Antes de desenvolvermos o sistema e o seu funcionamento, é necessário abordar alguns conceitos, mesmo que essa tarefa não seja levada ao limite, pois parte-se do pressuposto que alguns conceitos de tão usados no quotidiano não carecem de explicação.
Sistema - Capra (1996) define sistema como um todo integrado cujas propriedades das partes não são propriedades intrínsecas, mas só podem ser entendidas dentro do contexto do todo. Ou seja, é uma “entidade” maior, composta por várias partes, que funcionam em conjunto, na persecução de um objetivo, que não pode ser compreendido se apenas for considerada cada uma das suas partes.
Sistema de Gestão – Partindo da definição de sistema, pode-se portanto afirmar que um sistema de gestão é um conjunto de atividades que permita, de forma coordenada, atingir uma política e um conjunto de objetivos previamente traçados, e em relação a um domínio de atuação ou a uma temática.
Sistema de Gestão da Qualidade – Das definições anteriores resulta naturalmente que um sistema de gestão da qualidade seja um sistema de gestão para dirigir e controlar uma organização, no que diz respeito à qualidade dos seus produtos ou serviços, ou seja, assegurar que eles satisfaçam as necessidades dos usuários (clientes, consumidores) e as respetivas expectativas.
Certificação – De acordo com Figueira (2009), é o procedimento pelo qual uma terceira pessoa/entidade dá garantias de que o produto, processo ou serviço da organização está em conformidade com os requisitos especificados.
A certificação permite um grande conjunto de vantagens ás organizações, que vão desde uma melhoria da sua organização interna, uma melhoria da sua imagem e posição competitiva, com o acesso a clientes e mercados que de outro modo não conseguiria, um aumento da motivação interna na empresa, aumento da produtividade e redução de custos, aumento da eficiência dos processos, e logicamente um aumento da satisfação e da confiança dos clientes em relação aos produtos e serviços da empresa.
Controle de qualidade – Segundo a ISO 9000:2005, é a parte da gestão da qualidade orientada para a satisfação dos requisitos da qualidade.
Rom ão Direitinho 92 Inspeção - Implementação de um procedimento formal, que normalmente está documentado sob a forma escrita, de forma que os resultados obtidos fiquem registrados, para permitir à entidade gestora avaliar a operacionalidade das infra- estruturas e tomar medidas corretivas apropriadas. Trata-se de uma avaliação da conformidade por observação e julgamento, acompanhados de forma apropriada por medições, ensaios e comparações.
Conformidade – Segundo a ISO 9000:2005 é a satisfação de um requisito. Não conformidade – Segundo a ISO 9000:2005 é a não satisfação de um requisito.
Especificação– De acordo com a ISO 9000:2005, é o documento que estabelece requisitos, seja para atividades seja para produtos.
4.2 – CONSIDERAÇÕES GERAIS
De acordo com as definições anteriores, conclui-se que cada empresa tem o seu próprio sistema de gestão, no entanto os sistemas de gestão da qualidade surgiram como resultado natural da globalização do mercado, com clientes cada vez mais informados e exigentes, e uma concorrência cada vez maior entre as empresas. O sistema de gestão da qualidade existe dentro da organização para garantir que ela produza de forma consistente, repetida, sistemática, com qualidade.
Os sistemas de gestão da qualidade atravessam as empresas de uma forma horizontal, trespassando todos os departamentos da organização. No entanto, esta pesquisa, não deixando de fora aspectos conexos, está especialmente focada na produção, e em todo o caminho que é percorrido dentro da organização desde o recebimento das matérias primas, seu armazenamento, sua manipulação, fabrico do produto LACP, seu armazenamento e transporte, e execução em obra. Assim, dividimos esse caminho em três grandes fases que são:
Pré-fabrico– envolve as atividades de receção dos materiais (matérias primas para as LACP), seu armazenamento e preparação, o fabrico do próprio concreto e o transporte do concreto desde a central de usinagem até a pista de protensão. A este propósito, refira-se como observação que algumas das matérias primas ou intermediárias na produção das LACP são já produtos acabados de outras indústrias, mas a análise da pesquisa não vai até esse nível de detalhe. Interessa essencialmente o que se passa em matéria de produção, desde que os materiais chegam à fábrica e até que o produto LACP esteja executado/montado/colocado em obra.
Rom ão Direitinho 93 Fabrico – aqui entende-se como fase de fabrico aquela que apenas começa após o início da extrusão/moldagem, e que vai até a estocagem dos elementos de LACP na fábrica.
Pós-fabrico – esta fase engloba as atividades de transporte dos elementos LACP para o canteiro, eventual estocagem em canteiro, e montagem e execução das lajes em obra (ou seja, inclui a execução da capa estrutural já em canteiro).
Como o processo de fabricação das LACP já foi explicado quando da revisão bibliográfica, não será feita essa explicação de novo, apenas serão focados determinados cuidados específicos ligados aos procedimentos de controle da qualidade.
No entanto, o processo fabril em si mesmo terá de ser considerado de novo, separado por partes e detalhado, analisado em termos de processos, de materiais, de de pessoas, de equipamentos, de instalações, para que no final seja possível desenvolver metodologias e ferramentas de controle de qualidade, que permitam entregar ao cliente produto com desempenho e requisitos de qualidade expectáveis. O desenvolvimento dessas ferramentas, no entanto, só terá efeito se houver posteriormente um engajamento de todos os intervenientes dentro da organização.
Convém acrescentar que os sistemas de qualidade das empresas não são estáticos no tempo; eles sofrem melhorias periódicas, para além de que o sistema de qualidade que vigora no momento está em permanente avaliação.
No Brasil existe um sistema de garantia da qualidade em relação a pré- fabricados de concreto, já referido anteriormente, o Selo Excelência ABCIC. No entanto não existe o equivalente em relação a fábricas que produzam especificamente LACP.
Em relação à certificação, convém distinguir a certificação de produto da certificação de sistema. Assim, e de acordo com a ISO 9001:2008, a certificação de sistemas é o reconhecimento formal da qualidade de uma estrutura, de uma organização. De modo particular, a obtenção da certificação da qualidade por parte da empresa demonstra que ela gera e tem implantado um sistema de gestão em conformidade com as boas práticas de gestão e com os princípios da gestão da qualidade. Outra coisa diferente é a certificação de produto. Assim, a certificação de produto é o reconhecimento de que esse produto está em conformidade com os requisitos definidos pela respetiva norma aplicável. No entanto, para a certificação dos produtos, as empresas têm que dispor de um sistema de controle do seu processo
Rom ão Direitinho 94 produtivo, incluindo medidas de controle de qualidade, prevenção e correção de anomalias.
Para que uma empresa tenha implantado um sistema de gestão da qualidade, ela necessariamente tem que ter uma organização de trabalho, com documentação para poder gerir os processos, tem que ter os seus equipamentos calibrados, tem que ter pessoal qualificado e registros adequados.
Por fim, importa afirmar que a certificação não é obrigatória nem garante o sucesso de uma empresa; no entanto, fornece-lhe uma melhoria da sua imagem perante os seus clientes e mercados, aumentando a confiança deles no seu sistema e a respetiva satisfação.