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4. Metode for analyse av foretakssammenslutninger

4.1. Markedsavgrensning

4.1.1. SSNIP-testen

O prestígio desses religiosos era tamanho que D. Afonso VI e D. João IV mandaram vir da Itália três deles para ensinarem Matemática na Universidade de Coimbra como tentativa de alavancar os estudos científicos, que, conforme já frisamos, apresentavam-se em degradação. Esses, porem, não conseguiram mudar a situação; a decadência continuou.

Com a expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal (1759) se reestrutura o ensino lusitano. Essa tarefa foi facilitada pela divulgação (em 1746/47) da obra “Verdadeiro Método de Estudar”33, de Luis A. Verney, que veio ao encontro dos desejos de renovação da cultura e ciência portuguesa. Ressaltemos uma significativa informação que Valente nos oferece através de uma citação sobre o que diz o oratoriano34 Luis Antonio Verney (1746) sobre

como os matemáticos eram tratados:

“Sei que a maior parte dos professores deste reino consideram a matemática como alheia da Física, e, quando ouvem falar em matemático, logo lhe perguntam se há de chover ou fazer bom tempo, confundindo loucamente as conjecturas de alguns maus físicos e piores astrólogos com a verdadeira matemática. E já assisti a umas conclusões de matemática em que, vendo-se o defendente obrigado a mostrar o que dizia com uma figura, gritou o seguinte Que bicharoco é esse? Tire para lá isso. O auditório aplaudiu muito este dito, mas eu tive compaixão de uns e outros. Tal é a ignorância destes países. Os mesmos jesuítas, que conhecem a ignorância deste reino, quando fazem conclusões de matemática, sempre lhe introduzem questões de Matéria Prima e outras de sua física, porque sem isso não tem argumentos. E, finalmente, nunca vi conclusões de matemática em que não houvesse risadas. De sorte que vão às ditas conclusões como quem vai à comédia,

o que entendem que são ridicularias que só servem para divertir”35.

33 Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira. Lisboa, Rio de Janeiro: Imprensa Nacional – Casa da Moeda,

1943. 40 vol. p. 263, Vol 7.

34 O oratoriano pertencia à ordem religiosa da Congregação do Oratório, que em meados do século VIII

representava uma ordem concorrente à dos jesuítas em Portugal, cujos mestres eram considerados mais modernos. A vida cultural da metrópole passa, então, a ser influenciada também pelos oratorianos.

35 Carvalho (1985 – p. 886) citaçao na obra de Valente, Wagner Rodrigues, Uma História da Matemática Escolar

Pombal inicia uma reforma do ensino (e conseqüentemente da mentalidade imperante em Portugal) introduzindo a filosofia moderna e as ciências da natureza. Criam-se aulas régias de latim, grego e retórica, bem como a aula de comércio e cursos militares. O ápice dessas reformulações deu-se com os novos estatutos da Universidade, agora em Coimbra.

O ensino Universitário subdividiu-se em ciências teológicas (Faculdade de Cânones e de Leis) e ciências naturais e filosóficas (Faculdade de Medicina, de Matemática e de Filosofia). As ciências naturais assim identificadas constituíam o cerne da universidade cujo ensino deveria ser voltado para a aplicação. Para tanto, não só construíram-se laboratórios de química, gabinetes de física, jardim botânico e observatório como também contrataram-se famosos professores italianos como Miguel Cieira, Miguel Franzini, Domingos Vandelli Simão Gould e Reis Chichi. Os dois primeiros eram jesuítas, que, juntamente com o também jesuíta João Ângelo Brunelli, foram designados por Pombal para ministrarem aulas no ‘Colégio dos Nobres’ (criado em 1761). A clientela dessa Instituição eram nobres interessados em ingressar no Exercito.

A geração formada pela universidade pombalina estava preocupada exclusivamente com a formação técnica.

O ensino da Matemática introduzido e concentrado na nova Universidade de Coimbra não contou com a contratação de mestres renomados para ensinar, pesquisar e formar discípulos em Portugal. A duração desse curso era de quatro anos.

“O decreto de 11 de setembro daquele ano nomeou os seguintes Lentes: Miguel Franzini para a cadeira de Álgebra. Aliás, ele foi Lente de Álgebra no período de 1773 a 1783. Depois foi Lente de Ciências Físico Matemáticas (Foronomia) de 1784 a 1793 e a seguir Lente jubilado. José Monteiro da Rocha para a cadeira de Foronomia. Ele também foi Lente em Astronomia em 1783 e no período de 1784 a 1795. Miguel Antonio Ciera para a cadeira de Astronomia.

A provisão de 3 de outubro de 1772 ordenou que, no ano letivo compreendendo 1772 -1773, o lente Miguel Franzini lecionasse Aritmética, Geometria, Trigonometria Teórica e Prática, e que no ano seguinte ele passasse a lecionar Álgebra,

A provisão de 7 de outubro de 1772 determinou que no dia 9 daquele mês, recebessem o grau de doutor os Lentes Miguel Franzini, Miguel Antonio Ciera e José Monteiro da Rocha, e que fossem incorporados à Faculdade de Matemática. Estes foram, portanto, os primeiros doutores daquela Faculdade.

As cadeiras do curso Matemático eram assim distribuídas:36

Ano Cadeira Lente Responsável Livro texto adotado

1º Geometria Dr. José Anastácio

da Cunha Elementos, de Euclides. Elementos de Aritmética e Trigonometria , de E. Bezout. 2º Cálculo Diferencial e Integral

Dr. Miguel Franzini Elementos de Análise Matemática, de E. Bezout. 3º Foronomia (Ciências Físico Matemáticas) Dr. José Monteiro da Rocha Tratado de Mecânica e Tratado de Hidrodinâmica, de Charles-Marie Bossut. Óptica, de N.L. la Caille.

4º Astronomia Dr. Miguel Antônio

Ciera

Astronomia, de Lalande”

Os estudantes dividiam-se em três categorias ordinárias: 1) bacharéis em matemática; 2) obrigados (tinham a matemática como subsídio para os cursos de Medicina, Direito, Teologia e Filosofia); 3) voluntários (faziam apenas algumas cadeiras por diletantismo; aos fidalgos, por exemplo, o curso valia como pontos na carreira militar).

Em 1772, criou-se a primeira Faculdade de Matemática em Portugal, juntamente com a Faculdade de Física, ambas da Universidade de Coimbra, através de reformas das Faculdades já existentes.

Nela havia quatro cadeiras: Álgebra e Cálculo Infinitesimal, Geometria, Mecânica e Astronomia.

Segundo a Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira (vol. 16, p. 568): “Os primeiros livros utilizados foram traduções em português e latim de livros franceses”.

Sendo assim podemos considerar que houve uma forte influência francesa nessa fase do ensino da matemática em Portugal.

Fez-se notável a iniciativa de Pombal na contratação, em 1773, de José Anastácio da Cunha (1744–1787), oficial militar cujo destaque se deve a seu espírito investigativo, evidenciado, inicialmente, em uma obra feita por encomenda de um oficial britânico contratado para organizar as tropas portuguesas, chamado Simon Fraser.

O trabalho intitulou-se “Carta Físico -Mathemática sobre a Theoria da Pólvora em Geral, e a

Determinação do Melhor Comprimento das Peças em Particular”. Nele, Cunha não só

36 Pereira da Silva, Clóvis, A Matemática no Brasil – Uma história de seu desenvolvimento.- Editora UFPR –

analisa os manuais estrangeiros de instrução militar, mas também aponta-lhes equívocos e até ensaia novas teorias.

Se, por essa competência, Pombal contratou-o, por causa dela também Cunha foi preso. Os oficiais estrangeiros consideraram uma crítica destrutiva as correções de Cunha. Liberto e nomeado lente da Faculdade de Matemática, cadeira de Geometria, em 1773, recebe também o titulo de doutor e lhe são contratados dois substitutos.

Em 1º de junho de 1778 é preso pela Santa Inquisição, dado como livre pensador. Perde o posto na Universidade, jamais o resgatando.

