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1 entrada + 2 ortoépia/pronúncia + 3 língua (só pal. ou loc. estrangeiras)/(tradução literal)/marca registrada + 4 classe gramatical (em sub- blocos e blocos) + 5 datação + 6 acepções: numeração + 7 regências (só verbos)/qualificativos complementares de conjunções, numerais e pronomes + 8

derivação semântica e acepção restritiva {uso do freq.} + 9 rubrica temática +

10 regionalismo + 11 nível de uso + 12 estatística de emprego + 13 registro

diacrônico + (plural com sentido próprio) + 14 locuções + 15 gramática (ou uso

ou gramática e uso) + 16 etimologia + 17 sinonímia + 18 antonímia + 19

coletivos + 20 homonímia + 21 paronímia + 22 vozes de animais + 23 onomasiologia (Detalhamento do verbete. In: Houaiss (versão 1.0, dezembro de

2001)).

A entrada ou unidade léxica é o vocábulo, locução, frase ou elemento de composição

que inicia o verbete, sendo objeto de definição e de informação. Apresenta-se sempre em

negrito e em um tipo de letra arredondado, tratando-se de língua portuguesa; unidades léxicas

oriundas de outras línguas apresentam-se em negrito de tipo itálico. Usa-se letra maiúscula

quando se tratar de símbolos científicos, siglas que assim ocorrerem, marcas comerciais se

assim registradas, verbetes chamados etnônimos brasílicos ou palavras em que esse uso é

obrigatório: nomes sagrados, mitônimos, astrônimos. Registram-se com iniciais minúsculas as

palavras que em sua língua de origem se escrevem com maiúscula, como, por exemplo, os

substantivos alemães.

As unidades lexicais homônimas, homógrafas e homófonas têm um algarismo alceado

à esquerda da unidade léxica definida. A sua ordem de numeração de entrada liga-se à data

em que ocorreram pela primeira vez no português, quando esta é conhecida. Caso não se

conheça esta data, a unidade lexical mais conhecida, ou que apresente sentido mais recorrente,

apresenta-se primeiramente.

Ao tratar das unidades homônimas, homógrafas e não homófonas, o dicionário não

apresenta este alçamento nas entradas já que a ortoépia justifica-as como palavras de entradas

distintas. No registro apresentam-se primeiramente as homônimas, homógrafas e não

homófonas de timbre aberto.

A ortoépia ou indicação normativa da pronúncia de uma unidade lexical e a

transcrição fonética são apresentadas entre barras, imediatamente após a entrada. A

transcrição fonética apresenta-se em palavras e locuções de outras línguas, ao passo que a

ortoépia é indicada em verbetes da língua portuguesa somente.

Ao tratar-se de entradas estrangeiras, a obra lexicográfica registra a pronúncia em

transcrição fonética. O manual do dicionário ressalta que há, no entanto, um pequeno número

de palavras estrangeiras para as quais “o dicionário não fornece [a trancrição fonética], por

não tê-las obtido em tempo útil para esta.” (HOUAISS 1.0, 2001)

Um outro esclarecimento quanto à pronúncia é a opção do dicionário, ao tratar de

pronúncias divergentes:

(i)

entre o inglês norte-americano e o britânico, optou-se por representar a

primeira delas, por mais corrente no mundo atual;

(ii)

em relação ao latim e grego, respeitou-se, na transcrição dos vocábulos, a

marcação das vogais longas e breves segundo o sistema tradicional,

utilizando-se os diacríticos ` (braquia) e ¯ (macro) sobrepostos à vogal,

para indicar se é breve ou longa, respectivamente;

(iii)

na pronúncia reconstituída do latim clássico, a quantidade geralmente recai

na penúltima sílaba da palavra;

(iv)

ao lado da pronúncia reconstituída do latim, utilizada para os vocábulos do

latim clássico, em que c e g seguidos de i ou e soam /k/ e /g/,

respectivamente, o dicionário fornece também, em alguns casos, a sua

pronúncia corrente, a do latim eclesiástico ou a do latim escolástico.

