7. Hoffnung in Jakob der Lügner
7.1 Die unterschiedliche Aspekte der Hoffnung
7.1.4 Sprachliche Merkmale: Humor, Ironie, Sarkasmus
Em geral, existe confusão de ideias quando se trata de separar tecnologia de técnica. O uso preciso desses termos não é simples por causa da dificuldade de distinguir um do outro; se podem ser tomados como sinônimos, porque têm similaridades semânticas, tal sinonímia não se sustenta, porque ambos contêm diferenças claras. Segundo Lévy (1993, p. 12), a técnica é hoje objeto de muitos preconceitos; e em seu uso cotidiano — diz Alencar (2009, p. 156) — o termo “técnica” se confunde às vezes com o termo “tecnologia”; isto é, “Falamos de técnica quando queremos falar de tecnologia”, e vice-versa. Há quem considere que as tecnologias são antigas, independentemente do momento histórico da criação e do uso de seu termo. Mas, segundo Rüdiger (2007, p. 35), há uma distinção entre os termos técnica e tecnologia a ser
observada: o primeiro é de origem secular, foi cunhado pelos gregos antigos e, graças à ação e interação humana, passou por variações históricas:
Durante o século XVII, empregava-se a palavra técnica como sinônimo de arte, conforme uma tradição que remonta à Antigüidade. Neste período, a palavra ainda designava as várias atividades cuja matéria pode ser objeto de arte; isto é, da aplicação de um saber passível de desenvolvimento, mas não de pleno acabamento ou total perfeição. (RÜDIGER, 2007, p. 35).
Para Vargas (1994), a técnica é um comportamento humano baseado no aprendizado simbólico e que os saberes de como fazer algo não baseados na lógica, mas que pretendem ser exatos, chegou aos nossos tempos com o título de “técnicas” (VARGAS, 1994, p. 177). Segundo esse autor, não se trata de teorias, mas de conhecimentos adquiríveis pela prática e transmissíveis, oralmente, na interação verbal entre mestres e aprendizes no próprio trabalho técnico, e mediante tratados técnicos (escritos); a técnica não ajuda o homem a se tornar mais apto a sobreviver; antes, adapta-o às circunstâncias naturais para que “viva melhor” (VARGAS, 1994, p. 174).
No século XVIII, conforme descreve Rüdiger (2007, p. 35), o entendimento do que seja técnica transmuta aos poucos; “Enseja o período a paulatina aclimatação do termo tecnologia”. Segundo Vargas, surge uma crença que toma conta da mentalidade renascentista: a de que tudo que é feito no campo da técnica e no da arte pode ser feito por meio de conhecimentos científicos. Assim, a tecnologia é entendida “[...] como a solução de problemas técnicos por meio de teorias, métodos e processos científicos” (VARGAS, 1994, p. 179). Contudo, diz Vargas, a aproximação entre ciência e técnica ocorreu por quase dois séculos até que a ciência teórica começasse a ser bem-sucedida ao explicar os resultados da técnica. Exemplifica isso a explicação do funcionamento da máquina a vapor pela termodinâmica até que, com as descobertas no campo da eletricidade, “A teoria passa à frente da prática e as máquinas elétricas já começam a ser calculadas e construídas a partir de teorias científicas” (VARGAS, 1994, p. 179). Ainda segundo esse autor, até pouco tempo atrás se insistia em proclamar o primado da técnica sobre a teoria e que o logos da técnica — a tecnologia — estabeleceu-se de vez só após a Segunda Guerra Mundial. Mas firmou-se a ideia de que toda realização técnica deve ser conduzida por um estudo científico.
Assim, diz Rüdiger (2007, p. 9), “Desde o século XVII, converte-se a técnica, informada pelas ciências, em poderosa força material, que afeta cada vez mais nosso modo de ser, a vida cultural e as formas de sociabilidade”. Uma técnica no sentido amplo do termo “[...] pode ser entendida como sendo um dispositivo ou um procedimento desenvolvido para a
execução de uma arte, de um ofício, de um lazer ou para proporcionar melhor conforto às pessoas e ampliar o seu domínio sobre a natureza” (PAIS, 2008, p. 92).
Para Rüdiger (2007, p. 186), técnica e tecnologia se assemelham porque são conhecimentos operacionais; mas se distinguem porque a técnica se desenvolve socialmente “[...] como forma de saber prático e, portanto, através da mediação do corpo humano em condições históricas determinadas, podendo, potencialmente, aparecer em todas as áreas de sua intervenção, conforme a define o seu criador, o Ocidente”; e tecnologia é o que chamamos de “[...] técnica enquanto se articula com a forma de saber que chamamos de ciência, através da mediação da máquina e, potencialmente, em todas as áreas passíveis de automatização, conforme o define o tempo que a criou, a Modernidade” (RÜDIGER, p. 186–7).
A fim de obtermos uma compreensão mais objetiva de tecnologia, recorremos a Vieira Pinto (2005), que sistematizou quatro conceitos para este termo. A saber:
(a) De acordo com o primeiro significado etimológico, a “tecnologia” tem de ser a teoria, a ciência, o estudo, a discussão da técnica, abrangidas nesta última noção das artes, as habilidades do fazer, as profissões e, generalizadamente, os modos de produzir alguma coisa. Este é necessariamente o sentido primordial, cuja interpretação nos abrirá a compreensão dos demais. A “tecnologia” aparece aqui como um valor fundamental e exato de “logos da técnica”. (b) No segundo significado, “tecnologia” equivale pura e simplesmente a técnica. Indiscutivelmente constitui este o sentido mais freqüente e popular da palavra, o usado na linguagem corrente, quando não se exige precisão maior. As duas palavras mostram-se, assim intercambiáveis no discurso habitual, coloquial e sem rigor. Como sinônimo, aparece ainda a variante americana, de curso geral entre nós, o chamado Know-how. Veremos que a confusão gerada por esta equivalência de significados da palavra será fonte de perigosos enganos no julgamento de problemas sociológicos e filosóficos suscitados pelo intento de compreender a tecnologia. (c) Estreitamente ligado à significação anterior, encontramos o conceito de “tecnologia” entendido como o conjunto de todas as técnicas de que dispõe uma determinada sociedade, em qualquer fase histórica de seu desenvolvimento. Em tal caso, aplica-se tanto às civilizações do passado quanto às condições vigentes modernamente em qualquer grupo social. A importância desta acepção reside em ser a ela que se costumava fazer menção quando se procura referir ou medir o grau de avanço do processo das forças produtivas de uma sociedade. A “tecnologia”, compreendida assim em sentido genérico e global, adquire conotações especiais, ligadas em particular ao quarto significado, a seguir definido, mas ao mesmo tempo perde em nitidez de representação de seu conteúdo lógico que ganha em generalidade formal. (d) Por fim, encontramos o quarto sentido do vocábulo “tecnologia”, aquele que para nós irá ter importância capital, a ideologização da técnica. Condensadamente, pode dizer-se que neste caso a palavra tecnologia menciona a ideologia da técnica. (PINTO, 2005, p. 219–20).
Dada essa relação estreita entre técnica e tecnologia, no campo da educação entendemos que “[...] as tecnologias, sozinhas, não educam ninguém” (KENSKI, 2007, p. 9), mas são essenciais ao processo de humanização. Segundo Pais (2008), a tecnologia em si — ou seja, desprovida de intenção social, cultural, política — não tem poder de modificar realidade, pois transformar a informação em conhecimento e ampliar a inteligência humana requer do usuário um esforço ou um “[...] considerável componente do engajamento pessoal nas situações de aprendizagem” (PAIS, 2008, p. 103–4). Isso implica dizer que o computador pode constituir possibilidades de crescimento individual, porque — diz Rüdiger (2007, p. 30) — “[...] o emprego da técnica segue um padrão que tem origem em fatores extra- tecnológicos”. Portanto, o acesso às tecnologias não basta para modificar as condições humanas; mesmo um computador de última geração não tem o poder de usar as informações, dando-lhes sentidos ou valores. Eis por que a tecnologia “[...] não pode ser apressadamente classificada, em si mesma, como boa ou ruim” (PAIS, 2008, p. 98).