PART VI – DISCUSSION AND CONCLUSIONS
10. DISCUSSION AND CONCLUSIONS
10.5 Statens Vegvesen and LID
GEOLOGIA LOCAL E PETROGRAFIA
3.1- INTRODUÇÃO
O presente capítulo apresenta as características de campo e petrográficas das unidades litológicas abarcadas nesta dissertação. Buscou-se caracterizar a geologia do Corpo Córrego dos Boiadeiros (CCB), a partir do estudo de 41 pontos de superfície, bem como de 34 furos de sonda, auxiliados pela descrição de 39 seções delgadas dos litotipos que ocorrem na região. A figura 3.1 ilustra a disposição espacial dos pontos visitados em campo e dos testemunhos de sondagem, ao passo que suas respectivas coordenadas são apresentadas no anexo I. De modo análogo, a descrição das variedades litológicas em função da profundidade para os furos de sonda estudados e croquis dos furos de sondas representativos da área de estudo são apresentados no anexo II.
O Corpo Córrego dos Boiadeiros constitui uma associação de rochas metaultramáficas e metamáficas que se estende por cerca de 4 km segundo a direção norte-sul. Alarga-se por cerca de 2 a 3 km na direção leste-oeste em sua porção central, tornando-se mais estreito à medida que se avança em direção às suas extremidades norte e sul. Este corpo ocorre em contato com xistos pelíticos e máficos do Grupo Nova Lima a norte, leste e sudeste. Já a oeste, observa-se contato tectônico com quartzitos da Formação Moeda, por meio de uma falha de empurrão NW-SE, que posiciona os termos metaultramáficos e metamáficos em contato aos metassedimentos pertencentes à Formação Moeda (Fig. 2.3).
A distribuição em área, bem como os contatos geológicos entre as unidades litológicas do CCB são de difícil caracterização, o que se deve sobremaneira ao avançado estágio de alteração intempérica destas rochas. As rochas destas unidades comumente figuram sob a forma de afloramentos esparsos associados a níveis topograficamente rebaixados em regiões adjacentes a drenagens ou como blocos de pequeno porte. Em contrapartida, grandes exposições das rochas metaultramáficas e metamáficas do Corpo Córrego dos Boiadeiros correspondem às áreas de exploração das mineradoras Pedras Congonhas e Extramil, bem como quando dispostas em testemunhos de sondagem.
No que tange à geologia estrutural, têm-se para o Corpo Córrego dos Boiadeiros estruturas planares dúcteis e rúpteis. As principais estruturas vinculadas ao contexto dúctil se referem à foliação marcada pela orientação das rochas metaultramáficas segundo a direção NNW a NE, com mergulhos de ângulos moderados a altos para NE e SE. Zonas de falhamentos acentuados ocorrem por todo o corpo, estas geralmente orientadas segundo a direção NE-SW. Frequentemente associadas a estas zonas de falhas são encontradas regiões mais enriquecidas em talco.
As rochas metaultramáficas e metamáficas do Corpo Córrego dos Boiadeiros encontram-se empurradas sobre os quartzitos da Formação Moeda (Grupo Caraça) a sudoeste. As estruturas estritamente rúpteis ocorrem indiscriminadamente por toda a área de estudo. Correspondem a uma rede de fraturas sem orientação preferencial segundo uma malha caótica e de difícil caracterização.
3.2- UNIDADES LITOLÓGICAS
Com base em critérios composicionais, compartimentou-se o Corpo Córrego dos Boiadeiros em duas associações litológicas principais, a saber, Rochas Metaultramáficas e Rochas Metamáficas. As Rochas Metaultramáficas correspondem a serpentinito, esteatito, clorita–tremolita xisto e tremolita- serpentina granofels, ao passo que Rochas Metamáficas são representadas por clinozoisita-actinolita granofels. Caracterizaram-se também as rochas encaixantes do Corpo Córrego dos Boiadeiros, compartimentando-as em duas subunidades, a saber, xistos pelíticos e máficos do Grupo Nova Lima e quartzitos da Formação Moeda (Grupo Caraça).
3.2.1- Rochas Metaultramáficas
As rochas metaultramáficas possuem amplo domínio de ocorrência no contexto do Corpo Córrego dos Boiadeiros. Abarcam toda porção central do mesmo, estendendo-se na direção norte-sul. São distinguidas dos termos metamáficos, sobretudo por apresentarem paragêneses minerais extremamente magnesianas, verificadas em todas as rochas pertencentes a esta unidade.
