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A aparição de uma nova profissão, a de assessor de projeto ou desenhador no processo fabril e a criação de um novo estilo para os aparatos mecânicos e elétricos figuram entre os progressos mais significativos que ocorreram entre as duas guerras mundiais. O legado americano do pós-guerra transmitido ao mundo e em especial à Europa, alterou as práticas e estruturas profissionais das unidades de produção industrial. Surgiram responsáveis e consultores de design que eram citados como exemplos de “good design”, que ajudaram a vender conceitos e produtos que rapidamente se expandiram por todas as habitações, invadindo o comércio, os escritórios e as ruas das nações industrializadas.

A sociedade de consumo propagou-se durante décadas afetando a vida de milhares de pessoas, que nunca tinham considerado a presença de uma televisão, ou de um computador em sua casa. Naqueles anos surgiu um mercado juvenil, com poder económico, sedento de novidades e complementos de estilo abertos a novas tendências. A atividade do designer foi impulsionada também por estas gerações, pela emancipação da mulher e pela primeira vez existiram referências à cultura de massas que reforçavam a importância do design na sociedade, na conceção da forma, da função e da estética dos objetos e que procuravam o “novo”.

Nos anos 70 do século passado a crise do petróleo o consumo diminui como já referenciado no Capítulo I e II, contudo a expansão tecnológica veio dar novo alento. O mercado juvenil inundou-se de uma nova variedade de artigos. Os consumidores começaram por exigir funcionalismo e simplicidade nos produtos industriais. O designer projetava rádios, discos e gira- discos, frigoríficos, máquinas de todo o tipo, motocicletas, carros, entre outros. A obsessão pela chegada do homem americano à lua, materializou diversos artefactos de consumo e fantasias

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futuristas. Muitos dos jovens recém-diplomados estavam dispostos a romper barreiras em diversos campos do design que separavam o design industrial, do design de equipamento, de moda e das artes gráficas. Contudo, a generalida de afigurava o desejo pela tecnologia e pela espontaneidade. A incorporação da comunicação social virtual promove e é facilitadora de aprendizagens e consequentemente de atividades. Novas possibilidades como vender e comprar, trabalhar, estudar, publicitar, expor, consultar ou jogar sem sair de casa constituem alguns dos incontáveis exemplos que as novas tecnologias colocaram à nossa disposição. Com os progressos da tecnologia, deixou de ser necessário permanecer fisicamente no trabalho. As novas tecnologias de comunicação remota, permitem que as populações exerçam a sua atividade profissional em casa e fomentem de igual forma o autoemprego, alavancando a economia e consequentemente o nível de vida das populações. Segundo dados do U.S. Bureau, a percentagem de americanos a trabalhar no domicílio no ano 2001 era de 14,9%, em 2004 corres pondia a 15,1% e em 2010, equivalia aos surpreendentes 24%. A realidade atual demonstra que as populações mundiais, com maior incidência nos países desenvolvidos estão mais envelhecidas e os idosos criam resistências ao “novo”.

O designer está perante novas situações. Para além de entrarmos numa nova tecnosfera, o envelhecimento da população oferece uma certa resistência ao novo, o que provoca alterações significativas na evolução no design dos objetos.

O mundo ficcionado é aquele que também faz parte da nossa imaginação, inspiração, empenho e trabalho no futuro. O designer tem de se adaptar aos novos ambientes virtuais e desmaterializados. Anteriormente baseava o seu trabalho exclusivamente nos projetos para ambientes materialistas predominantemente físicos. Atualmente verifica-se uma nova realidade abstrata e simbólica, na representação e no significado em que o design deve adequar-se e adaptar-se face às novas necessidades do mercado. A interação com o mundo físico gradualmente cede espaço a uma tendência crescente no contexto do meio representativo e virtual, segundo Coutinho (1997) o design “situa numa fronteira entre a arte e a tecnologia”.

No ambiente competitivo em que vive o mundo globalizado, o design desempenha um papel estratégico associado à qua lidade, procurando adequação ao uso, à funcionalidade, na cedência de uma identificação visual e agregando valor. As atividades que abrangem o design são por natureza imaginativas, diferenciadas, multidisciplinares e inovadoras, pois determinam certos domínios, formas e funções destinadas na generalidade à produção industrial. O designer deve continuar em interação com a sociedade e permanecer atento ao desenvolvimento tecno-cultural. Responder às expectativas que lhe são depositadas, entre as quais, a necessidade de idealizar e projetar os dispositivos físicos necessários à adaptação da tecnosfera que suporta a realidade contemporânea.

