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1 INTRODUCTION

1.1 Biomass

1.1.1 Structural carbohydrates embedded in biomass

A teoria da ação situacional (situational action theory) foi desenvolvida pelo Prof. Dr. Per Olof Wikström, professor catedrático de criminologia na universidade de Cambridge. O autor tem vindo a implementar um estudo desde 2012 na cidade de Peterborough, na região este de Inglaterra, através da realização anual de setecentas (aproximadamente) entrevistas a um painel de adolescentes e jovens adultos. Este estudo assume a denominação de Peterborough Adolescent and Young Adult Development Study87e os dados reunidos têm auxiliado na

construção da teoria da ação situacional de Wikström.

86Traduzido e adaptado a partir do conceito de Situational Action Theory de Wikström (2006). 87 Mais informações sobre o estudo, metodologias e resultados podem ser consultados em http://www.pads.ac.uk/

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A abordagem de Wikström baseia-se numa perspetiva interacionista da ação humana. O comportamento humano é visto como uma função entre a pessoa e o ambiente e tem a sua génese na psicologia social, nomeadamente na equação do comportamento de Kurt Lewin88.

Apesar da teoria de Wikström procurar a explicação do cometimento do crime, consideramos pertinente a sua análise dado que, em nosso entender, apresenta uma teoria de ação na qual a interação entre os atores explora as dimensões individuais e do próprio cenário, abordando as perceções dos diferentes estímulos e das alternativas de ação possíveis. Estas características da teoria cremos permitirem a sua extrapolação para a análise de outro tipo de interações sociais, nomeadamente no recurso à coação policial sobre o cidadão. Uma vez que na aplicação de força, ou na restrição de uma liberdade de outro ser humano, a quebra de regras morais, as perceções, estímulos e caraterísticas da própria situação são elementos constituintes já identificados em Birkbeck (2012) e Alpert & Dunham (2004), assumimos a relevância do olhar sobre esta teoria na devida proporção e aplicação ao nosso objeto de estudo.

O autor indica certas ações e comportamentos como sendo fruto de escolhas morais, não no sentido de uma moralidade religiosa, mas como fundamento de ação numa perspetiva mais situacional do que em termos de desenvolvimento moral89(Wikström, 2006).

88 Psicólogo social que apresenta na sua obra publicada em 1936, Principles of Topological

Psychology, a equação do comportamento humano na qual a ação é a função do indivíduo com o seu ambiente:

(b = f (P x E))

Nesta equação, b é o comportamento (behaviour) correspondendo à função (f – function) entre a pessoa (P person) e o ambiente (E – environment) onde a mesma se encontra (Wikstrom, 2004).

89Wikstrom (2004) inspira-se na discussão sobre comportamento e moral presente na obra de

Aristóteles, Ética a Nicómaco, na qual Aristóteles considera que o comportamento humano é (em grande parte) orientado por objetivos, sendo dessa forma teleológico (Wikstrom, 2006).

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Os elementos principais no modelo situacional da teoria de Wikström (2006) são os seguintes:

Quadro 2. Elementos principais do modelo da teoria da ação situacional

Elemento Definição

Indivíduo componentes psicofisiológicas, experiências e papéis sociais

Cenário parte do ambiente à qual o indivíduo está exposto e ao qual reage, configuração de objetos, pessoas e eventos acessíveis à perceção sensorial do indivíduo

Situação perceção das alternativas de ação e processo de escolha decorrente da interação com o cenário

Ação movimentos corporais e e verbalizações intencionais do indivíduo Fonte: elaboração própria a partir de Wikström (2006).

Estes elementos interagem produzindo um comportamento que pode ser decomposto nas etapas patentes na seguinte figura:

Figura 9. Etapas do processo de ação e seu resultado

Perceção (gera motivações e define alternativas de ação) Escolha (forma intenções por deliberação ou hábito) Ação

(ou inação) Consequência

Input do Ambiente

Caraterísticas individuais e experiências

Fonte: adaptado de Wikström (2006, p.84).

A perceção surge como o elemento que liga o indivíduo ao cenário (setting), influenciando a definição de alternativas de ação e respetivas escolhas, sendo que o cenário assume-se como palco de um contexto moral no qual estão patentes uma série de regras morais, variáveis consoante a especificidade da situação. O argumento principal da teoria de Wikström (2006) é que os indivíduos são estimulados para agir a partir da forma como percecionam as suas alternativas de

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ação e fazem as suas escolhas, quando confrontados com as particularidades de um determinado cenário (setting) ou situação. Os indivíduos diferem na forma como percecionam as alternativas e escolhas que fazem dependendo de quem são (conhecimentos, apetências, experiências e moralidade) e das caraterísticas particulares de um determinado cenário (oportunidades, fricções e contexto moral90). O autor defende que é necessário identificar as caraterísticas individuais,

experiências individuais mais relevantes, e os estímulos indutores do próprio cenário para que se possa compreender a forma como cada ator perceciona as suas alternativas de ação e decide sobre as mesmas (Wikström, 2006). A necessidade de se compreender a forma como a propensão individual de um indivíduo impacta os estímulos presentes num determinado cenário, é igualmente denunciador da importância do estudo dos mecanismos situacionais que conectam os atores aos cenários onde estes interagem.

Ainda que os fatores sistémicos (caraterísticas da estrutura social, sua

organização, papéis e processos sociais) permitam compreender o

desenvolvimento de propensões e estímulos indutores dos indivíduos, falham na explicação das diferenças individuais na tomada de decisões e ações dos mesmos. Desta forma, Wikström (2006) considera que os fatores sistémicos deverão ser considerados como as causas das causas, ao invés de serem interpretadas como as causas específicas que justificam uma determinada ação ou comportamento. Somente uma análise dos mecanismos situacionais na interação social permitirá aferir o grau de importância – ainda que indireta – dos fatores sistémicos na explicação de uma determinada ação, uma vez que é mais determinante o efeito da interação que se desenvolve entre os indivíduos e o cenário no qual se encontram (Wikström, 2006).

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