4. Analysis of the Obtained Data
4.3. Start up and Relaxation of Steady Shear Flow
4.3.1. Startup of Steady Shear Flow
Inserido na “Escola Norte-Americana” de gêneros, que desenvolve uma teoria de gêneros na linha da Nova Retórica, Bazerman (2005) elabora uma abordagem de gêneros que se inscreve em uma perspectiva sócio-retórica e cultural, ancorado também em uma visão pragmática, filosófica, sociológica e antropológica.
No bojo de suas reflexões, assume uma preocupação acentuada com as questões relacionadas à escrita. Interessa a Bazerman o estudo do funcionamento e das conseqüências da escrita em sociedade, incluindo, assim, também, no centro de suas preocupações, questões de letramento.
Seguindo autores e posições teóricas pouco conhecidas entre nós, como lembra Marcuschi (2005), na apresentação da tradução para o português do livro
Gêneros textuais, tipificação e interação -, e apoiando-se em fundamentos da teoria
dos atos de fala, Bazeman (2005) centra sua definição de gêneros em conceitos como ação e atividade. Fundamentado nesses conceitos e compreendendo os gêneros como fenômenos de reconhecimento psicosocial associados aos processos de atividades socialmente organizadas, Bazerman assim define gêneros:
gêneros são tão somente os tipos que as pessoas reconhecem como sendo usados por elas próprias e pelos outros. Gêneros são o que nós acreditamos que eles sejam. Isto é, são fatos sociais sobre os tipos de atos de fala que as pessoas podem realizar e sobre os modos como elas as realizam. Gêneros emergem nos processos sociais em que pessoas tentam compreender umas às outras suficientemente bem para coordenar atividades e compartilhar significados com vistas a seus propósitos práticos (2005, p. 31).
Dessa forma, Bazerman (2005) nos faz ver os gêneros a partir do prisma da ação e da ligação com as finalidades práticas das atividades sociais. Entende ele que os gêneros são parte do modo como os seres humanos dão forma às suas atividades sociais e, ainda, condição de existência de fatos sociais. Por assim compreender, Bazerman (2005, p. 39-40) não considera os traços textuais como aspectos determinantes de sua definição de gêneros, sob pena de se ignorar o papel dos indivíduos no uso e na construção de sentidos. Segundo ele, uma definição de gêneros a partir de características textuais de fácil reconhecimento – entre as quais
conteúdo e estilo – apresenta limitações e problemas, tendo em vista quatro razões básicas:
• primeiro, limita-nos a compreender aqueles aspectos do gênero de que já temos conhecimento.
• segundo, ignora como as pessoas podem receber cada texto de formas diferentes, por causa dos seus diferentes conhecimentos sobre gêneros, dos diferentes sistemas de que os gêneros fazem parte, das diferentes posições ou atividades que elas têm em relação a determinados gêneros, ou das suas diferentes atividades no momento.
• em terceiro lugar, tal coleção de elementos característicos pode dar a impressão de que tais elementos do texto são fins em si mesmos, que todo uso de um texto é medido segundo um padrão abstrato de correção em relação à forma, em vez de se levar em conta o trabalho para o qual foi desenvolvido.
• em quarto lugar, conseqüentemente, a visão de gênero que simplesmente o concebe como uma coleção de elementos característicos encobre como esses elementos são flexíveis em qualquer instância, ou até como a compreensão geral do gênero pode mudar com o passar do tempo, à medida que as pessoas passam a orientar-se por padrões em evolução.
Se atentarmos bem, veremos que uma definição mais precisa de gêneros, no enfoque de Bazerman (2005), se guia por elementos que vão além do aspecto formal. É uma definição de gêneros que procura realçar a natureza sócio-interativa, histórica e dinâmica da língua e, sobremaneira, a ação dos indivíduos nas instâncias sociais. Portanto, mais que uma forma textual típica e padronizada, os gêneros podem ser vistos como fenômenos temporais, dinâmicos e interativos, que emergem em instâncias sociais específicas, para dar forma às ações dos indivíduos.