Os representantes desta unidade são serpentinito, esteatito, clorita–tremolita xisto e tremolita- serpentina granofels. A terminologia utilizada para estes litotipos segue as recomendações de Fettes & Desmons (2007). O termo serpentinito foi empregado referenciando-se a rochas com proporções modais superiores a 75% de minerais do grupo da serpentina. Esteatito foi utilizado para denominar rochas ricas em talco que, quando foliadas, também podem ser nomeadas como talco-xisto. Para as demais unidades litológicas, utilizou-se o critério de nomes fundamentais (i.e com base na estrutura da rocha) e abundância relativa de minerais, adotando-se a terminologia xisto para rochas foliadas (clorita-tremolita xisto) e granofels, quando isentas de foliação (tremolita-serpentina granofels).
O anexo IV ilustra a quantificação modal dos constituintes minerais a partir da média de 10 visadas para cada seção delgada dos litotipos desta unidade.
Serpentinito
Serpentinito é o litotipo de ampla dominância na área de estudo (Fig. 3.1 e 3.2A). O serpentinito constitui rochas de coloração verde oliva que comumente exibem foliação proeminente, ou então conformam núcleos maciços (pods de foliação, descritos por Schrank et al. 1990 e Costa 1995) em meio às porções foliadas (Fig. 3.2B). Ocorre na quase totalidade dos furos de sonda estudados, à exceção do testemunho F32 e configura o litotipo mais frequente na superfície (aflorante) da maior parte dos testemunhos de sondagem (Fig. 3.2C). Boas exposições desta rocha são observadas também nas cavas das mineradoras Pedras Congonhas e Extramil.
São frequentemente recortados por veios de espessura milimétrica a decimétrica de antigorita, crisotila e carbonato, provavelmente magnesita. As acículas e lamelas de antigorita de alguns veios podem atingir tamanhos decimétricos (Fig. 3.2D). Nota-se que estas agulhas e lamelas se dispõem paralelamente às paredes encaixantes (i.e ao serpentinito propriamente dito) configurando a fibra do tipo slip fiber. As fibras dos veios de crisotila, por outro lado, normalmente se alojam perpendicularmente às paredes encaixantes, dispondo-se no tipo de fibra cross fiber.
Os serpentinitos possuem mineralogia simples, compostos essencialmente serpentina e minerais opacos subordinados (Fig. 3.3A, 3.3B e 3.3C). Análises de difratometria de raios X (Fig. 3.3D) ilustram a existência das variações dos minerais do grupo da serpentina (antigorita, lizardita e crisotila) na rocha.
Em lâmina delgada observa-se que a rocha possui textura inequigranular fina a média e lepidoblástica, esta configurada pela orientação preferencial de lamelas de serpentinas. O serpentinito também exibe textura decussada, o que reflete em uma estrutura maciça em mesoescala.
Serpentinas predominam na rocha, perfazendo entre 90 a 95% do volume. Possuem granulação fina a média, não excedendo cristais com 1,3 mm de comprimento. Comumente são incolores, raramente apresentam pleocroísmo em tons pálidos de verde. Ora ocorrem como palhetas preferencialmente orientadas, ora dispostas segundo a textura interpenetrativa (interpenetrating type, de Wicks & Whittaker 1977) ou como agregados levemente esferulíticos, caracterizando a textura entrelaçada (interlocking type, de Wicks & Whittaker 1977).
Os minerais opacos são compostos principalmente por magnetita. Perfazem de 1 a 10% da proporção modal da rocha e ocorrem invariavelmente como cristais diminutos, não excedendo 0,1 mm de tamanho. Ocorrem comumente disseminados entre os agregados de serpentinas.
Figura 3.2- Aspectos de campo e mesoscópicos das rochas metaultramáficas do Corpo Córrego dos Boiadeiros.
