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Mesmo sendo consideradas marcas essenciais na linguagem cotidiana dos falantes da língua inglesa e, portanto, de grande importância para uma comunicação natural no idioma7, os MWV são combinações gramaticais de grande complexidade no que diz respeito à aprendizagem por estudantes de inglês como segunda língua (ESL/EFL).

Celse-Murcia e Larsen Freeman (1999) colocam que poucas línguas não germânicas apresentam formações como os phrasal verbs8, por isso, a maioria dos alunos acha esses verbos estranhos e também difíceis, o que faz com que muitos deles optem por evitar o uso dessas construções. Dentre os obstáculos que surgem na aprendizagem dessas combinações

7 Sobre a potencialidade dos multi-word-verbs para a comunicação em língua inglesa de aprendizes não nativos,

Bywater (1969 apud CORNELL, 1985, p. 270, tradução nossa) afirma: “O fato é que o que distingue a escrita e, acima de tudo, a fala de um bom estudante estrangeiro das de um falante nativo do inglês é que o que o falante nativo escreve ou diz está cheio dessas expressões [multi-word verbs], ao passo que a maioria dos aprendizes não nativos tem medo dessas estruturas, cuidadosamente as evitam e, consequentemente, soam não naturais quando as usam. Estudantes não nativos que gostam de ser lisonjeados por seu inglês podem alcançar isso usando corretamente um grande número desses verbos compostos”.

8 Celce-Murcia e Larsen Freeman (1999) utilizam o termo phrasal verbs para falar dos verbos formados por mais

verbais estão fatores sintáticos e semânticos, como a idiomaticidade, ou seja, o fato de o significado da locução não ser, muitas vezes, compreendido a partir do significado individual de cada uma das palavras que o compõem.

Acerca dessa característica, Dempsey, McCarthy e McNamara (2007) relatam que é comum aprendizes driblarem a idiomaticidade usando verbos “latinizados”, ou seja, palavras que, apesar de análogas, não têm a mesma conotação dos verbos frasais ou, quando têm, não soam tão naturais aos ouvidos de um falante nativo. Entretanto, uma vez que os verbos frasais são “ubíquos no inglês e ninguém pode falar ou entender o idioma, pelo menos no contexto informal, sem conhecer esse tipo de registro” 9 (CELSE-MURCIA; LARSEN FREEMAN, 1999, p. 425), isso, provavelmente, se torna um problema para o aprendiz.

Para Waibel (2007), por outro lado, os verbos latinizados podem parecer mais eruditos para os aprendizes não nativos e se tornam mais utilizados por soarem mais formais. Na visão da autora, os estudantes tendem a crer que a adoção de palavras mais sofisticadas faz deles, pelo menos em aparência, mais proficientes na comunicação em inglês, de forma que eles passam a ter performances semelhantes às de nativos da língua. Contudo, a consequência disso é que os aprendizes nem sempre são conscientes de que “o uso de verbos latinizados é inadequado em determinadas situações” 10 (WAIBEL, 2007, p. 37).

Em suma, a importância dos verbos frasais para a aquisição de fluência na língua inglesa e os elementos que permeiam seu ensino/aprendizagem são fatores que motivam pesquisadores em todo o mundo a utilizarem essas combinações como objeto de estudo, seja no domínio pedagógico ou no da descrição linguística. A maior parte dos trabalhos realizados nesse campo é internacional, como os de Dagut e Laufer (1985), que conduziram um estudo sobre o uso de phrasal verbs por aprendizes israelenses. Na pesquisa, trabalhou-se especificamente a questão da esquiva em relação aos verbos multipalavras e seus resultados revelaram, entre outras coisas, que os estudantes hebreus evitam o uso desse tipo de estrutura, dando preferência para formações de uma só palavra. Uma motivação é que, como não existem construções gramaticais equivalentes aos verbos frasais em hebraico, os estudantes optam por usar palavras que já conhecem.

Outro trabalho que também aborda o aspecto da esquiva é o de Liao e Fukuya (2004), que buscou explicar, nesse caso com base em aprendizes chineses, porque os estudantes tendem a evitar o uso de phrasal verbs. A análise focou nas diferenças estruturais entre

9 No original: “Yet they are ubiquitous in English; no one can speak or understand English, at least informal

register, without a knowledge of phrasal verbs”.

primeira língua (L1) e segunda língua (L2) e apresentou, como conclusão, que evitar ou não evitar verbos frasais pode ser mais uma manifestação do desenvolvimento da interlíngua dos aprendizes, do que diferenças ou similaridades entre L1-L2.

O estudo de Waibel (2007) mostrou análises quantitativas e qualitativas sobre o uso de verbos frasais nos textos de língua inglesa escritos por estudantes alemães e italianos e descreveu os problemas que os aprendizes avançados têm em relação ao emprego dos phrasal

verbs, como a influência da língua materna, por exemplo. Seus resultados contribuíram para a

compreensão de aspectos gerais da linguagem de aprendizes avançados.

Dos trabalhos mais recentes, e também analisando corpora, Kamarudin (2013) examinou o nível de compreensão e de uso dos phrasal verbs por aprendizes malásios do inglês. Seu estudo indicou, entre outras coisas, que além do nível das condições de produção do material analisado, a natureza dos phrasal verbs e os fatores interlinguísticos têm papel importante na aprendizagem dos alunos da Malásia e que a dificuldade dos não nativos é agravada pela insuficiência e inadequação das informações difundidas nos livros didáticos e dicionários. Ryoo (2013) analisou os phrasal verbs na escrita de estudantes coreanos, identificando e comparando os verbos frasais mais frequentes nas composições de nativos e não nativos, e as conclusões indicaram baixa competência para formulação de phrasal verbs em aprendizes coreanos da língua inglesa.

No Brasil, podemos citar como exemplo o estudo de Fernandes (2012), que investigou a aquisição e o uso de chunks formados com o verbo get em construções de movimento por aprendizes brasileiros de inglês como segunda língua. Sua pesquisa foi baseada em corpus e demonstrou que, no processo de aprendizagem, os estudantes usaram a transferência de línguas como estratégia de aprendizado de verbos frasais e que isso gera erros na produção final.

A pesquisa de Fadanelli (2012) teve como objetivo determinar se os verbos frasais mais usados por aprendizes brasileiros eram também os mais usados por aprendizes nativos e se os significados aplicados por cada grupo coincidem entre si. O trabalho foi realizado com

corpora de produções textuais e mostrou, entre outras coisas, que grande parte das estruturas

usadas pelos aprendizes brasileiros não pertencia ao grupo de mais frequentes entre os falantes nativos de inglês.

Nos próximos tópicos, serão apresentados os principais conceitos relacionados à Linguística de Corpus, metodologia que serviu de base para a pesquisa aqui descrita.

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