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St. Meld. Nr. 34 (2006-2007) Report to the Storting: Norwegian Climate Policy . 57

5.1 Objectives, Mandates and Summary

5.1.3 St. Meld. Nr. 34 (2006-2007) Report to the Storting: Norwegian Climate Policy . 57

A China constitui uma importante experiência de economia em desenvolvimento, pois seu processo de abertura, de caráter gradual, com políticas industriais ativas e com forte presença do Estado na definição de políticas e estratégias de crescimento e desenvolvimento, levou a um desempenho econômico surpreendente nos últimos 20 anos. Um dos eixos do processo de abertura econômica diz respeito ao setor externo da economia, com a liberalização comercial e a entrada significativa de investimentos diretos externos (IDE). A partir de 1993, após o aprofundamento da reforma econômica iniciada em 1979, com novas medidas de redução tarifária e a fixação da taxa de câmbio em um nível subvalorizado, constatou-se a ampliação da participação da China nos fluxos de comércio e IDE mundiais. Além das mudanças em termos quantitativos, foi observada também uma melhora qualitativa na pauta de exportações da China. A partir daí, a dissertação buscou caracterizar a evolução do padrão de especialização comercial da China e estabelecer uma interação entre a sofisticação da pauta de exportações da China e a presença do investidor estrangeiro nos setores de manufaturas intensivos em capital e tecnologia.

No capítulo 2, que analisou as mudanças no comércio exterior chinês no período de 1994-1998 e 2001-2005, os resultados corroboram a hipótese de que a China melhorou sua pauta de exportações tanto em termos quantitativos, como em termos qualitativos, com a ampliação das exportações concentradas nos setores intensivos em tecnologia. Do lado das importações, observou-se que as mudanças na composição setorial destas acompanharam aquelas observadas no caso das exportações, ou seja, houve uma queda das importações de manufaturas intensivas em trabalho e um aumento das importações de produtos intensivos em tecnologia. Além disso, analisando a evolução do saldo comercial médio da China, apesar de o superávit comercial ser “puxado” pelos setores pertencentes à indústria intensiva em trabalho, observou-se uma mudança dessa trajetória com a ampliação do superávit gerado pelos setores mais intensivos em tecnologia, particularmente, a indústria intensiva em escala.

Em relação à evolução do comércio mundial, os setores mais intensivos em tecnologia apresentaram o melhor desempenho em termos de crescimento anual médio. Esses setores apresentam as maiores participações relativas no total das exportações mundiais, configurando uma trajetória de crescimento mais estável do que o caso dos setores de produtos primários, principalmente, energéticos e minerais que, apesar de apresentarem uma taxa de crescimento significativa, tal desempenho deve ser relativizado pelo fato de que são

setores bastante vulneráveis às oscilações de preços no mercado internacional e, por isso, configuram uma trajetória de crescimento errática.

Analisando a performance da China em termos do índice de marke-share é possível concluir sobre o desempenho competitivo da China, dadas as mudanças observadas na composição setorial de suas exportações. De fato, a China ampliou seu market-share em todos os setores, ao longo do período 1994-2005, à exceção do setor de produtos primários energéticos, em que se revelou uma forte importadora, além disso, obteve uma taxa de crescimento de seu market-share superior nos setores mais intensivos em tecnologia (ou seja, a indústria intensiva em escala, fornecedores especializados e intensiva em P& D). Contrapondo esse resultado com a taxa de crescimento da demanda mundial, é possível concluir que o padrão de especialização comercial chinês convergiu à evolução da composição setorial mundial, conformando uma estrutura de comércio dinâmica. Para explorar melhor essas conclusões, foi construída ainda a matriz de competitividade da China que permite agrupar os setores de exportação segundo a competitividade do país, no caso a China e o dinamismo do setor, no caso a zona de referência é o mercado mundial. Foi encontrado que um pouco mais da metade das exportações da China se concentrou nos setores dinâmicos do mercado mundial, ou seja, com uma demanda crescente. Portanto, os resultados obtidos confirmam mais uma vez que o padrão de especialização comercial da China convergiu à evolução da estrutura das exportações mundiais e, além disso, dado que os setores dinâmicos se referem, principalmente, aos produtos mais intensivos em tecnologia (máquinas e equipamentos de transporte, produtos químicos e manufaturados diversos), os resultados confirmam a mudança da pauta de exportações da China em direção aos setores de mais alta intensidade tecnológica.

