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KAPITTEL  4   TEORETISK  UTGANGSPUNKT

4.2   M USIKKOPPLEVELSE

4.2.3   Sterke  musikkopplevelser

A exposição de organismos marinhos a cádmio tem sido relacionada com um aumento

na susceptibilidade dos tecidos à peroxidação lipídica. Desta forma, Prakash & Rao (1995)

observaram aumentados níveis de peroxidação lipídica em bivalves Perna viridis expostos a

cádmio por 1 e 7 dias, e Geret el al. (2002) observaram que, apesar de o cádmio não afetar a

atividade de enzimas antioxidantes, este metal causou um aumento significativo nos níveis de

MDA após 14 dias de exposição. Como mostrado na figura 4.11, apenas mexilhões expostos a

cádmio por 12 h apresentaram níveis significativamente maiores de MDA em relação ao grupo

controle, o que aparentemente poderia estar relacionado a um decréscimo na atividade da GPx

e dos níveis de GSH. A enzima GPx e o tripeptídeo GSH são componentes antioxidantes

importantes nas células, estando envolvidos na proteção contra danos a componentes celulares

mediados por EROs/ERNs. Assim, a inibição ou depleção destes componentes devido a

exposição ao cádmio poderia aumentar a susceptibilidade do tecido a um aumento nos níveis

de peroxidação lipídica. Porém, também foram observados níveis significativamente menores

na atividade da GPx após 24 e 72 h de exposição, sem que tenham sidos observadas

diferenças nos níveis de MDA após estes períodos de exposição.

Correlações interessantes foram observadas quanto os níveis de MDA e a atividade da

PHGPx. Como mostrado na figura 4.11., 12 h de exposição à cádmio não causou nenhum

efeito na atividade da PHGPx, mas houve um nível significativamente maior de MDA. Por

outro lado, a exposição ao cádmio por 24 e 120 h estimulou a atividade da PHGPx, a qual

apresentou-se significativamente maior do que os grupos controles, sendo que não foram

observadas diferenças nos níveis de MDA.

Discussão

A enzima PHGPx possui uma reatividade específica contra os hidroperóxidos de

fosfolipídeos formados durante a cadeia de reações da peroxidação lipídica. Assim, uma

atividade aumentada desta enzima após 24 e 120 h de exposição ao cádmio pode ser

responsável por não haverem maiores níveis de MDA nos mexilhões expostos a este metal

nestes períodos. Desta maneira, o fato de que nenhuma diferença tenha sido observada nos

níveis de MDA nos mesmos períodos em que a PHGPx foi estimulada, sugere um papel

protetor desta enzima contra a peroxidação lipídica em mexilhões. Após 120 horas de

exposição ao cádmio, a elevada atividade da CAT também poderia contribuir de forma a

prevenir a peroxidação lipídica. De acordo com esta idéia, Viarengo et al. (1999) observaram

maiores níveis da enzima CAT em mexilhões da espécie Mytilus edulis expostos a cádmio por

7 dias, sem que diferenças nos níveis de MDA fossem observadas.

Resultados similares foram observados nos mexilhões expostos a cobre (figura 4.10.),

onde os níveis de MDA foram significativamente maiores após 120 horas, correspondendo aos

menores valores observados para a PHGPx. A exposição de mexilhões ao cobre causou uma

moderada (p = 0,053) e uma forte depleção nos níveis de GSH após 24 e 72 horas,

respectivamente. Apesar de não terem sido observadas diferenças nas atividades da GPx e da

PHGPx, pode-se especular que suas eficiências estivessem diminuídas após estes períodos de

exposição, uma vez que estas enzimas utilizam GSH na redução dos peróxidos. Assim,

provavelmente estes fatores tenham contribuído para os níveis aumentados de MDA após 120

h de exposição ao cobre. A depleção nos níveis de GSH pode ser devida as atividades das

enzimas PHGPx e GPx ou, mais provavelmente, devido a detoxificação do cobre, uma vez que

existem diversas evidências de que GSH seja um dos quelantes intracelulares de cobre

(FREEDMAN et al., 1989). Similarmente, Doyotte et al. (1997) observaram que a exposição

de bivalves de água doce da espécie Unio tumidus a cobre por 72 horas causou depleção de

Discussão

GSH. Canesi et al. (1998), também observaram menores níveis de GSH em mexilhões Mytilus

galloprovincialis expostos a cobre por 72 horas.