Segundo Bonsiepe (1997) o design é o último elemento da cadeia através da qual a inovação científica e tecnológica vem introduzida na prática da vida quotidiana” consentindo ao designer servir interface entre o consumidor, a sociedade, o meio empresarial já que o designer não se deve cingir apenas ao conhecimento técnico, metodológico ou semântico, mas adotar uma

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visão estratégica potenciadora de uma imaginação que permita conexões entre ideias e conceitos, projetando produtos ou soluções úteis para os consumidores.

O entendimento sobre o exercício da profissão, as capacidades e competências dos profissionais nesta área multidisciplinar é ainda pouco consistente em Portugal, ao contrário do que acontece noutros países onde o papel do design é integrado num conjunto de disciplinas que esboçam e definem estratégias e políticas adequadas. Seria proveitoso que responsáveis e empresários, públicos e privados entendam e pratiquem a disciplina, evitando conotações de “estilo”, entre outras. Cada vez mais, numa sociedade consumista e globalizante, as empresas/marcas que conseguem equilibrar novos materiais, a eficiência, adaptar, utilizar novas tecnologias e promover o design, (como factor de distinção, de valor acrescentado e de diferenciação) alcançam o sucesso e os seus produtos conquistam um lugar na história. O design não é somente forma e função, a elegância de uma ou mais superfícies ou a promoção dos 3B´s do design (barato, bom e bonito). “A sustentabilidade é um desafio do design já que aproximadamente 80% das decisões de um produto final são determinadas na fase do projeto com as implicações ambientais inerentes”, afirmaram Felix Stalder e Jesse Hirsh, do Open Source Intelligence. O Design é um processo técnico e inventivo aplicado ao desenvolvimento e elaboração e concepção de um objeto.

Na pré-seleção de tipos de materiais e nas respetivas quantidades, é conveniente produzir quantidade, qualidade e adaptar materiais e tecnologias, porque nem sempre se produzem objetos eficientes e recicláveis. É importante ter este aspecto em conta, mas também é necessário proceder a uma escolha seletiva de modo a facilitar a sua separação, sim plificando e tornando o processo de reciclagem mais eficiente, menos oneroso. Estes procedimentos poderão impulsionar o setor do design, tornando-o mais competitivo. Segundo Coutinho, (1997), “O design tem uma característica que ultrapassa a conceção técni ca e tecnológica estrita. Ele tem uma dimensão de criatividade e um conteúdo estético. Situa-se numa fronteira entre arte e tecnologia, e, portanto, requer uma cuidadosa e bem calibrada política de estímulo a talentos”.

O design revela uma intencionalidade inventiva. “O Design é uma atividade criativa cujo propósito é estabelecer um conjunto multifacetado de qualidades nos objetos, processos, serviços e sistemas na totalidade do seu ciclo de vida. Assim sendo, o design é o factor central da inovação e da humanização das tecnologias e um factor crucial do intercâmbio económico e cultural”, definição de Design do ICSID — International Council of Industrial Design. Neste contexto, identifica-se a necessidade de agregação de valor, de valorização do objeto que, segundo Bastos (1996), não significa apenas a relação entre performance e custo, mas que envolve também o grau de satisfação no que diz respeito aos aspetos ergonómicos e psicológicos, que envolvem possibilidades de aprendizagem, oportunidades de auto-realização, tratando-se de um desenvolvimento sócio-relacional, cultural e profissional.

“Hoje os designers podem ser o que quiserem”, comentou a curadora do Museu Moma (Museum of Modern Arte), em Nova Iorque, Paola Antonelli, numa conferência cedida na Experimenta Design/2012, em Lisboa. “Os designers devem deixar a produção de artefactos e desenhar sistemas. Podem projetar interfaces, ferramentas de comunicação, sistemas vivos,

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teclas da consola, nos jogos ou no computador, entre outros. “É uma mudança rumo às ideias em vez dos artefactos e também aprendemos a olhar para os artefactos como ideias”. Há umas décadas atrás, os designers só estavam preocupados em projetar para as massas, peças de mobiliário, cadeiras, mesas, utilizando materiais com determinado peso, cheiro textura, característica como a madeira ou os metais. Tendencialmente o trabalho do designer é propício à utilização de novas tecnologias aplicadas a um mundo incorpóreo, imaterial, virtual quase abstrato.