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7. Seasonal adjustment by structural time series models vs X11-ARIMA

7.5 Stability of seasonally adjusted value

A identidade local transita entre o ser caiçara e o ser pescador artesanal. Tal dinâmica ocorre de maneira complexa, visto que, apesar da busca pelo engajamento político em Barbados, há muito receio entre os moradores em relação às consequências locais da luta pelos seus direitos territoriais como comunidade tradicional.

Em um encontro realizado com a associação de moradores de Barbados foi levantada a questão identitária do grupo. Diversas foram as discussões internas que levavam ao questionamento sobre o que é a identidade caiçara, a de pescador artesanal ou ainda uma outra identidade que poderia transitar entre ambos. Para eles, ser caiçara pertence mais ao tempo dos antigos, quando havia o livre acesso à mata e, sobretudo, à roça.

De acordo com os moradores, o advento das restrições ambientais implicou na transformação do uso dos recursos que eram divididos entre o domínio da mata e da pesca para o deslocamento majoritário para a pesca. Desta forma, as pessoas começaram a passar mais tempo pescando, somado a isso, os jovens passam a ser direcionados desde cedo apenas

à pesca, aumentando o número de pescadores e, assim, a exploração mais focada no mar, fato apontado pelos moradores como um dos motivos da diminuição na fartura da pesca na região47.

Além da intervenção pelas legislações ambientais, os moradores relatam que algumas inovações também influenciaram na transição da pesca como atividade principal, como a chegada do barco a motor, de técnicas e produtos novos como os equipamentos mais modernos para a pesca. No entanto, ainda que com diversas facilidades e aumento da pesca como atividade econômica principal, os moradores ressaltam a todo momento a importância do uso da mata, uma vez que a pesca por si só não fornece condições financeiras para que as comunidades deixem de usar a mata e passem a comprar tudo o que necessitam nos centros urbanos.

Muitos participantes da discussão levantavam o desejo de se autoidentificar como caiçara, visto o amplo conhecimento trazido pelos laços indígenas, negros e brancos. Para outros, a herança indígena se mostrava como algo a se envergonhar ou a evitar, como se essa referência simbolizasse o atraso e não a civilização. A relação que muitos moradores faziam sobre os índios era a de que seu conhecimento não é valorizado, pelo contrário, deveria ser escondido.

A identidade caiçara incita também a pluriatividade, o domínio da pesca e da mata mas, para esse grupo, se autoidentificar como caiçara implicaria em dificuldades em relação ao órgão ambiental, já que se dizendo caiçara eles poderiam estar se incriminando, assumindo a ilegalidade de seus atos. Assumir sua identidade caiçara como legítima seria admitir o uso atual dos recursos da mata o que, muito embora aconteça de maneira muito reduzida se comparada a 20 anos atrás, seria algo como um entrave para a continuidade da comunidade diante do ICMbio e do Parque. O ambientalismo deixou marcas tão profundas nas populações locais que elas demonstram ter medo de assumir seu modo de vida, como se em algum momento elas pudessem ser castigadas por sua cultura, preferindo muitas vezes a invisibilidade ou, então, esconder suas atividades e correr o risco de pagar multas ou serem presos se forem abordados pela autoridade ambiental.

Outra questão muito salientada pelos moradores na reunião foi a necessidade legal de sua autoidentificação como pescador. Assim se posiciona um informante:

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Além disso, os moradores apontam a pesca industrial como um dos principais fatores para o declínio da oferta de peixes na região. Também consideram os períodos legais de proibição de pesca de determinadas espécies como o defeso do camarão como inapropriadas, pois, segundo eles, não ocorre em época correta para a reprodução da espécie. Destacam também o aumento no número de botos na baía que se alimentam de grande quantidade de peixe e que, para eles, também pode ter influenciado na diminuição de pescados.

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Já outro informante pontua isto melhor:

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A comunidade de Barbados encontra'se hoje dividida quanto à sua identidade. Muitos assumem a identidade caiçara e alegam que devido à ancestralidade é essa a forma mais adequada para descrevê'los. No entanto, outra parte do grupo alega pertencer ao universo dos pescadores artesanais, como declara um informante:

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A fala nativa acima apresenta uma síntese da matriz multi'identitária dos sujeitos em questão, onde as identidades são assumidas a partir de um contexto sócio'político.

