UTGREIING AV ALTERNATIV KNYTT TIL BYGDENE NORDDAL OG EIDSDAL INN I
2.1 STARTEN PÅ ARBEIDET OG FORHOLDET TIL NORDDAL KOMMUNE
Segundo Bucholtz (apud Braga, 2007: 64), transcrever é um acto de interpretação e de representação semelhante ao acto de traduzir, ao qual está sempre implícita uma dimensão subjectiva. Desta forma, podemos considerar que é também um acto de poder e um processo selectivo que reflecte os objectivos do estudo, na medida em que, dada a referida complexidade do corpus em análise, é necessário tomar decisões e fazer escolhas no que concerne à metodologia a adoptar e aos dados a analisar. É necessário seleccionar as categorias de nível segmental, que incluem as unidades fonéticas, fonológicas, morfológicas, sintácticas e lexicais e, posteriormente marcar os fenómenos suprassegmentais, ou seja, os do domínio prosódico (entoação, intensidade e duração) e os fenómenos paralinguísticos relacionados com os aspectos vocais (por exemplo, riso, tosse, hesitação).
Uma vez que há inúmeros fenómenos que podem ser descritos de acordo com diferentes níveis e objectivos de análise, não há um único sistema de transcrição que compreenda todas as características observáveis numa interacção verbal. Como Kendon observa:
It is a mistake to think that there can be a truly neutral transcription system, which, if only we had it, we could th en use to produce transcriptions suitable for any kind of investigation… Transcriptions, thus, embody hypotheses (Kendon
apud Hutchby& Wooffitt, 2003: 76).
Segundo Martins (apud Braga, 2007: 64), qualquer transcrição actua como um filtro em relação aos dados de partida, que embora tente ser o mais fiel e próximo possível ao original, é sempre condicionado pelas diferentes possibilidades de transcrição disponíveis e pelos objectivos do estudo. Na análise conversacional, as linhas de
IV – DESCRIÇÃO DO CORPUS DE ANÁLISE
investigação que são visíveis na transcrição são geralmente duas, nomeadamente a dinâmica do sistema de alternância de vez e as características da enunciação (Hutchby e Wooffitt, 2003: 76).
A transcrição é, segundo Hutchby e Wooffitt (idem: 74), a representação dos dados a analisar, enquanto que a gravação é considerada como a reprodução de um determinado evento. Portanto, ambas devem ser utilizadas em conjunto na medida em que são fundamentais para a análise conversacional. Em relação às gravações das interacções conversacionais que, numa fase inicial da AC, eram gravadas em cassetes, Sacks observa o seguinte:
Such materials had a single virtue, that I could replay them. I could transcribe them somewhat and study them extendedly – however long it might take. The tape-recorded materials constituted a „good enough‟ record of what happened. Other things, to be sure, happened, but at least what was on the tape happened” (Sacks apud Hutchby e Wooffitt, 2003: 74).
Tanto a audição e a visualização das gravaçõescomo as transcrições são uma parte
fundamental da análise conversacional. Ouvir e ver repetidamente as gravações originais permite uma maior percepção dos detalhes da interacção e posterior enfoque nos fenómenos mais relevantes para a análise. Por esta razão, deve ser sempre da responsabilidade do investigador a transcrição dos dados.
Para a análise das entrevistas que constituem o corpus deste trabalho seguimos o modelo de transcrição de corpora orais desenvolvido por Gail Jefferson e utilizado pelos
seguintes autores:Hutchby e Wooffitt (2003); Akinson e Heritage (1996); Psathas (1995) e
Sacks, Schegloff e Jefferson (1974).66 Este sistema de transcrição parece-nos o mais
adequado aos objectivos deste estudo, porque é de fácil leitura, assegura a transcrição da componente lexical e morfo-sintáctica que constitui o corpus em análise, permite assinalar os mecanismos inerentes à gestão da organização da interacção conversacional (sobreposições, interrupções, pausas, início e fim de vez) e faculta a possibilidade de assinalar os fenómenos extra-linguísticos (por exemplo, aplausos e riso).