Acerca das unidades léxicas provenientes de outras línguas, o manual do dicionário

apresenta ainda outros esclarecimentos: indica posteriormente à pronúncia, no caso das

unidades léxicas estrangeiras, a língua a que pertence tal unidade ou locução. Essa indicação

faz-se entre colchetes e de forma abreviada, quando se trate de línguas de empréstimo mais

corrente ao português, e entre colchetes e por extenso nos outros casos.

Para as unidades lexicais ou locuções de línguas estrangeiras, além da indicação de sua

língua, o dicionário apresenta, em alguns casos, uma tradução literal do seu significado entre

aspas seguindo-se da abreviação lit. (de literalmente). Isso ocorre em casos em que tal

tradução não se faz ao pé da letra no texto da acepção que o dicionário fornece ou ainda

quando essa informação não consta na etimologia.

A classificação gramatical da unidade léxica segue as informações de pronúncia e

ortoépia; essa informação apresenta-se sempre em itálico, abreviada, com letras minúsculas,

pontos intermediários ou finais, e sem espaços em branco entre seus elementos. A essa

categoria acrescentam-se indicações de locução, redução, abreviatura, sigla, símbolo e

apositivo. Tratando-se de verbos, a regência aparece separadamente da classe gramatical; essa

informação regencial repete-se em todas as acepções, mesmo sendo a mesma. Entre a classe e

a primeira acepção, pode haver outros elementos, como, por exemplo, uma datação.

A datação vem entre parênteses e segue-se à classe gramatical. Ela registra a data do

primeiro registro conhecido ou estimado de uma palavra, indicando a fonte onde ocorreu ou

da primeira obra lexicográfica que a incluiu em seu acervo.

O manual do dicionário cita e explica as várias fontes usadas para a demarcação da

datação, detalhando toda a simbologia e mecanismos criados para que o consulente possa

através do material de pesquisa solucionar suas dúvidas. Por exemplo, a fim de demarcar

cronologicamente o vocabulário medieval (até o século XV) usou-se, principalmente: o

Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, do filólogo José Pedro Machado (JM),

retrodatações levantadas por estudiosos, como o Prof. José Alves Fernandes, da Universidade

Federal do Ceará, e abonações documentadas por Antônio Geraldo da Cunha e seus

colaboradores. Mas evidentemente essas obras não deram conta de todo o vocabulário do

português medieval; foi necessário à equipe lançar mão de outras obras e para tanto outros

mecanismos precisaram ser elaborados para fins de indicação, todos apresentados e

detalhados de modo exaustivo no dicionário.

Quando o dicionário apresentar ao consulente informações adicionais referentes à

datação, essas estão registradas ao fim do campo da etimologia, após ponto-e-vírgula e a

abreviatura "f.hist.", apresentando com letra arredondada, as formas históricas com grafias

diferentes da atual. Esse registro compreende a data, em redondo, e a forma gráfica, em

itálico.

A datação de um verbete refere-se, a principio, tanto à classe gramatical do primeiro

bloco do verbete quanto à primeira acepção nele registrada. Em casos em que outras

informações precisavam ser explicitadas,como ocorreu na etimologia, o dicionário lança mão

de casos especiais, mas na maioria das vezes, o que ocorre é uma explicação maior a cerca

dessa datação no campo destinado à etimologia. Também, em alguns casos os critérios

morfológicos interferiram na datação do verbete, fato bem detalhado no manual do dicionário.

