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Språkkontakt eller selvstendig innovasjon?

Liev Semionovich Vygotsky – autor russo do início do século XX, com formação em psicologia, medicina, filosofia e direito – não chegou a elaborar uma teoria de aprendizagem,

contudo seus trabalhos discutem principalmente sobre a compreensão dos processos mentais de aprendizagem.

Em “A Formação Social da Mente” (VYGOTSKY, 1991), coletânea de vários de seus ensaios, e em “Pensamento e Linguagem” (2002), o teórico discorre a respeito da interferência histórico-social sobre o desenvolvimento da mente humana, analisa também as relações entre o pensamento e o desenvolvimento da linguagem. Tais obras se apresentam como suporte teórico orientador capaz de auxiliar a reflexão sobre o processo ensino/aprendizagem envolvido nesta pesquisa investigativa.

De acordo com Rabello e Passos (2008), o livro “Pensamento e Linguagem”, escrito por Vygotsky, em 1934, foi o primeiro livro do autor a ser publicado nos Estados Unidos em 1962. Desde então as obras de Vygotsky foram traduzidas em vários idiomas e obtiveram reconhecimento entre pesquisadores da área comportamental e educadores. No Brasil, suas obras se tornaram acessíveis nos anos 80 devido à tradução delas para a Língua Portuguesa.

Para Vygotsky (1991), o indivíduo é um ser social,, formado em ambiente cultural e histórico, que usa a linguagem como um instrumento de comunicação imprescindível à manifestação da aprendizagem e intrinsecamente relacionada à construção do pensamento. Apesar disso, pondera que pensamento e linguagem são processos independentes.

Em sua obra “Pensamento e Linguagem”, Vygotsky (2002, p.10) destaca que “[...] é no significado que o pensamento e o discurso se unem em pensamento verbal”. Percebemos, com isso, que para ele a significação das palavras toma centro nas relações entre pensamento e fala, sendo fruto das vivências individuais determinadas em um contexto histórico-social.

Baseado em experimentos e análises sobre como se dá a formação de conceitos, Vygotsky concluiu que apenas no final da adolescência o sujeito é capaz de compreender o significado de um conceito a ponto de utilizá-lo racionalmente em situações diversas, sendo este conceito transcrito em palavra repleta de significações: um signo. Entendemos por instrumento algo que pode ser usado para controlar a ação sobre os objetos; já um signo é a representação da linguagem simbólica desenvolvida pelo homem. De acordo com Moreira (1999, p.111), Vygotsky descreve que

existem três tipos de signos: 1) indicadores, São aqueles que têm uma relação de

causa e efeito com aquilo que significam (e.g.,fumaça indica fogo, porque é causada por fogo); 2) icônicos, São imagens ou desenhos daquilo que significam; 3) simbólicos, são osque têm uma relação abstrata com o que significam.

O significado dado aos signos viabiliza a transposição do concreto para o abstrato e é imbuído de valores e sentimentos sociais construídos histórica e culturalmente, sendo temporais e não universais. Ao convergirem linguagem (fala) e atividade prática, encerra-se “o momento de maior significado no curso do desenvolvimento intelectual, que dá origem às formas puramente humanas de inteligência prática e abstrata [...]” (VYGOTSKY, 1991, p.27).

A linguagem é sem dúvida o mais importante sistema de signo para o desenvolvimento cognitivo, sendo a comunicação a mola propulsora que possibilita a interação social e a organização do pensamento. Com isso, a “internalização dos sistemas de signos produzidos culturalmente provoca transformações comportamentais e estabelece um elo de ligação entre as formas iniciais e tardias do desenvolvimento individual.”(VYGOTSKY, 1991, p.8). Percebe-se que o ambiente sócio-cultural estimula funções mentais superiores e o produto delas retorna ao ambiente, promovendo contínuas modificações no ambiente e no próprio homem.

De acordo com Vygotsky (1991), a conversão das relações sociais em funções mentais superiores não é direta, mas mediada, incluindo o uso de instrumentos e signos, que, generalizados, constituem-se em conceitos. Consideraremos as generalizações como abstrações da realidade, ou seja, o emprego de mesmo signo em situações análogas diversas.

