Foto: Paulo Rocha- 17/05/2004
Em razão da demanda ser muito superior à oferta de serviços, os equipamentos comunitários, como posto policial, creche e escola, estavam subutilizados. Quanto à educação, o bairro possuía duas escolas municipais- Dona Mocinha Rodrigues e Jarbas Passarinho- e uma creche, que funcionava no centro comunitário de Educação Infantil Dolores Lustosa. Em relação à saúde, o bairro contava com o centro de saúde Dr. Everton Mont’Alverne, uma unidade de saúde básica, que prestava atendimento à gestante (pré- natal-acompanhamento), atendimento à criança (imunização, consultas etc.), atendimento geral, serviços de enfermagem, atendimento aos idosos, programas de hipertensão e diabetes, hanseníase, tuberculose, DST’s e outros. Isto para um total de 3.521 famílias e 33.471 visitas domiciliares, perfazendo, em média, 10 visitas/família (jan./nov.-2002). De acordo com dados da implantação do sistema de esgotamento sanitário da sede de Sobral (Secretaria de Desenvolvimento e Infra-Estrutura), o bairro Cidade José Euclides II (1ª e 2ª etapas) era, em 80%, coberto por aquele serviço. Existia alto índice de dengue no referido bairro. De acordo com dados fornecidos pelo SISNAN, no período de janeiro a novembro de 2002, ocorreram 55 casos de dengue e 2 casos de hepatite viral (doenças de veiculação hídrica). A escassez de saneamento básico nesta área de estudo, as péssimas condições de moradia, bem como a falta de noções de higiene pessoal da população carente, acarretaram
altas taxas de prevalência de hanseníase e tuberculose no ano de 2002 entre os meses de janeiro e novembro, como mostram as quadro 08 e 09.
Quadro 08: Taxa de Prevalência de Hanseníase no bairro Cidade José Euclides
Hanseníase Ano 2002
Casos Novos 21
Casos Registrados 20
Taxa de Prevalência 11,8
FONTE: SINAN/2002
O Programa de Saúde da Família- PSF atende à população trabalhando também a questão ambiental, por meio de oficinas de reciclagem (grupo formado desde abril/2000), gincanas de coleta seletiva de lixo, minimizando o problema de poluição ambiental nas Ruas do bairro.
Quadro 09: Taxa de prevalência de tuberculose em 2002 (jan-nov)
Tuberculose Ano 2002
Casos Novos 04
Casos Registrados 08
Taxa de Prevalência 23,72
FONTE: SINAN/2002
Os serviços de apoio à comunidade são: PETI, SACS, Programa Sentinela (pop. Infanto-juvenil vítima de violência sexual), Projeto Trevo, Projeto Morar Melhor e SOS Criança. De acordo com o Inquérito Habitacional da Gerência de Habitação da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente -SDUMA, as áreas de risco e/ou críticas do bairro Dr.José Euclides eram: Rua Airton Sena, travessa Professor Francisco Rocha com Pe. Oswaldo (Monsenhor Aloísio), Rua Edimia Ribeiro Parente, Rua Edite Linhares, localidade chamada Morro, Rua 25 de Novembro, Rua Cesário Melo e Adalgisa Pereira Vasconcelos, Rua Luiz Santos Aquino, Rua Francisco Alfredo Cavalcante, Rua Simão Alves, Rua Raimundo Nonato dos Santos, Rua Vicência Vieira e Rua Tomás Aragão (Ver
em anexo descrição detalhada). É muito elevado o número de desempregados do bairro Terrenos Novos. Poucos chefes de família conseguem emprego e, quando o adquirem, o salário é baixíssimo, ficando, não poucas vezes, opor volta de um salário mínimo, como mostrado no Gráfico 26. Sendo um dos bairros mais carentes de Sobral, a desigualdade social é patente.
Gráfico 26: Terrenos Novos -Rendimento nominal médio/mediano mensal Dos chefes de família
Fonte: Dados básicos -Censo Demográfico IBGE-2000
Na periferia de Sobral ainda permanecem algumas vacarias, como no caso dos bairros Terrenos Novos, Sumaré e Dom Expedito, entre outros (como mostra a foto 81). Os antigos costumes rurais, trazidos pelos migrantes, permaneceram na cultura do povo sobralense, apesar do declínio das atividades agropecuárias.
Foto 81: Terrenos Novos: Presença de vacarias
Arquivo: Paulo Rocha-17/05/04
Rendimento nominal médio/mediano mensal 3100 R$ 208,33 R$ 151,00 0 1000 2000 3000 4000 Terrenos novos Chefes de família Rendimento Médio Mensal Rendimento Mediano Mensal
• Bairros Vila União, Domingos Olímpio, Pe.Ibiapina, Pe. Palhano
O riacho Mucambinho, alimentado pelo riacho Boqueirão, desce no talvegue entre as serras do Rosário e da Meruoca, tem suas águas armazenadas no açude de mesmo nome e hoje pertence à UVA. Depois, prossegue seu curso totalmente canalizado, tornando-se um receptáculo de esgotos domésticos dos diversos bairros por onde ele passa. Um sistema de lagoas recebe suas águas e por fim desemboca na confluência do rio Jaibaras com o rio Acaraú, trecho mais antropizado. O açude Mucambinho já começava a ser agredido pelos usos e ocupações de suas margens, desde os bairros Terrenos Novos, Cidade José Euclides, passando pela fábrica de cimento, cruzando a Avenida Senador José Ermírio de Moraes e seguindo em direção ao bairro Sumaré, acrescida, sua poluição, por lixos jogados no seu leito e nas suas margens. As lagoas de estabilização do bairro Vila União, Padre Palhano e Sumaré poluíam o lençol freático nas proximidades do riacho. A eficiência do sistema de tratamento de esgoto por intermédio dessas lagoas de estabilização já mostrava sinais de exaustão. Por exemplo, a amostra feita na primeira quinzena do mês de janeiro/ 2004 , quando os sólidos totais e teor de cloretos deram resultados acima do valor padrão nos efluentes finais, indicando altos níveis de matéria orgânica não depurada pelo gradeamento, causando poluição (Ver foto 82).
Outro fator poluidor eram as rachaduras nas paredes do canal em alguns trechos, infiltrando poluentes dos esgotos no lençol freático. A área estava bastante degradada com matagal, lixo e todo tipo de objetos (sofás, cadeiras, pneus, entulhos da construção civil) jogados dentro da sua calha. Estes obstruíam o fluxo do riacho que na quadra chuvosa, transbordava causando proliferação de doenças e de roedores, insetos e cobras, prejudicando os habitantes das suas margens.