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Struggles for women’s emancipation and social change

Por intermédio da realização da pesquisa, foi possível detectar que as expectativas de vida futura dos participantes após o desligamento, possuem diversas conotações tanto positivas como negativas que vêm permeadas por diversas sensações como, medo, desapontamento, e até mesmo felicidade. Sob essa perspectiva, P11 ressalta:

“Muitas coisas passaram pela minha cabeça, positivas, negativas, uma hora eu pensava: “Não vai dar tudo certo”, outra hora eu falava assim: “E se eu não conseguir?”. Completa: “Às vezes você fica com medo sabe... Das pessoas terem muito preconceito (...)”. Para P7 não foi diferente, pois, enfatiza: “(...) imaginei que seria de um jeito tipo... Melhor (...) ou até pior (...)”.

De acordo com P1, a realidade não permitia imaginar muita coisa, cita:

“(...) não, não imaginava (...) por você não estar preparado, às vezes, você acaba não imaginando muita coisa (...) nem criando expectativas. Você fica perdido”. Para P4 também não foi diferente, enfatiza: “Hum... Fiquei desapontada e não conseguia imaginar nada”.

Segundo P3, a vida após o desligamento seria diferente da realidade vivida na Instituição no que se refere à própria manutenção, pois, a partir de então “Tem que trabalhar, pensar na vida, trabalhar...”, ressalta o entrevistado. Em contraposição P9 acreditava na maravilha que seria a vida após o desligamento, ressalta que a felicidade estava ligada ao fato de se constituir uma nova família, ou mesmo reencontrar a família de origem: “Nossa... Maravilhosa! (...) ao sair de lá, se terá a sua família, tem a sua família, tem a sua tia (...)”. 3.5.1 A realidade encontrada

Após o desligamento, a realidade encontrada pela maioria dos participantes não foi algo tão fácil de ser vivido, foi difícil o período de adaptação e em alguns casos essa adaptação ainda não aconteceu, foi um verdadeiro enfrentamento. Sob essa questão P4 afirma:

“(...) foi horrível. Sabe, na hora que você vê que as coisas não saíram do jeito que você sempre sonhou e acaba sendo no lugar errado... (...) até eu conseguir (...) serviço (...) pra eu conseguir pelo menos ajeitar uma casinha pra mim, mas (...) não deu tempo (...)”. E ainda, afirma que a adaptação foi algo complicado e a maior dificuldade encontrada pela participante foi o fato de arrumar trabalho e conseguir adquirir bens materiais. “(...) às vezes (...) comprar alguma coisa, fica difícil”, aponta a entrevistada.

As dificuldades encontradas por P1 após o desligamento, foram: à ausência de apoio, a falta de ter algo certo para gerar renda e sustento, a interrupção dos estudos. O participante ressalta:

“(...) seu eu tivesse pelo menos um algum apoio, algo pra você sair firmado, de repente algo que você gosta, né? Acho que as coisas poderiam ser diferente, né?”. Completa: “Mais a parte do estudo, por não ter uma formação, tipo um curso (...)”. Com relação à adaptação, aponta “Eu ainda, totalmente não me adaptei. To ainda tentando porque não é fácil”.

De acordo com a P11 a realidade apresentada desencadeou insegurança e tal fator pode ser observado em uma de suas falas:

“No comecinho foi meio tenso, fiquei assim perdida (...) perdida, sabe? O que vou fazer? Por onde eu começo” E ainda, aponta que a sua maior dificuldade foi enxergar as coisas como de fato o são, ter que decidir tudo sozinha:

“(...) dificuldade, assim, ta sendo (...) enxergar as coisas (...). (...) nossa, se tem vontade de fazer aquilo, mas, sempre é bom uma segunda opinião, sempre eu tinha (...) tudo o que vou fazer, eu mesmo tenho que tomar a minha opinião. Então, às vezes é meio chato isso, mas, eu vou melhorando isso e você vai aprendendo também com as coisas”. A mesma sensação teve o P3 que afirma: “(...) quando se sai se fica meio perdido”. E ainda, ressalta que tudo está ligado ao fato de ter ficado muito tempo acolhido Institucionalmente e sua maior dificuldade foi morar sozinho e arrumar uma casa.

A realidade encontrada também não foi nada fácil de ser vivida, de acordo com a fala de P7: “Não foi fácil. Há! Meio difícil” e ainda, a maior dificuldade enfrentada foi: “(...) a fome”, afirma a entrevistada. Em contraposição a todos os depoimentos apresentados, P9 declarou que não teve dificuldades em se adaptar ao novo, apesar de sentir falta dos funcionários da Instituição de Acolhimento. A entrevistada enfatiza que também teve que lidar com uma realidade da qual não estava acostumada, que envolvia drogas, bebidas, afirma: “(...) porque lá dentro você não tem essas coisas de droga, bebida, essas coisas que passam na televisão”.

3.5.2 A questão financeira

Os resultados da pesquisa apontaram que todos os participantes tiveram que buscar uma fonte de renda e sustentação logo após o desligamento, uma vez que, não tiveram respaldo financeiro governamental. P1 conseguiu se manter através do trabalho que arrumou na ocasião da ocorrência dos fatos, e neste se mantém atualmente. Não teve apoio financeiro de outras pessoas. A situação também não foi diferente para P3, teve que arrumar um emprego, porém, muitas pessoas o ajudaram durante esse período, entre estas, aponta:

“É, meus familiares, os parentes que são os meus irmãos e o patrão que mais me ajuda”.

De acordo com P4, o trabalho foi essencial para a sua manutenção, sob essa perspectiva a entrevistada ressalta:

“(...) aquele que não tem família, esse que é complicado (...) eu sugiro que tenha um trabalho em primeiro lugar, um lugar onde ele possa (...) se manter (...) trabalhar, pelo menos ele paga um aluguel ou ele começa a se preparar pra vida, porque senão, que jeito que a pessoa vai se preparar para ter um lugarzinho?”. P4 pode contar, na ocasião, com o apoio do seu namorado, atualmente, seu marido.

A entrevistada P7 afirmou que a princípio teve que arrumar um trabalho, porém, atualmente sobrevive da pensão que o governo a oferece. E como rede de apoio, conta esporadicamente, desde o seu desligamento com a ajuda da sua genitora, e da sua irmã. Para P9 a situação foi um pouco diferente, pois, nunca trabalhou e atualmente, sobrevive da renda do marido e de alguma ajuda oferecida pela tia.

Segundo a P11, o seu sustento também é fruto do seu trabalho e da ajuda das suas redes de apoio, aponta:

“(...) trabalho em dois empregos (...) e às vezes as pessoas não ajudam com dinheiro, com alguma coisa de comer, com roupa, não. Mas, essas simples coisas que são mais importantes na vida de uma pessoa (...) quando você encontra essa pessoa ela fala, oi tudo bem com você? (...) ela traz ânimo (...) então, tem várias pessoas e todas essas pessoas me ajudam assim, nesta parte”.