Uma maior especificação da análise do padrão de especialização comercial da China foi realizada a partir dos resultados obtidos em termos dos indicadores de vantagem comparativa revelada (VCR) e contribuição ao saldo (CS), estabelecendo uma relação entre a especialização comercial da China e sua capacidade de geração de saldos comerciais. Foram encontrados resultados convergentes em termos de VCR e CS, pois os setores que contribuíram positivamente ao saldo também foram aqueles em que a China se mostrou competitiva. A indústria intensiva em trabalho destacou-se com os maiores índices, sendo que nos anos mais recentes, de 2001 a 2005, verificou-se que as indústrias intensivas em escala e de fornecedores especializados apresentaram um melhor desempenho competitivo, contribuindo positivamente para geração de saldos comerciais, apesar de em patamar bastante inferior se comparado ao caso da indústria intensiva em trabalho. Portanto, em relação as

possibilidade de mudanças em sua estrutura de exportações, concluiu-se que a China apresentou um desempenho competitivo melhor nos anos de 2001 a 2005, nos setores intensivos em tecnologia (à exceção da indústria intensiva em P& D, em que a China é deficitária). Assim, a integração da China às cadeias produtivas globais constituiu importante mecanismo de transferência de tecnologia, permitindo o avanço da China na cadeia de valor agregado global.

Um último importante aspecto do capítulo 2 diz respeito à análise do padrão geográfico do comércio exterior da China que levou em conta seus principais parceiros comerciais, na análise da composição relativa das exportações e importações, do saldo comercial e da importância do comércio intra-industrial. Do lado dos países desenvolvidos, constatou-se uma forte concentração das importações nos setores mais intensivos em tecnologia, sendo que no período de 2002-2006, também as exportações passaram a apresentar uma maior participação relativa nesses setores. Em termos do saldo comercial, observou-se um forte superávit com os EUA e em um patamar inferior, com a União Européia, e no caso do Japão, um significativo déficit comercial.

Do lado das economias asiáticas em desenvolvimento, constatou-se que as exportações e importações estiveram concentradas nas indústrias de alta intensidade tecnológica, com algum destaque para a indústria intensiva em trabalho e os setores de primários e baseados em recursos. Em relação ao saldo comercial, a China obteve um forte déficit comercial com a Coréia do Sul, e em um patamar inferior, com a Malásia, sendo que no caso de Cingapura, registrou um pequeno superávit.

Em geral, os resultados apontaram para a constituição de relações complexas das cadeias de produção regionais. De um lado, os EUA, Europa e Japão foram importantes investidores estrangeiros na região asiática na configuração do padrão de comércio desses países. De outro lado, com a consolidação das indústrias intensivas em tecnologia, particularmente, de manufaturas eletrônicas, na Coréia do Sul, Taiwan e Cingapura, houve importantes investimentos desses países na China atraídos pelo dinamismo de seu mercado doméstico e pelos baixos custos de sua mão-de-obra. Portanto, isso explica o superávit obtido com o EUA e os países da Europa, e o déficit com os vizinhos asiáticos.

Uma melhor interpretação desses resultados é feita com base nas estimativas do indicador de comércio intra-industrial da China com seus principais parceiros comerciais. Em termos desagregados, foi encontrado que a China é forte importadora de insumos intermediários e máquinas e equipamentos, sendo forte exportadora de bens finais (consumo e capital), com um índice de comércio intra-industrial elevado na indústria de alta intensidade

tecnológica. Sobretudo, confirma-se a importância das cadeias de produção regionais para a maior integração da China ao mercado internacional.

