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Standardene nasjonal behandling og bestevilkårsbehandling

Além das novas tecnologias, ferramentas digitais, multiletramentos e multimodalidade (ROJO, 2012; FERRAZ, 2014), o ensino de línguas tem sido associado, também, às artes plásticas. Biembengut Santade (1996) avalia como a gramaticalidade visual e seus elementos podem auxiliar no processo de aprendizagem de línguas à medida que estabelecem uma conexão holística entre o aluno, seus saberes, suas experiências e os conhecimentos que se deseja acessar:

Ao vermos o mundo, mantemos uma relação de contemporaneidade com ele, recriamos conceitos e partilhamos nossas vidas. Observamos o mundo que criamos, recriamos e reciclamos com cidades, aviões, casas, toda a parafernália de nosso tempo. Ao utilizarmos desenhos e artes nas salas, abstraímos o que tem de concreto ao redor de cada educando, inclusive aprender a conhecer a anatomia de seu corpo, principalmente a raciocinar através de reconhecimentos visuais simples a subjacência da Língua nas suas estruturas básicas (p. 21).

Percebe-se nas palavras da autora uma sensibilidade a respeito das artes e um desejo de incorporá-las às aulas a fim de enriquecê-las e fomentar nos alunos a criatividade e o autoconhecimento. Analisar a categoria EXPRESSÕES ARTÍSTICAS / ARTES exige do pesquisador uma visita a esse conceito, que por sua vez, segundo Aires Almeida (1956), não é hermético e portanto não pode ser conceituado de maneira acabada. Para esse autor, o conceito de arte não deve ser, em hitótese alguma, restringido a uma única interpretação definitiva, devido a sua necessidade constante de ampliação e inclusão de novos segmentos e áreas. Portanto, a construção do entendimento do que é arte não ocorre de maneira previsível ou controlada. Branquinho & Santos (2014) avaliam como “expansivo, criativo e empreendedor” o conceito da arte, bem como aberto, flexível e cambiante, sendo assim, “fixar de uma vez por todas as condições de aplicação do conceito de arte é fechar um conceito cujas condições de aplicação são reajustáveis e corrigíveis; é fechar um conceito que é aberto e cujo uso correcto exige abertura” (BRANQUINHO & SANTOS, 2014, p. 6).

A imagem 10, abaixo, encontra-se na unidade 4 do volume 2 da coleção. Imagem 10: Fonte: High Up 2, página: 65

Os objetivos da unidade visam a ensinar o aluno sobre a história e cultura hip hop. Dentre as 23 imagens encontradas na unidade uma foi categorizada em Expressões Artísticas e três em Celebridades.

Organizada numa sequência coerente, ilustrativa e com orientações didáticas que proporcionam algumas informações ao professor para a discussão do tema de maneira superficial,

Hip Hop Culture and Music traz sugestões de debates e momentos nos quais os alunos podem

expressar suas opiniões e compartilhar seus conhecimentos prévios sobre o assunto, bem como apresentar para os colegas seus grupos de hip hop favoritos e as canções das quais mais gostam. Contudo, não são encontradas informações que proporcionem a contextualização do assunto, por exemplo as origens do movimento artístico e sua chegada ao Brasil.

Personalidades famosas locais e globais - Jay-Z, Negra Li, Lurdes da Luz, Shahin Najafi - são postas lado a lado, mas não há discussão ou problematização, apesar de esses artistas fazerem parte de movimentos e ideologias distintas nesse meio. Essas personalidades são inseridas na lição com o intuito de desenvolver atividades de natureza gramatical ou lexical. No entanto, por serem pertencentes a estilos musicais diferentes e serem adeptos de ideologias completamente opostas, talvez fosse pertinente na lição um debate ou informações extras que permitissem ao professor refletir e discutir com os alunos questões ligadas a esses artistas, já que Jay-Z e Shahin Najafi, por exemplo, apoiam um abordagem comercial ou mercadológica da cultura americana do

hip hop (bling-bling), enquanto Negra Li e Lourdes da Luz enfatizam a resistência, superação

social, expressão artística, ou seja, a ideologia primária que fez o hip hop ganhar espaço na cultura brasileira. Segundo Tavares (2008, p. 16),

A cultura é um movimento que une pessoas, que vivenciam os mesmos significados e sistemas, onde se identificam e interagem entre si. O Hip Hop é caracterizado por essa união. Um movimento criado por grupos de jovens da periferia, que enfrentavam problemas de preconceito racial e social; envolviam-se com drogas, gangs e viviam em locais sem infraestrutura, numa batalha diária em busca de mudar suas vidas. Também é uma união de várias culturas e realidades, por que o rap é a música cantada em cima da batida do DJ que traz geralmente ‘samplers’ de outros estilos, tais como: rock, soul e ritmos latinos.

