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Strategisk område: Bedre samspill og kunnskapsoverføring

In document Forskningsrådets årsrapport 2019 (sider 42-0)

Mål 2 Økt verdiskaping i næringslivet

3.2.3 Strategisk område: Bedre samspill og kunnskapsoverføring

Bimestralmente, a instituição tem um dia, denominado de “dia de planejamento”. A creche não fecha, mas é suspenso o atendimento de um respectivo módulo e, em tese, os educadores daquela turma reúnem-se para planejar, discutir e refletir sobre o trabalho.

A participação em um desses encontros revelou que o respectivo dia acaba sendo utilizado para outros fins, como decorar o ambiente, preencher os semanários, lavar os brinquedos e resolver questões pessoais. Não é possível afirmar, mas inferir, que tais encontros não são produtivos do ponto de vista da formação continuada, especialmente porque são esporádicos e parciais, não envolvendo todos os educadores da unidade. Quanto à reflexão, quando ocorre é feita de forma endógena, com o próprio grupo, com a participação parcial da coordenação pedagógica e sem a presença de um formador interno ou externo.

Sobre o tema formação, vale a pena recuperar Kramer (2002), que infere: “Aprendemos com a história da formação que cursos esporádicos e emergenciais não resultam em mudanças significativas, nem do ponto de vista pedagógico, nem do ponto de vista da carreira” (p. 121). Para a autora, a formação em serviço é um direito, e a instituição deve ser um dos locais privilegiados para que ela ocorra.

Ainda nessa mesma linha de considerações, mas especificamente em relação à formação voltada para o atendimento a crianças, a autora destaca: [...] “Sabemos que qualquer projeto de formação continuada ou sua inexistência, de certa forma, reflete o pensamento sobre o que pedagogicamente deve nortear o atendimento às crianças” (KRAMER, 2002, p. 124).

Tendo em vista que na creche em pauta o processo de formação continuada é precário e não está incluído na jornada de trabalho das educadoras, que ocorre de forma esporádica e parcial (poucas pessoas de cada vez), ou em arranjos feitos pelas gestoras, é possível inferir, assim como constatou Cerisara (2002), que a presente municipalidade considera a creche como uma instância onde as esferas pública e doméstica articulam-se e, assim, perceba o trabalho realizado na creche como uma extensão do trabalho doméstico.

Outro momento de formação em serviço que vale a pena relatar refere-se aos Horários de Trabalho Pedagógicos Coletivos (HTPCs). Ocorrem uma vez por semana, durante o horário de repouso das crianças. Na entrevista com o coordenador pedagógico, o mesmo resumiu esse momento com as seguintes palavras:

São duas horas semanais, só que eu separo por grupos. Só faço HTPC com todos os grupos juntos quando é um assunto de interesse comum; agora, quando é sobre os projetos, coisas de cada grupo, aí eu faço individual (por grupo). Faço quartas, quintas e sextas, um dia pra cada grupo (CP).

Contudo, a partir do observado pela pesquisadora, percebeu-se que os grupos reúnem-se com o coordenador pedagógico apenas uma hora por semana, não ficando claro se a segunda hora por ele mencionada ocorre apenas entre as educadoras ou, simplesmente, não ocorre. Seja qual for o encaminhamento, pode- se afirmar que tal atitude gera prejuízo no processo formativo, além de onerar os cofres públicos, uma vez que eles pagam por uma hora de estudo que não acontece, ou que acontece mas de forma inadequada.

O coordenador pedagógico fez o seguinte relato, durante a entrevista, sobre o que é discutido no HTPC:

[...] Elas têm muita dificuldade quando se trata de leitura, preferem sugestões de atividades. Então trago textos. Geralmente são textos da revista Nova Escola, que é excelente, ou do Google mesmo. A gente digita lá e aparecem diversos textos. Por exemplo, no 1º bimestre, eu trouxe coisas que achei num blog de educação especial. Não me lembro agora o nome do blog, mas muito bom. Embora fossem atividades voltadas para crianças com necessidades especiais, pode perfeitamente encaixar para qualquer criança. Então é isso, a internet ajuda muito (CP).

No que concerne a formação em serviço desse grupo, foi possível apreender que o coletivo fica prejudicado, visto que acabam se restringindo a um único grupo por vez, sendo subaproveitados porque, ao invés de duas horas, as educadoras acabam tendo, apenas, uma hora semanal de estudo. Vale a pena lembrar que esse horário “pedagógico” ocorre durante a jornada de trabalho, enquanto as crianças repousam. Isto implica na possível interrupção na participação das educadoras na hora semanal de estudo, uma vez que estas podem ser interrompidas a qualquer momento caso alguma criança da creche acorde antes do horário previsto.

Durante as observações, não foi possível presenciar nenhum HTPC com o atual coordenador pedagógico, mas com a coordenadora anterior foi observado um,

e percebeu-se que ela não ficou à vontade. Perguntou, então, se a pesquisadora não gostaria de fazer a formação naquele dia, ou falar sobre a pesquisa. Enfim, não foi um momento de informalidade. O momento também estava tenso porque a SME estava pautando mudanças na rotina das Agentes de Educação; e como uma educadora daquela unidade era representante das trabalhadoras na comissão, a mesma solicitou o horário para dar informes.

Um informe sobre uma das mudanças que deveriam ser implementadas gerou uma reação extremamente negativa das educadoras: elas estavam revoltadas porque uma das mudanças propostas era que, a partir de 2014, em cada módulo, exceto no berçário, entraria um/a professor/a para garantir a parte pedagógica, enquanto as educadoras continuariam a cumprir as rotinas referentes aos cuidados das crianças.

A reunião foi tensa e, embora a pesquisadora estivesse em uma posição de observação, foi inevitável refletir sobre a nova configuração. Concluída a pesquisa de campo em 2013, não foi possível acompanhar a rotina com a presença da professora em sala. Mesmo assim, pode-se inferir a esse respeito que, mais uma vez, o trabalho com as crianças ficou fragmentado em dois polos: um que cuida e outro que educa.

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