2 Rettslige rammer for påtalemyndighetens henleggelsesadgang
2.2 Straffeforfølgningsplikten og opportunitetsprinsippet
01 Sampaio e aí. tudo bem?
02 (1,5)
03 ???? tudo bem?
04 Sampaio tudo bem?
05 Alejandro desculpa.
06 07
Sampaio é:: louise. e os outros: al-=
=são quantos os alunos da xxx?
08 Louise acho: são quatros.
09 10
Sampaio são quatro?
será que eles vão chegar ainda?
11 Louise acho que não.
12 Sampaio acha que não?
13 Grupo hhh ((conversa indistinta durante o riso))
14 15 16 17 18
Sampaio então (.) muito bem.
vamos começar.
então ↑hoje, a gente vai fazer uma discussão: ↑vá:rias discussões(..) e: vamos falar sobre o quê?
(4,6)
43
19 20
Alejandro estereotipos. (3,1)
21 Sampaio muito bem. (.) estereó::tipos. (.) estereótipos.
22 Alejandro estereó::tipo ((enfatizando a sílaba tônica))
23 Sampaio o que é que tem nessa figura aí?
24 Alejandro estereótipos.
25 Sampaio Uhu
26 Alejandro =estereo- estereó:tipos
27 28 29
Sampaio estereó:tipos.
tá vendo que tem um ace:nto aí no ó? (.) então é estereó:tipos.
30 grupo estereó:tipos.
Nos primeiros turnos da interação em evidencia, logo na abertura do evento, pode-se observar a emergência de duas categorias que são evidenciadas pela atividade de fala dos membros. Embora uma delas não tenha sido realizada através do emprego de um termo categorial específico, é possível notar a outra categoria no decorrer fala.
Nos turnos iniciais (01-05) o professor acolhe os participantes com boas vindas. Até então, se não fosse dado o contexto em que essa interação ocorreu, poderíamos enquadrá-la a qualquer evento social em que um dos interagentes dá boas vindas e os outros respondem. No entanto, mais adiante (linhas 6-12) o item categorial ‘alunos’ é expresso diretamente quando Sampaio pergunta sobre o número de alunos de XXX que participariam daquele evento. Nesse momento, o termo alunos aparece e categoriza diretamente um dos grupos que fará parte da situação. Dessa forma, pela
regra de organização duplicativa, pode-se inferir que a outra categoria presente na
interação é o professor.
Ao realizar um pedido de desculpas (turno 05), Alejandro ratifica que Sampaio desempenha algum tipo de papel de liderança. Essa categoria é reforçada (turnos 14-30) por ocorrência de algumas atividades associáveis à categoria professor. Durante os turnos (14-17), Sampaio muda o enquadre de acolhimento (turnos 1-4) para um enquadre de preocupação (turno 5), questionando se os outros alunos ainda poderiam chegar e, em seguida, de introdução (turnos 14-16), chamando atenção dos participantes para aquilo que ocorrerá naquele evento: uma discussão sobre um determinado tema. Ao iniciar um questionamento (turno 17), Sampaio reclama a participação dos outros interagentes. Ao realizar tal ação, podemos constatar que Sampaio é o professor e que o evento em questão é uma aula. Após uma pausa de 4,6 segundos (linha 18), Alejandro se auto-seleciona para responder ao questionamento
proposto e responde que o tema daquela aula será | estereótipos| (linha 19). Após uma pausa de três segundos, Sampaio avalia a resposta ao parabenizar Alejandro pela realização da ação, mas logo em seguida avalia também através de uma ação corretiva (linha 21), haja vista que o aluno utilizou a sílaba tônica incorretamente. Essa sequência de iniciação, resposta e avaliação é uma sequência muito característica de interações em sala de aula. A estrutura sequencial IRA caracteriza-se por um turno de iniciação, geralmente feita pelo professor, que aloca o próximo turno, uma resposta, que é preferencialmente dada por um ou mais alunos e a avaliação, que é realizada pelo professor. É apresentada nos estudos de fala-em-interação como uma sequência tradicional do discurso de sala de aula convencional (GARCEZ, 2006). Ao oferecer um reparo para o turno de Alejandro, Sampaio assume novamente a categoria/papel de professor. Tal correção é uma atividade que se associa, no contexto em evidência, a uma ação preferida a um professor ou alguém que esteja em uma posição de privilégio em relação ao conhecimento ou tema sendo discutido.
Como abordado no capítulo teórico, as atividades que os agentes desenvolvem na interação são associadas à uma categoria que, consequentemente, é baseada no conhecimento do senso comum. Ao chamar atenção do aluno para uma correção, de forma a oferecer uma ajuda sem mesmo ser requisitado, essa ação também torna relevante a categoria professor nessa interação. Durante as linhas 1-17 evidencia-se, pois, as duas principais categorias que vão interagir durante todo o evento interacional que chamamos de aula. Ambas as categorias são, assim, pertencentes à coleção sala de aula.
Mais categorias são evidenciadas nesta primeira situação. Algumas “irregularidades linguísticas” realizadas pelos participantes, categorizados como alunos, são observáveis. Louise (linha 08) formula uma fala um pouco dissonante com aquilo que consideraríamos aceitável para um falante nativo de português. Ao responder |acho: são quatros|, é perceptível a um falante nativo a ausência da conjunção subordinativa integrante “que” e também um problema de pluralização. Carlos, (linha 19) também apresenta uma dissonância ao dizer que o tema da discussão são |estereotipos| , utilizando a sílaba tônica inapropriadamente. Para um ouvinte, é evidente que Alejandro e Louise não utilizam a língua com a mesma propriedade esperada de um nativo. Não só Louise e Carlos, pois após Sampaio evidenciar o problema na sílaba tônica, explicar a forma padrão (linha 21) e os porquês
da inadequação (linha 28), os alunos, em grupo, concluem repetindo em uníssono |estereó:tipos| (linha 30), destacando a tônica corretamente.
Nesta breve situação, observamos que dentro da coleção sala de aula há a evidência da emergência do par de categorias professor-aluno, outras duas categorias são relatáveis: professor-nativo e alunos não-nativos.
A categoria não-nativo poderia ser percebida com mais facilidade se os dados tivessem sido transcritos foneticamente. Como não o fizemos, pois não foi parte da nossa preocupação inicial, nos amparamos em marcas textuais que causam certo estranhamento ao falante nativo, como o uso de palavras em contextos em que o falante nativo não usaria, bem como a própria estrutura frasal. Como evidenciado, esses fatores de indicialidade revelam a categoria não-nativo, ao passo que a utilização de expressões bem particulares da variante do português brasileiro, utilizadas por um dos falantes da interação nos faz identifica-lo como nativo, ou, em outras circunstâncias, que não é o caso em destaque, como um falante não-nativo, porém muito fluente na língua estrangeira.
Outros indícios que fazem emergir estas duas categorias podem ser observados no excerto a seguir: