vir a ser”, há aqueles que desistem do curso, voltando para junto de seus pais. Outros, nem chegam a sair, limitando seu leque de opções aos cursos existentes na cidade de origem, devido à impossibilidade de se manterem longe dos cuidados familiares (Barreto & Aiello-Vaisberg, 2010).

Também há de se considerar que, na realidade brasileira, tem havido um progressivo processo de interiorização do Ensino Superior devido à expansão das universidades e um aumento do número de faculdades privadas, assim como o surgimento e o avanço de novos métodos de educação à distância, que somam motivos para que muitos jovens optem por permanecer morando na casa de seus pais (Cervinski & Enricone, 2012). Sobre aqueles que escolhem realizar os estudos na cidade de origem a fim de permanecer residindo com a família, e mesmo aqueles que, ao término dos estudos de nível superior, regressam, configurando-se a situação do prolongamento da convivência familiar, Wedling e Wagner (2005) analisam que como a demanda atual, atravessada pela cultura de mercado, vincula a felicidade e a realização pessoal à aquisição de bens materiais de custos cada vez mais altos, enquanto isso não pode ser alcançado por esta geração que preza por tais aquisições, sair da casa parental e se tornar autônoma tem ficado cada vez mais distante, até porque as exigências do consumo não param de crescer.

Discutir sobre os processos de transição para a vida adulta no Brasil e o aumento do tempo da coabitação com os pais implica também na importância de se refletir sobre estudos que vêm sendo desenvolvidos por Jeffrey J. Arnett e que vêm influenciando pesquisas de diferentes países da Europa, incluindo Portugal (Andrade, 2010; Couto, 2011; Mendonça, Andrade, & Fontaine, 2009; Monteiro, Tavares, & Pereira, 2009) e países da América Latina, como a Argentina, segundo pesquisa de Brandão, Saraiva e Matos (2012). Diante do

adiamento de tarefas e aquisições sociais que, tradicionalmente, ajudavam a demarcar o ingresso na idade adulta, como a inserção no mercado de trabalho, o fim da coabitação com os pais, o investimento na conjugalidade e na parentalidade, Arnett (1999, 2007) argumenta que seja considerada uma nova fase no ciclo do desenvolvimento humano, a Adultez Emergente, situada entre os 18 e 25 anos, na qual os filhos já não são adolescentes, porém, também não revelam características que seriam normativas para o ingresso na vida adulta (Arnett, 2007). Embora tenha se sustentado nas fases desenvolvimentistas de Erikson (1950/1998), Arnett (2007) se distancia da noção da idade adulta jovem pois, do seu ponto de vista, o adulto emergente se encontra em transição e ainda experimenta caminhos, sem que dele sejam cobradas obrigações e assunção de papéis cabíveis ao adulto. Para o autor, as teorias do desenvolvimento não acompanharam as transformações ocorridas nas sociedades industrializadas como, por exemplo, o aumento do período de escolarização, as muitas vias de acesso ao ensino, o aumento da idade média dos que investem na vida conjugal e parental, as grandes instabilidades e mudanças do mundo do trabalho.

Entre as características11 que Arnett (2007) destaca como sendo próprias a esta fase do desenvolvimento, encontram-se as inúmeras possibilidades de exploração da identidade, envolvendo vida afetiva e vida profissional, favorecendo que esses jovens experimentem e pensem sobre quem são, do que gostam e o que desejam para o futuro. Tal possibilidade de reflexão, segundo o autor, revela uma condição diferente do adolescente que necessita viver o imediatismo das situações. Diante da chance de investirem nas opções que se apresentam, estudos do autor sugerem que esses jovens apresentam esperanças e expectativas de uma vida “melhor” se comparados a seus pais, sobretudo porque ainda não assumiram compromissos, como casamento e parentalidade. Em contrapartida, Arnett (2007) se refere às grandes instabilidades a que estão submetidos já que, diante de tantas experimentações, vivenciam muitas mudanças e sentimentos associados a dúvidas e incertezas. Como exemplo, o autor se refere à situação de saírem da casa dos pais para estudar em outras localidades, mas por outro lado à necessidade de retornarem ao término dos estudos, devido às dificuldades de inserção no atual mercado de trabalho, ainda que sejam “diplomados”. Assim, embora possam gozar