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2 TEORI

2.5 S TATSTIKKTEORI

2.5.2 Stasjonære tidsserier

Patton (1990, p. 371) evidencia que os aspectos essenciais e principais da investigação qualitativa incluem a análise, interpretação e a apresentação dos resultados. Em relação à análise dos dados, Patton (1990, p. 371) destaca que os desafios são complexos e incluem a realização de esforços para dar sentido à grande quantidade de dados coletados, reduzir o volume de informação, identificar padrões significativos e construir um quadro de referência para comunicar a essência daquilo que os dados revelam. Para Oliveira et al (2003, p. 5), os

pesquisadores, especialmente os da área social, se baseiam em abordagens de pesquisa que levam a resultados que não possuem atributos de quantidade diretamente associados, como é o caso das entrevistas, as quais precisam ser descritas, analisadas e interpretadas.

Para atender a esses objetivos e sistematizar e interpretar os resultados das entrevistas de maneira clara e objetiva, o método de análise adotado neste estudo foi a análise de conteúdo, instrumento de análise interpretativa cada vez mais utilizado nos estudos organizacionais (DELLAGNELO; SILVA, 2005, p. 97; MOZZATO, 2010, p. 1), que busca, por meio de um conjunto de técnicas, sistematizar o conteúdo das mensagens e o significado desse conteúdo, tendo como referência o emissor da mensagem, o contexto ou os seus efeitos (OLIVEIRA et al, 2003, p. 3).

Selltiz et al (1975, p. 378) entendem a análise de conteúdo como uma técnica que tem por

objetivo descrever, de forma sistemática, o conteúdo de diversas formas de comunicação e lembram que, mesmo antes da referida técnica tornar-se aceita, muitos estudiosos utilizaram os registros de comunicação com diferentes objetivos. Como exemplo, Selltiz et al (1975, p.

378) citam que historiadores examinavam registros para reconstruir o período em que foram criados, críticos literários estudaram as criações dos escritores, para descobrir a mensagem que desejavam transmitir, suas peculiaridades de estilo, valores e outros detalhes dos trabalhos.

A definição clássica e amplamente difundida da análise conteúdo é dada por Bardin (2011, p. 48). Segundo a referida autora, a técnica pode ser compreendida como

Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) dessas mensagens.

Para Oliveira (2008, p. 569), a análise de conteúdo é um instrumento de pesquisa científica com múltiplas aplicações, sendo que seus procedimentos podem variar em função dos objetivos da pesquisa. Entretanto, Oliveira (2008, p. 570) lembra que, independentemente de quais forem as finalidades do estudo, é necessário que a análise de conteúdo seja submetida a algumas regras para que tenha valor científico e a diferenciem de análises puramente intuitivas. Assim, decidiu-se que a análise dos dados será realizada de acordo com os procedimentos estabelecidos por Bardin (2011), a qual determina que o processo seja feito em três etapas:

1. Pré-análise;

2. Exploração do material;

3. Tratamento dos resultados, inferência e interpretação.

A pré-análise tem por objetivo organizar o material coletado e sistematizar as ideias iniciais, de modo a compor um esquema preciso de desenvolvimento de todo o processo de análise. Richardson (1999, p. 231) destaca que essa etapa é flexível, permitindo a eliminação, substituição e introdução de novos elementos, os quais podem contribuir para uma melhor explicação do fenômeno em estudo. Bardin (2011, p. 126) destaca as seguintes atividades nesta etapa:

• Leitura flutuante: consiste em estabelecer o contato inicial com os documentos que serão analisados e em conhecer o texto, fazendo com que o pesquisador tenha as primeiras impressões sobre o material.

• Escolha dos documentos: corresponde ao universo de documentos que serão analisados. Bardin (2011, p. 126) comenta que existem basicamente duas formas para estabelecer esse universo. A primeira forma é quando os documentos são escolhidos a priori para

ser analisados, ou seja, o pesquisador já tem definido quais documentos farão parte da análise. Na segunda forma, o pesquisador formula os objetivos da pesquisa e escolhe e recolhe os documentos capazes de fornecer as informações necessárias.

• Formulação de hipóteses e objetivos: Para Bardin (2011, p. 128), uma hipótese é uma afirmação provisória que passará por uma verificação. Tem origem na intuição do pesquisador e permanece em suspenso até ser submetida à prova de dados seguros. Bardin (2011, p. 128) alerta que as hipóteses nem sempre são determinadas na pré- análise e que não é obrigatório ter como guia um conjunto de hipóteses para que se proceda a análise das informações, ou seja, algumas análises podem ocorrer sem ideias preconcebidas. Já um objetivo, na definição de Bardin (2011, p. 128), é a finalidade geral que o pesquisador se propõe alcançar.

• Referenciação dos índices e a elaboração de indicadores: diz respeito à escolha dos índices ou temas que serão explicitados pela análise (encontrados nos documentos) e a organização deles em indicadores.

• Preparação do material: é a fase onde o material reunido é organizado antes de iniciar a análise propriamente dita. No caso de entrevistas, método de coleta adotado neste estudo, elas foram transcritas e as gravações conservadas.

