Grande parte dos livros para os mais pequenos que se encontram no mercado atualmente, apresentam-se em variantes do tamanho A5 e A4, ou em formatos quase quadrangulares.(figuras 41, 42 e 43)
Desde o inicio do projeto, foi estipulado que o livro iria “fugir” ao formato dos livros infantis disponíveis. Ainda assim, ideias como a transportabilidade e o fácil manuseamento foram princípios que estiveram sempre presentes. Desta forma, chegou-se a um formato ao baixo com 264 mm x 170mm. Para melhor leitura sem que as imagens percam detalhes, definiu-se que área de página visí- vel seria 230mm x 170mm.
A Fada Oriana 190 x 225 x 8 mm
Figura 41 Histórias para adormecer os pequenitos
288 x 288 x 17 mm
Figura 43
História de Uma Nuvem 200 x 256 x 8 mm
105
projeto_
Estipulou-se que a encadernação seria estilo japonês. Esta solução permite adi- cionar um outro elemento gráfico à capa, uma vez que a técnica permite criar diversos desenhos com a linha. (figura 44)
A escolha deste método está intimamente ligada à forma do livro e à disposição das imagens. Uma vez que alguma delas se encontram ao centro do spread, era necessário arranjar uma opção em que o detalhe não se perdesse no centro do livro. Outro factor importante para a paginação foi a relação entre a imagem e o texto. Em certos momentos da história, as imagens podem ficar sozinhas numa página, ou ser apenas um apontamento, consoante a sua importância para a história. (figura 45)
No final de cada capitulo existe um separador-conclusão num papel diferente do restante miolo. Desta forma, e tendo em consideração o numero de páginas, a impressão foi feita folha a folha, frente e verso.
Encadernação japonesa.
Figura 44 Disposição do texto e imagens nos
spreads.
106 _projeto
Para o miolo tentou escolher-se um papel que se assemelhasse ao papel de aguarela. No entanto, estes papéis são demasiados espessos para a quantidade de folhas e propósito do livro. Optou-se então por comprar uma Bloco de dese- nho da Winsor & Newton, com folhas de 130 g e o grão suave.
Como já foi dito, no final de cada capitulo optou-se por um papel diferente sendo que a escolha foi o MiTeintes Canson de 160 g na cor Flor de Lis (bege). Este papel tem mais de 50% de algodão, sendo um papel com elevada resistên- cia mecânica e excelente conservação. Tem duas faces com textura distintas. Um face com textura alveolada e outra com grão fino. Esta folha foi também utilizada para a capa e contracapa.
Para a encadernação, o desafio estava em conseguir criar a capa e contracapa com resistência suficiente para que o livro tenha suporte quando aberto. No en- tanto, dado o seu formato e requisitos, estas não podem ser demasiado grossas e devem mostrar a totalidade da folha impressa quando se abre o livro. Pata tal, dividiu-se a capa dura em duas � frente e verso � deixando a lombada à vista. Embora a técnica utilizada no projeto seja semelhante à tradicional capa dura, não foram colocadas guardas. Neste caso, foi utilizado um papel semelhante ao da capa em verde, para cobrir os pormenores da encadernação.
107
projeto_
10.5−Tipografia
Para consolidar todo o livro, um dos aspetos que se teve em consideração foi a escolha tipográfica. Uma vez que ao longo do texto existem momentos de discurso distintos � narração, diálogo e pensamentos � foram escolhidas dois tipos de letra.
Para grande parte do texto � narração e diálogos � apos- tou-se num tipo de letra de um autor Português, Mário Feli- ciano: A fonte Rongel (imagens 46). Este tipo de letra é um recriação de uma fonte espanhola de 1799. Foi pensada para ser usada em texto, sendo este um ponto importante para estas escolha. Outro factor decisivo foi o seu desenho, que demonstra atributos bastante próprios e com personalida- de. Este tipo veio conferir ao livro uma linguagem gráfica muito próxima dos livros infantis do inicio do Séc XX (vi- sível das páginas do Caso de Estudo III � Winnie the Pooh)
em que a letra é utilizada e distribuída de acordo com o que é dito no texto.
Para os pensamentos do “Melhor Amigo” optou-se por um tipo de letra manuscrito de impressa. A letra escolhida foi a Yummy Cupcakes criada por Vanessa Bays. O conceito para a componente gráfica deste projeto gira em torno do cader- no desenhos, ou seja, algo muito pessoal. Desta forma fez sentido que a escolha da tipografia estivesse em coerência essa ideia. Esta fonte é utilizada para partilhar ideias e co- mentários do “Melhor Amigo” tal como seria de esperar num caderno pessoal. (imagens 47)
Fonte Rongel de Mário Feliciano.
Fonte Yummy Cupcakes de Vanessa Bays.
Figura 46
108 _projeto
10.6−Validação
A validação deste projeto foi bastante importante para limar arestas em termos do seu conteúdo. Sendo a Síndrome de Asperger um tema exterior ao Design de Comunicação, foi importante perceber ser existia pertinência na represen- tação dos comportamentos durante toda a história. Desta forma, após a con- cluído o texto, foi enviado para a APSA com intuito de se perceber se os obje- tivos estavam a ser cumpridos. Após a leitura por parte da Associação, ficou-se a perceber que existiam ideias que não estavam claras o suficiente e que era bom explica-las. Foi feita também a correção de alguns erros ortográficos e de semântica.
Em simultâneo, foram apresentados algumas ilustrações para se perceber, se- gundo a APSA, se estas fariam sentido no livro proposto. Após a aprovação, continuou-se a explorar a ilustração para o restante texto.
Durante todo o processo de composição escrita e de imagem, as decisões foram sendo acompanhadas por um familiar da Mestranda com Síndrome de Asper- ger. Considerou-se este passo importante, para que o projeto também tenha sentido para aqueles de quem falamos.
109
projeto_