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4. DISCUSSION AND CONCLUDING REMARKS 405

4.2. Stiffness methods 440

Um olhar triste e desesperado acuado pelo medo: é assim que eu descrevo essa jovem de apenas 16 anos, mãe de um filho e grávida aos oito meses. Seus olhos atentos, a cada gesto, como se quisesse aprender ou se defender. Desde quando descobriu sua soropositividade há quase 3 anos, relata que a sua vida é sofrida, mas que em meio a toda essa confusão de informações ela sonha em ter um lar feliz para que ela possa viver sem receios ou frustações, lutando a cada dia pelo amor aos seus filhos.

Tom Vital: ...mudou tudo pra mim...

A minha história é um pouco confusa, mas quando eu começar a explicar você vai entender. Há dois anos, quando eu tinha apenas catorze anos estava grávida de cinco mês do meu primeiro filho, me queixei na época de um desconforto ao urinar. Como eu estava grávida, fui levada até a maternidade Cândida Vargas e tive que ficar internada e para isso foi necessário fazer alguns exames de sangue, inclusive o de HIV/Aids. Então, foi detectado que eu estava com uma infecção urinária, mas foi nessa ocasião que eu descobri também ser portadora desse vírus. Quem veio me dar essa

otícia foi a psicóloga. Ela falou comigo e me explicou, como eu era menor, minha mãe estava u começou a chorar. Ela ficou bastante abalada e eu não senti muito. Eu chorei, mas pouco. Eu não tinha noção do que significava tudo aquilo que estava acontecendo comigo. Para mim era alguma coisa ligada à infecção, algo que tratava e passava [...].

Tratei da infecção e tive alta da maternidade depois me mandaram para o H.U. Quando eu cheguei aqui, todas as enfermeiras e os médicos falavam a mesma coisa que eu havia escutado lá na maternidade, foi nesse momento que entendi que eu tinha que tomar remédios para sempre. Quanto mais elas me explicavam, mais eu ficava com receios. Fiquei com medo de contaminar as pessoa não tinha noção, de como era que acontecia tudo isso [...]. Fiquei com medo de ter relações com meu esposo, minha mente tinha virado de cabeça para baixo, mudou tudo para mim, essa descoberta depois do meu entendimento tinha um significado muito ruim, agora eu entendia que isso que eles tentavam me explicar era muito grave, como eu era muito jovem, eles repetidas vezes falavam a mesma coisa para que eu não esquecesse de nada. Minha mãe só fazia chorar.

passaram-se alguns meses e eu não me sentia muito bem por isso tive que ir ao médico novamente, foi então que eu descobri que iria perde i vários remédios e vieram me dizer que o meu bebê estava morto, e que eu teria que me operar naquele instante. Fiquei desesperada, mas não tinha outro jeito [...] e eu ficava me perguntando se quem tinha matado meu filho tinha sido a doença Ou se tinha sido pelos remédios que eu tomei. Eram muitas

úvidas, mas [...] eu superei.

O tempo passou, meu esposo teve que fazer o exame também, através do qual foi constatado que era

e semana sem tomá-los. Fui sempre ao édico, tomava as vitaminas, e fiz a cesárea [...] com todos esses cuidados, tomando a medicação urante a gestação. Após o parto, o exame do meu filho deu negativo [...].

s, ter uma casa grande, essas coisas, depois que eu perdi o rimeiro, foi um choque imenso, eu passei a ter cuidado, e foi fácil engravidar de novo. Depois que o meu filh

n

comigo e quando descobri

Então eu fui para casa,

r a criança, fui internada, tome d

soropositivo, fomos instruídos a usar preservativo, e era necessário que eu tomasse algum remédio contraceptivo, nunca tomei anticoncepcional, eu queria tomar para evitar mas [...] eu nunca peguei receita em nenhum PSF, eu pegava só camisinha, mas não usava porque meu marido não gosta [...] e depois de um ano, desse meu primeiro aborto eu fiquei grávida de novo.

Como eu já sabia dessa minha doença, comecei o tratamento logo que eu tomei conhecimento que estava grávida. Tomava todos os dias a medicação, só esquecia quando eu ia pra casa da minha mãe e deixava o remédio em casa, geralmente passava o final d

m d

Eu sempre quis ter muitos filho p

o nasceu, hoje ele já está crescido, tem dois anos, eu percebi que estava grávida [...] desse bebê aqui que está na minha barriga, eu estou com oito meses, eu tenho remédio na minha casa e na casa da minha mãe, porque quando eu esquecer eu tomo lá.

Todos da minha família sabem o meu diagnóstico, tenho quatro irmãos, meu pai e minha mãe, todos me apoiam e me aceitam, já a família do meu esposo não sabe, quando eles começam a falar, conversar, ele não procura tocar no assunto e minhas amigas, nenhuma sabe, porque eu tenho medo

eu tenho uma vida mu

do preconceito, depois que eu descobrir que sou positiva, eu não faço amizades e não converso mais com as pessoas com facilidade. Eu fiquei diferente depois de tudo isso, tenho medo que as pessoas descubram [...] se eu pudesse voltar atrás, eu faria tudo diferente, mas eu não me arrependo de ter tido meus filhos (chora muito), eu tenho medo de morrer, tento fazer tudo certo, mas

ito humilde, eu não tenho a condição que eu gostaria. Há pouco tempo, minha casa incendiou [...] eu fiquei sem nada, estou morando de favor, eu só queria ser feliz, com pouco, eu nunca pedi muito. É dignidade que eu não tenho! Mas [...] tenho que mudar de vida, viver o que resta da minha vida E eu sei que para isso acontecer, eu não posso nunca deixar de tomar a medicação, continuo com o tratamento pelos meus filhos. Só por eles.

Figura 11 – Maria José.

onte: Arquivo da Internet, 2012.

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