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5.2 Eksperiment 1

5.2.4 Statistisk analyse

O estudo realizado por Halliday; McIntosh; Strevens (1974) quanto às abordagens de ensino da língua foi utilizado como ponto de partida para a elaboração das atividades aplicadas aos alunos com a finalidade de sanar problemas identificados em relação à habilidade de articulação de orações em textos escritos. Definir quais os objetivos do ensino de determinado conteúdo é fundamental para a melhor organização pedagógica, desse modo, estabelecer-se sobre determinada conceituação teórica é essencial para a orientação do trabalho do professor e o consequente alcance de metas que, em educação, volta-se sempre para a aprendizagem do educando.

Os autores determinam três abordagens de ensino da língua, centradas em posicionamentos sobre os conceitos de língua e de gramática, são elas: a prescritiva, a descritiva e a produtiva.

O ensino de cunho prescritivo, segundo os autores, tem por característica “ensinar as crianças a substituírem [...] seus próprios padrões de atividade linguística que são inaceitáveis por outros padrões, aceitáveis” (HALLIDAY, McINTOSH; STREVENS, 1974, p. 260-261), isso implica que os padrões existentes apresentam erros em relação ao que se apresenta como correto no uso do idioma. Nesta perspectiva, não há espaços para as variações linguísticas, a língua fica restrita ao que os compêndios gramaticais ditam como ideal, ao que é utilizado por camadas socialmente valorizadas. Dessa forma, cada prescrição determina

também uma proscrição, ou seja, cada ensinamento do tipo faça isso implica também um ‘não faça aquilo.

De acordo com Travaglia (2009), o ensino prescritivo é capaz de atender aos seguintes objetivos de ensino da língua: “levar o aluno a dominar a norma culta ou língua padrão” e “ensinar a variedade escrita da língua” (p.39). Esta abordagem pauta-se na chamada Gramática Normativa ou Tradicional, em que a língua é entendida como expressão do pensamento. Há, portanto, o caráter altamente impositivo e normativo nesse tipo de abordagem.

O ensino descritivo volta a sua atenção à descrição do funcionamento da língua, desse modo, “o que está sendo ensinado é o modo como a linguagem funciona e como determinada língua funciona” (HALLIDAY; McINTOSH; STREVENS, 1974, p.266). Essa abordagem parte da premissa da linguagem como um instrumento de comunicação e está presente nas Gramáticas Descritivas e nas Gramáticas Normativas, quando estas descrevem a língua padrão. Para os autores, a gramática e o léxico podem ser expostos em situações reais de uso da linguagem, levando os alunos a refletir sobre os significados contextuais da língua, o que pode lançar luz sobre os seus significados formais, que, posteriormente, com o amadurecimento dos educandos, seriam sistematizados.

Para Travaglia (2009), a abordagem de ensino descritiva serve aos seguintes objetivos: “levar ao conhecimento da instituição social que a língua representa: sua estrutura e funcionamento, sua forma e função” e “ensinar o aluno a pensar, a raciocinar, a desenvolver o raciocínio científico, a capacidade de análise sistemática dos fatos e fenômenos que encontra na natureza e na sociedade.” (p.39). Entretanto, tal posicionamento não visa à alteração dos fatos linguísticos, apenas a sua descrição.

A terceira abordagem, o ensino produtivo, objetiva ampliar as habilidades linguísticas dos alunos, fazendo-os estender o uso da língua materna de forma eficiente, ou seja, não visa

alterar padrões que o aluno já adquiriu, mas aumentar os recursos que possui, e fazer isso de modo tal que tenha a seu dispor, para uso adequado, a maior escala possível de potencialidades de sua língua, em todas as diversas situações em que tem necessidade delas” (HALLIDAY, McINTOSH E STREVENS, 1974, p. 276). Apenas uma pequena parte do ensino produtivo visa a ensinar novos padrões formais, como a terminologia, que é aprendida também fora das aulas de língua materna, pois faz parte da própria experiência do aluno como usuário da língua.

Os autores salientam que “a criança precisa, entretanto, aprender as variedades da língua adequadas a diferentes situações, a amplitude e o uso de seus registros e línguas restritas” (HALLIDAY, McINTOSH E STREVENS, 1974, p. 277). Esse conhecimento está diretamente relacionado com o ensino da leitura e da escrita, porque a criança aprende, com o uso, que certos padrões aceitos na fala não são adequados a determinadas situações escritas, aproximando-se do que fora exposto como abordagem descritiva.

De acordo com os próprios autores e com Travaglia (2009), o ensino produtivo é considerado o mais indicado dentro das três abordagens pedagógicas da língua, isso porque tem como objetivo o desenvolvimento da competência comunicativa, “já que tal desenvolvimento implica a aquisição de novas habilidades de uso da língua e o ensino produtivo visa especificamente ao desenvolvimento de novas habilidades” (p.40). Essa abordagem desenvolve-se a partir do entendimento da língua como forma ou processo de interação.

Sobre essas três abordagens, Travaglia (2009) ressalta ainda que elas não são mutuamente excludentes e que podem coexistir. No entanto, o trabalho ordenado sobre as perspectivas descritiva e, especialmente, produtiva é considerado mais eficiente para o ensino da língua materna pelos estudiosos da área, todavia, o ensino descritivo esteja sendo supervalorizado e muito mais praticado nas aulas de língua portuguesa, causando, segundo o autor, “prejuízos na formação do aluno, em termos de conhecimento linguístico de que disporá em sua vida, sobretudo no que diz respeito à obtenção de uma competência comunicativa mais ampla, que é fundamental para viver melhor” (p.40).

A partir das discussões levantadas pelos teóricos citados, buscou-se, pois, a elaboração e aplicação de atividades que estivessem pautadas pela abordagem produtiva de ensino da língua durante a realização da pesquisa aqui descrita como forma de aprimorar as habilidades textuais escritas dos alunos alvos das ações desenvolvidas.