Em suas reflexões, além de se basear nos conceitos da teoria dos atos de fala, Bazerman (2005, p.32-34) desenvolve conceitos como conjunto de gêneros, sistema de gêneros e sistema de atividades, conceitos esses que se sobrepõem e que, segundo ele, servem para caracterizar como os gêneros se configuram e se enquadram em organizações, papéis e atividades mais amplas.
• conjunto de gêneros designa “a coleção de tipos de textos que uma pessoa num determinado papel tende a produzir” (p. 32). É o caso, por exemplo, da coleção de textos que um aluno produz para uma disciplina ao longo de um semestre letivo.
De acordo com o autor, se catalogarmos todos os gêneros que uma pessoa, que ocupa uma determinada posição social, é levada a escrever e falar, estaremos identificando uma boa parte do seu trabalho. No caso do aluno, ressalta ele, poderíamos identificar as competências, desafios e oportunidades de aprendizagem naquela disciplina.
• um sistema de gêneros compreende “os diversos conjuntos de gêneros utilizados por pessoas que trabalham juntas de forma organizada, e também as relações padronizadas que se estabelecem na produção, circulação e uso desses documentos” (p. 32). Como exemplo, podemos ter os conjuntos de gêneros produzidos por um professor e pelos alunos no decorrer de uma determinada disciplina, sendo cada um deles levado a produzir gêneros específicos. O professor, por exemplo, produz gêneros como programa de disciplinas, exercícios escritos, planos de aulas, questões de exames etc., enquanto os alunos produzem gêneros como anotações sobre as leituras, rascunhos de trabalhos, respostas dos exames, carta requerimento de revisão de notas, entre outras. Embora sejam conjuntos distintos, eles, de acordo com Bazerman (2005), estão intimamente ligados e circulam em seqüências e padrões temporais previsíveis, o que implica dizer que a produção de um gênero desencadeia a produção de outros mais.
• sistema de atividades – refere-se ao conjunto de ações sociais que se desencadeiam numa determinada instância social. Diz Bazerman (2005) que um sistema de gêneros é também parte integrante de um sistema de atividades. Ele ressalta ainda que “levar em consideração o sistema de atividades junto com o sistema de gêneros é focalizar o que as pessoas fazem e como os textos ajudam as pessoas a fazê-lo, em vez de focalizar os textos como fins em si mesmo” (2005, p. 34).
Com base nesse aparelho conceitual, Bazerman traça uma metodologia para um estudo dos gêneros escritos, seu foco de interesse. Sugere antes uma série de abordagens diferentes, para identificar e analisar gêneros que vão além da catalogação de seus elementos característicos e já conhecidos. A partir disso, estabelece as diretrizes metodológicas para aqueles que se interessarem para definir e realizar uma investigação sobre gêneros. Essas diretrizes consistem, basicamente, na observância pelo investigador a três pontos básicos, quais sejam:
1. enquadrar seus propósitos e questões para delimitar o seu foco; 2. definir o seu corpus;
3. selecionar e explicar suas ferramentas analíticas
Como se observa, essas diretrizes, nos termos em que são propostas por Bazerman (2005), representam algo novo nos estudos sobre gêneros; é prova, portanto, de que sua abordagem define uma renovação metodológica no tratamento dos gêneros, conforme ressalta Marcuschi (2005).
De um modo geral, a abordagem de gêneros de Bazerman (2005) mostra um enfoque bastante renovado da teoria de gêneros, fruto certamente das influências que a escola norte-americana de gêneros tem de posições teóricas das mais diversas áreas do conhecimento. Tal enfoque representa assim uma contribuição fundamental para os estudos sobre gêneros e, particularmente, para o ensino da escrita compreendida em um contexto sócio-histórico-cultural.