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I. l BAKGRUNN

6. RISIKOVURDERING

6.5 SPREDNINGSANALYSE

A Psicanálise originou-se, especialmente, das inquietações de Sigmund Freud (1856-1939) e propõe um método de tratamento das perturbações ou distúrbios da mente. A terapêutica pela catarse hipnótica, iniciada por Breuer, deu excelentes resultados, não obstante as inevitáveis relações que se estabeleciam entre médico e paciente. Posteriores investigações levaram Freud a modificar essa técnica, substituindo a hipnose por um método de livre associação de ideias.

Em O Ego e o Id e outros trabalhos, Freud faz a seguinte colocação sobre as primeiras experiências com base na Psicanálise:

O fator decisivo, em seu caso, foi a experiência de um médico vienense, o Dr. Josef Breuer. Em 1881, independentemente de qualquer influência externa, ele pôde, com o auxílio da hipnose, estudar e restituir à saúde uma jovem muito bem dotada que sofria de histeria (FREUD,1976, v. 19, p. 241).

No entanto, somente quinze anos depois, quando toma Freud como colaborador, essa experiência chegou ao conhecimento do público e, depois de publicarem juntos Estudos sobre Histeria, Freud continua sozinho suas pesquisas. Segundo o pai da Psicanálise, a principal contribuição de Breuer fundamenta-se na ideia de que os sintomas de “pacientes histéricos baseiam-se em cenas do seu passado que lhe causaram grande impressão”, embora tenham sido esquecidas – traumas. A análise consistia na tentativa de fazer o paciente lembrar e reproduzir essas experiências pela hipnose – catarse (FREUD, 1974 v. 14, p. 20). A primeira divergência com Breuer, de acordo com o próprio Freud, teve raízes na questão relativa ao “mecanismo mais apurado da histeria”. Freud escreve:

Ele dava preferência a uma teoria que se poderia dizer, ainda até certo ponto fisiológica: tentava explicar a divisão mental nos pacientes histéricos pela ausência de comunicação entre vários estados mentais (‘estados de consciência’, como os chamávamos naquela época), e construiu então a teoria dos ‘estados hipnóticos’ cujos produtos se supunham penetrar na consciência desperta como corpos estranhos não assimilados. Eu via a questão de forma menos científica; parecia discernir por toda parte tendências e motivos análogos aos da vida cotidiana, e encarava a própria divisão psíquica como efeito de um processo de repulsão que naquela época, denominei de ‘defesa’, e depois de ‘repressão’ (FREUD, 1974, v. 14, p. 21).

Em suas observações, Freud, cada vez mais persistente, direcionou sua atenção para a significação da sexualidade na etiologia das neuroses, afirmando que sempre pareceu que a prova mais certa de que as forças impulsionadoras das neuroses sempre estiveram presentes na vida sexual (FREUD, 1974, v. 14, p. 22).

Acrescidos ao processo catártico pela hipnose, como fatores contribuintes para que a psicanálise fosse cada vez mais solidificada, pode-se incluir a teoria da repressão e da resistência, o reconhecimento da sexualidade infantil e a interpretação dos sonhos como fontes para se chegar ao inconsciente. Segundo Freud (1974, v. 14, p. 25), “A teoria da repressão é a pedra angular sobre a qual repousa toda a estrutura da psicanálise”. Adotando esta concepção, Freud acreditava que o método de hipnose (restituição da lembrança ao paciente, daquilo

que ele havia esquecido, embora após o ato hipnótico, nada seria lembrado) ocultava a resistência e, portanto, substituiu-o pela “associação livre” – fala espontânea com objetivo de colher material do inconsciente.

