3.3 Vurdering av sårbarhet for dyreliv
5.3.2 Sti fra Valdalen gård mot Grøvelsjøen og Svukuriset
Para que possamos relacionar os conceitos de percepção corporal que vimos anteriormente à prática da arquitetura, seja esta concreta, virtual ou híbrida, precisamos entender como se dá a construção do espaço pelo ponto de vista do arquiteto. O treinamento dado atualmente para a prática da arquitetura coloca o mapeamento do movimento (e dos hábitos) como precedente ao levantamento do espaço percebido (SPUYBROEK, 2004). Esta relação fala de uma cisão entre ação e percepção, colocando de maneira redutiva a relação do sujeito no espaço. Uma saída para tal dilema é buscar uma relação entre a ‘superfície da ação’ e ‘superfície da percepção’ que se aproxime mais da relação entre ação e percepção no sujeito:
Não somos, como arquitetos, treinados a primeiro planejar o movimento antes de estendê-lo verticalmente em imagem, isto é, não somos treinados a primeiramente desenhar o plano, a superfície de
ação, para então projetá-la acima em elevação, a superfície da percepção? Não somos treinados a tratar paredes, pisos e pilares como
elementos distintos? Não deveríamos, em paralelo ao esquema corporal, considerar a arquitetura como fundamentalmente plástica, topológica e contínua? Não deveríamos considerar a continuidade entre movimento e imagem como a ‘curva original’ que alimenta ação em percepção e percepção em ação? E, ao fazê-lo, não devemos também considerar que esta curva é, por sua natureza, uma curva de construção, já que conecta o ato horizontal com a imagem vertical? (SPUYBROEK, 2004, p.7, tradução nossa)
A superfície de ação também pode ser entendida como a superfície dos hábitos. Para que esta superfície seja corretamente entendida como um campo onde novas possibilidades podem ser oferecidas, não só precisamos pensar na sua relação com a superfície de percepção como precisamos entender corretamente o conceito de hábito. O hábito forma a experiência do corpo e novos hábitos são adicionados enquanto hábitos antigos são descartados. O hábito não pode ser visto também como dado fixo ou ato mecânico e sim como um ritmo ou padrão cuja sobreposição gera formas novas, permitindo a variação ou mudança (SPUYBROEK, 2004).
A percepção e o movimento formam um sistema em que a variação afeta ambos ao mesmo tempo (MERLEAU-PONTY apud SPUYBROEK, 2004). Ao projetar um espaço em que novas ações são disponibilizadas, conseqüentemente são
disponibilizadas novas percepções ao usuário, evidenciando esta ligação entre ação e percepção. O arquiteto que estamos aqui citando, Lars Spuybroek, trabalha em seus projetos com a continuidade espacial em planta e corte, além do uso de elementos de tecnologia da informação, com o intuito de investigar novos planos de ação e percepção em seu edifício. A consideração de que o sujeito possui um corpo em que ação e percepção formam um sistema dinâmico, e que este sistema se molda de acordo com experiência e hábito, aponta para novos tipos de espaços que utilizem estas características corporais.
Outro tipo de movimento de que somos capazes é o movimento abstrato (MERLEAU-PONTY, 1999). Interessa-nos compreender este conceito pois o mesmo pode ser associado à idéia de um espaço virtual possível de ser habitado. Este movimento se sobrepõe ao movimento concreto, sendo projetado sobre este e dotando-o de uma dimensão subjetiva. Acreditamos que o movimento abstrato, que funciona quase como um espaço virtual, seja o lugar onde o sujeito se vê participando de um dado movimento concreto para assim poder realizá-lo. Este espaço virtual do movimento abstrato vem de um tipo de entendimento do movimento concreto que leva a uma construção subjetiva de sua realização, uma projeção do movimento em um espaço livre:
O movimento abstrato cava, no interior do mundo pleno no qual se desenrolava o movimento concreto, uma zona de reflexão e subjetividade, ele sobrepõe ao espaço físico um espaço virtual ou humano. [...] A função normal que torna possível o movimento abstrato é uma função de ‘projeção’ pela qual o sujeito do movimento prepara diante de si um espaço livre onde aquilo que não existe naturalmente possa adquirir um semblante de existência. (MERLEAU-PONTY, 1999, p.160)
Se pensarmos em uma relação figura e fundo para o fenômeno do movimento abstrato, podemos dizer que seu fundo seja um espaço construído de maneira virtual pelo indivíduo que o pratica. Se o fundo do movimento concreto é o espaço concreto, o fundo do movimento abstrato é o espaço virtual. A noção de figura e fundo se apresenta aqui como momentos de uma totalidade e não como elementos passíveis de uma dissociação. O fundo age como uma tensão espacial sobre o movimento e, no caso do movimento abstrato, esta tensão é construída (MERLEAU-PONTY, 1999).
Como o movimento abstrato trata de um espaço de preparo onde o movimento concreto possa ser projetado, esta interpretação vê neste processo um indício de um espaço e movimento construídos com o intuito de possibilitar a existência do movimento concreto. Ao introduzir o ponto de vista do arquiteto, levamos a importância do conceito de movimento abstrato à esfera da arquitetura, pois, como vimos anteriormente, somos treinados a pensar o plano do movimento como a origem do espaço construído (SPUYBROEK, 2004). O cotidiano também entra como elemento chave para a construção do movimento abstrato, como se este fosse formado por hábitos ou pelo próprio movimento realizado no dia a dia. Quando falamos do movimento abstrato, ele pode ser entendido como um movimento que é feito de outros movimentos (SPUYBROEK, 2004), já que é a experiência motora cotidiana que define sua forma.
Relacionamos o conceito de movimento abstrato ao conceito do espaço híbrido porque acreditamos que este ilustre a capacidade perceptiva do sujeito de criar um espaço virtual onde ele possa se inserir e se ver participando de um dado movimento ou ação. Esta capacidade de construir um espaço virtual a partir do movimento nos parece chave para entender as possibilidades de percepção de um espaço híbrido e, quando relacionada às nossas novas percepções do espaço e do tempo que abordamos anteriormente, nos ajuda a entender a crescente virtualização a que nos submetemos cotidianamente.