Nenhuma diferença foi observada na atividade das enzimas GPx e GST durante a

exposição ao cobre e ao ferro (figuras 4.11 e 4.12., respectivamente). Com base nestes

resultados pode-se sugerir que o cobre e o ferro, nas concentrações utilizadas neste trabalho,

não exercem efeitos nas atividades destas enzimas. Doyotte et al. (1997) observaram que

mexilhões U. tumidus expostos por 72 h a 30 μg de cobre não apresentaram diferenças na atividade da GPx.

Na verdade, em relação à enzima GST, não foram observadas diferenças estatísticas

entre os diferentes grupos de mexilhões expostos a todos os tratamentos. Estes dados podem

indicar que as concentrações de metais utilizadas no experimento não seriam suficientemente

altas de forma a alterar o metabolismo desta enzima nos mexilhões.

Também, mexilhões expostos a todos os metais por 120 h apresentaram um aumento

significativo na atividade da CAT, o que poderia ser indicativo de uma alta produção de H2O2

em resposta aos metais. Entretanto, estas diferenças podem ser também relacionadas a um

decréscimo na atividade da CAT no grupo controle, nas coletas após 120 horas de exposição

aos metais, causado por algum outro fator ambiental não controlado tal como a temperatura da

água.

Mexilhões expostos a ferro por 12, 24, e 72 h apresentaram uma maior atividade da

PHGPx, e nenhuma diferença nos níveis de MDA (figura 4.12.), o que pode ser relacionado a

um papel protetor da PHGPx contra a peroxidação lipídica. Quando expostos ao ferro por 120

h, tanto os níveis de MDA quanto a atividade da PHGPx mostraram-se significativamente

mais elevados em relação ao controle. Tal aumento nos níveis de MDA está de acordo com os

Discussão

resultados descritos por Viarengo et al. (1999). O fato de que a PHGPx foi mais alta que o

controle após todos os períodos de exposição ao ferro pode indicar que este metal causa um

efeito mais acentuado na modulação desta enzima do que os outros metais. De fato, como dito

anteriormente, metais de transição tais como o ferro e o cobre podem estar envolvidos em

reações de Fenton, gerando EROs. Entretanto, mesmo uma atividade mais elevada desta

enzima em todos os períodos de exposição não foi suficientemente eficiente de forma a

prevenir a peroxidação lipídica após 120 horas de exposição.

A exposição dos mexilhões ao chumbo (figura 4.13.) causou a depleção do GSH após

12 h, e causou um aumento na atividade da GPx após 120 h. De acordo com Alcutt & Pinto

(1994), GSH pode proteger as células do acúmulo de chumbo através da formação de adutos

insolúveis com o chumbo, os quais são excretados. Tal resposta pode ser a responsável pela

depleção de GSH observada, o que poderia aumentar a susceptibilidade ao estresse oxidativo.

Além disso, a maior atividade da GPx observada após 120 h de exposição a este metal poderia

ter relação com uma aumentada produção de EROs, apesar de não terem sido observadas

diferenças nos níveis de MDA, o que por sua vez pode também ser devido as altas atividades

da PHGPx observadas após 12, 24 e 120 horas de exposição.

Fazendo-se as devidas correlações entre a atividade da PHGPx e os níveis de

peroxidação lipídica, pudemos constatar correlações negativas significativas para os animais

expostos a cobre e ferro (figura 4.15.), ou seja, quanto maior foi a atividade da PHGPx, menor

foi a taxa de peroxidação lipídica e vice-versa. Estes dados ajudam a comprovar o papel

protetor da PHGPx contra a peroxidação lípídica nos mexilhões.

Discussão