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2.1 – MATERIAL

Pretende-se com o presente trabalho realizar uma análise abrangente das características agronómicas da cerejeira ‘De Saco’ na principal região de produção nacional de cereja. Trata-se de uma cultivar tradicional característica da Cova da Beira, localizada essencialmente nas encostas da Serra da Gardunha numa mancha que se encontra localizada nas aldeias de Alcongosta e Alcaide.

Para realizar uma avaliação das características agronómicas desta cultivar é necessário ter em consideração todos os factores externos e internos que influenciam o ciclo vegetativo da cultivar.

Os factores externos mais relevantes são as características edafo-climáticas, a exposição, a altitude, a localização e a tipologia de pomar (armado em socalcos ou patamares).

Os factores internos mais importantes são o porta-enxerto, a idade das árvores e as práticas culturais (podas, fertilizações, tratamentos fitossanitários e regas).

Dentro destes factores procurou-se seleccionar árvores, da cultivar em estudo, com o mesmo porta-enxerto (Prunus avium) (Anexo VII), que apresentassem sensivelmente as mesmas práticas culturais, o mesmo sistema de condução, a mesma idade (plena produção) evitando possíveis factores de variação. Os pomares seleccionados encontram-se todos inscritos na Appizêzere (Associação de Protecção Integrada e Agricultura Sustentável do Zêzere) encontrando-se abrangidos pela Protecção Integrada.

Assim sendo, pretende-se avaliar o desempenho agronómico da cultivar ‘De Saco’ tendo presente o tipo de solo mais comum, as exposições dominantes e o intervalo de altitudes mais comum na generalidade dos pomares da região em estudo.

Com base nos critérios anteriormente referidos e na carta de solos 20–D (Anexo VIII) e na carta militar 246 (Anexo IX) seleccionaram-se 4 pomares que se pretendem ser representativos da principal região de produção de cereja ‘De Saco’.

Os quatro pomares seleccionados estão abrangidos pelo Projecto Agro nº 452 de avaliação da fertilização dos pomares de cerejeira na Cova da Beira onde se encontra incluída a cultivar ‘De Saco’, sendo a Appizêzere uma das entidades participantes

juntamente com o Laboratório Químico Rebelo da Silva, a Escola Superior Agrária de Castelo Branco e a Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior.

2.1.1 – Caracterização dos pomares seleccionados

2.1.1.1 – Pomar da Quinta da Courela (Projecto Agro nº452)

O pomar situa-se na aldeia de Alcongosta na encosta virada a Noroeste da Serra da Gardunha a uma altitude aproximada de 646 m (Fig. 2.1 e 2.2). O solo presente é, segundo a carta de solos, Spn + Mnsa com uma capacidade de uso de Classe E.

Fig. 2.1 – Local do ensaio na Quinta da Courela.

O pomar é de regadio (gota-a-gota) e as árvores da cultivar ‘De Saco’ estão em plena produção com um compasso de 5,5x5 m e uma idade compreendida entre 20 e 25 anos (o rectângulo branco, na Fig. 2.2, marca a localização do pomar).

Fig. 2.2 – Fotografia aérea do local do ensaio na Quinta da Courela.

2.1.1.2 – Pomar da Quinta da Saramagueira (Projecto Agro nº452)

O pomar localiza-se na aldeia de Alcongosta na encosta virada a Norte da Serra da Gardunha a uma altitude aproximada de 769 m (Fig. 2.3 e 2.4). O solo presente é, segundo a carta de solos, Spn + Mnsa com uma capacidade de uso de Classe C.

O pomar é de regadio (gota-a-gota) e as árvores da cultivar ‘De Saco’ estão em plena produção com um compasso 7x5,5 m e uma idade compreendida entre 20 e 25 anos (o rectângulo branco, na Fig. 2.4, marca a localização do pomar).

Fig. 2.4 – Fotografia aérea do local do ensaio na Quinta da Saramagueira.

2.1.1.3 – Pomar da Quinta de S. Macário (Projecto Agro nº452)

O pomar situa-se na aldeia do Alcaide numa encosta virada a Sudeste a uma altitude aproximada de 638 m (Fig. 2.5 e 2.6). O solo presente é, segundo a carta de solos, Vgn + Spn + Mnsn com uma capacidade de uso de Classe E.

O pomar é de regadio (gota-a-gota) e as árvores da cultivar ‘De Saco’ estão em plena produção com um compasso 6x5,5 m e uma idade compreendida entre 20 e 25 anos (a superfície delimitada a branco, na Fig. 2.6, marca a localização do pomar).

Fig. 2.6 – Fotografia aérea do local do ensaio da Quinta de S. Macário.

2.1.1.4 – Pomar da Quinta de Pombal (Projecto Agro nº452)

O pomar situa-se na aldeia de Aldeia Nova do Cabo numa meia encosta virada a Oeste a uma altitude aproximada de 532 m (Fig. 2.7 e 2.8). O solo presente é, segundo a carta de solos, Pgm + Vmg com uma capacidade de uso de Classe B e C.

O pomar é de sequeiro e as árvores da cultivar ‘De Saco’ estão em plena produção com um compasso 6x6 m e uma idade compreendida entre 20 e 25 anos (o rectângulo branco, na Fig. 2.8 marca a localização do pomar).

Fig. 2.8 – Fotografia aérea do pomar da Quinta do Pombal.

2.1.2 – Resumo das características dos diversos pomares

No Quadro 2.1 encontra-se resumido as características mais relevantes dos pomares seleccionados.

Quadro 2.1 – Resumo das características dos pomares em análise. Pomares Exp. Altit.

(m)

Tipo de Solo Capac. uso Idade (anos)

Comp. (m) Qta Courela NO 646 Spn+Mnsa Classe E 20-25 5,5x5 Qta Saramagueira N 769 Spn+Mnsa Classe C 20-25 7x5,5 Qta Pombal O 532 Pgm + Vmg Classe B e C 20-25 6x6 Qta S. Macário SE 638 Vgn+Spn+Mnsn Classe E 20-25 6x5,5

com idades compreendidas entre os 20 e 25 anos e com densidades de plantação baixas entre as 230 e as 300 árvores por ha.

A capacidade de uso destes solos é, na sua generalidade, de Classe E (aptidão florestal) derivado do seu declive. Uma das características comuns destes solos é o facto de a rocha-mãe originária ser de gnaisses ou rochas afins. Os gnaisses são rochas metamórficas foliadas de textura gnáissica que podem formar-se, a partir de várias rochas eruptivas (granitos, sienitos, dioritos), e de rochas sedimentares, como conglomerados e grés grosseiros, arcoses e provavelmente também xistos. Os gnaisses contêm sempre proporção elevada de feldspatos, quartzo, micas (biotite e/ou moscovite) e horneblenda (associada ou não a biotite), são constituintes vulgares destas rochas. A descrição mais pormenorizada das características dos diversos tipos de solos encontra-se no Anexo X.

Foram colhidas amostras de solo de acordo com o protocolo de análises de solo do Laboratório Químico Agrícola Rebelo da Silva (LQARS) e a sua análise foi feita pelo mesmo laboratório. Na colheita de solos utilizou-se uma sonda apropriada na proximidade da projecção da copa das árvores. As amostras foram obtidas à profundidade de 0 a 20 cm. A descrição pormenorizada dos resultados e das respectivas classificações das amostras de solo encontra-se no Anexo XI.

Quadro 2.2 – Características físicas e químicas relevantes obtidas nas amostras de terra (0 – 20cm) dos 4 pomares do ensaio.

Parâmetros Macário SE Pombal O Courela NO Saramagueira N Textura Franco Franco - arenoso Franco Franco – arenoso

pH 6,1 4,8 6 6,6 Mat. Org.(%) 3,6 1,4 3,8 3,5 CTC 10,23 11,78 11,62 11,59 GSB (%) 66,8 56,7 60,4 75 P2O5 (ppm) > 200 >200 > 200 > 200 K2O (ppm) > 200 >200 >200 > 200 Mg (ppm) > 125 >125 122 > 125 Fe (ppm) > 80 68 > 80 > 80 Mn (ppm) 54 29 72 70 Zn (ppm) 3,9 0,9 4,4 5,8 Cu (ppm) > 15 3,6 > 15 > 15 B (ppm) 1,16 1,62 1,76 1,06

Nos solos desta região, de um modo geral, o principal factor de formação é a rocha-mãe, que está sujeita a intensa meteorização física e a menos forte alteração química, sendo em geral relativamente pequena a formação de argila e a segregação de ferro livre e praticamente nulas as migrações. Por acção do clima, pouco favorável ao desenvolvimento de forte cobertura vegetal, a que se junta a prolongada interferência do homem através de um cultivo muitas vezes secular, quase sempre favorecedor dos fenómenos erosivos, é baixo o teor orgânico destes solos e pequena a sua espessura efectiva. São, pois, solos relativamente delgados, frequentemente pobres sob o ponto de vista químico devido à fraca alteração da rocha originária e muitas vezes à própria pobreza desta, em que escasseia o complexo de absorção e abundam os fragmentos grosseiros de difícil meteorização (Costa, 1993).

Observando o Quadro 2.2 referente aos resultados das análises das amostras de terra realizadas nos 4 pomares seleccionados (Anexo XI), verificamos que estes apresentam solos com uma textura franca com ligeiras derivações para o arenoso. O pH é ligeiramente ácido e os valores de matéria orgânica são médios a ligeiramente baixos. Os valores médios dos macronutrientes principais e secundários são elevados derivados, possivelmente, das práticas culturais realizadas nos pomares.

2.1.3 - Caracterização climática

O clima do concelho do Fundão caracteriza-se por ser húmido, mesotérmico, com grandes deficiências de água no Verão. A temperatura tende a aumentar no sentido Noroeste-Sudeste o que se traduz geograficamente numa incidência de valores de temperatura mais baixos no concelho da Covilhã, em oposição à restante zona, genericamente designada de Cova da Beira, com temperaturas médias mais elevadas e menores amplitudes térmicas. Os valores médios anuais de precipitação oscilam entre os 1 000 e 2 400 mm, podendo distinguir-se três situações:

-A Norte da zona considerada os valores pluviométricos chegam a atingir os 2 400 mm,

-Na parte oriental desta zona os valores de precipitação situam-se geralmente abaixo dos 1 200 mm,

Verifica-se assim, uma tendência para o acréscimo dos valores no sentido Este- Oeste, denotando-se a influência que a Serra da Estrela exerce sobre a queda pluviométrica. Em grande parte da região verificam-se 30 a 50 dias de ocorrência de geada anuais, num período que varia sensivelmente de Outubro a Maio.

2.1.3.1 - Temperatura

Para o período de 1958-70 conforme os dados do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica, a temperatura média anual do concelho é de 14,1ºC, sendo as médias das temperaturas máximas e mínimas para igual período de 19,5ºC e 8,6ºC. A temperatura mais elevada para o mesmo período registou-se no mês de Julho com o valor de 39,4ºC, registando-se nos meses de Fevereiro e Dezembro os valores mais baixos, -5,6ºC. A temperatura média máxima registou o seu valor mais elevado em Julho – 30,4ºC - e a temperatura média mínima registou o seu valor mais baixo em Dezembro, com o valor de 2,6ºC. Verifica-se que o número médio anual de dias com temperatura máxima do ar superior a 25ºC é de 105,3 dias, sendo o maior número registado nos meses de Julho e Agosto com 27,8 dias e 27,3 dias respectivamente, para o período que ocorreu entre 1931-60. O maior número de dias com temperatura mínima do ar inferior a 0ºC verificou-se em Dezembro e Janeiro, com 7,9 dias e 7,5 dias respectivamente, sendo 21,7 dias o número médio anual para o parâmetro referido. O número de dias médio anual com temperatura mínima do ar superior a 20ºC é de 3,7 dias, valor este que resulta do somatório do número de dias verificados com as características referidas nos meses de Junho, Julho, Agosto e Setembro. O número de horas de frio é também superior a 1 000 horas anuais (Anexo XII).

2.1.3.2 - Precipitação

No concelho, os quantitativos pluviométricos médios anuais são de 1 067,1 mm, variando entre 4,4 mm no mês de Julho e 166,4 no mês de Fevereiro. O primeiro trimestre é o mais pluvioso, registando-se os maiores valores em Janeiro e Fevereiro. O número médio anual de dias com precipitação igual ou superior a 1,0 mm é de 85,9 dias para o período compreendido entre 1931-60. Os valores mais elevados de pluviosidade registam-se na zona ocidental do concelho, verificando-se uma diminuição que chega a

atingir os 800 mm no limite da zona oriental do concelho. São pois de grande amplitude as variações de precipitação anual - cerca de 600 mm - dentro do território municipal.

2.1.3.3 - Vento

Para o concelho do Fundão, os ventos predominam nos quadrantes Este-Sudeste e Sudoeste-Oeste. Quanto à velocidade, podemos considerá-los fracos durante todo o ano, embora soprem com maior intensidade no quadrante Sudoeste-Oeste durante a Primavera-Verão, sendo a velocidade média anual para o quadrante referido de 11 km/h.

2.1.3.4 - Humidade Relativa

Os valores médios anuais da humidade relativa do ar correspondem ao período 1931-60 e foram registados às 9 e 21 horas, o que impossibilita o conhecimento sobre o comportamento deste factor ao longo do dia, uma vez que os registos efectuados neste horário representam valores semelhantes. Verifica-se que os valores médios anuais da humidade relativa do ar às 9 e 21 horas são de 66% e 67% respectivamente.

2.1.3.5 - Insolação

A insolação média anual do concelho situa-se em 2 783,8 horas, o que corresponde a 60% do número de horas anuais de sol. O maior valor médio de insolação, verifica-se no mês de Julho com 374,8 horas, enquanto o menor valor se observa no mês de Janeiro com 132,1 horas.

2.1.3.6 – Caracterização climática da aldeia de Alcongosta

Atendendo à existência de uma região microclimática específica na região de Alcongosta e à sua influência nas características agronómicas das cultivares de cerejeiras cultivadas é relevante apresentar dados climáticos relativos a essa zona.

Segundo os dados obtidos no posto meteorológico de Alcongosta da DRABI para o ano de 2005 verificamos que, a temperatura média anual da aldeia é de 13,8ºC, sendo as médias das temperaturas máximas e mínimas para igual período de 19,7ºC e

com o valor de 38,4ºC, registando-se no mês de Março o valor mais baixo, -8,1ºC. A temperatura média máxima registou o seu valor mais elevado em Agosto – 24,5ºC - e a temperatura média mínima registou o seu valor mais baixo em Fevereiro, com o valor de 4,8ºC.

Na aldeia de Alcongosta, os quantitativos pluviométricos médios anuais são de 901,4 mm, variando entre 0 mm no mês de Junho e Agosto e 390 mm no mês de Outubro. O último trimestre é o mais pluvioso, registando-se os maiores valores em Outubro, Novembro e Dezembro com um total de 673,8 mm representando cerca de 75% do total de precipitação anual. Os meses de Janeiro, Junho, e Agosto foram os mais secos somando no total 1 mm de precipitação.

0,0 50,0 100,0 150,0 200,0 250,0 300,0 350,0 400,0 450,0

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Meses Precip. (mm) 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 Temp. (ºC)

Fig. 2.9 – Valores de precipitação e temperaturas médias anuais do ano de 2005 do posto meteorológico de Alcongosta.

2.2 - MÉTODOS

2.2.1 – Acompanhamento da fenologia

Foram escolhidas, aleatoriamente, 15 cerejeiras da cultivar ‘De Saco’ em cada pomar seleccionado (Anexo XIII), procedendo-se ao acompanhamento da fenologia dos gomos periodicamente. A época da floração foi observada com uma maior periodicidade com o intuito de registar possíveis diferenças significativas entre os pomares escolhidos. As datas de maturação e de colheita foram também sujeitas a observação tendo-se optado por escolher a data de colheita nos diferentes pomares em

função da cor do fruto com o intuito de realizar uma comparação mais exaustiva das características agronómicas da cultivar ‘De Saco’, nos pomares seleccionados. Os estados fenológicos da cerejeira analisados são os indicados por Baggiolini apresentados por Lichou et al., (1990) presentes no Anexo XIV.

2.2.2 - Análise das produções unitárias, perímetro dos troncos, produtividades por árvore e produtividade por hectare

Sendo a colheita manual e efectuada por intermédio de escadas e de cestos de 10 kg, requer mão-de-obra especializada. Por intermédio da pesagem do número de cestos colhidos é possível determinar a produção de cada uma das 15 árvores seleccionadas sendo descontado o peso do próprio cesto.

Para todas as árvores seleccionadas foram efectuadas medições ao perímetro dos troncos por intermédio de uma fita métrica à mesma altura da zona de enxertia (10 cm) e posteriormente calculámos a área de secção do tronco e a produtividade de cada árvore.

Tendo por base os compassos medidos nos diversos pomares analisados e as produções unitárias médias obtidas calculou-se a produtividade média por hectare, tendo em consideração a inexistência de falhas nos pomares.

2.2.3 – Avaliação dos parâmetros físicos e químicos da cultivar regional ‘De Saco’

Foram seleccionadas, de uma forma aleatória, 5 árvores das 15 árvores observadas em cada pomar (Anexo XIII), onde se realizaram colheitas de amostras com um peso aproximado de 2kg de cerejas em cada uma das 5 árvores marcadas, com o intuito de analisar as suas características físicas e químicas.

