• No results found

Statistikk: kursvirksomhet

In document Årsmelding 2005 (sider 26-30)

Elaborada pelo estatuário Simões de Almeida e arquitecto António do Couto. Fon- te: RC, 11-17. Mousinho – evidenciou de tal maneira as suas altas

qualidades de administrador e homem de guerra, que se impõe a perpetuação em bronze da sua figura extraordinária.

Só uma pessoa inteligente e culta, como ele foi em tão alto grau, podia conceber e aplicar as suas

reformas, necessárias, oportunas e proficientes, patenteando assim, no conjunto da sua obra admi- nistrativa e com uma visão surpreendente, as suas potentes faculdades de eminente político colonial. Só um génio militar da sua excepcional envergadura podia, com as acentuadas características da audá-

cia, prudência e rapidez que o distinguem, pulveri- zar, reduzindo a nada, o poderio das inumeráveis mangas de guerreiros vátuas e namarrais que até aí, adentro dos seus ―kraals‖ de guerra, se mostravam invencíveis e orgulhosos do seu poderio, desafiando com as suas atrevidas razias o nosso predomínio colonial.

De facto, tanto Chaimite, como Macontene, os dois mais retumbantes feitos de armas de Mousinho, caracterizam-se pela audácia e rapidez com que foram executados.

O primeiro, realizado em 28 de Dezembro de 1895, só com 54 homens, dos quais 4 oficiais apenas, apri- sionou dentre da sua aringa de Chaimite e rodeado dos seus guerreiros, o maior potentado africano dos últimos tempos, o celebrado Gungunhana, arrojo que celebrizou mundialmente Mousinho e seus valentes companheiros.

O segundo, numa marcha de cavalaria de Lourenço Marques ao Chibuto, que se tornou célebre pela rapidez de movimentos, acabou com o predomínio do valente guerreiro landim Maguiguana que, com os seus 5.000 homens, em 21 de Julho de 1897, em Macontene, teve que fugir, derrotado por Mousinho, o qual, numa inspiração de génio militar, mandou perseguir na melhor ocasião do combate o inimigo, numa carga de cavalaria que fez debandar aterrori- zada a gente ―da impi‖ desse guerreiro.

Este valente, reconhecido como tal pelo próprio Mousinho, depois de ser derrotado em Macontene acabou às mãos dos nossos, poucos dias depois, não sem primeiro fazer vítimas, sendo uma delas o intré- pido ajudante de Mousinho, o actual General Vieira da Rocha.

Descendente de militares, não seria Mousinho no seu íntimo insensível às glórias que os seus feitos de soldado lhe grangearam, apesar de nos seus ofícios e relatórios mostrar mais interesse e dominantemen- te o preocupar a nacionalização e a boa administra- ção da Província, atirando aquelas para um plano secundário. Daí a série de reformas, qual delas a mais urgente, necessária e útil, que durante o pouco tempo que exerceu o Comissariado Régio (de 25 de Novembro de 1896 até 21 de Julho de 1898) fez publicar, animando, desenvolvendo e respeitando todo o comércio, as iniciativas e as boas vontades da Província e aplicando a verdadeira justiça como o fazia o grande Afonso de Albuquerque na Índia, sendo como ele venerado, respeitado e admirado por indígenas, nacionais e estrangeiros e, como ele, caído no desagrado dos poderes e ferido pelas intri- gas do Governo da Metrópole, e, também como ele, ainda hoje querido de todos os portugueses que conhecem e admiram os feitos gloriosos e as virtu-

des cívicas dos seus maiores, que escusariam de ser passados ao bronze para serem imortais.

Mousinho era a valentia serena, reflectida, sem alardes, tendo muitas vezes que rebater os seus detractores que diziam que Mousinho só ambiciona- va estar em África para andar à cutilada aos pretos. Se algumas vezes o fez foi só para acautelar o pres- tígio de Portugal, ou para castigar atrevimentos de indígenas ou sopesar ambições estranhas, de manei- ra a conservar intacto e respeitado o nosso domínio ultramarino, pois que as suas maiores atenções e cuidados eram para o desenvolvimento da Provín- cia, por meio da persuasão e do bom tratamento aos indígenas, pela execução de importantes obras de fomento, pela sua reorganização militar e adminis- trativa e pelas reformas tributárias e monetárias, patenteando e demonstrando assim que as campa- nhas militares que sustentou eram subsidiárias das qualidades de administração pública que possuía e que sentia necessidade de impor.

Foi estudando a personalidade de Mousinho e a sua obra, e de acordo com as cláusulas do programa do concurso, que concebemos o seu monumento como passamos a descrever:

Ergue-se o monumento sôbre um elegimento de forro de cantaria ligeiramente elevado da relva da placa, contando deste plano até ao chapéu de Mousinho 13 metros, dada para altura do monumento pela cláu- sula 8.ª do concurso. A altura deste elegimento ao passeio da placa obedece rigorosamente às cotas dos declives das ruas que a contornam, como se vê no corte do projecto apresentado.