No campo da definição usam-se números para diferenciar as acepções e subitens

numéricos para acepções restritivas, mas que se seguem a acepções mais gerais. O dicionário

Houaiss 1.0 (2001) não abona com textos literários as acepções que registra , diz valer-se para

esse efeito da abonação feita pela datação, que simplesmente não é transcrita. Alguns

exemplos de uso das palavras, locuções e regências registradas, freqüentemente inspirados em

abonações recolhidas em livros, jornais, revistas, catálogos, comunicações, entre outros são

apresentados pelos redatores; esse exemplos mostram-se entre parênteses angulares (< >),

sem ponto final, e não usam letras maiúsculas, exceto nos casos em que isto seja exigido pela

norma da língua, muitas vezes a unidade definida é abreviada:

referir (...)

bitransitivo e pronominal

4 fazer menção a; reportar(-se), aludir(-se)

Ex.: <os mestres referiram atos exemplares aos alunos> <ele se refere à viagem> pronominal (...)

caminho (...)

4 Derivação: por extensão de sentido. espaço percorrido por um corpo em movimento

Ex.: <o c. do pássaro no céu> <o c. do sol na galáxia>(HOUAISS 1.0, 2001)

Quanto à ordem de apresentação das acepções, como já foi dito, parte-se daquela com

datação mais antiga, ou quando não é possível, da mais conhecida. Ao longo da definição,

diferentes acepções, mas que apresentam alguma ligação, por exemplo, por derivação

semântica, ligam-se através de remissões.

A rubrica temática visa informar ao consulente a área de conhecimento a qual

determinada unidade lexical pertence, vindo nesse dicionário após o número referente à

acepção e em versalete (1 ÁLG ... 2 BOT ... 3 QUÍM ... ); quando se trata de locução um

ponto foi usado entre a abreviação da primeira e a abreviação da segunda palavra. No caso de

a rubrica referir-se a todas as acepções do verbete, vem antes do número correspondente à

primeira acepção.

Todas as formas de apresentação da rubrica mantêm-se para estatística de

emprego(não explicada pelas notas introdutórioas do dicionário), regionalismo, nível de uso e

registro diacrônico.

São exemplos demarcados como regionalismos pelo Houaiss 1.0 (2001): os estados ou

regiões brasileiras (podendo vir essa informação detalhada entre parênteses), brasileirismos

(dialetismos usados em quase todo o território nacional), lusismo (dialetismos usados em

quase todo o território português), entre outros.

A expressão “regras de uso” refere-se à faixa lingüística de expressão em que a

unidade lexical ou a acepção é utilizada. O dicionário informa os seguintes níveis de uso nas

unidades, locuções e acepções que registra: sentido absoluto abs.; linguagem formal frm.;

linguagem informal infrm.; jargão da droga drg.; linguagem policial, de delinqüentes ou de

criminosos cr.; tabuísmo tab.; uso impróprio impr.; linguagem eufemística euf.; linguagem

pejorativa pej.; linguagem irônica iron.; palavra ou acepção jocosa joc., e linguagem

hiperbólica hiperb.

As informações do registro diacrônico servem para contexturalizar no tempo o

emprego de determinadas unidades lexicais. Para essa obra, classificam-se em arcaísmos as

unidades lexicais ou variantes usadas do português medieval até o português camoniano

(século XVI), quando ocorreu a extinção do seu emprego dentro desse intervalo. Agrupam-se

como antigos os vocábulos, locuções, expressões e acepções usados na língua do século XVI

ao XIX, mas que já não são empregados desde o início do século XX. E determinam-se

como Obsoletos e obsolescentes as unidades, locuções ou acepções que deixaram de ser

empregados já no século XX, ou cujo uso se acha em processo de marginalização. A

Arqueologia verbal é a categoria atribuída a palavras e acepções (não vivas na língua)

resgatadas dos vocabulários de línguas antigas (latim e grego), depois de se adaptarem aos

modelos atuais a sua fonética e grafia.

Na obra, as observações são introduzidas no corpo da definição, tendo para tanto um

sinal ou símbolo especifico, podendo indicar maiusculização, formas não preferenciais,

antinomia conceitual, casos especiais de datação, classificação verbal, regência, indicando

forma aportuguesada de vocábulo estrangeiro e exceções quanto à composição de palavras

hifenizadas.