A: Serpentinito amplamente exposto nas bancadas da mineradora Pedras Congonhas. Flanco leste do Sinclinal Moeda com metassedimentos do Supergrupo Minas em segundo plano. B: Núcleo de serpentinito maciço (pods de foliação – círculo branco) disposto em meio ao serpentinito foliado (linhas brancas). C: Contato abrupto entre o serpentinito, observado em tons verde oliva, e o tremolita-serpentina granofels, em tonalidades mais escuras, visto no testemunho de sondagem FS3. Venulações carbonáticas de cor branca são comumente observadas. D: Lamelas decimétricas de antigorita do tipo slip fiber, com fibras orientadas segundo a direção ilustrada pela caneta. E: Porções do esteatito, de coloração acinzentada, associadas ao serpentinito, de coloração mais escura. F: Esteatito observado no testemunho do furo de sonda FS10. Srp: serpentina, Tr: tremolita.
Esteatito
O esteatito configura uma rocha de tonalidade acinzentada, espacialmente associada ao serpentinito (Fig. 3.2E). Verifica-se a predominância dos esteatitos à medida que se avança para as porções marginais do Corpo Córrego dos Boiadeiros. Nestas regiões, observa-se que o esteatito ocorre entre as rochas serpentiníticas e as rochas metamáficas, porém largamente associado ao serpentinito. Boas exposições do esteatito são observadas nas adjacências da mineradora Pedras Congonhas, bem como em alguns níveis da cava de serpentinito da mesma (Fig. 3.2E). O esteatito também é observado nos furos de sonda F7, F10a e F12 (Fig. 3.2F). Embora ocorra foliado, também são observadas porções desta rocha sem qualquer orientação preferencial.
A mineralogia do esteatito é composta por talco, carbonato e quantidades menores de tremolita e serpentinas (Fig. 3.3E, 3.3F). Em termos microestruturais a rocha é inequigranular granolepidoblástica. As porções lepidoblásticas são constituídas por finos agregados orientados de talco, ao passo que as porções granoblásticas se traduzem nos agregados de carbonato.
Talco predomina na rocha, perfazendo de 75 a 95% do volume. É incolor e comumente ocorre como finos agregados orientados materializando a foliação encontrada em algumas amostras. Por vezes configuram palhetas encorpadas e decussadas principalmente quando observados nos litotipos ausentes de foliação.
Carbonato perfaz de 5 a 20% do volume da rocha. São observados como cristais granoblásticos incolores a amarronzados, subidioblásticos e que não se apresentam maclados. Configuram agregados granoblásticos inequigranulares que variam entre 0,3 a 0,7 mm de tamanho. De modo geral, configuram a porção com textura decussada encontrada nos esteatitos.
Tremolita perfaz até 5% da moda. Ocorre como cristais aciculares, incolores e decussados, invariavelmente associados ao talco. Diferencia-se do mesmo devido a suas cores de interferência no início da 2ª ordem, enquanto o talco atinge o final da 2ª ordem.
Serpentinas perfazem até 5% do volume da rocha. Ocorrem como esparsas lamelas decussadas em meio ao talco. São incolores e possuem birrefringência baixa. Opticamente se assemelham a Mg- clorita, porém sua elongação positiva 1(+) corrobora sua identificação como serpentina.
Figura 3.3- Fotomicrografias e difratograma de raios X de rochas metaultramáficas do Corpo Córrego dos
Boiadeiros. A: e B: ilustram lamelas decussadas de serpentina associadas à magnetita (F10-C10-46m e F10-C12- 53,7m). Luz polarizada cruzada. C: Serpentinito de granulação fina recortado por veios de serpentina (F3-C1- 1m). Luz polarizada cruzada. D: Difratograma do serpentinito (P3) ilustrando a ocorrência dos minerais do grupo da serpentina. E: Esteatito composto de cristais granoblásticos de carbonato envoltos por fina matriz de talco (F12-C15-0,2m). Luz polarizada cruzada. F: Esteatito com carbonatos e cristais raros de tremolita e serpentina (F12-C15-0,2m). Luz polarizada cruzada. Srp: Serpentina, Atg: antigorita, Liz: lizardita, Ctl: crisotila, Mag: magnetita, Tlc: talco, Cb: carbonato, Tr: tremolita.
Clorita–tremolita xisto
Este litotipo não foi encontrado nos pontos de superfície deste trabalho. Sua ocorrência se restringe aos níveis inferiores do furo de sonda F3, em profundidades não superiores a 90 m. Trata-se de uma rocha de cor verde musgo, fortemente foliada.
