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Stamvegnettet og vegtrafikken

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Kystverkets marginalvurderinger

2.5 Stamvegnettet og vegtrafikken

Os PPCPs são especificamente concebidos para alterar funções biológicas, pelo que podem provocar uma série de efeitos secundários em organismos, os quais não era suposto estarem expostos a estes compostos10. Este grupo de contaminantes não necessita de possuir longos períodos de persistência no meio ambiente para causar efeitos negativos nos

PPCPs Capítulo 1  

 

9 ecossistemas, uma vez as suas rápidas taxas de transformação/remoção poderem ser compensadas pela contínua introdução no meio ambiente9.

Para avaliar os efeitos tóxicos destes poluentes sobre os ecossistemas terrestres e aquáticos deverão ser efectuados testes específicos que avaliem os efeitos agudos (nos quais a velocidade de mortalidade é muitas vezes registada) e os efeitos crónicos (exposição do componente químico em diversas concentrações sobre um período de tempo prolongado). Os efeitos são medidos com recurso a parâmetros específicos, nomeadamente, índice de crescimento ou velocidade de reprodução (figura 1.3). No entanto, os estudos de toxicidade aguda em organismos pertencentes a diferentes níveis tróficos (algas, zooplancton, peixes, entre outros) predominam relativamente aos de toxicidade crónica. Os testes de biocumulação e toxicidade crónica são escassos provavelmente devido ao complexo trabalho experimental envolvido17.

Figura 1.3 – Principais parâmetros usados em estudos ecotoxicológicos, expressos em percentagem

relativa (dados recolhidos de 94 artigos publicados entre 1996 e 2009)17.

Através da realização de testes toxicológicos, a comunidade científica tem-se centrado nas classes de PPCPs mais prescritas e consumidas e que provavelmente surgem mais frequentemente no ambiente, nomeadamente os NSAIDs, reguladores lípidicos, antibióticos e hormonas sexuais17. A título de exemplo, mencionam-se alguns dos efeitos tóxicos

causados por alguns PPCPs em diversos organismos.

Entre os NSAIDs, o diclofenac é o que tem revelado uma maior toxicidade aguda, demonstrando efeitos para concentrações inferiores a 100 mg/L. Os testes de toxicidade crónica realizados em truta-arco-íris (Oncorhynchus mykiss) revelaram alterações no fígado,

Capítulo 1 PPCPs

 

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rins e guelras desta espécie, após 28 dias de exposição a 1 µg/L de diclofenac21,22. O

ibuprofeno é outro NSAID que tem apresentado toxicidade crónica, sendo um bom exemplo a fêmea do peixe-do-arroz japonês (ou do inglês “Japanese medaka”, Oryzias latipes) que quando exposta a diferentes concentrações deste fármaco, durante seis semanas, demonstra redução do número de desovas e aumento do peso do fígado23.

A exposição da espécie Carassius auratua a 1,5 µg/L de gemfibrozil durante 14 dias origina decréscimo do teor de testosterona presente no seu sangue em mais de 50 %, provando que este regulador lipídico pode actuar como potencial químico desregulador endócrino (EDC)24.

O maior efeito da presença de antibióticos no ambiente está associado ao desenvolvimento de mecanismos resistentes a bactérias, os quais podem comprometer a saúde pública. Os antibióticos podem ser classificados como extremamente tóxicos para microrganismos e muito tóxicos para algas25. Os testes de toxicidade crónica realizados em

algas têm demonstrado diversos efeitos adversos, nomeadamente a inibição do seu crescimento26. Quando se estudou o efeito destes fármacos em vertebrados (como por

exemplo peixes) não se observou qualquer efeito. No entanto, a presença de antibióticos no ambiente afecta indirectamente estas espécies, uma vez que as algas constituem a base da cadeia alimentar e o declínio da sua população afecta o equilíbrio do sistema aquático17.

Os antibióticos usados em medicina veterinária são excretados na urina e nas fezes dos animais, surgindo frequentemente no estrume utilizado como fertilizante. Assim, estes fármacos podem trazer sérios problemas para o ecossistema terrestre, como por exemplo efeitos nas bactérias de nitrificação ou inibição no crescimento de plantas por biocumulação. A presença de antibióticos nos influentes das ETARs pode igualmente prejudicar os processos de tratamento que utilizam bactérias, provocando efeitos tóxicos nos ecossistemas aquáticos e terrestres17.

Algumas hormonas esteróides podem induzir alterações nas respostas estrogénicas, assim como no desenvolvimento reprodutor, sendo consideradas EDCs. O 17α- etinilestradiol é um estrogéneo sintético utilizado como contraceptivo oral que apresenta efeitos estrogénicos nos peixes. Expondo algumas espécies de peixes a concentrações de 17α-etinilestradiol inferiores a 1 ng/L durante o seu ciclo de vida, verificou-se uma significativa redução no sucesso de fertilização, assim como uma diminuição das características sexuais masculinas.27 O estrogéneo natural 17β-estradiol pode também ter

PPCPs Capítulo 1  

 

11 Devido ao elevado potencial de biocumulação dos “musks” no ambiente, os potenciais efeitos tóxicos em diversos organismos têm também despertado o interesse da comunidade científica. Nos últimos anos a discussão tem-se centrado na possibilidade destes compostos serem prováveis EDCs28,29.

As concentrações detectadas no ambiente para a maioria dos PPCPs são da mesma ordem de magnitude das concentrações que causam efeitos secundários nos organismos. Assim, a presença de PPCPs no ambiente representa efectivamente uma ameaça para os ecossistemas17,30.

A maioria dos riscos estudados baseia-se na exposição a um só composto. No entanto, os PPCPs não ocorrem isolados no ambiente, mas normalmente em misturas de multi- componentes. Em geral, o conhecimento sobre a toxicidade de misturas de compostos ainda é limitado. Cleuvers31 avaliou o efeito de exposição da mistura de NSAIDs (diclofenac,

ibuprofeno, naproxeno e ácido acetilsalicílico) em diferentes organismos aquáticos. A mistura destes fármacos demonstrou toxicidade para concentrações inferiores às encontradas nos compostos testados isoladamente. Os efeitos das misturas podem provavelmente seguir o conceito de adição de concentração, ou seja, a toxicidade global é o resultado da soma das concentrações individuais de cada composto32.

Os efeitos adversos para a saúde humana devido à ingestão de PPCPs presentes em água para consumo humano são ainda desconhecidos, permanecendo algumas dúvidas, nomeadamente se os efeitos secundários serão os mesmos durante o uso terapêutico (pouco tempo de exposição, elevadas concentrações) e na ingestão ao longo da vida, através da água e dos alimentos (longo tempo de exposição, baixas concentrações); se os efeitos serão os mesmos nos fetos, bebés, crianças, adultos e idosos; se os riscos de exposição de um só composto serão comparáveis aos de uma mistura12.

Muitos PPCPs ainda necessitam de mais estudos científicos relativamente aos efeitos toxicológicos, principalmente, associados à exposição prolongada e de misturas destes compostos. Consequentemente, enquanto não estiver completamente compreendido qual o impacto na saúde humana e no ambiente provocado por estes poluentes, não será possível proceder à elaboração da respectiva legislação.

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