No capítulo 3, foi estabelecida uma interação entre as mudanças verificadas na pauta de exportações da China e os fluxos de IDE atraídos para o país. Foi encontrado, através da análise de regressão de séries temporais e da metodologia do VAR (Vetores Auto- Regressivos), através do instrumento de decomposição da variância dos erros (ADV), que a variável investimento direto externo (IDE) é importante para explicar as exportações da China, apresentando um coeficiente positivo e significativo, no caso das regressões e uma contribuição relativa que variou de 2.4% a 4.1% no caso da ADV. Em termos setoriais, constatou-se que a importância do IDE se tornou superior à medida que o conteúdo tecnológico das exportações aumentou, ou seja, os coeficientes das estimações dos setores de exportação de média e alta tecnologia foram superiores àqueles das estimações obtidas para os setores de baixa tecnologia, que se referem à indústria de têxteis, vestuário e calçados. Além disso, é preciso dizer que as outras variáveis explicativas utilizadas no modelo de determinação das exportações chinesas apresentaram resultados tão importantes quanto o IDE, como a taxa de investimento, o grau de abertura, a taxa de câmbio e a renda externa, considerando as limitações dos distintos modelos estimados e as variações dos resultados ao longo dos modelos.

Portanto, pode-se concluir que o IDE teve um papel importante na ampliação da participação da China no comércio internacional e, mais do que isso, nas mudanças verificadas na composição setorial de suas exportações em direção aos setores mais intensivos em tecnologia.

A partir dos resultados empíricos, é possível concluir que a estratégia adotada pelo governo para promover as exportações e melhorar a inserção externa da China, ampliando sua participação em setores dinâmicos do mercado mundial, foi bem sucedida. Dadas as políticas industriais ativas de comércio e tecnologia, a entrada de IDE esteve subordinada à estratégia do governo de desenvolver as indústrias de alta tecnologia e infra-estrutura. Portanto, se tratou de uma abertura econômica gradual, com a seletividade na atração dos fluxos de IDE.

As filiais estrangeiras que se instalaram na China, a despeito de seu mercado consumidor de dimensão continental, dedicaram importante parcela de sua produção ao mercado externo, representando mais da metade das exportações da China. Além disso, os investimentos estrangeiros foram destinados à construção de nova capacidade produtiva, representando cerca de 90% do total dos fluxos de IDE que entraram na China. Assim, ao conformar um padrão de comércio dinâmico, a China foi capaz de ampliar de maneira

expressiva sua participação no mercado mundial, representando, em 2005, 9,2% das exportações mundiais.

Os resultados encontrados parecem sugerir que as políticas industriais ativas são determinantes de uma estrutura produtiva mais eficiente e um padrão de especialização comercial dinâmico. Tais políticas não estiveram presentes na experiência recente da economia brasileira, pois o Brasil, ao implementar um processo de abertura que não contou com políticas restritivas sobre a atuação das empresas estrangeiras, apesar do aumento de produtividade atingido em determinados setores, acabou por levar à falência um grande número de empresas domésticas despreparadas para enfrentar a concorrência internacional, a quem sobrou apenas a opção de modernização. Por outro lado, as expectativas que se tinha sobre a presença dos investidores estrangeiros foram frustradas à medida que esses capitais foram atraídos para aquisição de ativos já existentes e, dada a política de curto prazo de estabilização, tais investimentos não promoveram as exportações e, menos ainda, o up-grade das exportações brasileiras. Assim, muitos estudos demonstram que o padrão de comércio brasileiro se baseia em vantagens comparativas com abundância de recursos naturais, apresentando uma participação no total do comércio internacional que oscila, há muitos anos, em torno de 1%.