A interpretação dos sonhos surgiu, segundo Freud (1974, v. 14, p. 29), como prenúncio do método que ele adotara, concluindo, posteriormente, que as associações dos pacientes pouco contribuíam para a compreensão do simbolismo presente na linguagem dos sonhos. Pouco depois, descobre que a distorção dos sonhos é consequência de um conflito interno, elabora, então, a teoria dos sonhos e publica A interpretação dos sonhos (1900-1901). Nesse trabalho Freud (1974, v.5, p. 297-300) escreve que os sonhos são produzidos pelo processo de condensação o qual funde elementos de um conteúdo latente num único elemento e em relação com um conteúdo manifesto. No conteúdo latente permeiam ideias e no conteúdo manifesto permeiam imagens. Nesse mesmo volume, Freud (1974, v.4, p. 325-329) escreve sobre outro processo, não menos importante, nomeando-o de deslocamento e caracterizando-o como resultado da censura, em que um elemento do sonho, no âmbito latente, é substituído por um dos fragmentos que o constituem. Ocorre uma transferência da importância que tem uma ideia para outra completamente diferente e distante dela.

Em 1907, a psicanálise passa a despertar interesse quando, em 1908, a convite de Jung, realizou-se o primeiro Congresso Psicanalítico (com a união de Viena, Zurique e outros lugares), tendo como fruto um periódico sob a direção de Freud e Breuer, editado por Jung e circulando pela primeira vez em 1909.

Houve um período de efervescência, especialmente em Zurique e uma ponte à psicologia experimental fora levantada. Dinfundida em vários lugares, o local de maior discordância entre médicos e leigos foi a Alemanha que, inicialmente, não reconheceu a psicanálise. No entanto, o movimento crescia como afirma Freud (1974, v.14, p. 48-49), silenciosamente e em segurança, atraindo, cada vez mais, um número maior de novos leitores. Com esse avanço, ele afirma que começam a surgir pesquisas envolvendo a psicanálise com outros saberes, como foi o caso da inclusão da psicanálise nos mitos – Riklin (1908), Abrahan (1909) e Rank (1909 e 1911). Posteriormente, o simbolismo dos sonhos levou ao âmago do problema da mitologia, do folclore – Jones (1910 e 1912) e da religião – Slorfer (1914). E um discípulo de Jung faz uma correspondência entre fantasias esquizofrênicas e as cosmogonias dos tempos e raças primitivas. Já em relação às ciências da linguagem

e da história, o campo parecia inicialmente improdutivo. No entanto, o médico austríaco acreditava no porvir de ricas conexões entre a psicanálise e outras ciências. Freud escreve:

Com este esboço incompleto tentei dar uma ideia da riqueza ainda incalculável de conexões que surgiram entre a psicanálise médica e outros campos da ciência. Existe aí material de trabalho para uma geração de pesquisadores, e não duvido que será realizado tão logo as resistências contra a psicanálise sejam superadas em seu campo de origem (FREUD, 1974, v. 14, p. 50-51).

Assim é que Freud, gradativamente, foi construindo a psicanálise a partir de suas inquietações e descobertas que proporcionaram o seu engendramento teórico. Sua teoria é complexa e composta de vários elementos que vão se desenvolvendo e dando forma à psicanálise. Na verdade, a base da concepção freudiana são as argumentações sobre as pulsões7, a repressão e o inconsciente. Freud vai compreender, inicialmente, a psique humana composta de um consciente e um inconsciente:

O inconsciente é a esfera mais ampla, que inclui em si a esfera do consciente. Tudo o que é consciente tem um estágio preliminar inconsciente, ao passo que aquilo que é inconsciente pode permanecer nesse estágio e, não obstante, reclamar que lhe seja atribuído o valor pleno de um processo psíquico. O inconsciente é a verdadeira realidade psíquica; em sua natureza mais íntima, ele nos é tão conhecido quanto à realidade do mundo externo, e é tão incompletamente apresentado pelos dados da consciência quanto o é o mundo externo pelas comunicações de nossos órgãos sensoriais (FREUD,1976, v.5, p. 651).