Quanto às remissões, podem ocorrer de forma a indicar sinonímia somente, para

excluir áreas do conhecimento – normalmente utiliza-se para tanto da rubrica-, podendo

realizar-se ainda de modo direto (imperativa) ou indireto (discreta, sugestiva).

O dicionário apresenta também para grande parte dos vocábulos referências quanto ao

uso gramatical, além de sinonímia, antonímia e plural.

O manual do Dicionário Eletrônico Houaiss 1.0 (2001), em alguns casos, busca

detalhar de forma tão minuciosa seus objetos e elementos que compõem a microestrutura do

dicionário que acaba tornando-se maçante. Talvez, em uma edição futura possa o consulente

encontrar nessa obra tudo aquilo que espera ser apresentado por ela após a leitura de sua

apresentação, manual e demais notas introdutórias; o dicionário apresenta um grande volume

de informações, no entanto, não é sistemático.

4 METODOLOGIA

O presente trabalho visa a analisar o procedimento lexicográfico dado as unidades

léxicas provenientes de outras línguas pelos dois dicionários apresentados no item 3. Para

tanto, constituiu-se um corpus com todas as unidades demarcadas no Aurélio 3.0 (1999) como

provenientes de outras línguas. Devido ao grande volume (1642 unidades léxicas oriundas de

outras línguas e marcadas como recentemente incorporadas, sendo 652 de língua inglesa),

definiu-se que somente os anglicismos seriam objeto da análise nesse momento.

A analise partiu do Aurélio 3.0 (1999) por ser esse dicionário anterior ao outro e por

apresentar uma marcação mais facilmente visualizada

2

(ao rolar a janela de listas) para as

unidades léxicas provenientes de outras línguas. Além disso, o verbete do Aurélio 3.0 (1999)

apresenta um menor número de informações, em relação ao Houaiss 1.0 (2001), e a tarefa

parece ser mais fácil ao analisar, desse modo, um verbete que apresenta um menor número de

informações para depois compará-lo com aquele que se propõe a apresentar um maior

número, como é o caso do Houaiss 1.0 (2001).

Posteriormente, procedeu-se, então, a um levantamento de todas as unidades lexicais

marcadas como oriundas da língua inglesa pelo dicionário Houaiss 1.0 (2001). Nesse

momento, 1072 unidades foram arroladas.

Selecionadas essas unidades, apoiando-se em nas bases teóricas, o trabalho promoveu

uma análise comparativa destes dois corpora, verificando dados como a ocorrência ou não

das unidades levantadas no Aurélio 3.0 (1999) no dicionário Houaiss 1.0 (2001). Nesse

momento, foi possível extrair todos os anglicismos comuns entre as duas obras lexicográficas.

Ao confrontar os dois verbetes, privilegiou-se, principalmente, a definição

apresentadas por ambos, assim como sua forma de apresentação e a grafia adotada por cada

um deles para a unidade léxica analisada.

Para eliminar eventuais dúvidas em relação a trajetória, mudança ou adoção de uma

outra acepção da unidade em relação a sua língua de origem, foram usados os dicionários

Longman (1993) e Michaelis (2005), o primeiro inglês-inglês, e o segundo inglês-português.

O modo encontrado para corroborar a necessidade de dicionarização de um anglicismo

foi a busca das unidades léxicas comuns às duas obras lexicográficas no Corpora do

2 O dicionário Houaiss 1.0 (2001) também marca com o negrito itálico as unidades léxicas oriundas de outras línguas, mas essa marcação parece ser menos identificável em meio ao todo:

Laboratório de Lexicografia da Faculdade de Ciências e Letras, Campus de Araraquara. Junto

com a definição e grafia, a presença ou ausência no corpora foi o outro mecanismo distintivo

– classificatório – utilizado na análise das unidade.

4.1 Corpora do Laboratório de Lexicografia da Faculdade de Ciências e