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Støytiltak

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5.12 Støytiltak

O abandono escolar e o absentismo são, actualmente, uma das preocupações da sociedade não só pela extensão do problema mas também pelas consequências que daí poderão advir para o indivíduo e para a própria sociedade em que este está inserido.

A UNESCO define abandono escolar como um acontecimento, por parte do aluno, de desistir da escola antes do fim do último ano do ciclo de ensino em que se havia matriculado.

Por sua vez, Garrinhas (1998: 302) caracteriza o absentismo como um problema “resultante do desagrado pela escola” e o abandono como “a rejeição da escola por

parte daqueles que, na maior parte das vezes, foram excluídos por ela”. Assim sendo, o

primeiro poderá ser uma das causas do segundo e ambos poderão ser um corolário da exclusão social

Garrinhas (1998: 363) conclui que “a falta de sucesso e motivação do aluno, em

continuar o seu percurso escolar, aponta para causas que se devem centrar quer no seu modo de vida e meio familiar, quer no tipo de propostas de aprendizagem que a escola lhe oferece. Estas são na maioria desligadas da experiencia quotidiana da criança, inibindo, assim, a génese de uma motivação para o saber e para a construção desse mesmo saber”.

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Segundo o Plano Anual de Actividades de 2008 da valência de Animação de Rua, o abandono precoce da escola poderá pôr em causa o futuro dos adolescentes, quer na inserção do mundo do trabalho quer na inclusão social.

“Também surgem novas problemáticas, como a exclusão social, o absentismo/abandono escolar e fugas do lar (quer da família, quer das instituições de acolhimento). Verificamos um grande número de jovens que estão fora do sistema educacional e profissional que resulta, muitas vezes, em situações de marginalidade, discriminação, entre outras, que comprometem seriamente o futuro destes jovens. “ – Plano Anual de Actividades 2008 da

valência de Animação de Rua

Esta ruptura com a escola poderá advir de vários atritos: com a inserção escolar (aspirações/expectativas, possibilidades económicas, grau de satisfação dos pais, relação professor aluno), com a frequência escolar (determinantes pessoais e institucionais), com a inserção na vida activa (determinantes económicos e socioculturais) ou com a acessibilidade à escola (distancia e deslocação).

Durante os giros diurnos e o acompanhamento escolar existiu a oportunidade de se observar que o absentismo/abandono escolar era uma das problemáticas dos jovens em situação de rua.

O Plano Anual de Actividades 2008 da Valência de Animação de Rua refere que:

“Outro factor de risco para a inserção destes jovens na criminalidade constatado na pesquisa, por nós realizada, é o afastamento escolar “(...) As escolas não estão preparadas para atender alunos com comportamentos “desviantes” e não tem recursos para estimular estes alunos”.

No âmbito das estratégias desencadeadas ao longo da investigação, neste caso, a observação participante, constataram-se as nuances que esta problemática assume no caso destes jovens:

“Entramos e lá encontramos o João, que embora já tivesse reprovado por faltas, estava todos os dias naquela escola. “Rapaz complicado” - dizia-nos uma auxiliar – “Já reprovou por faltas no primeiro período.” - (Notas de campo, 23 de Maio de 2008 (tarde) – Giro e visita domiciliária)

Como podemos ver, o absentismo escolar deste jovem pode ser indiciado pela redução ou ausência total de assiduidade e pontualidade. O perfil do aluno em risco revela uma

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ausência de ambições escolares, quer pela parte do aluno quer pela própria família. Se os pais não valorizam o trabalho da escola, as expectativas e ambições do aluno poderão seguir a mesma linha orientadora.

Os técnicos constataram assim que a escola era preterida pela rua. Os jovens sentiam mais afinidade com o espaço rua do que com espaço escolar. Consequentemente, optavam por passar aí os seus dias com os seus amigos.

“Seguíamos pelas ruas da cidade de Ponta Delgada, com destino à Escola Secundária da Laranjeiras – local onde se encontravam matriculados a maioria dos jovens que estavam a apoiar. “Vamos ver se eles estão nas aulas, ou se estão no jardim com os amigos de sempre” explicaram-me. Enquanto fazíamos aquele percurso, que para eles já era quase um ritual, estávamos atentos para ver se encontrávamos alguns jovens em situação de risco: sentados nos bancos de jardins, encostados às esquinas dos prédios, quando deveriam estar nas aulas. Percebi, então, que a função deles não era apenas estar alerta e intervir com os jovens que apoiavam mas também relativamente a novos jovens que aparentassem comportamentos desviantes.

Chegados à escola, o Vítor foi perguntar aos funcionários se a Ana (jovem que estava a ser acompanhada pela Equipa de AR) tinha entrado na escola nessa manhã. Enquanto o Vitor entrou para ir falar com o Presidente do Conselho Executivo, eu e Carlota fomos então ao jardim, que ficava mesmo em frente à escola e que serve de entretenimento para muitos jovens que trocam o espaço escolar por aquele espaço. Demos a volta mas não encontramos nenhuns daqueles que procurávamos. Entretanto, sentamo-nos aguardando que o Vítor nos trouxesse boas notícias. Parece que, felizmente, a Ana estava a fazer a prova, contou-nos o Vítor, embora não soubesse que tinha exame naquele dia.”

(Fota de campo, 19 de Maio de 2008 (manhã) – Acompanhamento escolar e giro ao Bairro das Laranjeiras)

Uma das prioridades dos técnicos desta valência é reduzir ou tentar erradicar este problema do absentismo/abandono escolar, através do acompanhamento escolar aos jovens em risco.

“Divididas as equipas, eu fiquei com a Anabela (Assistente Social) e a Cláudia (Voluntário do Projecto Europeu). Fomos até à Escola Profissional da Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada para recolher informações acerca de uma inscrição de um jovem que estava a ser acompanhado pela valência – Quim. Levamos o formulário e voltamos pela Avenida marginal. Íamos em direcção à casa do Quim para ver se o encontrávamos e o convencíamos a fazer a inscrição.”

(Fotas de campo, 19 de Maio de 2008 (tarde) – Giro pela baixa da cidade de Ponta Delgada)

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O aluno em risco de abandono escolar é, normalmente, mais velho do que os colegas da turma, frutos das sucessivas retenções, não costuma ter qualquer tipo de apoio da família, coabita num meio familiar com vários problemas (a nível intelectual, económico, social, cultural, etc.) e não revela um rendimento escolar satisfatório. (Garrinhas, 1998)

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