• No results found

4. RESULTATER

4.4. Fokus 3: Kontinuerlig planlegging

4.4.3. Strategiplanlegging

Na seção em apreço serão abordados aspectos relacionados ao posicionamento das IES no âmbito do desenvolvimento regional a partir das informações suscitadas em entrevista realizada junto aos dirigentes das instituições

objeto do estudo. A análise procura evidenciar as ações que as IES indicam como sendo possíveis protagonismos do desenvolvimento regional.

Uma das idéias associadas ao desenvolvimento regional está relacionada ao processo de formação e qualificação de profissionais. Esta se situa no campo de atuação acadêmico-institucional e protagonizada por meio dos diferentes cursos que são ofertados. Acredita-se que a qualificação profissional tenha relação direta com o desenvolvimento local e regional. Neste contexto situam-se as interlocuções a seguir, a partir das quais se fará uma breve análise.

Na primeira interlocução fica evidenciada a relação entre a formação de quadros profissionais e atuação destes nos processos de desenvolvimento e crescimento do estado do Amapá, ao menos assim entendida pelo dirigente máximo da IES. Conforme este, a IES nasce com este propósito. Das dez instituições que fizeram parte do estudo, sete se alinham a este entendimento, sem, no entanto deixarem de manter ações no campo da tutela assistencialista.

Dedes 1992 quando nós damos início a esse projeto educacional do Centro de Ensino Superior do Amapá (Ceap) nós assumimos o compromisso de preparar profissionais que pudessem realmente auxiliar no desenvolvimento e crescimento do Amapá (Interlocutor 1).

Nesta mesma linha o segundo interlocutor situa a IES que dirige. Ou seja, a instituição instrumenta por meio dos cursos que disponibiliza homens e mulheres, que por sua vez, na condição de atores sociais, podem melhorar a sua própria qualidade de vida e auxiliar no processo de desenvolvimento local e regional.

Nós temos uma vocação amazônica. A Faculdade SEAMA é daqui, desde o início, a SEAMA não se preocupou, como é de praxe, em implementar cursos demandam abaixo investimento como Administração, Economia, Licenciaturas e outros. Começamos ao contrário: o que o Amapá precisa para se desenvolver? Esta foi a pergunta. Queríamos com o nosso trabalho, contribuir, dar a nossa parte para a melhoria da qualidade de vida do povo. Queremos dar os instrumentos para que os próprios amapaenses e amazônidas tenham condições de lutar e buscar mais qualidade em suas vidas. Do nosso jeito e em pequena parte, estamos fazendo com cursos, estruturas e ações que buscam sempre a melhor qualidade (interlocutor 2).

Uma terceira instituição de educação superior da cidade de Macapá pode ser situada no conjunto de IES que vêem a formação dada no âmbito dos seus respectivos cursos como elemento propulsor e dinamizador do desenvolvimento regional. No âmbito do processo formativo os cursos articulam ações de intervenção nos contextos próximos, os quais certamente irão repercutir nos modelos de desenvolvimento da região. Neste caso, é possível vislumbrar o papel que a instituição pode ter na formulação de propostas de trabalho que culminarão em ações para melhorar a vida da cidade, do Estado do Amapá e do povo amazônida.

Os nossos acadêmicos de administração de cidades eles tem uma pratica de adotar as comunidades para trabalhar projetos de melhoria das comunidades. Projetos de urbanização, projetos para melhorar o atendimento na questão da saúde, na questão do posto de saúde. Os alunos de Administração de Cidades, Administração Pública, eles estão sempre atuantes. Eles estão trabalhando junto com o Ministério das Cidades, em ações aqui no estado do Amapá. Formam um grupo, apresentam e discutem essas ações. Ainda, os alunos trouxeram para dentro da FAMAP os portadores de necessidades físicas. Estes apontaram onde a cidade peca por não ter calçadas, rampas de acesso, sinalização de trânsito, mostrando fotografias de todas as regiões, propondo o trabalho junto a Câmara dos Vereadores para que mudasse esse processo, apresentando projetos. Estes mesmos acadêmicos trabalharam na discussão do Plano Diretor do Hospital-Geral (Interlocutor 5).

