• No results found

squid, Loligo opalescens, with application to monitoring escapement

In document fh_2003_12-1.pdf (5.610Mb) (sider 79-89)

2007.

Essas práticas cotidianas entre as mulheres santomenses fazem que tenham uma relação afetiva com o ambiente, e, por sua vez, o identificam como lugar. É comum, verificar nos mananciais que cortam as estradas, essas práticas, como a de lavar roupas/louças de maneira comunitária, serem disseminadas. De acordo com Valencio (2010a: 43), as mulheres santomenses organizam a rotina de suas tarefas:

(...) como um evento coletivo no qual compartilham, com as mesmas técnicas corporais, a mesma labuta; porém cada qual orientada para os cuidados com os bens da sua própria família. Lavar a roupa e outros pertences, como panela e afins, nos rios e córregos é uma prática comum entre as mulheres são-tomenses da zona rural e faz com que as mesmas tenham uma ligação muito forte e afetiva com esse

ambiente, transformado em lugar. Águas e pedras, entre mulheres a conversar e crianças a brincar. Roupas estendidas por todos os cantos, demarcando o espaço das mulheres, elementos de uma paisagem social na qual a tradição transcende a mera necessidade e é transmitida, como conhecimento empírico, de mãe para filha, tornando-se uma prática cultural que define uma vida comunitária a partir de um fazer do mundo privado.

Diante das dificuldades vivenciadas pelos ilhéus, é notável certo esforço governamental para melhorar as condições de vida existentes12, porém o desenvolvimento encontra-se condicionado por um conjunto de fatores constrangedores, provenientes da insularidade, da dimensão, dos modos de vidas, da falta de educação ambiental, da elevada taxa de analfabetismo e da instabilidade política. O governo santomense busca novos investimentos e acordos multilaterais para que a realidade deste país seja alterada, principalmente no que tange aos efeitos das mudanças climáticas.

Neste sentido, o governo santomense tem buscado por ações concretas e financiamentos junto à comunidade internacional, para que sejam garantidos os direitos de sobrevivência da nação. Conforme afirmou o Presidente Fradique Menezes, durante à Assembleia-Geral da ONU, ocorrida em 29 de setembro de 2009:

São Tomé e Príncipe é um micro-Estado, que possui uma microeconomia. Por conseguinte é um país pobre e vulnerável. Mas apesar de todos os constragimentos da periferia não ficou imune aos efeitos da crise. Num mundo confrontado com a crise econômica e financeira global a que se associa o impacto negativo das alterações climáticas, há a necessidade de garantir a segurança energética e alimentar. Compele-nos enfrentar esses desafios através de um multilateralismo activo.13

Assim, o governo luta pela consolidação do orçamento a fim de reforçar a capacidade da administração fiscal, tendo em conta que a política monetária passou a ser determinada, a partir de 1º de janeiro de 2010, pela necessidade de se manter a paridade cambial com o euro (EUR). Além disso, busca um resultado positivo do “Novo Plano Estratégico de Desenvolvimento Nacional”, adotado desde maio de 2009, cujas metas principais consistem na evolução do país para uma economia baseada nos serviços, cujo crescimento encontra-se nos pilares: da promoção de um ecoturismo, da prestação de serviços no setor dos transportes e das atividades de pesquisa e o da produção petrolífera no golfo da Guiné. Nessa visão, se inclui a futura criação de uma zona de comércio livre, da promoção da pesca orientada de acordo com as regulamentações da Lei de Pesca, além da reestruturação do

Entreposto de Neves, gerando maiores subsídios e incentivo ao desenvolvimento da economia do país.

No entanto, para materialização e realização dessas metas, o governo santomense dependerá de recursos financeiros e humanos, o que se torna ainda mais difícil diante da escassez de recursos humanos qualificados e da degradação das infraestruturas locais, exigindo-se uma forte determinação e estabilidade política, para que possa se garantir a segurança e o apoio financeiro internacional de que o Estado de São Tomé e Príncipe tanto necessitam.

4.2 – Mudanças climáticas e seus efeitos em São Tomé

Mesmo se mantendo constante nos índices de contribuição de emissão de gases de efeito estufa (GEE’s), São Tomé sofrerá os efeitos do clima, não apenas com a elevação do nível do mar, que por sua vez levará a perda de parte ou totalidade do território (por inundação ou erosão costeira), mas por implicações nas mais variadas formas de ocupação corrente, na economia e nas infraestruturas locais estabelecidas.

Os estudos do “Inventário de gases com efeito estufa - GEEs” e da “Estratégia nacional de adaptação sobre mudanças climáticas” permitiram obter informações sobre as emissões de gases com efeito estufa e mudanças climáticas em São Tomé, além de políticas e medidas para assegurar um desenvolvimento durável (SANTANA, 2010a).

De acordo com os estudos mencionados, STP emitiu cerca de 568.663,87 toneladas E-CO2, ao mesmo tempo que absorveu 1.544.545,2 toneladas, cujos responsáveis

por essa emissão foram os setores de energia e transporte. Entre os anos de 2002 e 2003, por exemplo, STP teve apenas a contribuição de 0,001 tanto na escala das Nações Unidas quanto na escala revisada da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (CQNUMC) (SANTANA, 2010a).

Desse modo, a pequena Ilha de São Tomé, com desenvolvimento ainda frágil e com 53% da população abaixo da linha da pobreza14, conta muito pouco no cálculo de

responsabilidade ambiental das mudanças climáticas do planeta, mas encontra-se altamente vulnerável aos riscos dessas mudanças, as quais deixaram de ser uma ameaça, mas se tornaram uma realidade cada vez mais próxima aos santomenses, pois esse território poderá desaparecer do mapa a qualquer momento futuramente. No contexto de insularidade, as alterações do clima constituem uma preocupação não apenas governamental, mas de toda

população do país, na medida em que as mudanças se tornam visíveis e colocam bairros, casas e ilhéus em constante perigo, além dos diversos setores como: a agricultura, floresta e pecuária; pesca; obras públicas, infraestruturas e turismo; energia e água; saúde; segurança pública e proteção civil.

No âmbito dessa problemática, impactos previstos como a alteração no regime de chuvas; a intrusão de água salgada nos mananciais de água doce; o aumento da freqüência dos fenômenos climáticos extremos, como furacões, tempestades e ciclones; secas prolongadas; o comprometimento do abastecimento hídrico; os riscos de inundações; a quebra de safras; além de novos surtos de pragas e doenças passam a ser uma realidade (PANA, 2006). Aliados a esses impactos, a RDSTP ainda conta com fatores sociopolíticos internos e externos como agravantes, como as instabilidades políticas, o crescimento populacional, a dependência de importação de bens, o aumento do desemprego, da pobreza, da dívida externa, entre outros.

Entre os problemas mais preocupantes apontados pelo PANA/STP, encontra-se a elevação do nível do mar, visto que a maior parte das atividades econômicas são realizadas nas regiões costeiras e grande parte da população se concentra nesta região, onde se estabelece o centro dinâmico da vida social e econômica das comunidades, em especial da capital (VALENCIO, 2010b). A capital São Tomé, se localiza à beira mar e já possui bairros alagados e passadeiras destruídas, como pode ser verificado nas fotos 14 e 15, bem como infraestruturas costeiras vitais se encontram ameaçadas, como as principais rodovias, portos e o aeroporto internacional, cujo prolongamento de 400 metros de pista encontra-se para dentro do mar e próximo ao nível das águas (Foto 16), podendo desaparecer a qualquer momento sob as águas (SANTANA, 2010b).

In document fh_2003_12-1.pdf (5.610Mb) (sider 79-89)