A exploração do material, segunda etapa do processo, é fase mais longa e que envolve a aplicação das decisões tomadas na fase de pré-análise. Bardin (2011, p. 133) organiza essa etapa nas atividades de recorte (escolha das unidades), enumeração (envolve as regras de contagem) e a classificação e agregação (escolha das categorias). No tocante às unidades, dois tipos são considerados. O primeiro tipo corresponde às unidades de registro, as quais, segundo Oliveira et al (2003, p. 6), são definidas passo a passo e guiam o pesquisador na busca de

informações que estão contidas no texto. Para Bardin (2011, p. 134), a unidade de registro “É a unidade de significação codificada e corresponde ao segmento de conteúdo considerado unidade base, visando a categorização e a contagem frequencial.” Basicamente são duas as unidades de registro mais utilizadas: a palavra e o tema. Para esta pesquisa, a unidade de registro escolhida foi o tema, base na qual a maioria das entrevistas é analisada (BARDIN, 2011, p. 135; OLIVEIRA et al, 2003, p. 9) e que tem forte presença nos estudos das

organizações (DELLAGNELO; SILVA, 2005, p. 108). O segundo tipo é a unidade de contexto, que é de dimensão superior às unidades de registro e que serve como elemento de compreensão (referência) das unidades de registro. É a partir das unidades de contexto que o pesquisador pode extrair as unidades de registro. Dellagnelo e Silva (2005, p. 107) resumem que a definição das unidades acima descritas é um processo de desagregação de uma mensagem nos elementos que a constituem.

No que se refere à regra de enumeração, Bardin (2011, p. 138) comenta sobre a existência de sete possibilidades: i) quantificação da presença ou ausência de determinados elementos; ii) a frequência que cada elemento aparece no texto; iii) a frequência ponderada, ou seja, o pesquisador estabelece pesos aos diferentes elementos; iv) a intensidade de cada elemento, aspecto mais relacionado a pesquisas com análise de valores, ideologias, tendências e atitudes; v) a direção da afirmação, que pode ser favorável, desfavorável ou neutra; a vi) a ordem de aparição das unidades de registro; vii) a coocorrência, que é a presença simultânea de duas ou mais unidades de registro em uma unidade de contexto.

Para a presente pesquisa, a regra de enumeração utilizada é a baseada na frequência com que os elementos/temas surgiram no texto, uma vez que esse, segundo Richardson (1999, p. 238),

é o tratamento mais utilizado e por possibilitar ao pesquisador identificar os elementos de mais importância a partir da quantidade de menções feitas.

Por fim, a atividade de classificação e agregação, a qual corresponde à categorização, é um processo não obrigatório, porém, bastante utilizado nos procedimentos de análise. Para Bardin (2011, p. 147), a categorização “[...] é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto por diferenciação e, em seguida, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com os critérios previamente definidos.” Oliveira et al (2003, p. 5)

explicam que a categorização tem a função de gerar classes que reúnem um grupo de elementos da unidade de registro e essas classes são nomeadas a partir da correspondência entre a significação, a lógica do senso comum e também da orientação teórica daquele que está pesquisando.

Bardin (2011, p. 147) coloca que o critério de categorização pode ser semântico (categorias temáticas que apresentam determinados significados), sintático (verbos, adjetivos, advérbios), léxico (classificação das palavras de acordo com seu sentido) e expressivo (categorias que classificam diferentes expressões de linguagem). A autora, também, faz uma importante observação sobre o processo de categorização, indicando que as categorias podem ser elaboradas com base nos postulados teóricos que orientam a pesquisa, ou seja, o sistema de categorias é fornecido posteriormente e os elementos do texto vão sendo repartidos à medida que vão sendo encontrados, ou as categorias são elaboradas após a análise do material; portanto, não são fornecidas, mas resultantes da classificação progressiva dos elementos (BARDIN, 2011, p. 149).

Ainda segundo Bardin (2011, p. 149), as categorias de análise devem apresentar as seguintes características:

• Exclusão mútua: cada elemento do texto não pode ser colocado em mais de uma divisão.

• Homogeneidade: em um mesmo conjunto de categorias só pode existir um registro e uma dimensão de análise.

• Pertinência: diz-se que uma categoria é considerada pertinente quando ela é adaptada ao material de análise escolhido e também quando ela pertence ao quadro teórico definido.

• Objetividade e fidelidade: as diferentes seções de um mesmo material devem ser codificadas da mesma forma, inclusive quando elas são submetidas a várias análises. Essa característica é importante para evitar as distorções devidas à subjetividade, por isso, o pesquisador deve definir de forma clara as variáveis e os indicadores que determinam a classificação de um elemento em uma categoria.

• Produtividade: um conjunto de categorias é considerado produtivo se fornecer resultados férteis em termos de índices de inferências, em novas hipóteses e em dados exatos.

A terceira e última etapa do processo de análise de conteúdo refere-se ao tratamento dos resultados obtidos e a interpretação das entrevistas. Nesta etapa, Bardin (2011, p. 131) lembra que operações estatísticas simples ou complexas podem ser utilizadas para estabelecer quadros de resultados, figuras e modelos que sintetizam e destacam as informações fornecidas pela análise. Sobre esse aspecto, Selltiz et al (1975, p. 379) atestam que algum processo

quantitativo é usado na análise de conteúdo com o objetivo de obter uma medida da importância e ênfase das várias ideias encontradas no material analisado. Dellagnelo e Silva (2005, p. 113) revelam que a interpretação é um momento importante no processo de análise e busca estabelecer as relações entre os fatos, verificar contradições e compreender os fenômenos que o pesquisador se propôs a estudar. Os mesmos autores destacam ainda que a etapa de interpretação é feita com base nos materiais empíricos e nos referenciais teóricos da pesquisa e conta fortemente com a percepção, intuição e experiência do pesquisador diante do fenômeno que está sendo analisado.