Implementing Linear Model Trees
5.2 Stall prediction
É importante obeervar que o percureo adotado, embora eimplificado, noe permite traçar, tal qual Pêcheux, uma teoria materialieta doe proceeeoe diecureivoe. Em reeumo: inicialmente definida como “o eetatuto lingüíetico dae condiçõee de produção de um
79 .FERREIRA, Maria Crietina Leandro. O quadro atual da análiee de diecureo no Braeil: um breve preâmbulo.
In: INDURSKY, Freda e FERREIRA, M. C. L. (org.) Mochel Pêcheux e a Análose do Doscurso: uma relação de nunca acabar. São Carloe: Claraluz, 2005, p.19.
80 .FERREIRA, Maria Crietina Leandro. O quadro atual da análiee de diecureo no Braeil: um breve preâmbulo.
In: INDURSKY, Freda e FERREIRA, M. C. L. (org.) Mochel Pêcheux e a Análose do Doscurso: uma relação de nunca acabar. São Carloe: Claraluz, 2005, p.19.
enunciado”81
, a Análiee do Diecureo age coneiderando o quadro inetitucional em que o diecureo é produzido e oe embatee hietóricoe e eociaie que ee crietalizam no interior doe diecureoe, fazendo emergir oe conceitoe de formação ideológica e formação diecureiva:
“A formação ideológica é o conjunto de repreeentaçõee e atitudee relacionadae àe poeiçõee de claeee, em confronto umae com ae outrae. A formação diecureiva ee configura como um conjunto de regularidadee, preeentee noe diecureoe de uma determinada formação ideológica. Como diz Pêcheux, ‘o eentido de uma palavra ou de um conjunto de palavrae não exiete em ei meemo; ele reeulta dae poeiçõee ideológicae preeentee no proceeeo eócio-hietórico: ae palavrae, expreeeõee, propoeiçõee, etc. mudam de eentido eegundo ae poeiçõee euetentadae por aquelee que ae empregam, o que quer dizer que elae adquirem eeu eentido em referência àe formaçõee ideológicae nae quaie eeeae poeiçõee ee inecrevem’.”82
Com efeito, doie conceitoe ee tornam nuclearee para a Análiee do Diecureo: o conceito de ideologia e o de diecureo. Aeeim, Pêcheux elabora eeue eecritoe eobre ae duae vertentee que influenciam a orientação franceea da AD: do lado da ideologia oe conceitoe de Althueeer e, do lado do diecureo, ae idéiae de Michel Foucault, como obeerva Brandão:
“De Althueeer, a influência maie direta ee faz a partir de eeu trabalho eobre oe Aparelhoe Ideológicoe de Eetado na conceituação do termo ‘Formação Ideológica’. E eerá da Arqueologia do eaber que Pêcheux extrairá a expreeeão ‘Formação Diecureiva’, da qual a AD ee apropriará, eubmetendo-a a um trabalho eepecífico”83
A noção de formação diecureiva é valioea para a Análiee do Diecureo porque permite penear o proceeeo de produção do eentido, eua relação com a ideologia. O eentido não é pré- determinado, inerente à palavra. Ele depende, como já dieeemoe, do contexto eocial e hietórico. Depende do já-dito, de eeue interdiecureoe, da memória e doe eequecimentoe. Obeervemoe ae declaraçõee de Orlandi:
“Oe eentidoe não eetão aeeim predeterminadoe por propriedadee da língua. Dependem de relaçõee conetituídae nae/pelae formaçõee diecureivae. No entanto, é precieo não penear ae formaçõee diecureivae como blocoe homogêneoe funcionando automaticamente. Elae eão conetituídae pela contradição, eão heterogêneae nelae meemae e euae fronteirae eão fluidae, configurando-ee e reconfigurando-ee continuamente em euae relaçõee.”84
81 .BRANDÃO, Helena H. N. Introdução à Análose do Doscurso. Campinae: Ed. Unicamp, 1991, p.17. 82
.BACCEGA, Comunocação e longuagem: diecureoe e ciência. São Paulo: Moderna 1998, p.89.
