Para Helen M ilner, a polít ica ext erna é o result ado de um embat e ent re diversos at ores int ernos, t ant o governament ais quant o não governament ais e privados.98 Não
deve ser vist a como obra de um Est ado unit ário e racional, pois os governos est ão sujeit os a inf luências de diversos at ores e grupos, que acabam usando dessas inf luências para f azer prevalecer seus int eresses.99
Considerando que o Est ado é compost o por dif erent es unidades de decisão que são inf luenciadas ou pressionadas por indivíduos, grupos ou inst it uições, esses part icipam, dessa maneira, do processo de f ormulação e execução de polít ica ext erna.100 Est udar est a polít ica signif ica considerar
os processos int ernos de cada país, as int erações exist ent es ent re inst it uições e at ores e ent ender os mot ivos, int ernos e ext ernos, que levam os represent ant es governament ais a t omar det erminadas decisões no plano int ernacional. Dent ro dessa perspect iva, a esf era int ernacional passa a ser mult idimensional e os int eresses nacionais, mut áveis, podendo variar ao longo do t empo, dependendo dos int eresses em jogo, t ant o int ernos quant o ext ernos. A part ir do século XX e, sobret udo at ualment e, as t eorias, liberais ou pluralist as, sobre a f ormulação e a execução de polít icas ext ernas
97 GOUBEYRE. Cart a ao minist ro da M arinha e das Colônias, 14 de julho de 1840. ANOM , FM , SG, GUY 33, Dossier 2 (4).
98 M ILNER, Helen. Rat ionalizing polit ics: t he emerging synt hesis of int ernat ional, American, and comparat ive polit ics. Int ernat ional Organizat ion 52, 4, p. 759 786, Aut umn 1998.
99 M ANSANI, Robert a de Souza; REIS, Raf ael Pons. As t eorias das relações int ernacionais nos est udos de polít ica ext erna: um breve olhar a part ir das perspect ivas realist a e liberal. In: Revist a Andina de Est udios Polít icos, vol. IV, n° 1, p. 20- 29, 2014.
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governament ais parecem preocupadas em considerar a part icipação da sociedade civil em t ais polít icas. Considero, porém, imprescindível a análise das inst âncias de poder e do papel de indivíduos e grupos no processo de f ormulação e execução das polít icas ext ernas t ambém no período aqui est udado. A meu ver, não é possível int erpret ar a decisão do governo f rancês, em 1835/36, para o est abeleciment o de um post o milit ar no lago Amapá e mais t arde, em 1837, de um out ro à margem direit a do rio Oiapoque, como sendo uma polít ica unit ária do governo de Paris, desejoso de expansão t errit orial. Uma abordagem desse t ipo deixaria sem respost a alguns f at ores como, por exemplo, o moment o da ocupação do t errit ório, a escolha da localização dos dois post os milit ares, o ano de seu est abeleciment o, a decisão dos f ranceses, em 1840, de abandonar o post o mais avançado, o do lago Amapá, mas não o da margem direit a do rio Oiapoque, o Fort e M alouet .
At ravés da leit ura dos of ícios governament ais f ranceses, percebe- se que a ocupação f rancesa do cont est ado f ranco- brasileiro f oi algo bem mais complexo e dinâmico, expondo as int er- relações e art iculações ent re as várias esf eras de poder expressas nas prát icas polít icas e sócio- econômicas observadas nesse espaço geográf ico amazônico. O poder cent ral f rancês, represent ado aqui pelo M inist ério das Relações Ext eriores, f ora inf luenciado na sua polít ica int ernacional pelo M inist ério da M arinha e das Colônias que, por sua vez, f ora pressionado pelos governadores de Caiena e pelos int eresses econômicos dos propriet ários guianenses. Além disso, est es últ imos, t emendo a f uga de seus escravos, exigiram do governo colonial medidas de prot eção cont ra Bonis e cabanos. Tant o a reação do Brasil quant o a da Grã- Bret anha, que não via com bons olhos a expansão f rancesa no Amazonas, obrigaram o governo de Paris a reconsiderar os int eresses da França. As relações polít icas e econômicas com o Brasil eram mais import ant es e vant ajosas do que as ambições de governadores e moradores de uma colônia que nunca t eve peso na economia f rancesa. Após a pacif icação do Pará, o f racasso da povoação da área ocupada e a expulsão dos Bonis do baixo Oiapoque, a região dos lagos do Amapá f oi desocupada. A decisão f ora t omada em 1839 pelo governo de Paris, mas sua realização, que dependia do governador da Guiana, só ocorreu na hora em que os problemas int ernos f oram cont ornados, ist o é, depois que o grande medo social havia amainado.
Almanack. Guarulhos, n.14, p.160- 195 art igos Dat a de recebiment o do art igo: 09/12/2015
Dat a de aprovação do art igo: 20/04/2016
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