A questão da identidade, por vezes, é questionada e interpretada pelos moradores de Barbados como a profissão. Cabe aqui destacar que a profissão também compõe a condição identitária, somando na condição e luta política do grupo. A pesca, por ser a principal atividade na região, é a perspectiva que os jovens possuem de garantir um meio de obtenção de renda, como demonstra a fala a seguir:

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Confirma'se através da fala acima que a identidade a partir do viés da profissão compõe a identidade coletiva, uma vez que não se assumindo profissionalmente, Matheus produziu um estranhamento em seu grupo por se colocar fora de uma luta política conjunta.

Em Barbados a única pessoa empregada é a professora da Escola Municipal sediada na própria comunidade. Todos os outros moradores não possuem vínculos empregatícios e renda fixa. De certa forma, todas as famílias possuem pelo menos um membro que realiza as atividades de pesca. A renda dos moradores também é proveniente de aposentadorias e auxílios governamentais como o bolsa família.

O período de maior rendimento financeiro nas comunidades é o verão devido ao grande fluxo de turistas vindos de Superagui para passar o dia e a venda de caranguejos. Nesse período a renda de cada família pode girar em torno dos 1000 reais mensais. No entanto, nos meses de inverno essa renda cai para 200 reais para uma família de aproximadamente 5 pessoas. Existem meses que a pesca não gera lucro, servindo apenas para subsistência, quando o benefício do bolsa família representa todo o dinheiro que entra no orçamento da família (o que geralmente gira em torno de 70 a 150 reais).

Muitos são os fatores que levam famílias a abandonarem suas vilas. Desde o início do ano de 2012, em Barbados 3 famílias deixaram suas casas em busca de melhores condições de vida nos centros urbanos. O motivo levantado por todos os entrevistados no deslocamento de famílias inteiras aos centros urbanos é a dificuldade em viver em um espaço com tantas restrições ambientais. Muitos deles apontam que seu conhecimento serve apenas para a vida

naquele lugar e que com suas atividades tradicionais sendo proibidas não restam alternativas de sobrevivência. Para muitos deles manter'se nas vilas acaba por obrigá'los a viver como mendigos ou ladrões dentro de seu próprio território, segundo um informante:

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Desastres ambientais como o de vazamento de óleo do navio Vicuña, em Paranaguá, e da Petrobrás, na Serra do Mar Paranaense, têm influência direta nas migrações dessa região das baías de Pinheiros e Laranjeiras. As indenizações aos pescadores pelo período em que houve a proibição da pesca levou muitos moradores a utilizarem esse dinheiro para a mudança aos centros urbanos mais próximos, principalmente a Paranaguá.

Outro fator determinante na mobilidade populacional são os matrimônios. O costume local (porém com algumas exceções) é de que as mulheres se mudem para a comunidade da família do marido, gerando um fluxo interno entre as vilas. Ainda que muitas vilas da região sejam habitadas por grandes grupos familiares, é justamente essa migração ocasionada pelos matrimônios que, de certa forma, mantém um equilíbrio populacional entre as comunidades, ao passo que constantemente existem pessoas chegando e deixando as vilas.

Os casamentos acontecem geralmente para as mulheres a partir da idade de 15 anos até aproximadamente os 20 anos. Já para os homens a idade comum está entre 18 e 25 anos.

Dessa forma, o trânsito entre vilas é normal. A maioria dos moradores já viveu em outras vilas, ainda que por curtos períodos. Outros fatores citados como decisivos na escolha da vila de moradia seria a possibilidade de estudo para os filhos e o ritmo de trabalho, já que alegam que cada vila possui uma lógica diferenciada de trabalho.

Existem vilas onde o número de homens solteiros é muito maior que o de mulheres, fazendo com que eles busquem companheiras em outras vilas.

O futebol consiste em uma atividade de grande importância regional, sendo essa atividade e as festas religiosas os maiores responsáveis por encontros entre pessoas de diferentes comunidades. O futebol reúne semanalmente comunidades vizinhas. Os campeonatos entre vilas funcionam não apenas como um momento de lazer, mas também de articulação comunitária, visto que a partir dele os moradores também se organizam para a arrecadação de dinheiro para as demandas das associações de moradores.