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Os subtópicos enumerados apresentam as avaliações dos dados e sua respectiva discussão para o contexto brasileiro, retornando, respectivamente, as avaliações das hipóteses escolhidas para a comprovação dos determinantes da utilização do Big Bath.

Quadro 4 – Análise descritiva dos AD das empresas listadas na B3

Hipótese Crit Obs Média Variância DP CV

H1: Empresas de grande porte apresentam maior propensão ao uso do fenômeno do Big Bath

0 340 -0,0116 -0,0639 0,2528 -21,8201 1 345 0,0069 0,0054 0,0732 10,6720 2 360 0,0044 0,0039 0,0627 14,3374 H2: Empresas estratificadas em níveis mais elevados de

governança corporativa fazem menor uso do fenômeno Big Bath

0 546 0,0016 0,0303 0,1740 105,9757 1 499 -0,0018 0,0170 0,1305 -72,6603 H3: As empresas com maior grau de endividamento estão

sujeitas a utilizar o Big Bath

0 528 0,0182 0,0073 0,0853 4,6774 1 517 -0,0186 0,0403 0,2008 -10,7823

H4: Empresas de todos os setores são propensas a utilizar o Big Bath 1 185 -0,0039 0,0131 0,1143 -29,3077 2 305 -0,0039 0,0118 0,1086 -27,8462 3 75 -0,0144 0,0157 0,1252 -8,6944 4 130 0,0298 0,0112 0,1060 3,5570 5 115 0,0051 0,0144 0,1199 23,5098 6 35 -0,1201 0,1045 0,3233 -2,6919 7 40 -0,0097 0,0029 0,0535 -5,5155 8 20 0,0408 0,0582 0,2412 5,9118 9 20 -0,0099 0,0013 0,0356 -3,5960 10 120 0,0208 0,0775 0,2784 13,3846 H5: Empresas com ações concentradas em poucos

investidores são mais propensas a utilizar o Big Bath

0 749 -0,0015 0,0160 0,1264 -86,3039 1 296 0,0037 0,0442 0,2102 56,7298 H6: A ocorrência de Big Bath é mais propensa em

períodos de troca de gestão

0 883 0,0030 0,0265 0,1629 54,9622 1 162 -0,0162 0,0095 0,0975 -6,0344 H7: A utilização de Big Bath é mais comum em empresas

não auditadas por Big Four

0 309 -0,0137 0,0609 0,2467 -18,0181 1 736 0,0057 0,0084 0,0916 15,9333 H8: A ocorrência de Big Bath é mais propensa em

períodos de troca de auditor

0 770 -0,0106 0,0175 0,1323 -12,4392 1 275 0,0298 0,0409 0,2023 6,7943 Notas: Crit (Critério), Obs (Observações), DP (Desvio Padrão), CV (Coeficiente de Variação).

Dados da Pesquisa.

Os resíduos da regressão, os accruals discricionários, utilizados para a conclusão acerca do grau de gerenciamento de resultados na avaliação dos determinantes (ou características) utilizados na presente pesquisa e apontados no Quadro 4 estão dispostos nas subseções 4.2.1 a 4.2.7.

4.2.1 Avaliação do tamanho

A comparação entre as evidências da existência do gerenciamento de resultados para os três tamanhos distintos de ativo total salienta uma maior dispersão dos dados considerados de menor

porte. Outro ponto que indica uma menor qualidade das informações contábeis está relacionado ao tamanho do desvio padrão, que segundo a afirmação de Paulo (2007), indica que quanto maior o desvio padrão encontrado nos accruals discricionários, maior será a probabilidade de gerenciamento de resultados, como foi evidenciado nas menores empresas.

Além da maior concentração de accruals discricionários nas empresas menores, percebe-se que há uma tendência em gerenciamento de resultados “para baixo” entre estas mesmas empresas, como pode ser observado na média e no coeficiente de variação (desvio padrão em relação ao valor da média).

