5 Modeling
5.1 Stages of DCR graph modeling:
Vale destacar que a formação continuada vem permitir ao professor a realizar uma nova conduta de ensino-aprendizagem junto ao aluno com deficiência visual contribuindo para a sua emancipação e independência no meio social onde está inserido.
Ao serem interrogados sobre o que faziam para melhorarem a sua prática pedagógica eles indicaram várias alternativas dentre as quais encontram-se representadas no Quadro 16.
O que tem feito para melhorar a sua prática
pedagógica Quantidade Percentagem
Cursos 12 43%
Cursos / palestras/leituras 5 18%
Pesquisas em livros/leituras 1 4%
Conhecer os alunos/cursos 6 21%
Internet e livros e troca de experiências com
outros professores 2 7%
Preparo de recursos didáticos 2 7%
Total 28 100%
Quadro 16- O que tem feito para melhorar a sua prática pedagógica
Quando os participantes foram investigados se faziam alguma coisa para melhorar a sua prática pedagógica, todos disseram que sim e informaram quais os meios que buscavam para que seus objetivos fossem alcançados. No Quadro 16 observa-se que a maioria busca cursos, em seguida percebe-se que (5) diz que participa de cursos e também procura conhecer o aluno a fim de verificar que tipos de conhecimentos já trazem para depois proceder suas intervenções pedagógicas. Três desses participantes revelaram que buscam não somente em cursos, mas também em palestras novos conhecimentos, duas professores disseram que melhoram sua prática quando prepararam novos recursos didáticos para serem usados com seus alunos, outros dois professores buscavam informações em Internet, livros e em troca de ideias com colegas, e apenas um busca informações em leituras de livros técnicos. Na fala de P3 percebe-se que mesmo no MEC acontece a falta de acessibilidade a leitura e a informação
pela pessoa com deficiência visual, pois a revista Inclusão não tem vindo transcrita para o Braille, dificultando a leitura e o acesso às informações nela contida.
[...] Na verdade eu sempre corro atrás... Não posso parar no tempo... Recebo a revista inclusão do MEC. Isso é outra dificuldade... o material sempre está em tinta... aí faço a minha parte... peço para alguém ler para mim os artigos (P3).
É muito questionada no meio educacional a competência ou não do professor que está inserido na escola comum, sempre lhe é dito que deve buscar formações para se manter atualizado e com competências que lhe permitam o exercício de uma prática docente segura e eficaz. E dessa forma o professor terá condições de mudar a sua metodologia a cada diferença detectada em sala de aula inclusiva.
Cada aluno é um aluno, é um aluno e uns tem mais facilidade de aprender outros mais dificuldades, uns tem dificuldades na leitura outros na escrita, e aí a gente tem sempre de tá mudando a nossa metodologia com cada aluno (P2).
Um (a) professor (a) ao falar de sua experiência com alunos deficientes visuais contou que na ausência de uma formação consistente teve que vencer o embate entre a sua insegurança e a necessidade de atender um aluno deficiente visual e dessa forma, expressa a sua relação de medo com o novo e o diferente:
No início sim. Meu primeiro impacto, era aquela proteção total e nunca tinha tido contato com cegos e quando cheguei aqui .. aí tive que procurar estudar, ler textos, fazer cursos, ler na Internet. E aí veio o cursos de OM, AVD, Braille, tudo num ano só, em 2002. E quando comecei a trabalhar tinha ainda aquele medo, aquela insegurança e depois foi deslanchando e fui percebendo que eles poderiam saber tudo (P7).
Outro (a) professor (a) também revelou que passou por experiência semelhante ao adentrar a área da deficiência visual, apesar de já ter experiência em outra área da Educação Especial:
No início foi difícil porque não conhecia o aluno e o trabalho, mas depois foi fácil.Fui aprendendo nas aulas de Braille, logo que entrei, há quatro anos atrás. Depois que passei pelo curso de Braille comecei a ensinar crianças da alfabetização e ajudar no curso de Braille para a Comunidade juntamente com um colega e uma colega (P8).
