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Pelas mãos de Olival Costa e Pedro Cunha, foram fundadas a Folha da Noite, em 19 de fevereiro de 1925; a Folha da Manhã, em julho do mesmo ano; e a Folha da Tarde, 24 anos mais tarde. Em 1960, os três títulos viraram um só: a Folha de S.Paulo, cujo controle foi assumido, dois anos mais tarde, pelos empresários Carlos Caldeira Filho e Octavio Frias de Oliveira. No ano de 1992, este último passou a deter todo o controle acionário da empresa.

A Folha de S.Paulo também foi um dos veículos nacionais que apoiou o golpe militar de 1964, posição explicada na reportagem Os 90 anos da Folha em 9 atos25, de 19 de fevereiro de 2011, em que o jornalista Oscar Pilagallo revisita momentos históricos do veiculo. Sobre a ditadura militar, especificamente, o autor afirma que o jornal, assim como

25 Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/folha90anos/877777-os-90-anos-da-folha-em-9- atos.shtml>; Acesso em 31 jan. 2017.

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O Globo, editorialmente, “apoiou o golpe militar de 1964, como praticamente toda a grande imprensa brasileira”.

Com o AI-5, o veículo “submeteu-se à censura” e não se rebelou, como fizeram alguns outros veículos, como o Estado de S.Paulo, a Revista Veja e o Jornal do Brasil. Pilagallo conta que também existem relatos de que “caminhonetes de entrega do jornal teriam sido usados por agentes da repressão, para acompanhar sob disfarce a movimentação de guerrilheiros”, fato que é negado pela direção do jornal.

Assim como O Globo fez um ano antes, na edição dominical de 30 de março de 2014, que lembrava os 50 anos do golpe militar, a Folha de S.Paulo publicou o editorial 196426, em que diz ser cobrado até os dias atuais pelo apoio à “primeira metade” da vigência da ditadura: “Não há dúvida de que, aos olhos de hoje, aquele apoio foi um erro. Este jornal deveria ter rechaçado toda violência, de ambos os lados, mantendo-se um defensor intransigente da democracia e das liberdades individuais”. Porém, o jornal não se desculpa pelo que foi feito no passado. O artigo diz que é fácil “condenar agora os responsáveis pelas opções daqueles tempos”, que “agiram como lhes pareceu melhor ou inevitável naquelas circunstâncias”.

Sobre a campanha pelas eleições diretas a que - como sabemos - a Folha prestou significativo apoio, o cientista político André Singer relata no texto Apoio a diretas amplia peso político do jornal27, que, no final do ano de 1983, Frias reuniu-se, em sua sala, com o secretário do Conselho Editorial, Otávio Frias Filho, e com o editor responsável, Boris Casoy. Na ocasião, o filho “expôs então a ideia que cogitava havia algumas semanas: a Folha deveria empreender uma campanha pelas eleições diretas para presidente da República”, pois ele “sentia um clima efervescente em relação ao assunto”.

Casoy contou a Singer que, tempos depois dessa reunião, o repórter Ricardo Kotscho, que compartilhava a sensação de Frias Filho, “apresentou à direção do jornal a proposta de a Folha empunhar a bandeira das diretas”. Por outro lado, o editor de Política à época, João Russo, declarou que quase foi “escorraçado” ao propor que o jornal “apoiasse a proposta das diretas” lançada pelo governador de São Paulo, Franco Montoro, mas que a

26 Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/158906-1964.shtml>. Acesso em 31 jan. 2017. 27 Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/folha/80anos/tempos_cruciais-03.shtml>. Acesso em 31 jan. 2017.

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posição se inverteu após a ideia de Frias Filho, e “o jornal passou a pressionar o governador para que o movimento tivesse, de verdade, um caráter popular”.

Encampada a ideia, no dia 18 de dezembro de 1983, o editorial de capa Chega de letargia busca o verdadeiro engajamento das lideranças oposicionistas e “cobra uma ação mais decidida no sentido de tomar as ruas”. Quase um mês mais tarde, em 12 de janeiro de 1984, um grande comício para 50 mil pessoas é realizado na cidade de Curitiba, e o enviado especial ao Paraná Carlos Brickmann retorna à redação avisando: “preparem-se porque a coisa pegou”.

Para Kotscho, ainda no texto de Singer, “a Folha é uma antes das diretas e outra depois”, pois “consolidou o trabalho que começara alguns anos antes”. Frias Filho, que assumiu a Direção da Redação em maio de 1984, concorda e diz que “o engajamento com as diretas explica, em parte, o curso da Folha na segunda metade dos anos 1980”. Ademais, Singer acredita que, com a cobertura das diretas, “a transição para a democracia significou para a Folha a passagem para a condição de jornal mais influente do Brasil”.

Além disso, de acordo com o histórico, no próprio site28, em 1984, o jornal publicou o seu primeiro projeto editorial, “que defende um jornalismo crítico, pluralista, apartidário e moderno”. Essa proposta foi substituída mais de uma década mais tarde, em 1997, com um projeto que visa à “seleção criteriosa dos fatos a ser tratados jornalisticamente, abordagem aprofundada, crítica e pluralista, texto didático e interessante”.

Outro dado interessante é que, em 1989, a Folha foi o primeiro veículo de comunicação do país a adotar a figura do ombudsman e, entre os grandes jornais de circulação nacional, é o único que ainda o conserva. De acordo com o jornal29, “ombudsman é uma palavra sueca que significa representante do cidadão” e é utilizada “para designar o representante dos leitores de um jornal”. Atualmente, a função é ocupada pela jornalista Paula Cesarino Costa, 12ª profissional na posição.

Segundo o próprio veículo, em 1991, a Folha foi “o primeiro órgão da imprensa brasileira a pedir o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello”, que viria a

28 Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/institucional/historia_da_folha.shtml>. Acesso em 31 jan. 2017.

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renunciar no ano seguinte, após a admissibilidade do processo de afastamento pela Câmara.