Ao ignorar essas discussões pode-se perder oportunidades de se ensinar o significativo lugar que a cultura hip hop tem conquistado neste país. Para um professor que não conhece esses artistas e a natureza do trabalho que realizam, a atividade pode tornar-se apenas mais um exercício de gramática ou vocabulário. Algumas informações extras e recursos que, talvez, enriqueçam o capital cultural de professores e alunos e, consequentemente, as aulas de línguas poderiam ter sido incluídas na lição, contribuindo para explorar a história do hip hop no Brasil, a

sua repercussão inter/nacional e os 4 elementos basilares que o compõe: o primeiro é o DJ que é responsável por produzir os sons, batidas e break beats; o segundo o MC que produz as rimas e raps; o terceiro é o Break que é uma macro elemento no qual se inserem todas as chamadas danças urbanas, como o break dance, o hip hop dance e o street dance performance feita por B.

Boys e B. Girls (break boys e break girls); o quarto elemento é conhecido como Grafitti, tema da

imagem presente na p. 65 do livro.

O grafitti brasileiro tem sido reconhecido internacionalmente como uma expressão artística específica e marcante. Os irmãos brasileiros Gustavo e Otávio Pandolfo, mais conhecidos como OSGEMEOS17, sempre trabalharam juntos desde criança, pelas ruas do tradicional bairro do Cambuci (SP), onde seu modo peculiar de brincar e se comunicar os levaram a desenvolver e a aprender sobre a arte. Apoiados por sua família, e deslumbrados pela cultura Hip Hop que desembarcava no Brasil nos anos 80, OSGEMEOS se identificaram com esse universo de cores e ritmos e passaram a se dedicar, profundamente, a explorar as variadas técnicas de pinturas, desenhos e esculturas que, na forma de grafittis, encontraram nos muros das ruas espaço para criação, exibição e apreciação. Hoje, seus grafites (em portugûes) são conhecidos ao redor do mundo e estão expostos em museus e galerias de arte de grandes metrópoles como Nova Iorque, Vancouver, Berlin e Londres. Há, também, outros grafites e grafiteiros brasileiros que são mundialmente conhecidos, principalmente os que moram ou atuam na Vila Madalena – bairro nobre da região oeste de São Paulo – que têm atraído a atenção de inúmeros jornais e revistas internacionais18, entre os quais destacam-se The Wall Street Journal,

BBC e Time out que, frequentemente, publicam diversas matérias explorando, elogiando e

recomendando esse potencial artístico brasileiro.

Para ampliar a análise da imagem que apresenta o grafite, poderiam ser feitas algumas perguntas, por exemplo: sobre o tipo de imagem apresentada (1.1); qual o seu tema (1.2); o que é retratado (1.3); onde este tipo de imagem pode se encontrada (1.4); quais detalhes foram utilizados (1.13); qual cultura pode ser associada à imagem (2.1); quais mensagens essa imagem transmite (2.2); quais atores sociais podem ser associados à imagem (2.3); hipóteses sobre a intenção do autor dessa imagem (2.4); possíveis ideologias ou crenças por trás da imagem (3.5);

17Disponível online em: <http://www.osgemeos.com.br/pt/biografia>

18Disponível online em: <http://www.fatcap.com/country/brazil.html>; <http://www.timeout.com.br/sao-paulo/en/aroundtown/features/388/vila-

madalena-street-art-walk>;< http://www.wsj.com/articles/brazils-most-famous-street-artists-open-exhibit-1405026063>; <http://news.bbc.co.uk/2/hi/7209590.stm>.

além de perguntas relacionadas ao tema da imagem, por exemplo: a partir do que foi estudado na lição, qual o papel do Hip Hop? Hoje no brasil, há outras manifestações artísticas que também são formas de protesto? Você tem experiência ou gosta de alguma delas? Por que (não) ? Você acha que há preconceito contra alguma delas? Por que (não)? Isso pode mudar?

Além dessas perguntas, a inserção da biografia de artistas brasileiros de sucesso no universo Hip Hop poderia possibilitar tanto a identificação dos alunos com essa cultura como a oportunidade de discussão das nuances de seus elementos. No entanto, as limitações das orientações pedagógicas e atividades podem não despertar no professor a necessidade de um debate crítico sobre essas questões, uma vez que o manual do professor não traz elementos que informem a amplitude e profundidade desse tema. Ao longo da lição, os alunos são incentivados a criar um rap, com letras que rimem e que expressem seus próprios sentimentos e a mensagem que gostariam de transmitir (HIGH UP 2, p. 77). Se o aluno não gosta ou não se identifica com o

Hip Hop, mas aprende que este foi criado como forma de protesto e resistência, por que não

inserir outras formas de expressão artística de resistência comuns no Brasil, como o funk ou tecnobrega, comum no norte do país? Além dessas informações problematizadas acerca do tema, há, também, algumas perguntas baseadas e adaptadas do quadro do LVC que poderiam ser feitas sobre esse assunto a fim de fomentar essa reflexão cultural e auxiliar o professor a mediar um debate diversificado, crítico e que possa formar os alunos de maneira plena e democrática respeitando suas vivências e experiências de mundo.

Uma discussão ou atividade ampla pode ser executada em língua inglesa ou materna de acordo com a realidade de cada turma como discute Souza (2014). O resultado dessa atividade após um verdadeiro mergulho cultural, como o exemplificado, poderia ser um enriquecimento das aulas e a oportunidade alunos e professores expressarem suas próprias experiências e vivências.