2.3 Nøkkeltall – alder ved yrkesstart
2.3.2 SSBs utdanningsregister; lavere grads kandidater
Percebe-se, ao longo desses anos, que o surfe tem se apresentado também em um campo de intervenção pedagógico construído mediante uma diversidade de ações que vão desde a implantação de escolinhas de surfe voltadas ao treinamento esportivo quanto à existência de projetos socioeducativos.
O surfe, dentro dessa linha destinada a fins educativos, é encontrado também como um conteúdo (unidade de ensino) presente na grade curricular da matéria de educação física escolar, aparecendo, igualmente, no ensino superior, ora como disciplina dos cursos de graduação em educação física, ora como especializações específicas destinadas à própria modalidade.
Para essa discussão sobre o surfe como prática educativa, compreendendo-o como um espaço de construção dos saberes, é preciso, inicialmente, entender que construções o corpo em movimentado na sociedade pode estabelecer, em razão do surfe ser uma prática corporal.
O corpo, além da relação com o físico, apresenta um papel social, cultural e político diante da sociedade, pois, corporalmente, pode se compreender, descontruir e agir criticamente, transformando os corpos e, por consequência, todo o corpo social.
Como aponta Kunz (2011), o movimento do corpo reflete uma ação humana dotada de significados e sentidos para o meio, pelo seu movimentar-se, introduz-se no mundo de forma dinâmica. Assim, pode-se perceber a relação humano/corpo em movimento como uma forma de compreender o mundo através da ação.
Diante dessa reflexão, pode-se perceber que o surfe, além de desenvolver movimentos corporais particulares do ser humano com o mar, é responsável também por imprimir movimentos culturais e sociais específicos que se repercutem, portanto, fora do mar, como é apresentado na citação abaixo:
Quando pensamos na colaboração mútua entre corpo e ambiente, entre cognição e cultura, rompe-se com a idéia de influência, na medida em que se compreende a relação corpo e ambiente em movimentos de mão dupla, isto é, não é a cultura que influencia o corpo ou o corpo que influencia a cultura, trata-se de uma espécie de ‘contaminação’ simultânea entre esses dois sistemas onde ambos trocam informações de modo a evoluírem processualmente juntos. Nesse sentido, a ‘cultura
surfe’ é alimentada a partir de práticas de incorporação, mas também de inscrição, como a ampla divulgação de filmes, revistas, jornais, instrumentos de publicidade que a todo o momento inscrevem as marcas, os símbolos e valores desse estilo de vida nos diversos espaços urbanos. (ALBUQUERQUE, 2006, p. 142).
Assim, percebemos o surfe como uma prática corporal dotada de construções além do físico e do mar, carregada de significados culturais e sociais. Diante dessas relações, o surfe tem se mostrado como um importante campo de intervenção pedagógica.
Trabalhando as várias dimensões dos seres humanos, o surfe poderá promover a aprendizagem de conhecimentos, habilidades, sentimentos e valores, a partir de um sistema global de relações objetivas e subjetivas de seu próprio contexto, moldando, inclusive, identidades pessoais através da incorporação consciente ou inconsciente de formas de pensar e agir no mundo (RAMOS; BRASIL; GODA, 2013).
Diante desse contexto, ressalta-se a importância do surfe como forte aliado no processo pedagógico dos jovens, pois sua aprendizagem, além de trazer avanços nos aspectos físicos e motores, proporciona um desenvolvimento de forma integral. Isso acontece porque o surfe pode auxiliar no desenvolvimento psicomotor, social e psicológico dos sujeitos praticantes, desenvolvendo, também, competências como a cooperação, a interação com o outro e com a natureza, aspectos importantes para a construção de sua identidade social.
Estar envolvido em uma atividade que nos revela sensações diversas a todo o momento, nos une em uma relação que se confunde no afeto no companheirismo, na responsabilidade com o próximo e com a natureza, e nos torna mais capazes de conviver em sociedade, sem que necessite de um resultado final para se alcançar os objetivos pré-estabelecidos. (NETO; WENDHAUSEN, 2007, p. 8).
Basta pesquisar pelo termo “escolinhas de surfe” na internet para perceber a existência de vários projetos e escolas destinadas ao ensino de tal modalidade em nosso país, com propostas que vão desde serviços pagos até aquelas ofertadas gratuitamente, enfocando o trabalho com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. “Já é muito comum encontrar diversas escolas de surfe e instituições de ensino que possuem em seu programa extracurricular, o ensino deste esporte” (NETO; WENDHAUSEN, 2007, p. 02).
Os objetivos, o público, a visão, a abordagem, a estrutura dessas iniciativas são variadas, pois existem tanto as dedicadas à iniciação esportiva voltada para a preparação e profissionalização do atleta para competição, como aquelas que têm como objetivo central o compromisso social.
Devido as diferentes oportunidades profissionais e financeiras de cada região do país, as diferenças encontradas entre as escolas de surfe de diferentes regiões do país são impressionantes. Veja a situação de crianças no Ceará, por exemplo, onde aprendem a modalidade em tábuas de madeira, sem a menor infraestrutura e mesmo
assim é considerado um dos maiores berços de atleta do Brasil. (SOUZA, 2003, p. 20).
Essa última se configura como projetos sociais que usam o surfe como prática educativa para uma determinada comunidade, sendo também nosso ponto central nessa investigação. São ONGs, escolinhas e projetos sociais que contribuem para o emprego do surfe como ferramenta de inclusão social, auxiliando de forma direta ou indireta outras áreas educacionais (NOGUEIRA, 2016).
Além de desenvolver o ensino do surfe, esses projetos estão interessados na educação e no desenvolvimento da consciência crítica de cada indivíduo, para que eles possam se reconhecer como sujeitos ativos e participantes do seu grupo e da sociedade, construindo, junto com o surfe, valores e habilidades sociais que vão desde o respeito ao próximo à preservação da natureza (GALIAZZI; JUNIOR; NETO, 2000).
São propostas que apresentam como objetivo o resgate da cidadania, utilizando o surfe como ferramenta de inclusão social para a transformação da realidade. A concepção que coordena essas ações sustentáveis de inclusão se fundamenta no esporte educacional.
Ao entrarmos nessa discussão, é importante tecermos algumas reflexões esclarecedoras em relação ao papel do esporte como prática social educativa, devido à existência de diversas formas de articulação dessas ações sociais.