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5.8. Status i henhold til vannforskriften

A segunda concepção identificada no levantamento desses estudos traz a ideia de adolescência como positividade, contrapondo a visão estereotipada que a reputa como fase conturbada e negativa (crises) oriunda das transformações físicas/biológicas. Assim, Galdini (2001), Pereira (2001), Barleta (2003), Berzin (2003), Cabral (2003), Mascagna (2009) e Nascimento (2009) compartilham dessa conceituação e todos esses estudos têm sua fundamentação em Vigotski.

Essa concepção de adolescência marcada pela positividade traz em si a ideia de que essa fase constitui um momento de mudanças, as quais possibilitarão ao adolescente a aquisição de novas funções e habilidades. Ademais, essa concepção desconsidera a adolescência como fase marcada pela negatividade relacionada a um período de turbulências e conflitos “próprios da idade”. De acordo com essa afirmação, Vigotski (1996a) pontuou que a característica principal da adolescência é o desenvolvimento máximo das funções psicológicas superiores e a formação dos verdadeiros conceitos. As funções psicológicas superiores são desenvolvidas desde a tenra infância, mas terão seu desenvolvimento pleno na idade de transição, quando o adolescente estará vivendo um salto qualitativamente novo em seu sistema psicológico, em decorrência das novas exigências e dos novos interesses que são reestruturados. Assim, conforme o autor, a adolescência é caracterizada por transformações positivas no desenvolvimento do sujeito.

Pereira (2001), fundamentado em Vigotski (1995 p. 24 apud PEREIRA, 2001, p. 14), afirmou que a adolescência é o momento em que “ocorre o aumento

qualitativo da percepção, compreensão e articulação da realidade, bem como dos signos e significados construídos socialmente pela linguagem”.

Berzin (2003) e Cabral (2003), também citando Vigotski, conceituaram a adolescência como etapa do desenvolvimento que consolida criações novas ou idade de transição em que o adolescente vai adquirindo diferentes qualidades segundo os períodos históricos e sociais. Nesse contexto, a concepção de adolescência defendida por Cabral (2003, p. 48), baseada na teoria vigotskiana, caracteriza

A adolescência como uma etapa do desenvolvimento que consolida criações novas e um momento em que os interesses, as formas de compreender o mundo, e as relações estabelecidas com os adultos são modificadas. É uma fase que mescla a evolução biológica com o desenvolvimento histórico-social.

A autora ainda argumentou que, sobretudo na adolescência, que é uma fase de grande avanço biológico e cultural, não se pode entender corretamente as mudanças que se produzem se não se compreender que “os interesses constituem um estado especificamente humano que diferencia o homem dos animais: o desenvolvimento dos interesses subjaz ao desenvolvimento cultural e psíquico do adolescente” (VIGOTSKI, 1996, p. 22 apud CABRAL, 2003, p. 45).

Em sua pesquisa, Galdini (2001) apresentou a seguinte citação:

A adolescência é um momento de transição marcado pela positividade, pois é marcado pela conceitualização que permite a emergência da imaginação criativa, da fantasia e da reflexão sobre suas próprias idéias, afetos e necessidades e não só sobre a realidade exterior” (VIGOTSKI, 1995, p. 28 apud GALDINI, 2001, p. 10).

Barleta (2003), também se fundamentando em Vigotski, afirmou que o adolescente é visto “como um ser pensante capaz de relacionar as necessidades biológicas do organismo com as suas necessidades culturais superiores" (VIGOTSKI, 1996, p. 11 apud BARLETA, 2003, p. 46). Assim, enfatizou a positividade como característica da adolescência.

Nascimento (2009), que também compartilhou dessa concepção, com base em Ozella (2003 apud NASCIMENTO, 2009), enunciou que o caráter de crise não representa a maioria dos adolescentes e que a adolescência deve ser articulada com outras fases da vida.

Para Vigotski (1996a), essas crises são analisadas pela psicologia tradicional e pelos estudiosos em geral como resultado de alterações hormonais e corporais. Todavia, essas crises, segundo o autor, não advêm de questões biológicas e não são necessariamente negativas. O comportamento do adolescente pode ser considerado até negativo, mas a crise em si não o é, pois com ela, o adolescente forma novas funções psíquicas. Conforme Vigotski (1996a), a crise vivenciada pelo adolescente é evolutiva, ocorrendo juntamente com as novas necessidades, com os novos motivos e com as qualidades psicológicas novas que surgem. Essas crises, em cada etapa da vida, não representam somente a idade de transição, sendo também importantes para o desenvolvimento cognitivo.

Nascimento (2009, p. 44–45) compartilhou da definição de Vigotski (1996a) e destacou que

A adolescência, como um ciclo no desenvolvimento humano, apresenta algumas características peculiares. Inicialmente, as transformações físicas, hormonais e a maturação sexual sinalizam a puberdade. Tais mudanças provocam e incrementam novos padrões cognitivos, alargando as possibilidades de compreensão do mundo, das relações sociais e da definição de novos interesses e necessidades.

Para Vigotski (1996a, p. 24), o desenvolvimento dos interesses está totalmente relacionado com o desenvolvimento sócio-histórico, pois “é quando se manifestam com toda nitidez as relações entre as verdadeiras necessidades biológicas do organismo e suas necessidades culturais superiores, que chamamos de interesses”. De acordo com o autor, os interesses não são provocados, simplesmente, por sua natureza biológica particular, mas por sua natureza histórico- social. Desse modo, forças internas (biológicas) e forças externas (ligadas às condições de vida da pessoa) movimentam a superação dos interesses da vida infantil para a adolescência, intensificando o desenvolvimento das funções psicológicas e a formação de novos conceitos, em uma relação dialética entre ensino e aprendizagem.

O problema dos interesses na idade de transição, na visão de Vigotski (1996a), é a chave para entender o desenvolvimento psicológico do adolescente, sendo suas funções psicológicas regidas por determinadas aspirações e interesses, variando em cada etapa da idade.

Mascagna (2009) também concordou com essa concepção de que a adolescência é marcada pela positividade. A autora destacou a potencialidade dos adolescentes que, nessa fase de transição, apresentam um salto qualitativo no desenvolvimento das funções psicológicas superiores, uma vez que já conseguem formar os verdadeiros conceitos. Argumentou que a formação de novos conceitos e a aprendizagem impulsionam o desenvolvimento psicológico dos adolescentes, o que, em um processo dialético, lhes proporcionará maior apropriação de conhecimentos.

Dessa forma, então, em coerência com a ideia de positividade da adolescência, o indivíduo adolescente não é pura expressão hormonal e biológica, cheio de rebeldias e contrariedades. Não se pode negar que ele passa pela puberdade, uma vez que há transformações visíveis em seu físico; entretanto, a adolescência vai além de um período natural, pois é um produto histórico-social e fundamental no desenvolvimento psíquico. É nesse período que o adolescente avança no desenvolvimento das funções psicológicas superiores e na formação dos seus conceitos.

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