Cumpre também ressaltar que esse lente confessou ao Tribunal da Santa Inquisição ter dedicado doze anos na elaboração de um livro (publicado de forma completa somente em 1790): “Princípios Mathemáticos”.

Essa obra foi “o primeiro livro em português, de autor português, sobre Geometria Analítica

e Cálculo Infinitesimal”37. Continha grande parte da matemática conhecida na época, além de

axiomas, definições, proposições e demonstrações rigorosas (em 1881, Gauss elogiaria as definições de função exponencial e logarítmica dadas por Cunha)38.

No século XVIII destaca-se, dentre outros nomes importantes de matemáticos deste século, que colaboraram na reforma da Universidade, Monteiro Rocha. Essa personalidade consta da obra de Gomes Teixeira citada na Grande Enciclopédia Portuguesa- Brasileira, vol. 16, p. 568:

“Monteiro da Rocha não concorreu de um modo eficaz para o progresso do Mundo dos números. O seu talento tinha principalmente uma feição prática. Não

37 Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira, vol. 16 p. 568.

38 Pela importância dessa obra, não só pelo conteúdo, mas pelo marco histórico que ela representou na História

da Matemática Portuguesa, coube ao eminente “Dr. Gomes Teixeira analisá-lo com toda a meticulosidade que punha em seus estudos, concluindo que as suas partes mais importantes são as que tratam das séries e dos números irracionais” Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira, vol. 16

E, até hoje, essa obra vem provocando o espírito científico de pesquisadores, como se confirma no trabalho realizado recentemente pela Dra. Rosa Lucia Sversut Baroni38, que desenvolveu dois importantes trabalhos; analisando dois tópicos da obra “Princípios Mathematicos”, do matemático português Anastácio da Cunha. O primeiro trabalho, denominado “A concepção de infinitésimo presente nos Princípios Mathematicos de I. A. da Cunha”, foi publicado em 1997 no Anais do 2º Encontro Luso Brasileiro de História da Matemática”e 2º Seminário Nacional da História da Matemática – São Paulo, Pp. 361- 368. E, o segundo trabalho, “Aspects of Differential Equations in José Anastácio da Cunha’s Mathematical Principles”, foi publicado na Revista Brasileira de História da Matemática – vol 1 nº 2 (outubro 2001) – p. 27 –36 – Publicação oficial da Sociedade Brasileira da História da Matemática. ISSN 1519 – 955X, cujo resumo transcreveremos abaixo:

“Neste artigo pretendemos analisar o tratamento dado, pelo matemático português José Anastácio da Cunha, às Equações Diferenciais, em sua obra Princípios Mathemáticos Esta obra revela o quanto este autor encontrava-se familiarizado com as investigações de sua época, além de dar um tratamento inovador a determinadas teorias. Seguindo a linha leibniziana, da Cunha não utiliza explicitamente o conceito de limite para definir derivada de uma função; ele o faz por meio de variáveis, infinitésimos e funções. Observamos que sua concepção de infinitésimo traz novidades em determinados aspectos, constituindo basicamente o mesmo conceito de infinitamente pequeno apresentado por Cauchy quarenta anos depois. A teoria das equações diferenciais é desenvolvida a partir das equações exatas e não contem grandes avanços, a não ser um enfoque não muito comum para sua época, da solução de um sistema de equações lineares”.

criou teorias, resolveu problemas mais ou menos difíceis. Cada vez que tinha de resolver uma questão meditava-a profundamente até encontrar a solução mais fácil e levava o seu estudo até aos últimos pormenores numéricos. Assim ocupou- se do problema das órbitas parabólicas dos cometas e deu a primeira solução prática deste problema; ocupou-se do problema da predição dos eclipses e deu método mais fácil para o resolver, do que os processos empregados no seu tempo; ocupou-se da medida de tonéis e deu uma solução que excede em aproximação e não é inferior em simplicidade à melhor das que tinham sido dadas anteriormente; ocupou-se da regra da quadratura de Fontaine e deu pela primeira vez as condições para se aplicar com confiança.”

