(2003-2014)
Esta subseção apresenta uma síntese dos resultados encontrados da relação entre os mecanismos de aprendizagem e os padrões de acumulação de capacidades tecnológicas da indústria de celulose e papel entre 2003 e 2014. Primeiramente, para a área florestal, a Figura 5.32 sintetiza que os três padrões de acumulação de capacidades tecnológicas implementaram os mecanismos de aprendizagem intraorganizacionais em uma mesma intensidade, ou seja, não se podem diferenciar os padrões da área florestal por meio dos mecanismos internos à empresa. No entanto, esses mecanismos geraram alguns resultados distintos entre os padrões. Verifica-se que as empresas pertencentes ao Padrão 1 Florestal voltaram seus esforços internos para a geração de informações técnicas e criação de produtos e melhorias em seus processos. Já as empresas pertencentes ao Padrão 2 Florestal geraram resultados por meio de seus esforços internos em criação de novos conhecimentos científicos. Por fim, as empresas do Padrão 3 Florestal diferenciam-se por apresentarem resultados em criação de novos processos, geração de patentes e criação de novos conhecimentos científicos.
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Figura 5.32. Principais relações entre os tipos de mecanismo de aprendizagem e os padrões de capacidades
tecnológicas da área florestal
Fonte: Os autores (2016).
As diferenças entre os padrões de acumulação de capacidades tecnológicas para a área florestal surgem de forma mais nítida ao analisar os mecanismos de aprendizagem interorganizacionais. A Figura 5.32 sintetiza que os padrões 2 e 3 da área florestal apresentaram intensidades semelhantes no uso desses mecanismos, nos tipos de parceria e nos resultados gerados, que foram bem superiores às frequências verificadas pelas empresas pertencentes ao Padrão 1 Florestal. Entre as empresas dos padrões 2 e 3, verifica-se que estas se diferenciam por possuírem frequências maiores em parcerias com firmas competidoras e resultados em geração de patentes. De forma geral, os mecanismos em P&D e aquisição de conhecimentos, as parcerias com universidades e institutos de pesquisa locais, fornecedores e consultores e os resultados em melhorias e adaptações em processos foram predominantes na área florestal da indústria de celulose e papel no Brasil entre 2003 e 2014.
Já a Figura 5.33 apresenta a relação entre os mecanismos de aprendizagem e os padrões de acumulação de capacidades tecnológicas na área industrial. Ao contrário do que ocorreu na área florestal, os mecanismos intraorganizacionais apresentaram resultados que diferenciaram as empresas dos padrões 1 e 2 das empresas do Padrão 3 Industrial. Estas apresentaram frequências bem maiores em codificação, compartilhamento e criação interna
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de conhecimento, que geraram resultados em melhorias e adaptações em produtos e processos, criação de novos conhecimentos científicos e patentes. Esses resultados justificam-se pelo fato de as empresas que compõem o Padrão 3 Industrial, ao contrário das dos outros padrões, possuírem departamentos internos de P&D industrial. As empresas do Padrão 2 Industrial também apresentaram resultados importantes em melhorias e adaptações em processos, ao contrário das empresas do Padrão 1 Industrial, que não revelaram resultados relevantes.
Figura 5.33. Principais relações entre os tipos de mecanismo de aprendizagem e os padrões de capacidades
tecnológicas da área industrial
Fonte: Os autores (2016).
Assim como na área florestal, as diferenças entre os padrões na área industrial também ficam mais nítidas ao analisar a influência dos mecanismos de aprendizagem interorganizacionais. Em vários tipos de mecanismo, parceiro e resultado, é possível constatar que as frequências das empresas do Padrão 3 Industrial foram maiores do que as das empresas do Padrão 2 Industrial e que as destas foram maiores do que as das empresas do Padrão 1 Industrial. Individualmente, as empresas pertencentes ao Padrão 3 Industrial destacaram-se na utilização de P&D e de aprendizado com usuários líderes, nas parcerias com
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clientes e universidades e institutos de pesquisa internacionais e nos resultados em geração de patentes e criação de novos produtos e processos. As empresas do Padrão 2 Industrial também se destacaram por avançar nas parcerias com fornecedores e universidade e institutos de pesquisa locais para gerar melhorias em processos produtivos voltados para ganhos de eficiência energética.
Tanto para a área florestal quanto para a área industrial, é possível verificar a alta importância dada aos mecanismos de aprendizagem interorganizacionais para a acumulação de capacidades tecnológicas. Mesmo para padrões com frequências semelhantes na utilização dos tipos de mecanismo de aprendizagem, alguns resultados gerados foram distintos. Na área florestal, as empresas dos padrões 2 e 3 assemelharam-se na criação de novos conhecimentos científicos, uma vez que são empresas que se encontram em níveis de capacidade inovadora avançada e de liderança mundial. Já na área industrial, as empresas do Padrão 3 Industrial diferenciam-se dos outros padrões, principalmente nos resultados em criação de novos produtos e processos. Essas empresas também chamam atenção, nas áreas florestal e industrial, pelos resultados em geração de patentes, que não foram comuns para as outras empresas do setor no Brasil.
Por fim, vale destacar que os resultados das parcerias interorganizacionais na área industrial apresentaram alta importância na criação de novos produtos e processos por empresas que pertencem ao Padrão 3 Industrial. Isso não significa, porém, que a indústria de celulose e papel no Brasil esteja se movendo em produtos na fronteira tecnológica fora do papel propriamente dito (bioprodutos, nanocelulose etc.). Como já ressaltado na subseção 5.1.2.2, os processos industriais das empresas estudadas atualizaram-se no período recente, com foco em eficiência energética, enquanto as inovações em produto voltaram-se para novas características e novas gramaturas para papel. Os avanços nessas áreas foram importantes, mas ainda estão longe de se deslocar em novas fronteiras tecnológicas.
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