4.2.2 Avaliação do nível de governança

O nível de governança corporativa, classificado como Novo Mercado segundo a bolsa de valores B3, tem como premissa a melhoria na qualidade de informações prestadas. Alguns autores, como Leal e Carvalhal-da-Silva (2005) e Bowen, Rajgopal e Venkatachalam (2008), apontam que quanto maior a robustez do nível de governança, menor é a probabilidade de ocorrência de gerenciamento de resultados.

Os dados apontam resultados muito distantes de zero, evidenciando a utilização de gerenciamento de resultados mais expressivos em empresas não participantes do Novo Mercado. Os accruals caminham em direções opostas, ou seja, enquanto as empresas participantes dos demais níveis tendem a realizar o gerenciamento de resultados em sentido positivo, as empresas participantes do Novo Mercado tendem a gerenciar resultados para menos (Big Bath).

4.2.3 Avaliação do endividamento

Nesse requesito, constata-se que existe uma maior dispersão das acumulações discricionárias por parte das empresas mais endividadas. O mesmo fato é evidenciado na comparação entre o coeficiente de variação entre os dois grupos, pois nota-se ainda que as empresas consideradas mais endividadas possuem maior tendência em diminuir os seus accruals discricionários, enquanto as menores empresas tendem em lançar os valores para cima de modo que afete o lucro.

A tendência de gerenciamento de resultados para menos (premissa do Big Bath) aproxima- se dos resultados esperados para o objetivo proposto e está exposto na seção 4.3.

4.2.4 Avaliação do setor

A amostra correspondente possui maior predominância em empresas do setor Consumo Cíclico, seguido do setor de Bens Industriais. Juntos, detêm quase metade (48%) de toda a amostra de empresas. A comparação entre os respectivos coeficientes de variação aponta uma distância bem maior dos setores de Bens Industriais, Consumo Cíclico, Materiais Básicos, Utilidade Pública e Consumo Não Cíclico em relação a zero, como pode ser observado no Quadro 4.

O valor positivo indica uma maior propensão em elevar accruals discricionários para alteração do lucro, como é o caso dos setores de Materiais Básicos e Utilidade Pública. Em contrapartida, os setores de Bens Industriais, Consumo Cíclico e Não Cíclico e Saúde são os que mais evidenciaram valores lançados para baixo.

4.2.5 Avaliação da estrutura de controle

O comportamento dos accruals discricionários avaliados pela relação entre desvio padrão e média indicam que as empresas com menor concentração de ações ordinárias nas mãos dos três maiores acionistas possuem uma maior tendência em gerenciar resultados para baixo, muito embora as mais concentradas tenham apresentado um valor bem distante de zero, mas gerenciando para cima.

4.2.6 Avaliação da mudança de gestor

As empresas que optaram por permanecer com o mesmo gestor na maior parte das observações apresentaram uma maior tendência em gerenciar seus dados para cima, enquanto aquelas que, em algum momento, efetuaram a troca de CEO, Diretor ou Presidente apresentaram uma tendência em realizar gerenciamentos para baixo, diminuindo seus resultados, concordando com os achados obtidos no estudo de Nieken e Sliwka (2015).

4.2.7 Avaliação da auditoria

Este fator foi avaliado de duas maneiras distintas, sendo o primeiro momento responsável por apresentar a influência do gerenciamento de resultados a partir do tipo de empresa que auditou os relatórios, e o segundo momento foi responsável por considerar o efeito da troca de empresa responsável pela auditoria.

A partir dos dados apresentados, percebe-se uma maior tendência em gerenciar resultados utilizando a redução dos accruals discricionários em empresas não auditadas por Big Four, como pode ser observado no Quadro 3.

Para a segunda hipótese ligada à auditoria, o Modelo Pae retornou que empresas que não realizaram a troca de empresa auditora são mais propensas a realizar gerenciamento de resultados, geralmente, para baixo.

A próxima seção indica a apresentação gráfica das empresas que apresentaram evidências de ocorrência de Big Bath em cada um dos modelos analisados, além das possíveis tendências para os próximos anos e, também, a classificação das empresas de acordo com as hipóteses apontadas ao longo do percurso do presente estudo.