Um importante produto da reforma pombalina na instituição do ensino universitário português também foi a concessão do privilégio da impressão de livros clássicos de estudos matemáticos.

A reforma de ensino de Pombal se conclui no reinado de D. Maria I, em 1782, com a criação das Escolas Técnicas: a Academia Real de Marinha, a Academia Real dos Guardas Marinha e a Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho, nas quais se ensinava Matemática Pura e Aplicada. Nesse período foi criada também a Academia das Ciências de Lisboa.

Dessa época até 1843, o desenvolvimento científico ficou desacelerado em virtude do fanatismo da Rainha, fazendo reviver a Inquisição, as invasões francesas e guerra civil.

Apesar do ambiente desfavorável às ciências, surgem importantes estudiosos da Matemática como “Garçon Stockler, João Evangelista Torriani, Martins Valente do Couto, os professores Francisco Simões Margiochi e José Maria Dantas Pereira, Francisco de Paula Travassos, o Dr. Francisco Antonio Cieira e Felipe Folque”39

Dentre todos destacaremos Daniel Augusto da Silva, o mais notável matemático português da primeira metade do século XIX, bacharel em Matemática pela Universidade de Coimbra. Sua pesquisa em Mecânica Racional foi de tal modo importante que o capítulo referente à Astática (inicialmente escrito por Maebius, corrigido e organizado por Daniel) pode ser considerado obra portuguesa. Além disso foi o primeiro a fazer o estudo geral sobre as congruências binomiais e também organizou um método para resolver os sistemas de congruências binomiais lineares, o que constitui o conteúdo de sua terceira obra.

Em 1803 criou-se a Academia Real de Marinha e Comércio da cidade do Porto onde o ensino da Matemática ficou sob a responsabilidade de um restrito quadro de lentes.

39

Em 25 de Abril de 1835, foi implantado pelas Cortes o regime constitucional que autorizou o governo a reorganizar o ensino.

Daí foram criadas a Escola Politécnica e a Academia Politécnica do Porto, que substituíram respectivamente o Colégio dos Nobres e a Academia Real de Marinha e Comércio da cidade do Porto, e as Escolas do Exército e Naval, que substituíram as Academias criadas no reinado de D. Maria I.

Edifício da Academia Politécnica do Porto .

Com essa reorganização, a Universidade de Coimbra sofreu várias mudanças: a duração dos cursos foi prolongada, várias cadeiras de Matemática foram desdobradas e os livros textos foram substituídos por outros mais modernos.

“Ao iniciar a segunda metade do séc. XIX, o ensino da Matemática estava normalizado”40.

Nessa época destaca-se o estudioso de matemática Francisco Gomes Teixeira. Sua grandiosa obra, colecionada e reimpressa pelo Estado, é conhecida universalmente. Nela estão abordados trabalhos, equações e derivadas parciais em série, interpolações, equações e derivadas parciais de 2ª ordem, novas demonstrações e aplicações envolvendo funções particulares41. Escreveu também a “História da Matemática em Portugal” (várias informações desse estudo, que constam na Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira, foram citadas no

40 Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira, vol. 16 p. 569

41 No que tange às séries, descobre uma que desempenha, em relação à série de Buermann, papel análogo à de

Laurent em relação à de Taylor; faz várias aplicações dessa nova série e algumas extensões do teorema de Lagrange. Foi premiado pela Academia Real das Ciências de Madrid pelos importantes trabalhos sobre curvas que realizou

presente trabalho). Mas foi a obra “Curso de Análise Infinitesimal”, que marcou o início do rejuvenescimento das Matemáticas em Portugal42.

Inquestionavelmente, todas essas transformações históricas do ensino da Matemática em Portugal encontram ressonância no Brasil-Colônia, uma vez que Pombal expulsa daqui também os jesuítas. Os alicerces do Ensino Superior da Matemática começam a formar-se com a criação da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho no Rio de Janeiro em 1792, transformando-se em Academia Real Militar no Brasil Império (1810).

1.2. Evolução Histórica do Ensino da Engenharia