Deixaram os autores, com o intuito do monumento poder ser bem observado, ficar desde o elegimento até ao passeio que circunda a placa arrelvada, pro- jectando no passeio um pavimento de pedra branca e preta onde seriam desenhados os nomes dos oito combates precursores de ―Chaimite e Macontene‖. Tanto a placa arrelvada como o passeio com o seu empedrado não figuram no nosso orçamento, visto a isso não sermos obrigados pelas cláusulas do pro- grama do concurso, sendo só da nossa obrigação a partir do elegimento.

Sobre este assenta um envasamento de linhas sim- ples com a altura de 2m,20 servindo de base ao pilo- ne do monumento, destacando-se à parte da frente e na detrás dois pedestais onde assenta, no primeiro, pedido pela base 7.ª do concurso, a alegoria repre- sentando a homenagem da Colónia de Moçambi-

que ao Herói, representada por uma figura feminina

de atitude austera afagando uma pequena indígena. Esta protecção ao nativo, simbolizada no grupo que concebemos, julgamos ser a homenagem que mais correspondia ao pensamento de Mousinho. No

pedestal posterior levanta-se o escudo da Província de Moçambique, numa composição simples à altura da linha do envasamento, a fim de deixar ler bem na face posterior do pilone as reformas aí gravadas. A alegoria da Província é, como pede o programa e como indicam os desenhos e ―maquette‖, figurada em bronze e o escudo para ser executado em canta- ria de lioz.

Sobre este envasamento levanta-se com a altura de 5m,90 o pilone de forma rectangular com as faces maiores rectas e ligeiramente de volta abatida as menores. Nas laterais, como se pede na mesma con- dição 7.ª do programa, estão representados em bronze os dois maiores feitos de armas de Mousinho, os que consolidaram por forma definitiva o nosso domínio e prestígio na Província, Macontene e Chaimite.

No primeiro, destaca-se a figura de Mousinho, à frente, com os seus ajudantes ao lado, seguido do esquadrão, carregando a gente de Manguiguana. Mousinho, como se vê no esboceto, não vai de espa- da desembainhada, mas leva erguido o braço apon- tando aos seus soldados os pretos do régulo que já vão em debandada, e outros já caídos.

Obedeceram assim os autores do projecto à vontade do Herói e à verdade da História, não o figurando às cutiladas aos pretos.

Na outra face os autores representam Mousinho na povoação do Gungunhana, quando o régulo é obri- gado a sair da sua habitação pela intimação do insigne soldado.

A audácia do lance é tamanha, pelo aparecimento inesperado daquele punhado de portugueses na principal povoação do régulo, onde se encontrava acompanhado da sua melhor tropa, e a forma inti- mativa foi tão imperiosa que o régulo, apesar de toda a sua arrogância e prestígio, não se sentiu com coragem para reagir, nem os pretos quási para se mostrarem fora duas suas palhotas. O esboceto representa o momento desta acção, vendo-se ao cen- tro o régulo já dominado junto das suas mulheres, e, em redor, num grupo à direita, Mousinho com os seus oficiais e à esquerda o resto da tropa portugue- sa. Estes dois grupos, como se pede no programa,

são para serem executados em bronze, em alto rele- vo, tendo de comprimento 2m,80 e de alto 1m,90. Pela parte superior distes dois grupos, em pedra de mármore brunida, está desenhado, em gravura, o mapa da região e acentuados os locais onde estes feitos se praticaram.

Na face anterior do pilone, lê-se, em letras de pedra em relevo, simplesmente esta legenda: – ―A MOU- SINHO DE ALBUQUERQUE‖ e mais a baixo a data de MCMXXXVI.

Entre estes dois dísticos o escudo em baixo relevo da família Mousinho.

Na face posterior estão indicadas igualmente em letras de pedra em relevo, as principais reformas de Mousinho durante o tempo do seu governo – 1896 – 1898.

Sobre o pilone assenta a estátua equestre em bronze de Mousinho, tendo a altura de 4m,90, um pouco mais que um terço da altura do monumento. Sendo este o motivo principal e de maior responsabilidade artística do monumento, foi para ele que os autores dirigiram toda a sua atenção, procurando dar a esse grupo a mais fiel interpretação da sua personalida- de que era íntegra e valente, não se prestando a ati- tudes que roçassem pelo ridículo.

Foi por isso que vestimos a sua nobre figura com a indumentária de campanha, tal como se fosse entrar em combate, e propositadamente pusemos a sua montada numa posição sossegada para não des- manchar a atitude serena do cavaleiro. Mousinho olha para longe, para o capim dessa África que len- tamente vai atravessando, obrigando o cavalo a estar quieto para não o distrair dos seus graves pen- samentos.

Achamos ser esta a posição que melhor se adaptava ao seu carácter e tendências, fugindo os autores com intenções propositadas de posições de cavaleiro ―cow-boyano‖, que poderão ser o regalo de plateias de circo ou de salão de cinema, mas que não se compadecem nem com o Homem que á entrou na imortalidade, nem com as linhas severas da compo- sição arquitectónica do nosso projecto de monumen- to. – Lisboa, em 5 de Outubro de 1936.

In document Årsmelding 2005 (sider 26-30)

RELATERTE DOKUMENTER