2.2.3.1 - Representatividade das classes de maturação da cultivar regional ‘De Saco’

Nas diferentes datas de colheita as amostras seleccionadas aleatoriamente de cada uma das 5 árvores, com um peso aproximado de 2kg de cerejas, foram divididas por classes de cor (usando a tabela de cores do CTIFL/ARCOFEL) (fig.2.11) sendo

2.2.3.2 - Peso médio, calibre, dureza, índice refractométrico, pH e acidez para a cultivar regional ‘De Saco’

Das classes de cor mais representativas foram seleccionadas aleatoriamente 50 cerejas onde se efectuaram análises: ao peso (através de uma balança digital com precisão ao centigrama) (fig.2.10), ao calibre (utilizando um calibrador manual do CTIFL) (fig.2.12), à dureza dos dois lados da polpa, utilizando um penetrómetro (DUROFEL) (fig.2.13), ao índice refractométrico (ºBrix) usando um refractómetro digital ATAGO (fig.2.14), ao pH e ainda à acidez, por titulação com potenciómetro de bancada.

2.2.4 - Avaliação dos parâmetros físicos e químicos para as cultivares estrangeiras com a mesma época de maturação

No dia 21 de Junho de 2006 foram recolhidas amostras representativas das diferentes cultivares estrangeiras com a mesma época de maturação da cultivar ‘De Saco’ em diversos pomares da região de produção (Norte da Serra da Gardunha), com o intuito de analisar as suas características físicas e químicas. As cultivares analisadas a Norte da Serra da Gardunha foram: ‘Lapins’, ‘Satin’, ‘Symphony’, ‘Skeena’, ‘Summit’, ‘Staccato’ e ‘Sweetheart’.

2.2.4.1 - Representatividade das classes de maturação

No dia 21 de Junho de 2006 as amostras foram divididas por classes de cor sendo registados os respectivos pesos e calculadas as percentagens das diferentes classes de maturação.

2.2.4.2 - Peso médio, calibre, dureza, índice refractométrico, pH e acidez para as cultivares estrangeiras a Norte da Gardunha

Dos lotes mais representativos foram seleccionadas aleatoriamente amostras de 25 cerejas e analisadas as suas características físicas e químicas. Foram registados diversos parâmetros como o peso médio (g), o calibre (mm), a dureza (durofel), o índice

refractométrico (ºBrix), o pH e a acidez (g de ácido málico por litro) usando o mesmo equipamento laboratorial utilizado nas análises à cultivar regional.

No sentido de estabelecer uma comparação entre as cultivares estrangeiras e a cultivar regional ‘De Saco’ usaram-se os valores médios dos respectivos parâmetros físico-químicos.

2.2.5 – Tratamento estatístico dos dados

Foi efectuado o tratamento estatístico dos dados obtidos nas análises físico- químicas da cultivar regional ‘De Saco’, bem como aos valores das produções unitárias, dos perímetros dos troncos e das produtividades por árvores. Realizaram-se análises de variância ANOVA a um factor com um nível de significância de 0,05 utilizando o programa Excel versão de 2003, para averiguar a existência de variabilidade entre os pomares (Anexo XV) e o teste de Tukey de comparação de médias usando o programa SPSS versão 13 para um nível de significância de 0,05.

2.2.6 – Análise económica do pomar tradicional de cerejeira

Usando dados fornecidos por associados da Appizêzere que participaram num projecto de Pequenas e Médias Empresas (PME) co-financiado pela União Europeia através do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), organizado pela Confederação de Agricultores Portugueses (CAP) e com a assistência técnica da empresa FZ AGRO.GESTÃO e da Appizêzere, foi possível obter informação válida para a realização de uma análise económica do pomar tradicional de cerejeira. Foram registados dados referentes aos proveitos, custos e resultados globais da actividade agrícola de produção de cerejeira, de uma exploração tipo da região, a Quinta do Concelho, relativos aos anos de 2004 e 2005.

2.2.7 – Análise de investimento à instalação de um pomar moderno de cerejeiras

Foi ainda realizada uma análise de investimento à implantação de 1 ha de um pomar moderno de cerejeira, usando dados de referência da região, com o objectivo de avaliar a sua viabilidade económica.

Fig.2.10 – Balança digital. Fig.2.11 – Selecção de frutos pela tabela de cores CTIFL.

Fig.2.12 – Selecção do Calibre. Fig.2.13 – Penetrómetro.

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