O médico austríaco acreditava que o “estar consciente” seria um termo estritamente descritivo, uma vez que repousa na percepção do imediato e certo. Mais tarde, Freud (1976, v.19, p. 25) concebe um Id, um Ego e um Superego: os dois últimos como pertencentes à esfera do consciente, enquanto o primeiro, ao inconsciente. Para ele, o inconsciente é caracterizado a partir do conceito de repressão:

O reprimido é, para nós, o protótipo do inconsciente. Percebemos, contudo, que temos dois tipos de inconsciente: um que é latente, mas capaz de tornar-se consciente, e outro que é reprimido e não é, em si próprio e sem mais trabalho, capaz de tornar-se consciente (FREUD, v.19, 1976, p. 27)

7

Dependendo da tradução dos trabalhos de Freud, instinto foi empregado para designar pulsão. Apesar de a fonte para a pesquisa deste trabalho constar instinto, será usado, predominantemente,

A este inconsciente latente, que pode se tornar consciente, sem muito esforço, Freud vai chamar de pré-consciente, enquanto restringe o termo inconsciente ao reprimido dinamicamente. Para ele, o ser humano possui dois tipos de pulsões – as sexuais e as de sobrevivência, embora seu foco fosse em relação às primeiras pulsões que são despertadas pela mãe (ou qualquer outra pessoa responsável pelo cuidado da criança). Nesta instância, ninguém escapa da sedução dos cuidados maternos, que dão origem também ao complexo de Édipo. Freud escreve:

A relação de uma criança com quem quer que seja responsável por seu cuidado proporciona-lhe uma fonte infindável de excitação sexual e de satisfação de suas zonas erógenas. Isto é especialmente verdadeiro, já que a pessoa que cuida dela, que, afinal de contas, em geral é sua mãe, olha-a ela mesma com sentimentos que se originam de sua própria vida sexual; ela o acaricia, beija-a, embala-a e muito claramente a trata como um substitutivo de um objeto sexual completo (FREUD, 1976 v.7, p. 229).

Essas pulsões despertadas passam a ser reprimidas pelos próprios pais. Com o passar do tempo, esta repressão é introjetada. É quando o sujeito, através do Superego (censura), se “reprime”, realizando, com isso, o recalcamento, com uma espécie de “afastamento” desses desejos do consciente. Acontece, porém, que os desejos reprimidos continuam existindo no inconsciente e, uma vez reprimidos, estão passíveis de manifestação. Isso acontece quando fragilizada a consciência, os desejos se revelam em sonhos, fantasias, atos falhos, chistes e outras manifestações.

Segundo o autor, o inconsciente não segue uma organização temporal, dado responsável pela prisão do sujeito ao passado, o que o faz sofrer no presente os acontecimentos traumáticos daquele tempo. É por isso que o tempo do sujeito não segue uma linearidade, flutua do presente ao passado e do passado ao futuro. Em Além do Princípio do Prazer, Freud afirma:

Aprendemos que os processos mentais inconscientes são, em si mesmos, ‘intemporais’. Isso significa, em primeiro lugar, que não são ordenados temporalmente, que o tempo de modo algum os altera e que a idéia de tempo não lhes pode ser aplicada (FREUD,1976, v.13, p. 43).

Sentindo-se cansado e incapaz fisicamente de continuar a luta, Freud acreditava que o lugar de líder devia ser ocupado por alguém mais jovem e confiou a Jung a posição de chefe da Associação Psicanalítica Internacional. A dissidência

entre Freud e Jung foi inevitável e pouco depois com Adler, colocando os integrantes da Associação em caminhos divergentes: Freud continua acreditando em sua descoberta; Jung cria a Psicologia analítica e Adler a Psicologia individual.

Depois de Freud, muitos outros psicanalistas contribuiram para o desenvolvimento e importância da psicanálise, entre os quais pode-se lembrar Melanie Klein, Winnicott, Bion e André Green. Entretanto, a principal alavancagem da psicanálise, que conciliou ao mesmo tempo a inovação e a proposta de um "retorno a Freud" aconteceu através do psicanalista francês Jacques Lacan. Sua interpretação original da obra de Freud rendeu controvérsias com a Associação Psicanalítica Internacional. Fundou a dissidente Escola Freudiana de Paris, em 1964, quando já era conhecido pelos estudos sobre linguagem. É dele o axioma “o inconsciente é estruturado como uma linguagem” (LACAN, 2002, p. 193). A partir daí outros importantes autores surgiram e convivem em nosso tempo, como Francoise Dolto, Serge André, J-D Nasio e Jacques-Alain Miller.