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Conselho de Segurança da ONU mantém sanções contra Irã

Tempo: 2‟ 46” (nota coberta de 54” + reportagem de 1‟52”) Personagens:

Representantes do Brasil, da Turquia, do Líbano, dos EUA e do Irã em reunião na ONU

Raul Jungmann, deputado federal (PPS-PE) Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores Luís Inácio Lula da Silva, presidente da República

Conflito: Governo brasileiro reage às sanções votadas na ONU contra o Irã

Sequência de ações: Reunidos na ONU, membros do Conselho de Segurança internacional aprovam a continuidade de retaliações contra o Irã. Animação com ilustrações explica as sanções da ONU, que inclui bloqueio do dinheiro dos bancos iranianos no exterior. O ministro Celso Amorim, em sessão no Plenário da Câmara

Federal, é questionado por deputado sobre a importância do assunto para o Brasil. Repórter resume o posicionamento do governo, diante de prédio do Congresso Nacional: o acordo mediado pelo Brasil com o Irã nem foi considerado pelo Conselho de Segurança. O ministro Celso Amorim responde a novas perguntas de jornalistas durante entrevista coletiva. O presidente Lula define a posição do Brasil no episódio: a ONU precisa refletir a mudança dos atores políticos no mundo.

A reportagem é articulada em dois momentos diferentes. Servindo como introdução e contextualização do assunto, é narrada uma “nota coberta” pela apresentadora Michelle Dufour em cima de imagens registradas pelas TVs norte-americana da reunião do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, em que as sanções contra o país de Mahmoud Ahmadinejad foram reafirmadas.

Sobre as imagens, a narração informa que, apesar do trabalho em conduzir um acordo entre os EUA (“país que liderou a pressão pelas sanções”) e Irã, Brasil e Turquia foram os únicos, num total de 12 países, a rejeitar a manutenção das imposições. O Líbano não votou contra, mas se absteve da decisão. O embaixador iraniano, por sua parte, afirmou que o país continuaria enriquecendo urânio, ponto que vem motivando as investidas conduzidas pelos EUA por meio dos mecanismos da ONU. Apresentando uma animação, a nota explica que as sanções incluem a proibição de vendas de armas ao Irã, a autorização da ONU para a inspeção de navios do país e o bloqueio do dinheiro de bancos iranianos no exterior.

Retomando a condução do telejornal no estúdio da emissora em São Paulo, a

apresentadora Michelle Dufour informa que o “Brasil reagiu à decisão da ONU” e a terceira apresentadora do telejornal (ao lado do jornalista Aldo Quiroga), Layla Dawa, chama a reportagem sobre o assunto.

O tom é o mesmo da reportagem analisada anteriormente: uma disputa entre forças de capacidades diferentes, e aqui, no plano internacional. De um lado o reconhecido poder político e econômico dos EUA. Do outro, o praticamente isolado Irã.

No entanto, de modo diferente da matéria anterior, não há um encaminhamento para a sugestão de uma via mais adequada a ser tomada pelo “pequeno”. Ao

contrário. De maneira didática, é, pouco a pouco, construída uma constatação: não existe argumento que mude a decisão do “grande” quando este está disposto a sobrepor-se ao “pequeno”.

A reportagem situa a sessão em que o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim formalizou, no plenário da Câmara Federal, a posição do governo brasileiro sobre o assunto.

Criticando a reação do Brasil contra a posição da ONU, o deputado federal Raul Jungmann declara que vê somente “riscos” para o Brasil no debate que vem se desenrolando – dando, por sua parte, o sentido inicial de um confronto perdido. “Qual o interesse nacional de nos envolvermos desta maneira, nesta questão? Entretanto, vejo riscos. E não são poucos”, fala ao microfone o deputado federal durante sessão em comissão da Câmara.

Segundo o texto em voz off do repórter, sobre imagens da reunião do ministro Celso Amorim com os deputados, o ministro negou que a manutenção das sanções contra o governo iraniano tenha significado um desgaste e citou comentaristas

internacionais para dizer que a realidade do acordo aumentou o prestígio da diplomacia brasileira junto à opinião pública mundial.

Postado diante do Congresso Nacional, o repórter (Anderson Arcoverde) diz que para Celso Amorim: “o único erro do Brasil foi conseguir sucesso numa negociação que não estava no script” –, fazendo menção à impossibilidade de um recuo dos EUA sobre sua decisão de impedir o processo de enriquecimento de urânio no Irã, diante da suspeita de criação de uma arma nuclear por Mahmoud Ahmadinejad, que pode ser usada contra o território norte-americano.

O texto do repórter, porém, guarda para o final a definição que vinha sendo, até então, apenas sugerida: “Segundo Celso Amorim, os membros permanentes do Conselho de Segurança sequer consideraram o acordo porque já queriam impor as sanções ao Irã”.

Entra, então, o depoimento do ministro no plenário da Câmara: “Os países podem votar certo ou errado, mas devem votar de acordo com a sua consciência e não porque conseguiram uma vantagem para vender mais isso ou mais aquilo ou para não para deixar venderem mais isso ou não venderem mais aquilo. Acho,

sinceramente, que isso não é um exemplo que o Conselho de Segurança dê”. Ainda que não demonstre resignação diante da posição norte-americana, Celso Amorim parece na matéria, no entanto, pouco „otimista‟ sobre a chance de

transformação da decisão e do papel de mediador do diálogo que a ONU, para ele, deveria conduzir.

Sobre imagens do ministro em um outro ambiente de reunião, o texto em off do repórter informa que o chanceler brasileiro Celso Amorim participou ainda de uma coletiva de imprensa organizada pelo governo para se posicionar sobre o assunto. Surge um novo trecho de declaração do ministro, no novo encontro:

“Se a pergunta é se o Brasil e a Turquia vão continuar a trabalhar para encontrar um acordo com o Irã, a minha resposta hoje, efetivamente, para ser sincero, é: não sei”. O presidente Lula, nesta mesma direção, reconhece, durante evento em Natal (RN), a influência dos EUA sobre a ONU e considera o episódio como uma evidência da necessidade de reformas no Conselho de Segurança, visto que, como ficou claro, na busca de diálogo, „não haverá diálogo‟.

“É um episódio, na minha opinião, que enfraquece o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Nós estamos tentando reformá-lo há mais de dezessete anos porque ele não representa mais a atualidade política do mundo”.

O eco à estória do Lobo e o Cordeiro parece, aqui, inevitável. Mesmo após uma série de argumentos com pouco fundamento, todos rebatidos, o Lobo terminou, como tencionava, por comer o Cordeiro. Como frisa o repórter: “(...) os membros permanentes do Conselho de Segurança sequer consideraram o acordo porque já queriam impor as sanções ao Irã.”.

Apresentadora resume em „nota coberta‟ a decisão do Conselho da ONU, com as sanções explicadas a partir de arte gráfica. Em sessão na Câmara, o deputado Raul Jungmann questiona o ministro Celso Amorim. O repórter Anderson Arcoverde resume a opinião de Amorim: os membros do Conselho queriam de antemão impor sanções ao Irã. Amorim dá entrevista em coletiva de imprensa e o presidente Lula reafirma a posição do país diante do caso, defendendo reformas no Conselho de Segurança da ONU.

Reportagem 3 .:.