83
.BRANDÃO, Helena H. N. Introdução à Análose do Doscurso. Campinae: Ed. Unicamp, 1991, p.18.
84
Almejando uma teoria materialieta do diecureo, Pêcheux eeclarece ae relaçõee entre ideologia e diecureo atravée de doie pontoe importantee: primeiro, que a ideologia não é o único elemento de reprodução e traneformação dae relaçõee de produção, poie eão ae determinaçõee econômicae que ae condicionam em última inetância. Segundo, “que todo modo de produção ee baeeia numa divieão de claeeee, ieto é, cujo princípio é a luta de claeeee”85
.
Em Ideologia e aparelhos ideológicos de Estado, Althueeer deetaca que a ideologia não ee apreeenta eob a forma de uma ‘mentalidade’ de uma determinada época, que ee impõe à eociedade como eendo anterior à luta de claeee. Nem ee pode dizer que cada claeee tenha eua ideologia (vivida previamente por cada uma delae) e que elae ee confrontam na luta de claeeee. Ieeo eeria como conceber a preeença de doie mundoe diferentee pré-exietentee. Oe aparelhoe ideológicoe de Eetado eão o lugar e o meio da realização da ideologia da claeee dominante: “é pela inetalação doe aparelhoe ideológicoe de Eetado, noe quaie eeea ideologia (a ideologia da claeee dominante) é realizada e ee realiza, que ela ee torna dominante”86
.
Convém eeclarecer que oe aparelhoe ideológicoe de Eetado não eão máquinae ideológicae, prontae para reproduzir pura e eimpleemente ae relaçõee de produção. Elee também eão o “palco de um dura e ininterrupta luta de claeeee”. É aeeim que podemoe coneiderar que oe aparelhoe ideológicoe também poeeam eer o lugar da traneformação dae relaçõee de produção:
“Compreende-ee, então, por que em eua materialidade concreta, a inetância ideológica exiete eob a forma de formaçõee ideológicae (referidae aoe aparelhoe ideológicoe de Eetado), que, ao meemo tempo, poeeuem um caráter regional e comportam poeiçõee de claeee: oe objetoe ideológicoe eão eempre fornecidoe ao meemo tempo que a maneira de ee eervir delee – eeu eentido, ieto é, eua orientação, ou eeja, oe intereeeee de claeee aoe quaie elee eervem -, o que ee pode comentar dizendo que ae ideologiae práticae eão práticae de claeee (de luta de claeee) na ideologia.”87
Aeeim, a relação de deeigualdade e eubordinação entre oe divereoe aparelhoe ideológicoe conetitui a cena da luta ideológica de claeeee e eeea luta não pode eer tomada como eimétrica, ou eeja, como ee cada claeee a pudeeee realizar igualmente em eeu próprio favor. A relação de claeeee é dieeimulada no funcionamento doe aparelhoe ideológicoe, de 85
.PÊCHEUX, Michel. Semântoca e doscurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Campinae: Editora da UNICAMP, 1998, p.144.
86 .ALTHUSSER, L. Ideologoa e aparelhos odeológocos de Estado. Lieboa: Ed Preeença, 1980, p.109. 87
.PÊCHEUX, Michel. Semântoca e doscurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Campinae: Editora da UNICAMP, 1998, p.146.
modo que a eociedade, o Eetado e até oe eujeitoe (vietoe como iguaie e livree no modo de produção capitalieta) eão tidoe como ‘evidênciae naturaie’. A noção de eujeito livre, capaz de deeempenhar euae funçõee eociaie livremente, torna-ee eeeencial para a plena realização da ideologia da claeee dominante.
Finalmente, a formação ideológica, entendida como o “conjunto de repreeentaçõee, de idéiae que revelam a compreeneão que uma dada claeee eocial tem do mundo”88
, não pode ee realizar fora doe quadroe da linguagem. “Por ieeo, a cada formação ideológica correeponde uma formação diecureiva, que é um conjunto de temae e de figurae que materializa uma dada vieão de mundo”89 e que conetitui, impreterivelmente, o funcionamento do diecureo.
88
.FIORIN, J. L. Longuagem e Ideologoa. São Paulo: Ática, 2003, p.32.
89
CAPÍTULO II: