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múltiplos estudos e investigações. Num contexto político e social que reconhece a família homossexual e a sua possibilidade de filiação e que legisla o fim da discriminação a esta tipologia familiar, como vimos nos pontos anteriores, abordar, analisar e discutir o tema torna-se de significativa importância para uma progressiva consolidação nas diferentes esferas da sociedade.

37 Um dos primeiros focos de atenção por parte dos investigadores, quer nos Estados Unidos como na Europa, foi o bem-estar de uma criança que cresce no seio de uma família homoparental. A capacidade de educar e assumir as funções parentais bem como a influência desta estrutura familiar na orientação sexual da criança ganhou interesse no campo científico. Tendo como base um leque diversificado de estudos, a análise dos resultados dessas pesquisas reportou uma semelhança entre famílias homoparentais e heteroparentais, ou seja, não existem diferenças significativas de níveis de desenvolvimento entre crianças desenvolvidas nas duas tipologias familiares (Costa, Pereira e Leal, 2012).

O Relatório de Investigação sobre Famílias Homoparentais pedido pelo The Williams Institute e divulgado em 2014 vem apresentar o panorama da investigação mundial relativamente às famílias homoparentais. Os autores do relatório, Golberg, Gartrell e Gates (2014), revelam que os dados resultantes dessa pesquisa apresentam consistência no que respeita ao bem-estar das crianças filhas/os de famílias homoparentais, no entanto ainda são alvo de heterossexismo em vários contextos, tais como: no sistema legal, na área da saúde e no ambiente escolar.

Em Espanha foi realizado um estudo por Rodríguez-Mena (2015) sobre as famílias homoparentais e a escola pública. Este estudo aborda a opinião dos professores sobre as dificuldades / limitações sentidas na ação educativa com a diversidade de famílias. No leque da multiplicidade familiar, a família homoparental foi a que reuniu mais limitações. O autor indica como possíveis barreiras a ideologia, e as crenças dos professores relativamente a esta tipologia familiar. Segundo Rodríguez-Mena, a maioria revela uma atitude aberta e respeito pela família homoparental, é possível constatar que não existe uma atitude claramente contrária à homoparentalidade, no entanto é evidente opiniões intermédias e pouco claras. Nalgumas opiniões foi reconhecida uma atitude homofóbica em relação às uniões entre pessoas do mesmo sexo e para alguns docentes a família homoparental é um desvio social.

No contexto nacional, a investigação sobre a temática da parentalidade exercida em famílias homossexuais também tem vindo a assumir um papel crescente no espaço da ciência. Investigadores como Costa, Caldeira, Fernandes, Rita, Pereira e Leal (2013) através de um estudo com 993 participantes tentaram avaliar as atitudes da população portuguesa em relação à homoparentalidade. A maioria dos participantes revelou uma atitude favorável à homoparentalidade, mas mais favorável em relação ao casal

38 heterossexual uma vez que a criança teria mais problemas emocionais e sociais com um casal homossexual. Os problemas serão maiores se a criança crescer no seio de um casal composto por dois homens.

A família homoparental é considerada por Xavier, Alberto, Mendes (2015) como um tema que suscita diversas opiniões bem como tomadas de posição. Este cenário movimenta-se nas diferentes esferas da sociedade e influencia o leque diversificado dos profissionais que têm na sua prática diária responsabilidades parentais e contacto com famílias homoparentais.

A discussão da homoparentalidade decorre, na maioria das vezes, no âmbito da adoção. Contudo, após este processo, a família homoparental contínua em contacto com outros contextos. A relação desta tipologia familiar com os profissionais que têm um papel ativo na assistência educacional, psicológica e social da criança pode ser constrangida pela existência de preconceito (Gato, Fontaine e Carneiro, 2010).

Neste sentido torna-se relevante conhecer e compreender a visão dos diversos profissionais que poderão estabelecer contacto com as famílias homoparentais.

Segundo Gato, Fontaine e Carneiro (2010) os estudos realizados com intervenientes da área psicossocial, tais como: psicólogos, assistentes sociais, médicos, enfermeiros, professores, entre outros, ainda são reduzidos. A maioria dos estudos efetuados até à data debruçam-se sobre a família e a criança e apenas uma pequena percentagem se destina a pessoas exteriores às famílias. Os mesmos autores indicam, também, algumas pesquisas desenvolvidas nos Estados Unidos, Canadá e Austrália, entre 1995 e 2006, por diferentes investigadores que utilizaram metodologias experimentais semelhantes e envolveram pedopsiquiatras, psicólogos e assistentes sociais. No estudo realizado em 1995, os estudantes de Psicologia canadianos evidenciaram homofobia e preconceito relativamente a um progenitor homossexual. Por sua vez, no ano posterior, estudantes norte-americanos manifestaram que comparando com um casal heterossexual, um casal homossexual masculino apresenta menos competências parentais e mais instabilidade emocional para educar uma criança. Outra investigação, em 1997, com estudantes universitários norte-americanos apresenta os mesmos resultados que os anteriores adicionando dúvidas relativamente à influência do papel e identidade de género e a orientação sexual na criança. A avaliação realizada em 1999 sobre as atitudes de 388 psicólogos norte-americanos relativamente à homoparentalidade vem mostrar que a maioria manifestou atitudes positivas face à

39 família homoparental. Em 2006, na Austrália, estudantes de Serviço Social não apresentavam atitudes diferentes entre casais homoparentais e casais heterossexuais e tinham um conhecimento moderado sobre o tema.

No contexto nacional e debruçando sobre futuros profissionais de áreas que lidarão com crianças, adultos e jovens, tais como o psicossocial, o jurídico, a saúde e a educação, foram inquiridos 1288 estudantes de modo a averiguar atitudes face à diversidade sexual. Gato e Fontaine (2012) verificaram uma diferença de atitudes consoante a área de formação. Os alunos de Educação, Medicina e Direito apresentaram atitudes mais negativas face a pessoas homossexuais do que os alunos da área psicossocial.

Relativamente a futuros intervenientes da rede social e a sua perceção sobre a homoparentalidade, estes evidenciaram atitudes positivas no que respeita à parentalidade homossexual, mas mais positivas à parentalidade heterossexual. No contexto da homoparentalidade, os participantes consideraram que os homossexuais, quer no feminino ou no masculino receberiam mais apoio da sociedade enquanto solteiros do que em casal (Gato, Freitas, Fontaine, 2012).

Ambos os estudos remetem para a importância da consciencialização dos futuros profissionais para a temática e da sua inclusão nos conteúdos programáticos (Gato e Fontaine, 2012; Gato, Freitas e Fontaine, 2012).

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