Na idealização das Instituições de educação superior privada particular da cidade de Macapá está presente a preocupação com a questão do desenvolvimento regional, no entanto, pelas interlocuções estabelecidas é possível sustentar que existe no campo prático um viés muito forte protagonizado com ações de cunho assistencialista. De resto, o papel das IES no processo de desenvolvimento regional situa-se no âmbito dos cursos e na qualificação profissional que estes proporcionam. Tal situação pode ser verificada na interlocução esculpida abaixo:

Quando idealizamos o Instituto Macapaense de Ensino Superior (IMMES) nós o fizemos pensando na discussão e busca de caminhos para o desenvolvimento do Etado. A contribuição: nós a daremos com as primeiras turmas que irão se formar quando completarmos quatro anos. A gente vai formar as primeiras turmas do curso de Administração Sócio-ambiental e Serviço Social. Também estamos com o curso de Serviço Social fazendo pesquisa, levantamento sócio-econômico dentro dos bairros para ver quais as necessidades dos moradores e que serviços a estes estão sendo disponibilizados. Com o curso de Nutrição nós já saímos a campo também,

fazendo um levantamento no Centro Comercial com os ambulantes que vendem alimentos e sucos nas ruas, nas barracas para saber como está o nível de contaminação dos produtos comercializados. Feita a análise e constatada contaminação faremos propostas de capacitação para melhorar a qualidade dos serviços prestados pelos ambulantes (interlocutor 6).

Vincular os processos formativos, aos problemas da comunidade e encontrar soluções para as demandas existentes, pode ser entendido como um componente muito forte, positivo e desencadeador do desenvolvimento local. A inserção das IES para problematizar este contexto e indicar caminhos para melhorar a qualidade de vida de homens e mulheres que aí se situam condiz com os fins da educação superior em nosso país.

A este respeito nós temos alunos do curso de História, Letras, de Direito, Ciências Sociais que estão envolvidos diretamente com projetos daqui da Comunidade de Lagoa dos Índios onde fica situação a faculdade FAMA. (Interlocutor 7).

Envolver os cursos e alunos em projetos de desenvolvimento local tem sido uma prática adotada também pela quinta e sexta IES de acordo com o relato do sétimo e oitavo interlocutor. Ambas as IES, bem como as situadas nesta primeira parte da análise reconhecem nas ações destacadas uma forma de contribuir com o desenvolvimento regional.

Sim, os cursos desde 2003 a gente vem trabalhando com atividades complementares e estas atividades complementares geralmente os alunos, eles trabalham projetos voltados pra área social, então esses projetos valem na verdade hora aula pra eles (Interlocutor 9).

A última instituição de educação superior privada em análise, mesmo assumindo a sua condição de empresa que tem por objetivo a obtenção do lucro, reconhece que este deve ser visto no contexto da realidade social, conforme grafado abaixo. Lucro de um lado, e ações focadas no desenvolvimento regional de outro. Numa cidade marcada pela falta de infraestrutura que possa dar uma condição de vida melhor para os seus habitantes, mesmo as ações de cunho assistencialista por

mais simples que sejam sempre terão uma repercussão enorme no contexto local. Estas, inclusive tendem a substituir as ações focadas em projetos de médio e longo prazo, capazes de produzir efeitos desenvolvimentistas emancipatórios.

A intenção nossa é claro, nosso objetivo, o de qualquer instituição privada é lucro, agora esse lucro não pode ser dissociado da realidade social, quer dizer, quando a gente faz um marketing social, por exemplo, a gente ta pensando em voltar, de ter um retorno financeiro com isso então nós não podemos usar esse discurso,

Nesta parte da seção fez-se a análise das interlocuções que traduzem a idéia de desenvolvimento vinculada às ações das IES realizadas por meio da formação e qualificação profissional na estrutura curricular dos respectivos cursos. Para estas, o desenvolvimento regional dar-se-á a partir da interação e dos protagonismos desencadeados pelos profissionais que receberam formação/qualificação ancorados nos percursos dos cursos ofertados pelas instituições de ensino superior.

Destaca-se ainda, que por ora em que pese a presença das Instituições de educação superior privada no contexto amapaense com suas respectivas ações voltadas para o desenvolvimento regional, os indicadores do desenvolvimento humano (IDH) não revelam grandes mudanças para melhor no Estado do Amapá, especialmente, se comparados com os índices sustentado pelo Brasil.