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A origem do “Sandplay” se reporta ao World Technique, método desenvolvido na Inglaterra por Margaret Lowenfeld (1929) pioneira no trabalho psicoterápico infantil. O Jogo de Areia /”Sandplay” é um método terapêutico da escola junguiana criado por Dora Kalff, uma analista suíça. Constitui-se em uma técnica não-verbal de psicoterapia utilizado para a objetivação dos conteúdos imagéticos, a qual consiste em disponibilizar ao pacientes, tanto adultos quanto crianças, uma caixa retangular de madeira, com medidas padronizadas (57 cm x 72 cm de lado e de 7 cm de profundidade) adotadas por Kallf (1980) correspondem ao campo de visão de uma pessoa sentada na frente da caixa, tendo-a numa altura confortável para o trabalho manual. Caracteriza-se, essencialmente, como um instrumento criativo para apoiar as intervenções que buscam o desenvolvimento humano, o processo de individuação (KALFF, 2003, 1990). Consiste na construção de cenas com o uso de miniaturas em um tabuleiro contendo areia seca ou molhada.

Foto 01: jogo de areia

Essas miniaturas são os elementos que permitem fluir a criatividade dos participantes na atividade de montagem das cenas que partem do imaginário para a representação de um real simbólico.

Assim, no jogo de areia o indivíduo é convidado a criar livremente um cenário, utilizando ou não miniaturas e /ou sucatas que deverão estar disponíveis e visíveis. Ammann (2002) aponta que este espaço neutro, “vazio”, leva a pessoa a preenchê-lo de vida, deixando fluir as fantasias e criando imagens internas, o que leva tanto as crianças quanto os adultos a serem atraídos espontaneamente para a caixa de areia. Por esse motivo Vieira (1998) utiliza-se da Caixa de Areia como material lúdico em seu estudo sobre a capacidade da criança em expressar sua subjetividade.

Na educação, o jogo de areia tem se mostrado uma ferramenta inovadora bastante criativa e significativa no processo de ensino/aprendizagem permitindo ao educador realizar um trabalho diferenciado nas práticas pedagógicas.

Trata-se de uma técnica flexível, que se aproxima das tecnologias leves (MERHY, 1997), pois se fundamenta nos quatro fios da corporeidade – reflexividade, criatividade, sensibilidade e ludicidade –, priorizando os aspectos subjetivos dos participantes. “É importante ressaltar que, no ambiente educacional, a intenção psicoterapêutica é desconsiderada, dando-se espaço aos processos de criação, auto- formação e construção significativa do saber” (BARBOSA, 2009, p.125).

Essa técnica utilizada como um recurso de aprendizagem não requer dos participantes habilidades especiais, por isso é muito atraente (AMMANN, 2002). Motivando o encontro com o consciente e com o inconsciente do sujeito, sem necessariamente estabelecer regras, e provocando movimentos intelectivos e sensitivos, o “sandplay” apresenta-se como um facilitador no processo de formação. Essa

ferramenta pedagógica permite o brincar se entrelaçando com o sentir e o criar, possibilitando a reflexividade vivencial.

O jogo de areia foi usado como ferramenta de pesquisa, como metodologia de coleta de dados e como estratégia pedagógica nas áreas de Lazer (PEREIRA, 2011), Música (MOSCA, 2008; SANTOS; 2010) Formação de Professores (CAVALCANTI, 2008a, 2008b; AMORIM, 2008; CAMARA, 2008), Educação Infantil (BARBOSA, 2009; PINHEIRO, 2011), Geografia e Geologia (MUSSE, 2011; MONTEIRO 2011).

Segundo Musse (2011), o jogo de areia é uma técnica/método que favorece a conscientização da condição do ser, retoma histórias de vida, proporcionando a construção do conhecimento significativa e contextual. Enquanto Cavalcanti (2010, p.42) enfatiza o jogo de areia, “como um jogo de construção de imagens, é um jogo que afeta, que cria afeto. Imagens de si. Imagens da vida. Imagens de beleza. Obra de arte da vida!”

No Jogo de Areia, a preparação dos cenários é por si só, um ato simbólico e os símbolos são representados pelas construções na areia ou pelas miniaturas representativas de todo o universo (animais, plantas, pessoas, moradias, meios de transportes) como também recursos da natureza como: sementes, pedras, areia coloridas que são utilizadas como ferramentas de expressão, pois como diz Jovchelovitch (2002: 74), “através dos símbolos, coisas diferentes podem significar umas às outras e podem mergulhar umas nas outras; eles permitem uma variabilidade infinita”. Como diz Buber, “fazer é criar, inventar é encontrar. Dar forma é descobrir. Ao realizar eu descubro” (BUBER, 1979, p. 12).

Ammann (2004, p.36) considera que, “um cenário de areia também é uma espécie de jardim da alma, onde o dentro e o fora se encontram. Nele uma pessoa pode observar e aprender a reciprocidade entre o mundo interno e mundo externo, dentro de um espaço protegido”. A história da pessoa está ali viva, imbuída de sentimentos. Já Musse (2011) acrescenta, o jogo de areia nos faz brincar, construir mundos imaginários e reais, em um espaço de produção de sentidos e construção de nossa subjetividade. São cenários de vida que se vive na interação com o outro e consigo mesmo. Pinheiro (2011) ressalta que o jogo de areia é simultaneamente um processo lúdico, simbólico e meditativo e investiga a criatividade nos indivíduos a capacidade de brincar, imaginar e fantasiar, atividades que podem ser vivenciadas tanto pelas crianças quanto pelos adultos. Já Weinrib (1993, p.62) escreve que no jogo de areia “o aspecto lúdico parece propiciar ao adulto uma entrada ou um rito de iniciação no sentimento, no afeto e no

mundo da criança. Lembranças perdidas vêm à tona, fantasias reprimidas são liberadas,” Como se o tempo parasse e a infância retornasse.

Segundo Pereira (2011), o desafio da técnica está em realizar por meio de uma representação simbólica, em que o participante é impulsionado a desenvolver aspectos como a sensibilidade, criatividade, ludicidade, reflexividade histórica, vivencial. Enfatiza ainda, “o envolvimento do jogador, expresso durante a construção do cenário na caixa de areia, possibilita um clima propício para que sua subjetividade possa ser desvelada”.

O jogo de areia foi utilizado nesta pesquisa partindo de uma experiência com as participantes com o seguinte encaminhamento: Construir um cenário que representasse um momento de alegria e de prazer na escola. No primeiro momento as professoras demonstravam curiosidades e alegria frente às miniaturas. Nesse momento as miniaturas criam vida, falam e se movem transformando-se baseadas nos elementos reais de suas vidas. Ao terminar, cada participante descreve oralmente o seu cenário socializando com todos os participantes. Esse é um momento de muita magia, de emoção, de boniteza ao revelar sua construção.