Assim, utilizamos os seguintes de símbolos de transcrição:
66
IV – DESCRIÇÃO DO CORPUS DE ANÁLISE
Sinal Valor atribuído Exemplos
1.Enunciados simultâneos
[[ Indica enunciados simultâneos (i.e.
enunciados que começam ao mesmo tempo)
Tom: [[ I used to smoke a lot when I was young Bob: [[ I used to smoke Camels
2. Sobreposições
[ Indica o início de uma sobreposição de
enunciados
Tom: I used to smoke [a lot
Bob: [ he thinks he‟s a real tough
] Indica o fim de uma sobreposição de
enunciados
Tom: I used to smoke [a lot] more than this Bob: [I see]
3. Enunciados adjacentes (contíguos)
= Indica enunciados adjacentes (i.e. não
há um intervalo entre dois enunciados adjacentes)
Tom: I used to smoke a lot= Bob: =He thinks he‟s real tough
4. Intervalos
4.1. Intervalos dentro de um enunciado
(.) Indica uma pausa muito curta (de
aproximadamente dois décimos de segundo) dentro de um enunciado
John: barges are struck (.) stuck that is
((pause)) Indica uma pausa curta dentro de um enunciado
Diane =Flat line (.) nothing ((pause)) nothing
4.2. Intervalo entre enunciados
((gap)) Indica uma pausa entre dois enunciados Rex: Are you ready to order ((gap))
Pam: yes thank you (.) we are
5. Características da enunciação67
: Indica um som prolongado Ron: What ha:ppened to you
:::: Indica um som mais prolongado Mae: I ju::ss can‟t come
Tim: I‟m so::: sorry re:::ally I am
- Indica um ponto de corte de uma
palavra ou som (i.e. uma paragem perceptível e abrupta)
Carl: Th‟ Usac- uh sprint car dr- dirt track
. Indica uma entoação descendente e de
pequena duração
Fred: So with every (.) economic failure. (.)
? Indica uma entoação de interrogativa Paul: Will you ever take her out again?
! Indica uma entoação de admiração Carl: and that! so what he says
6. Ênfase
sublinhado Indica ênfase Ann: It happens to be mine
7. Volume LETRA
MAIÚSCULA
Indica que um enunciado, ou parte dele, é proferido num tom elevado
Announcer: and the winner is: (.) RACHEL ROBERTS for YANKS
º º Indica que um enunciado, ou parte dele,
é proferido num tom baixo
Jack: and how are you feeling? º these daysº
8. Ritmo
> < Indica que o enunciado, ou parte dele, foi proferido num ritmo rápido
Steel: the Guardian newspaper looked through > the manifestoes <last week
< > Indica que o enunciado, ou parte dele, foi proferido num ritmo lento
Patton: My <third> wedding anniversary [is this wednesday
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Os sinais de pontuação são utilizados para descrever as características da produção da enunciação e não devem ser interpreta dos como sendo referentes a unidades gramaticais.
IV – DESCRIÇÃO DO CORPUS DE ANÁLISE
9. Descrição de fenómenos verbais
(( )) Indica descrição dos seguintes fenómenos verbais
Vocalizações Tom: I used to ((cough)) smoke a lot
Bob: ((sniffle)) he thinks he‟s tough Ann: ((snorts))
Pormenores da interacção conversacional
Jan: this is just delicious ((telephone rings)) Kim: I‟ll get it
Características da fala Ron: ((in falsetto) I can do it now Max: ((whispered)) He‟ll never do it
Aplausos ((audience applauds))
10. Dúvidas do transcritor
( ) Indica que a audição daquele item não foi perceptível
Todd: My ( ) catching
(dúvida) Itens colocados entre parênteses indicam dúvida do transcritor
Ted: I (spose I‟m not)
11. Outros símbolos
Indica que uma parte específica da transcrição é analisada no texto
Don: I like that blue one very much Sam: And I‟ll bet your wife would like it Don: If I had the money I‟d get one for her Sam: And one for your mother I‟ll bet
… Elipse horizontal indica que uma parte
do enunciado foi omitida
Don: But I said … you know
- - -
Elipse vertical indica que um ou mais enunciados foram omitidos
Bob: Well I always say give it your all -
- -
Bob: And I always say give it everything
‘ ’ Indica reprodução de enunciados Dennis: So it was like „HELLO MA‟AM‟
À listagem proposta por Jefferson, acrescentámos apenas o símbolo presente na
secção 8. referente ao ritmo lento da enunciação.68