O CAP numa nova empreitada sobre a formação continuada procurou a cada período implementar as suas ações em torno da formação continuada, procurando atender a demanda crescente de interessados em cursos de Braille, Soroban, dentre outros. A expressão desse avanço é descrita na fala de P8:
Teve um avanço muito grande, tem muitos cursos, nesses cursos a gente manda convite, teve curso de formação pedagógica, depois confecção de material didático, AVD, todos eles tiveram muita participação de gente do interior. Às vezes já se formou turma de Braille só do interior (só de Caxias). Ficaram hospedadas na AVD, eram um grupo de 13 pessoas, sendo 9 de Caxias e o restos de outros interiores. Quando eu cheguei aqui o trabalho acontecia, mas a divulgação era menor. Aumentou número de alunos e funcionários, também, e com isso pode aumentar também o trabalho (P8).
Outro (a) participante também fez uma reflexão sobre a falta de continuidade de algumas ações que são implantadas no CAP e de repente são interrompidas ou extintas.
O trabalho fica quebrado, porque não há contrato desde o início do ano letivo. Deveria ter contrato ininterrupto. Eu criaria grupo de estudo entre os professores. Um tempo atrás houve esse encontro no setor de produção Braille. Esse encontro acabou. Ex: Soroban, produção, grafia, tira dúvidas. Vamos ver um texto, o que diz a LDB, que nomenclaturas mudaram, etc.(P3).
Com relação a esses aspectos mencionados pelos professores , Mazzotta (2010, p.84) ressalta que é “indispensável uma formação efetiva do educador e não um mero preparo circunstancial”.
Também, ressalta sobre o papel do educador como um profissional precisa compreender seu papel no contexto inclusivo e educacional:
Ao educador não cabe o papel de mero executor de currículos e programas predeterminados, mas sim de além que tem condições de escolher atividades, conteúdos ou experiências que sejam mais adequadas para o desenvolvimento das capacidades fundamentais do grupo de alunos, tendo em conta seu nível e suas necessidades. (MAZZOTTA, 1987, p. 117).
Os dados informam sobre o tipo de formação que esses professores tem em relação ao uso das tecnologias e mostram como se encontram os conhecimentos dos professores a respeito da informática, uma vez que a educação exige a cada dia que o professor esteja com o domínio das mais diversificadas ferramentas computacionais.
Mais da metade da população entrevistada (15), informou que tem algum tipo de curso de informática e os demais declararam não ter curso, o que não invalida a pessoa fazer uso da máquina ou por lazer ou por curiosidade ou mesmo por necessidade. Isto reflete quando é perguntado a essa mesma população qual a freqüência com que o computador é usado e, de acordo com as informações prestadas pelos participantes seis usavam o computador diariamente, sete usavam semanalmente e quatro usavam esporadicamente.
O espaço onde costumavam usar o computador foi bem definido, quatro usavam em casa, sete usavam no serviço e seis usavam em outros espaços. Esses dados mostraram que capacitações também devem acontecer nessa área para os professores, pois a preocupação com a formação continuada precisa também deter o olhar para área da informática, além da área da deficiência visual. Os cursos a distância exigem um conhecimento de informático, caso contrário o professor fica excluído desse contexto de formação continuada a distância.
Medeiros e Cabral (2006) ao compreender a relação teórico-prática desenvolvida pelos professores na construção de saberes em salas de aulas, fez um enfoque voltado para a formação docente, dentro de uma perspectiva de práxis transformadora. Dessa forma, salientam que;
A formação docente, tanto a inicial quanto a contínua, precisa ser consistente, crítica e reflexiva, capaz de fornecer os aportes teóricos e práticos para o desenvolvimento das capacidades intelectuais do professor, direcionando-o ao seu fazer pedagógico. O professor ao ter domínio do conhecimento dos aportes teóricos relativos às concepções de aprendizagem, fica clara sua decisão de escolher as melhores formas de trabalhar. [...] Acreditamos que somente o profissional crítico- reflexivo é capaz de desenvolver a práxis necessária na educação e na sociedade (MEDEIROS; CABRAL, 2006, p. 15).