Em termos composicionais, as rochas desta unidade possuem a maior variação mineralógica dentre as estudadas. Contêm tremolita, clorita de variedade magnesiana, talco, flogopita e serpentinas. Flogopita é observada em proporções relativamente altas (até 20%) em algumas seções delgadas (FS3- C26-98,7m e FS3-C26-95,5m), ao passo que é ausente em outras (FS3-C19-72,4m). Serpentina foi observada apenas em uma seção delgada (FS3-C23-85,6m), associada à Mg-clorita. Em termos de microestruturas, a rocha é nemato lepidoblástica, exibindo orientação preferencial dos cristais de anfibólio e de filossilicatos (Fig. 3.4A e 3.4B).
Tremolita perfaz de 40 a 50% do volume da rocha. É incolor e ocorre como finos cristais fibrosos preferencialmente orientados, materializando a foliação da rocha. A tremolita também ocorre como cristais subidioblásticos de maior tamanho, atingindo até 1,6 mm de comprimento. Estes cristais ocorrem predominantemente orientados segundo a foliação da rocha. Observa-se que alguns cristais mostram maclação polissintética (Fig. 3.4B). Esporadicamente exibem inclusões de minerais opacos.
Mg-clorita ocupa de 20 a 40% do volume da rocha. Ocorre invariavelmente como finas lamelas incolores, mostrando-se com cores de interferência acinzentadas de 1ª ordem e sinal de elongação negativa 1(-). Dispõe-se em agregados fibrosos associados aos demais minerais, materializando a foliação observada na rocha.
Talco perfaz de 10 a 20% do volume da rocha. É incolor e ocorre invariavelmente em granulação fina. Normalmente associa-se às acículas de tremolita.
Flogopita totaliza de 5 a 20% da moda. Ocorre como palhetas orientadas segundo a foliação da rocha. Exibe pleocroísmo em tons pálidos de amarelo.
Serpentina raramente é observada na rocha, perfazendo, no máximo, 5% em volume desse litotipo. Ocorre invariavelmente associada à Mg-clorita e diferencia-se desta devido ao sinal de elongação positivo 1(+).
Minerais opacos, provavelmente magnetita, também são observados nesta rocha. Estes não excedem 0,2 mm de tamanho e comumente estão inclusos nos cristais de tremolita. Ocupam até 3% em volume desse litotipo.
Figura 3.4- Fotomicrografias de rochas metaultramáficas do Corpo Córrego dos Boiadeiros. A: Trama orientada
no clorita-tremolita xisto (F3-C26-95,5m). Luz polarizada cruzada. B: Cristais de tremolita dispostos em meio à matriz foliada de tremolita, talco, clorita e flogopita (F3-C23-85,6m). Luz polarizada cruzada. C: D: e E: Pseudomorfos de tremolita, talco e serpentinas após cristais granulares de, provavelmente, olivina e/ou piroxênio, com clorita e serpentinas ocupando os interstícios (MPC8a-C2-3,6m, PC-001 e MPC21-C4-0,7m). Luz polarizada cruzada. F: Pseudomorfos inteiramente constituídos de serpentina (PC-002). Luz polarizada cruzada. Srp: serpentina, Phl: flogopita, Chl: clorita, Tlc: talco, Tr: tremolita.
Tremolita–serpentina granofels
Esta unidade representa rochas de tonalidades escuras que normalmente configuram corpos de pequena dimensão dispostos em meio às rochas metaultramáficas foliadas. Assemelham-se, neste ponto, às porções maciças (pods de foliação) dos serpetinitos. Também são observados nos furos de sonda F2a, F7, F9a, F11, F21 F22, F24 e F10a (Fig. 3.2C), constituindo o litotipo mais superficial (aflorante) da maior parte dos furos, a exceção do F2a e F9a (vide mapa da Fig. 3.1).
Em termos mineralógicos, contêm tremolita, serpentina e talco como minerais principais, associados à clorita e minerais opacos subordinados. Apatita é rara. No que tange aos componentes microestruturais, uma característica peculiar desta unidade se refere à ocorrência de pseudomorfos de serpentina, tremolita e talco, a partir de cristais granulares e prismáticos provavelmente relacionados à olivina e piroxênio (Fig. 3.4C, 3.4D, 3.4E e 3.4F). Além disso, observa-se também que tais pseudomorfos são invariavelmente circundados por clorita e serpentina. Com base nessas características, postula-se, portanto, que representem texturas blastocumuláticas reliquiares para as rochas desta unidade.
Segundo as características supracitadas esta unidade se assemelha com a unidade Metapiroxenito descrita por Costa (1995). Nesta descrição, porém, optou-se por enfatizar a nomenclatura fundamental da rocha (i.e com base na estrutura da rocha e abundância relativa de minerais) como sugerido por Fettes & Desmons (2007).
Serpentina perfaz 45 a 65% da moda da rocha. Ocorre tanto compondo pseudomorfos de olivina e piroxênio, quanto na matriz configurando o material intercumulus. Quando substituindo pseudomorfos de olivina e piroxênio, associa-se a tremolita e ao talco em diferentes proporções entre si. Por vezes, serpentina constitui o pseudomorfo em sua totalidade, atingindo até 5 mm de tamanho (Fig. 3.4F). Quando na matriz intercumulus, constitui lamelas incolores de granulação fina, não excedendo 0,2 mm de tamanho. Associa-se invariavelmente à Mg-clorita na matriz. Diferencia-se da mesma devido sua elongação 1(+).
Tremolita compõe 20 a 25% da rocha. É incolor e ocorre como cristais aciculares, ou então como prismas delgados. A tremolita ocorre substituindo pseudomorfos de olivina e piroxênio, associado à serpentina e ao talco, com proporções variadas entre si. Por vezes, são observados tais pseudomorfos inteiramente substituídos por cristais de tremolita, atingindo cerca de 4 mm de tamanho. Esporadicamente exibem inclusões de minerais opacos, provavelmente magnetita.
Talco ocupa 10 a 15% desse litotipo. É observado em associação a tremolita e serpentina substituindo pseudomorfos de olivina e piroxênio. Compõem predominantemente cristais finos
incolores disseminados em tais pseudomorfos, porém palhetas mais encorpadas também são encontradas. Os cristais de talco são mais comumente observáveis nos pseudomorfos granulares.
Mg-clorita perfaz em no máximo 10% do volume da rocha. Ocorre invariavelmente como finas lamelas incolores e com cores de interferência acinzentadas e sinal de elongação 1(-).
Minerais opacos ocorrem inclusos nos cristais de tremolita, talco e serpentina, que compõem os pseudomorfos de piroxênio e olivina. São de granulação fina, não excedendo 0,2 mm de tamanho e perfazem até 5% do volume da rocha.
Apatita é rara (<3%). Configura cristais incolores de tamanho diminuto e relevo relativamente alto quando comparada à serpentina. É identificada também por sua extinção paralela.
3.2.2- Rochas Metamáficas
As rochas metamáficas possuem ocorrência subordinada no contexto do Corpo Córrego dos Boiadeiros, quando comparada ao domínio metaultramáfico. Ocorrem na porção marginal do corpo, com maior predominância a sudoeste e sudeste do mesmo. São distinguidas dos termos metaultramáficos por portarem paragêneses minerais não tão ricas em magnésio, porém com maior domínio de constituintes mais ricos em ferro e cálcio.
O representante desta unidade é o clinozoisita-actinolita granofels. A terminologia utilizada para estas unidades segue as recomendações de Fettes & Desmons (2007). Para adequação da terminologia deste litotipo, optou-se por enfatizar a nomenclatura fundamental da rocha (i.e com base na estrutura da rocha e abundância relativa de minerais) em detrimento ao nome relativo ao protólito.
O anexo IV ilustra a quantificação modal dos constituintes minerais para as seções delgadas descritas desta unidade.
Clinozoisita-actinolita granofels
Esta unidade configura rochas maciças, granulares e de coloração verde claro. Boas exposições são encontradas nas regiões periféricas da cava da mineradora Pedra Congonhas e também nos testemunhos dos furos de sonda F3, F10, F20 e F25 (Fig. 3.1). No testemunho F3 ocorre como pequenas intercalações em meio ao serpentinito, enquanto nos demais, possui comprimentos decamétricos.
O clinozoisita-actinolita granofels possui textura granoblástica. Actinolita predomina na rocha, perfazendo de 35 a 55% do volume deste litotipo. Exibe pleocroísmo em matizes de verde a verde acastanhado. Comumente ocorre como cristais encorpados que variam entre 0,5 mm a 1,4 mm de tamanho. Cristais aciculares e fibrosos também são observados, estes em granulação reduzida, não excedendo 0,3 mm de tamanho. Os cristais aciculares e fibrosos ocorrem em íntima associação com lamelas de clorita (Fig. 3.5A e 3.5B).
Clinozoisita perfaz de 15 a 40% do volume deste litotipo e ocorre substituindo o plagioclásio em variadas proporções. Destaca-se por seu alto relevo e hábito prismático curtoe granular anédrico. É incolor e possui birrefringência de 1ª ordem, com características cores de interferência anômalas azul-de-Berlim. Exibe extinção oblíqua em relação ao traço da clivagem do mineral. Comumente configuram-se em agrupamentos monominerálicos (Fig. 3.5C), embora pequenos prismas também sejam observados dispersos em meio a outros minerais. Na lâmina FS3-C13-48m, observa-se o epidoto ss., este ocorre como cristais granulares xenoblásticos a subidioblásticos e exibe pleocroísmo entre tons amarelados e esverdeados. Observa-se associação ao carbonato e minerais opacos (Fig. 3.5D).
Fe-Mg Clorita ocupa de 10 a 20% do volume da rocha. Constitui cristais predominantemente lamelares de granulação fina. Algumas palhetas mais encorpadas também são observadas, estas atingindo até 0,4 mm de tamanho. Exibe pleocroísmo entre matizes pálidas esverdeadas, além de cores de interferência anômalas, características de 1ª ordem. Normalmente associa-se a fibras de tremolita e esporadicamente a prismas de clinozoisita.
Plagioclásio é observado em poucas lâminas. Quando ocorre, ocupa no máximo 10% da moda, a exceção da amostra P034, a qual possui 25% da moda ocupada por plagioclásio. Configura cristais incolores, xenoblásticos a subidioblásticos, com geminação polissintética discreta e parcialmente substituídos por pequenos cristais de clinozoisita (Fig. 3.5E, F).
Quartzo perfaz até 5% do volume da rocha. É xenoblástico e só foi encontrado em algumas seções desse litotipo.
Titanita é rara na rocha, em proporções menores do que 5% da moda. Normalmente configura envoltórios de tonalidades amarronzadas ao redor de minerais opacos. É comum observar tais envoltórios próximos aos agregados de clinozoisita.
Minerais opacos ocorrem esporadicamente, em proporções inferiores a 5% do volume da rocha. Atingem até 0,3 mm de tamanho. Maior proporção de minerais opacos foi encontrada na lâmina FS3-C13-48m (10%).
Carbonatos ocorrem apenas na lâmina FS3-C13-48m, associando-se ao epidoto e opacos. Nesta lâmina perfazem 35% do volume, porém, em termos gerais, são escassos ou ausentes nesta unidade litológica.
Figura 3.5- Fotomicrografias de rochas metamáficas do Corpo Córrego dos Boiadeiros. A: e B: Acículas de
actinolita associada à clorita e pequenos prismas de clinozoisita (MPC3-C8-3m). Luz polarizada cruzada. C: Actinolita associada a agregados granulares de clinozoisita (MPC10-C8-1,2m). Luz polarizada cruzada. D: Epidoto ss. associado a carbonato e opacos F3-C13-48m). Luz polarizada cruzada. E: Prismas delgados de actinolita associados a cristais de plagioclásio (P034). Luz polarizada cruzada. F: Idem figura anterior (P034). Luz polarizada cruzada. Act: actinolita, Chl: clorita, Csz: clinozoisita, Ep: epidoto, Cb: carbonato, Opq: opacos, Pl: plagioclásio.
3.2.3- Rochas Encaixantes
As rochas metaultramáficas e metamáficas do Corpo Córrego dos Boiadeiros (CCB) são observadas em contato com xistos pelíticos e máficos do Grupo Nova Lima a noroeste, nordeste e sudeste, enquanto a sudoeste o CCB ocorre em contato com quartzitos da Formação Moeda (Grupo Caraça).
Xistos – Grupo Nova Lima
As rochas desta unidade ocorrem circundando o Corpo Córrego dos Boiadeiros em sua quase totalidade. O contato entre tais unidades é de difícil caracterização, haja vista o avançado estágio de intemperismo nestas rochas e, em campo, são observadas principalmente em ravinas ou voçorocas.