2.4 Polypharmacy in the geriatric patient
2.4.3 Structured drug-chart reviews and their effectiveness
A estilística examina as maneiras como o pensamento se exprime através da linguagem. Ocupa-se, especificamente, dos dialetos, dos usos regionais de acentos e dos níveis de diálogo.
Para explicar as idiossincrasias daquele que fala ou escreve em uma língua, a
estilística estuda as variações do uso da língua em diferentes indivíduos e grupos
sociais. Estes manipulam a linguagem com o intuito de empregar as palavras de modo emotivo e intuitivo.
O estudioso desta área procura identificar a capacidade de sugerir e emocionar, classificando as palavras em fórmulas e efeitos do estilo. Ele também observa as escolhas particulares no uso da língua por indivíduos e grupo, com o objetivo de estabelecer princípios explicativos.
Existem algumas razões que determinam as escolhas por diferentes estilos em um grupo ou pessoas. A escolha pode ser entendida pela necessidade de alguém de socialização, que assim crê aumentar suas chances de ser aceito. Outras linhas de explicação são a produção de sentido, a recepção de sentido, a análise crítica do discurso e a crítica literária.
Para Nilce Martins (2008: 97), existem duas divisões: a estilística do som e a
estilística da palavra. Esta, também chamada de léxica, “estuda os aspectos
expressivos da palavra ligados aos seus componentes semânticos ou morfológicos, os quais, entretanto, não podem ser completamente separados dos aspectos sintáticos e contextuais.”.
Segundo van Dijk (1988:27), a estilística pauta-se pelos critérios do emissor que, ao longo do texto, vai escolhendo, dentre as diferentes alternativas de discurso possíveis, as que considera mais adequadas para expressar o sentido desejado. O
estilo é o que mais vai revelar o papel do contexto, podendo ressaltar componentes
pessoais e sociais do contexto comunicacional. Ou, em outras palavras, o contexto onde se insere um texto é mostrado neste através do seu estilo. Este se impõe em um texto através das restrições possíveis à sua formulação. Por isso, van Dijk
106 (1988:30) pondera que “o estilo só pode ser apropriadamente analisado quando é tomado como um indicador dos contextos pessoal e social”.
A seguir a tabela da categoria estilística, detalhando o número absoluto e percentual de ocorrências em duas subcategorias: contexto comunicativo e
impessoalidade. Os números foram pesquisados em cada uma das 16 matérias que
compõem o corpus.
Tabela T05: Ocorrências numéricas relativas à categoria estilística.
Fonte: Corpus Matéria Contexto Comunicat. Impes- soalidade Total de palavras % Contexto Comunicat. % Impes- soalidade 01 3 2 403 0,74 0,50 02 6 4 547 1,10 0,73 03 3 1 264 1,14 0,38 04 2 1 401 0,50 0,25 05 4 4 435 0,92 0,92 06 2 2 341 0,59 0,59 07 2 1 420 0,48 0,24 08 2 1 383 0,52 0,26 09 4 2 510 0,78 0,39 10 3 0 323 0,93 0,00 11 1 3 404 0,25 0,74 12 0 0 110 0,00 0,00 13 2 2 437 0,46 0,46 14 2 1 264 0,76 0,38 15 3 0 474 0,63 0,00 16 2 0 437 0,46 0,00
107
4.5.2 Contexto comunicativo – Introdução
Conceituamos contexto comunicativo como as circunstâncias espaço- temporais nas quais ocorre o processo comunicativo por ação dos cinco elementos da comunicação (emissor, receptor, mensagem, código e canal). O contexto
comunicativo irá impor alguns limites ao estilo noticioso. Dentre eles, traços sociais e
ideológicos comuns, que implicam a existência de um volume substancial de conhecimento, crenças, normas e valores compartilhados, a fim de que a notícia seja compreensível para um grande público. Este é geralmente composto de pessoas próximas ideologicamente; elas têm uma participação indireta e implícita no
discurso; a elas não são endereçados os atos de fala, mas a outros. Essas
restrições implicam que social e ideologicamente haja uma
considerável quantidade compartilhada de conhecimento, crenças, normas e valores que precisam ser pressupostos. Sem tal informação, a notícia poderia não ser inteligível. Mais específica é a pressuposição tácita de uma vasta base de dados, na qual a notícia regularmente pretende se atualizar. O estilo da notícia precisa conter as marcas destas pressuposições compartilhadas (van Dijk, 1988:74-75).
Gans (1979 apud Wolf, 1999:214) estabeleceu três pressuposições para que a notícia possa ser compartilhada, o que ele chamou de critérios de notícia. Interessa-nos o primeiro deles, que se refere àquelas “notícias que permitem uma identificação por parte do espectador”. Este tipo de notícia se aproxima da ideia de
contexto comunicativo, que é fazer uso de um repertório cultural comum e
compartilhá-los na notícia, tornando possível sua compreensão pelo leitor.
4.5.3 Contexto comunicativo – Análise quantitativa
Na categoria contexto comunicativo, há um pequeno grau de dispersão: em termos absolutos, vai de seis para zero ocorrência; em valores percentuais, oscila 1,14 pontos percentuais. Mas é interessante observar a existência de uma concentração entre os valores extremos da amostra, tanto nos valores absolutos, como nos percentuais. Dessa forma, os valores de 11 das 16 matérias do corpus se encontram no pequeno intervalo entre 2 e 3, em números absolutos. Na avaliação
108 percentual, esse comportamento se confirma: entre 0,46 e 0,78% estão dez matérias. Por isso, a média percentual se encontra entre esses limites: 0,64%. Similarmente, a média absoluta ficou em 2,56.
4.5.4 Contexto comunicativo – Análise qualitativa
A matéria 02, com o título Militantes ligados a Chávez atacam TV, reporta um atentado contra o veículo de comunicação mais popular da Venezuela (TV Globovisión) e o faz com uma linguagem permeada por declaração de grande dramaticidade. Talvez, por isso, a matéria apresenta um número significativo de palavras ou expressões dentro do contexto comunicativo estabelecido entre o jornal Estado e seu público leitor.
Não só na matéria 02 estão implícitos conceitos, símbolos, concepções, preconceitos e pensamentos partilhados entre o emissor e o receptor em um
discurso ideológico, que possibilita a efetiva persuasão ou dissuasão do leitor.
Em muitos dos trechos do discurso da matéria 02, o jornalista faz afirmativas baseadas em entendimentos da realidade por saber que pode contar com a concordância – ou ao menos a compreensão - do seu leitor, pois com ele compartilha da mesma ideologia e a mesma bagagem cultural. Outro aspecto é a existência de muitas expressões lugares-comuns, isto é, comunicações redundantes compartilhadas entre emissor e receptor.
Todas estas situações fazem o contexto comunicativo se alargar entre o
jornalista e o seu público. Não só valores têm em comum, mas eles compreendem
uma mesma simbologia, o que torna mais fácil o trabalho de convencimento do leitor.