Os conceitos, para Vygotsky (2002), variam quanto a sua origem, sendo discriminados em conceitos espontâneos (C.E.) – os quais se manifestam a partir da interação do sujeito com seu objeto concreto de aprendizagem – e conceitos científicos (C.C.) – obtidos formalmente na escola. “Um conceito espontâneo origina-se de situações concretas, por sua vez, o conceito científico envolve uma atitude mediada em relação ao objeto”. (VYGOTSKY, 2005, p. 135). Na figura 4, podemos observar que, enquanto os C.E. crescem verticalmente a partir do cotidiano em sentido às generalizações, os C.C. seguem sentido inverso. Isso significa que o foco do C.E. é o objeto concreto e a partir de interações mediadas evolui para generalizações. Já, nos C.C., parte-se de conceitos já incorporados, generalizados, para situações concretas específicas.

Figura 4 - Representação da relação existente entre C.E. e C.C. e, o sentido evolutivo das

generalizações desse conhecimentos. Fonte: Baseado em VYGOTSKY, 2002.

É possível perceber a profunda relação existente entre os saberes cotidianos e os saberes científicos tendo em vista que, para ser compreendido, o C.C. depende do nível alcançado pelo C.E., pois o arcabouço de informações vividas pelo aprendiz constitui sustentáculo a um saber mais formal. Por exemplo, para que um aluno compreenda o conceito de densidade, ele deve ter formado previamente os conceitos de volume e massa, que por sua vez requerem outros conceitos.

Cabe à escola propiciar aos alunos instrumentos com potencialidade para aproximar os saberes espontâneos do saber científico, de forma que eles se apropriem deste conhecimento e interfiram na realidade da qual provém o saber cotidiano.

Essa apropriação, segundo Vygotsky (1991), refere-se a um processo de evolução que depende de duas áreas do desenvolvimento cognitivo, às quais ele denominou de Zona de Desenvolvimento Real (ZDR) e Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). Enquanto o conhecimento espontâneo situa-se na ZDR, região na qual o indivíduo domina suas funções psíquicas e é capaz de resolver problemas de forma autônoma, o conhecimento científico, que exige o domínio mais elaborado dessas funções, encontra-se na ZDP, estágio no qual o sujeito necessita da mediação de outro indivíduo mais experiente para desenvolver determinadas tarefas que não seriam possíveis sem essa intervenção.

A interação entre os alunos e/ou destes com recursos que colaboram com a internalização de novos conhecimentos, possibilita que eles atinjam, segundo Vygotsky (1991), estado de mentes superiores, aqui entendido por habilidades cognitivas exclusivamente humanas, como o pensamento, a linguagem, a percepção, a lógica etc.

Na figura 5 podemos visualizar uma representação da fusão entre a ZDR e a ZDP, que foi proporcionada a partir da internalização de novos domínios constituindo assim a nova ZDR.

Figura 5 - Processo de interação mediada que proporciona ao indivíduo que se encontra na ZDR ao

incorporar novos conhecimentos atingir a ZDP. Fonte: Baseado em VYGOTSKY, 1991.

De acordo com Vygotsky (1991), a ZDP é o campo a ser trabalhado pelo educador que deverá oferecer oportunidades de aprendizagem por meio de eventos que possibilitem a interação cooperativa entre os alunos. Isso despertará processos internos de desenvolvimento levando-os à internalização para atingir funções mentais superiores, capacitando-os a correlacionar esses novos domínios com outros e em diferentes contextos.

Vale ressaltar que o desenvolvimento dos processos mentais superiores depende de contextualização; a linguagem serve muito bem para isso, na medida em que o uso de signos linguísticos (palavras, no caso) permite que o indivíduo faça abstrações e se afaste cada vez mais do contexto concreto.

As linhas investigativas de Vygotsky e suas ideias visionárias, apesar de terem sido analisadas no contexto histórico da Teoria Marxista, apresentam-se ainda hoje atuais em relação às NTICE, uma vez que em seus trabalhos o autor aponta para a importância da escola e do professor como desencadeantes de ações pedagógicas que favoreçam a interação entre os sujeitos.

Esta proposta pode ser dinamizada pelo uso da internet e das redes sociais, desde que orientada neste sentido, pois favorece o intercâmbio cultural, o desenvolvimento da linguagem e do pensamento científico trazendo contribuições importantes para o ensino de Ciências.