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Petkovic, et al. (2004) discorrem sobre a importância de investigações acerca da utilização de materiais recicláveis. Mencionam que, na Noruega, os agregados naturais são abundantes e podem ser obtidos a baixo custo. Dessa forma, não existe a cultura da reciclagem e, para superar alguns dos obstáculos que se colocam contra o uso de RSCC reciclado, o Norwegian Public Roads Administration iniciou, em 2002, um programa de desenvolvimento e pesquisa referente a materiais reciclados. Os autores salientam a importância da realização de estudos para verificação de possíveis impactos ambientais

causados pelo uso de RSCC, reciclado na construção de estradas, a fim de incentivar e embasar o uso desse material.

Dias (2004), em sua tese de doutorado, ressalta a importância da caracterização e da avaliação do comportamento dos resíduos de construção civil, para que a sua utilização possa ser feita de forma segura e se transforme em prática comum, passando a ser largamente empregada.

No Brasil, pode-se se constatar a existência de trabalhos que tratam da utilização de RCC em concreto, blocos de tijolo, camadas drenantes para aterros sanitários, rip-raps, contenção de encostas, reconstituição de áreas com incidência de voçorocas e também aqueles relacionados ao emprego do RCC em pavimentação.

Motta, (2005) estudou em laboratório as características físicas e o comportamento mecânico do agregado reciclado RCC produzido na cidade de São Paulo com a finalidade de uso em camadas de subbase, base e reforço de subleito em vias urbanas de baixo volume de tráfego. Suas conclusões são de que o agregado RCC apresenta propriedades físicas e mecânicas satisfatórias comparáveis inclusive aos materiais tradicionais e de uso em pavimentação.

Bodi et al (1995), citado por Motta, (2005), avaliaram três tipos de agregados reciclados em São Paulo: branco, vermelho e misto. A pesquisa analisou a mistura de agregado reciclado com solo siltoso (saprolítico) e argiloso (de comportamento laterítico). Foram realizados ensaios de compactação e ISC - Índice de Suporte Califórnia. Os resultados foram considerados positivos.

Silva et.al. (2008) verificaram o potencial de aplicação dos resíduos da construção e demolição (RCD), em diferentes energias de compactação, para fins de pavimentação na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), Estado do Ceará, Brasil. Utilizaram materiais como: RCD graúdo, RCD miúdo e um solo na cidade de Fortaleza que foram misturados nos teores de 50%, 40% e 10%, respectivamente. As misturas produzidas foram enquadradas na faixa C do DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes). A experiência constou da execução de ensaios de caracterização dos materiais, compactação, Índice de Suporte Califórnia (ISC) e módulo de resiliência (MR). A partir do emprego de três tipos de energia (intermediária, intermodificada e modificada) foi estudada, também, a influência da variação da energia de compactação no desempenho

das propriedades mecânicas da mistura. Os resultados comprovaram, à luz de uma análise mais empírica, a eficiência da estabilização do solo com o uso de resíduos da construção civil qualificou a mistura para uso até em pavimentos de alto volume de tráfego.

Motta (2005) menciona que Kryckyj e o professor Trichês da Universidade Federal de Santa Catarina (1999) também pesquisaram agregados reciclados na Cidade de Florianópolis (SC), misturados com solo areno-siltoso e solo argiloso. Alem da análise granulométrica, foram realizados compactação e ISC. Segundo os pesquisadores, acrescenta Motta, os resultados demonstram que o material se apresenta como uma excelente alternativa para uso em camadas de reforço do subleito e subbase, além de possuir potencial para ser empregado na redução da plasticidade do solo de fundação. Também é importante salientar as pesquisas já desenvolvidas com o RCC na área de pavimentos, por professores e pesquisadores como: Prof. Jorge Barbosa Soares da Universidade Federal do Ceará, Profa. Jisela Santanna-Greco da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais, Profª Liedi Bernucci da Politécnica da USP, Profª Laura Motta da Coppe - Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Profª Consuelo Frota da Universidade Federal do Amazonas.

Classificação

De acordo com a resolução CONAMA 307, de 5 de julho de 2002 (CONAMA, 2002), que passou a vigorar em janeiro de 2003, resíduos da construção civil são definidos como os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos. Esses resíduos podem ser tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica, etc.

Ainda segundo a citada resolução, os resíduos da construção civil são classificados da seguinte forma:

I - Classe A - são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados. Esses resíduos podem ser provenientes:

a) De construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infra-estrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem;

b) De construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimentos, etc.), argamassa e concreto; c) De processo de fabricação e/ou de demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meios-fios, etc.) produzido nos canteiros de obras.

II - Classe B - são os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como plásticos, papel/papelão, metais, vidros, madeiras e outros;

III - Classe C - são os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem/recuperação, tais como os produtos oriundos do gesso;

IV - Classe D - são os resíduos perigosos, oriundos do processo de construção, tais como: tintas, solventes, óleos e outros ou aqueles contaminados, provenientes de demolições, reformas ou reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros.

Normas aplicadas ao Resíduo de Construção Civil.

Em 2004, foram publicadas as primeiras normas nacionais relacionadas aos resíduos da Classe A, à luz da Resolução 307 do CONAMA. Esses cinco documentos, editados pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas tratam desde a disposição adequada dos resíduos até a utilização dos agregados reciclados, RCC, em obras de pavimentação e preparo de concreto sem função estrutural. Essas normas são:

NBR 15.112 – Resíduos de construção civil e resíduos volumosos: áreas de transbordo e triagem – diretrizes para projeto, implantação e operação.

NBR 15.113 – Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes: Aterros – diretrizes para projeto, implantação e operação.

NBR 15.114 – Resíduos sólidos da construção civil: áreas de reciclagem – diretrizes para projeto, implantação e operação.

NBR 15.115 – Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil: Execução de camadas de pavimentação – procedimentos.

NBR 15.116 – Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil: Utilização em pavimentação e preparo de concreto sem função estrutural – requisitos.